sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz 2012!

2012 é o ano augurado pela Profecia Maia.
Tomara que consigamos chegar a 23 de dezembro para conferir o que isso significa, sé que é vai significar algo...
Em todo caso, feliz 2012!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dezembro um mês comum, coisa de um ano incomum


Dezembro um mês comum, coisa de um ano incomum

O mês de dezembro é normalmente picotado por dois feriados, e semi-feriados, na sua segunda quinzena. Um é a celebração do Natal, o outro é o Final de Ano. Claro que isso vale para os países que contam o tempo pelo calendário cristão, como o Brasil, ou seja, a maioria de nós está celebrando o nascimento de Jesus Cristo, e comemorando o final do ano 2011 após o nascimento de Jesus.

Embora a exatidão dos dias possa ser contestada, como, por exemplo, não existiu um ano zero, ou Jesus de fato teria nascido uns 4 ou 5 anos antes do que é normalmente contado, normalmente contamos que agora esteja terminando o ano 2011 da chamada era cristã. E dias atrás celebramos o nascimento de Jesus.

Casualmente este ano, vi na Internet um gaiato que se professa ateu desejar “Feliz Dia do Sol Invicto para você também”. O Sol Invicto era a crença professada pelo Imperador Constantino, imperador do Império Romano entre 306 e 337, que foi talvez o principal responsável pela regularização do cristianismo naquele Estado. Quando o cristianismo foi regularizado o nascimento de Jesus passou a ser celebrado na mesma data do Sol Invicto. Não estou certo que todos os historiadores endossem esta tese, mas ela é mais ou menos aceita por quem tenha algum conhecimento sobre essa época.

Mas, voltando ao nosso título, e ao primeiro parágrafo, neste ano de 2011, o dia 24 e o dia 31, os “semi-feriados” caem no sábado, e os dias 25 e 1º de janeiro de 2012, os feriados caem no domingo. Assim, de maneira excepcional, temos 22 dias apelidados de úteis em dezembro. Se o Banco Central não tivesse decretado feriado bancário no dia 30 de dezembro, para alegados fins contábeis, até os bancos ficariam abertos por 22 dias em dezembro. É um fenônomo raro em dezembro. 22 dias de bancos abertos é coisa para agosto, mês sem feriados!

Ou como me disse alguém, “Natal no domingo devia ser proibido. Se o Natal caísse no domingo, deveria ser adiado para a segunda-feira, e a véspera do Natal para a sexta-feira antecedente.”


Eu acho que concordo.


30/12/2012.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal!

Esta e a noite de celebrar o nascimento de Jesus, e das pessoas confraternizarem.
Feliz Natal a você que chegou neste blog!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Historia de Bizancio, de Emilio Cabrera


Historia de Bizancio, de Emilio Cabrera



“Historia de Bizancio” é um livro que, como o título aponta, conta a história daquele que para a maioria de nós ficou conhecido como “Império Bizantino”.
Eu tive contato com o livro por conta de uma disciplina eletiva no final da faculdade e achei o livro muito bom, uma peça magistral. Isto é, se você tivesse que ler apenas um livro sobre a história do Império Bizantino, este livro lhe daria uma boa base sobre o assunto.
O autor, Emilio Cabrera, consegue de maneira equilibrada, traçar uma narrativa dos eventos mais marcantes dos cerca de 1000 anos de existência do Império Bizantino, estabelecendo uma periodicidade cronológica, e, dentro de cada um desses períodos, busca fazer uma análise das mudanças que aquela sociedade foi sofrendo ao longo do tempo.
O Império Bizantino não nasce como “Império Bizantino”. Ele é a continuação do Império Romano. Depois que o último imperador do ocidente é deposto, e a parte ocidental do Império se fragmenta, o Império Romano continua em sua porção oriental, com um imperador reinando em Constantinopla.
O nome “bizantino” se deve ao fato do imperador Constantino ter mandado construiu a cidade de Constantinopla sobre o sítio de uma antigo colônia grega no estreito do Bósforo chamada Bizâncio.
Mas o grupo social manteve muito da sua caracterização de “Império Romano” até o final do século VI, inclusive com o uso do latim na corte.
Também marcante para o Império Bizantino foi seu caráter como “Império Romano Cristão”. Assim, durante boa parte do tempo de existência dessa sociedade é possível observar querelas doutrinárias sobre o caráter de Deus, de Cristo, da mãe de Cristo, e da adoração.
Durante seus cerca de 1000 anos de existência o Império Bizantino teve que enfrentar diversos desafios: as invasões eslavas nos Bálcãs; o surgimento do Islamismo que lhe tomos vastos territórios; as relações complicadas com o ocidente cristão em geral e com o Papado em particular.
Para enfrentar os sucessivos desafios que o Império Bizantino teve ao longo de sua existência milenar, ele passou por várias reorganizações, as quais Cabrera tenta analisar e explicar. É isso que torna a obra bastante didática. Emilio Cabrera mostra como o império que se extinguiu quando os turcos tomaram Constantinopla em 1453, era uma sociedade muito diferente daquela que começou a ganhar seus contornos nos séculos IV e VI, ou entre os anos de 340 e 580.





CABRERA, Emilio. Historia de Bizancio. Barcelona: Editorial Ariel, 1998.


12 e 13/12/2011.




Diário - teatro - Tholl: Imagem e Sonho


Diário - teatro - Tholl: Imagem e Sonho



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Sábado passado (12/11/2011) fui assistir ao espetáculo Imagem e Sonho, do Grupo Tholl, no Teatro do Bourbon Country, sem saber muito a respeito do programa que me aguardava.
Contudo o espetáculo do grupo teatral-circense foi uma agradável e imprevista surpresa. O espetáculo superou qualquer expectativa que eu pudesse ter. É um show que encanta e diverte mesmo. A plateia do teatro aparentemente também gostou bastante do espetáculo, pois a maioria o aplaudiu em pé ao final da apresentação.
E de quebra, ao final do espetáculo, os artistas foram para o saguão do teatro interagir com o público, conversando, posando para fotos, e esbanjando simpatia.


14/11/2012.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ainda sobre os 20 anos de Achtung Baby - From the Sky Down


Ainda sobre os 20 anos de Achtung Baby - From the Sky Down



Faz pouco tempo que eu comentei sobre os 20 anos do disco "Achtung Baby", e de como ele pareceu um tanto estranho, e fiquei relembrando um pouco daquela época.

Pois esta semana passou na TV por assinatura o documentário "From the Sky Down", sobre como o U2 viveu o sucesso do disco "The Joshua Tree", e sobre como eles viveram uma turnê através dos Estados Unidos, que acabou retratada no filme "Rattle and Hum".

Na verdade essa turnê através dos Estados Unidos transformou o U2 em uma "mega-banda", coisa que eles não estavam acostumados, e para o qual não estavam preparados. Além disso o filme "Rattle and Hum" acabou recebendo um tratamento contundente de uma parte da crítica. De quebra, naquele período, The Edge, o guitarrista do grupo, passou por um traumático processo de divórcio.

Ou seja, segundo a história contada nesse documentário, no final da década de 1980, o U2 estava em crise. Depois de tudo, o que fazer? O grupo pensou inclusive na hipótese de se separar.

"Achtung Baby" foi uma espécie de catarse, de busca de uma nova sonoridade, de um reinventar-se. Inclusive debochando de si mesmos e do mundo de "rock stars" do qual eles acabaram por se tornar parte.

Foi assim que surgiu "Achtung Baby" e a turnê "Zoo TV". Foi a maneira do U2 seguir adiante depois de uma crise gerada por um monstruoso sucesso.




02/12/2011.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Diário – Leituras – As Veias Abertas da América Latina


Diário – Leituras – As Veias Abertas da América Latina


Depois de tanto tempo e tanto ouvir falar, finalmente li o livro “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano.

Ganhei um exemplar publicado em 2002 pela Editora Paz e Terra, de uma colega de trabalho que resolveu fazer uma sessão de desapego de alguns dos livros que enchiam sua estante sem nova perspectiva de leitura.

Este exemplar é baseado em edição do final da década de 1970. Tem prefácio da escritora chilena Isabel Allende, e posfácio do próprio Eduardo Galeano, à guisa de comentário e um pouco de atualização. O livro propriamente dito, foi publicado pela primeira vez em 1970.

Lembro que quando li “O Manual do Perfeito Idiota Latino Americano” alguns anos atrás, os autores do panfleto liberal acusaram este livro (“As Veias Abertas”) de ser um dos responsáveis pela suposta autocomiseração dos povos da América Latina, e pelo pensamento esquerdista que acabaria moldando muitos intelectuais deste canto do mundo, e sendo um entrave à livre-iniciativa e à liberdade de expressão tão queridas a esses liberais.

“As Veias Abertas da América Latina” é um rápido compêndio de História da América Latina. Acho que a História da América Latina é profundamente desconhecida por nós brasileiros. O nosso currículo de História nos leva a aprender um pouco sobre a História do Japão, a partir do século XIX, por causa do contato das potências europeias com esse país, mas não nos diz nada sobre a colonização, o processo de independência e o desenvolvimento dos países com os quais compartilhamos o continente.

E Eduardo Galeano nos conta uma história de como nossos países foram colonizados sempre visando a exportação de seus recursos naturais, e como isso sempre beneficiou as metrópoles coloniais primeiro e os países desenvolvidos, Inglaterra e Estados Unidos, depois, além de uma minúscula minoria da região.

Passa em revista os ciclos de extrativismo mineral, comentando a exportação do ouro a partir das Minas Gerais no Brasil, e a prata de Potosí, Bolívia. Curiosamente estas riquezas minerais não serviram nem mesmo às metrópoles coloniais. O ouro brasileiro acabou indo em grande parte para a Inglaterra, e a prata boliviana acabou com banqueiros alemães e holandeses que financiaram as atividades bélicas dos reis castelhanos na Europa.

Fala do ciclo do açúcar espalhou escravidão por onde aconteceu, começando pelo nordeste brasileiro, onde acabou por atrair a cobiça dos holandeses, que ocuparam a região no século XVII. Nós, brasileiros, conhecemos bem o que o açúcar gerou entre nós. A distância entre os senhores e os escravos, e os seus descendentes, o desprezo pelo trabalho, e consequentemente pela inventividade. Ao comentar sobre o açúcar, o autor faz interessante paralelo entre o desenvolvimento das treze colônias que acabariam por gerar os Estados Unidos, e as colônias britânicas no Caribe. Como não havia nenhuma riqueza natural evidente na Nova Inglaterra, a região pôde se desenvolver de maneira relativamente autônoma, e livre de importunações. Nas ilhas do Caribe que se tornaram colônias britânicas, de clima tropical, propício ao cultivo da cana-de-açúcar, não só houve subdesenvolvimento, como também escravidão.

O autor também comenta como, a partir do processo de independência, no início do século XIX, os países da região tenderam à concentração da posse da terra, fosse na Argentina, no Brasil, ou no México. Concomitante à expansão do latifúndio, a economia da região se encaixou como fornecedora de produtos agropecuários, para os países desenvolvidos, com destaque para Inglaterra e Estados Unidos. Assim,o Brasil exportava café e açúcar, a Argentina carne e couros, da mesma forma que o Uruguai.

O autor perscruta também a produção dos países da América Central e do Caribe e sua sujeição aos Estados Unidos, inclusive com as frequentes intervenções militares desse país na região.

Por fim, comenta o desenvolvimento industrial tardio dos países da região, e novamente dependente de indústrias provenientes dos chamados países desenvolvidos. O surgimento das indústrias para a produção de bens de consumo na região, foi em sua maioria submissa aos chamados países desenvolvidos. Fosse para a produção de automóveis, de geladeiras ou de aparelhos de rádio.

Nos últimos trinta e cinco anos, a região se desenvolveu bastante. A situação não é ainda boa, mas claramente melhorou com relação ao que é descrito no livro.

Contudo ainda sofremos as consequências de um passado que nos deixou atrasados em relação aos países mais desenvolvidos do mundo.




22/10/2011.


GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
  

Leituras Atrasadas: Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano



MENDOZA, Plínio, Apuleyo. Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano / Plínio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner, Álvaro Vargas Llosa. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil : Instituto Liberal, 1997.

Com mais de dez anos de atraso enfrentei o panfletão do filho de Mário Vargas Llosa e associados, com prefácio do falecido Roberto Campos ("Bob Fields"), e apresentação do consagrado escritor peruano. Acredito que este título sui-generis seja uma peça de humor filo-americano, pois nos Estados Unidos da América encontramos séries de livros chamadas "for dummies" (algo como para retardados, ou para atrasados), ou "the complete idiot guide to" (o guia do completo [perfeito?] idiota para...) A propósito, é justo Mário Vargas Llosa, na apresentação quem afirma que o livro é um panfleto.
É qual a propaganda que o panfleto divulga? As bênçãos do liberalismo, ora!
O livro é não muito mais que isso. Uma peça de louvor ao livre-comércio e à livre-iniciativa. Para isso ele tenta fazer troça das reflexões acontecidas no subcontinente, nos últimos 50 anos, disparando contra os estudos feitos pela CEPAL, a Comissão para o Desenvolvimento da América Latina, organismo da ONU, a partir da década de 1940, disparando contra a Teoria da Dependência, formulada por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto na década de 1960, disparando contra a Revolução Cubana e a Revolução Sandinista, disparando contra as medidas estatizantes tomadas por diversos governos da região.
Embora sejam corretos nas citações factuais, o fato do livro ser um panfleto dificulta a aceitação de suas teses. Os autores conhecem mais a América de língua espanhola que a de língua portuguesa. Talvez aí o passar despercebido pelo livro que sem a ditadura de Getúlio Vargas, e as suas medidas estatizantes não haveria desenvolvimento industrial no Brasil, ou ele teria sido muito mais lento.
Os autores gostam de citar o suposto sucesso do novo sistema de previdência do Chile, não citando que ele foi imposto a ferro e fogo pela ditadura do general Pinochet. Também, como o livro foi escrito há dez anos atrás, pode-se desculpar os autores por não saberem que o sistema previdenciário privado chileno está pagando as primeiras pensões agora no início do século XXI, e que estas pensões são menores que as pagas pela previdência estatal chilena, e, em muitos casos, insuficientes para o sustento dos pensionistas. Também não citam que parte da atual prosperidade chilena é possível em parte devido ao regime militar ter "exportado" parte da população, primeiro parte da oposição como exilada política, depois muitos dos cidadãos que saíram do país quando o país enfrentou uma brutal recessão no final dos anos 1970.
Eles também disfarçam mal a sua simpatia pelos Estados Unidos, e desculpam as diversas intervenções realizadas pelo Grande Irmão do Norte na América Latina ao longo do século XX, seja diretamente, como Haiti, ou República Dominicana; seja indiretamente através de suas agências de inteligência e propaganda com a colaboração de parte das oligarquias locais, como no Brasil, ou no próprio Chile.
Quando eu pensasse em questionar o que os autores pensam sobre o liberalismo que houve na América Latina no início do século XX, quando esta se tornou uma grande fornecedora de produtos primários para a Europa e os Estados Unidos (pense no café do Brasil, no trigo e nos derivados bovinos da Argentina, nos minérios da Bolívia, ou do Chile), eles colocam que desde o final do século XIX e in´cio do XX, no subcontinente, a autêntica era do "laissez-faire" era, na verdade, uma época de caudilhismo e patrimonialismo. Curiosamente, muitos dos que eles dizem hoje como patrimonialistas, gostavam de se ver como liberais naquela época. Assim fica parecendo que os autores professam um tipo de "liberalismo ideal", ou 'liberalismo platônico". Ele é um ideal, que quando aplicado a algumas condições históricas determinadas, como o início do século XX, deixa de ser liberalismo para se transformar em outra coisa. É uma contraparte interessante para o comunista-marxista idealista, aquele para o qual os regimes do "socialismo real existente", inaugurado pela União Soviética a partir de 1917 nunca foi comunismo, e, portanto, os abusos ocorridos nos países do socialismo existente não podem ser debitados na conta do comunismo ideal de Marx.
Também é digno de se notar que os autores, enquanto professem fé na livre iniciativa e no livre comércio, não incentivem muito a livre movimentação de pessoas também. O comércio e a iniciativa são bons. Mas se você acha que onde você está não há oportunidades, eles não lhe incentivam a ir buscar oportunidades em outro lugar. Talvez para não associar que, até o momento, as nações que mais prosperaram com o livre comércio, e se tornaram as mais desenvolvidas economicamente, sejam as mesmas que tentam de todas as maneiras impedir a entrada de migrantes indesejados, mas como a demanda existe, se formam quadrilhas que fomentam o tráfico internacional de seres humanos.
O livro não tem boas qualidades? Sim, tem, mas como ele é um panfleto, e não uma obra comprometida com a busca de alguma verdade, ela quer transmitir a sua verdade já consagrada, as qualidades da obra podem ser encontradas em outros estudos de caráter liberal mais sérias.



Texto que publiquei no blog Ainda a Mosca Azul, em 12 de janeiro de 2008

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Andrea True e as Reuniões Dançantes na Vila Cefer


Andrea True e as Reuniões Dançantes na Vila Cefer



A manchete saiu na primeira página de um dos grandes portais de Internet do Brasil, com o respectivo linque para a notícia: "Morre cantora e ex-atriz pornô Andrea True". Seguindo o linque, a notícia informava que a cantora e ex-atriz pornô Andrea True havia falecido de causas não divulgadas, aos 68 anos de idade, no dia 7 de novembro passado. Segundo a notícia ela havia atuado nos filmes "Meatballs"(1972) e "Garganta Profunda II"(1974). Também era cantora e líder do grupo "Andrea True Connection". Ainda segundo a notícia, seu corpo seria cremado em Kingston, estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Eu não vi os filmes em que Andrea True atuou, mas, vejam só, eu dancei ao som do Andrea True Connection.

Isso foi na segunda metade da década de 1970. Eu, e a turminha da qual eu fazia parte, éramos basicamente pré-adolescentes, ou estávamos no início da adolescência, coisa de 11 a, no máximo, 14 anos.

Por aquele tempo Andrea True Connection era uma das mais tocadas nas reuniõezinhas dançantes que promovíamos na Vila Cefer 2. A música se chamava "More, More, More" e era tocada em praticamente todas as reuniões dançantes daquela época, pouco antes do estouro da música disco, com o filme "Os Embalos de Sábado à Noite". Sempre alguém tinha um disco com coletâneas que incluíam "More, More, More", e "Love to Love", de Tina Charles.

Essas reuniões que eu frequentava eram no "topo" da Vila Cefer, nas ruas 8, 9 ou 10, e aconteciam no espaço que estivesse disponível. Podia ser a sala de alguém, e nesse caso os móveis eram afastados, ou na garagem, quando os pais, donos da casa, faziam o favor de tirar o automóvel. Para comer sempre havia as pizzas caseiras, feitas por alguma mãe compassiva. Para beber, refresco em pó diluído em água, pois os refrigerantes eram menos acessíveis naquela época. Eventualmente a reunião dançante “passava a seco”. De alguma maneira as luzes eram transformadas em penumbra, e o ambiente estava pronto.

Nas músicas mais agitadas, como era o caso de "More, More, More", ou "Love to Love", na hora de dançar se formavam as rodinhas dos guris, e a rodinha das gurias. Se bem que, pela minha lembrança, sempre havia menos meninas que meninos nessas reuniões dançantes. Não sei se de fato havia menos meninas nas redondezas, ou se poucos eram os pais que permitiam a elas andarem pela vila nas noites de sábado daqueles tempos.

Das músicas lentas, eu posso me lembrar de Morris Albert e sua "She's my Girl". Na hora das músicas lentas era era de dançar de rostinho colado com as meninas. Meninos colocando as mãos na cintura das meninas, meninas com as mãos sobre os ombros, e por trás do pescoço, dos meninos.

Pois é. Tudo isso me voltou à mente por conta da notícia do falecimento de Andrea True.


30/11/2011.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Diário - cinema - O Palhaço

Diário - cinema - O Palhaço



Fim de semana passado fui assitir ao filme “O Palhaço”, produção brasileira estrelada e dirigida por Selton Mello.

É um belo filme. Conta a história de Benjamin, ou “Pangaré”, palhaço do circo Esperança, que perambula pelo interior do Brasil, em meados da década de 1970. A década de 1970 pode ser inferida pelo espectador a partir dos veículos mostrados no filme (e suas placas amarelas), e pelas velhas cédulas de cruzeiro.

No início do filme Benjamin está claramente entediado com seu destino, como palhaço do circo. Esse destino parece ser o de suceder o pai, o palhaço “Puro Sangue”, vivido por Paulo José, em ótima atuação. Puro Sangue é também o dono do circo. No decorrer do filme Benjamin irá lutar contra esse destino a partir de uma oportunidade que ele pensa que se apresenta quando uma moça que assistiu ao show circense se mostra muito simpática com ele. Praticamente uma fã.

Claro que há coisas estranhas nesses anos 1970 do filme. Por exemplo, tenho minhas dúvidas sobre se a eletrificação rural na época era tão desenvolvida. Ou se o empresário Aldo, descolado e usando brinco em alguma cidadezinha do sudeste do Brasil, vivido por Danton Mello, irmão de Selton, seria factível. E acho que mesmo os circos mais mambembes usavam animais em seus shows na década de 1970. Mas esses detalhes devem ser preciosismos meus.

O filme resgata alguns artistas meio sumidos, como o Ferrugem, que parece não ter mudado nada nos últimos 30 anos, ou Jorge Loredo, que aparece numa ponta contando piadas num “happy hour” de funcionários de uma loja.

A trilha sonora, além das músicas circenses, resgata algumas preciosidades da chamada música brega dos anos 1970, nas vozes de Lindomar Castilhos e Nelson Ned.

Enfim, um belo filme.




06/12/2011.

Diário - shows em novembro

Diário - shows em novembro



Eu gostaria de lembrar de novembro de 2011 como um mês em que fui a vários shows. No caso, quatro.
 O incomum nisso é que nos meus quarenta e tantos anos eu nunca fui a quatro shows em apenas em um mês. Aliás, raramente vou a um show. Isso tornou este novembro incomum.
Em 11 de novembro foi o show do Pearl Jam, no estádio do São José aqui de Porto Alegre. A banda incluiu Porto Alegre em sua turnê dos 20 anos de aniversário. O show foi uma espécie de celebração dos anos 1990, e do apogeu do chamado “grunge”.
No dia seguinte, 12, eu descobri que o Rio Grande do Sul tinha um belo show circense. Nessa noite no Teatro do Bourbon Country eu pude assistir uma apresentação do Grupo Tholl, de Pelotas. Um show belo e emocionante.
No dia 18, no mesmo Bourbon Country, fui assistir a um show do grupo MPB4. Um pessoal que está por aí faz mais de 40 anos, mas que eu nunca havia visto ao vivo. No show, um repertório de mpb, como seria de se esperar, com base em Chico Buarque e Bossa Nova, com participação especial do músico gaúcho Nei Lisboa. O meu desejo ao assistir este show era ouvir uma interpretação da clássica “Roda Viva”. Felizmente para mim, estava no repertório.
Por fim, dia 24, fomos Opinião assitir ao show de gravação de um DVD do grupo gaúcho Comunidade Ninjitsu. Meu filho ganhou os ingressos em um promoção de uma rádio local. Foi tempo de ouvir interpretações das canções do grupo liderado por sua excelência o deputado Mano Changes. Pérolas da sofisticação como “Detetive” e “Ah” Eu tô sem erva!”.
No meu caso, um mês diferente.




06/12/2011.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Monarco fez show em Porto Alegre


Monarco fez show em Porto Alegre



Neste domingo (27/11) Porto Alegre ardia sob um calor de mais de 30ºC.

Apesar do calor, por volta da metade da tarde saí de casa para aproveitar os dias mais longos proporcionados pelo horário de verão.

Me dirigi à orla do Guaíba, em volta do Parque da Harmonia.

No Anfiteatro Pôr-do-Sol era celebrado o aniversário de 28 anos da Rádio Ipanema FM. Da rótula próxima do Centro Administrativo Fernando Ferrari era possível escutar a programação e as músicas dali.

Como assistir a um show no Anfiteatro Pôr-do-Sol naquele horário significava basicamente ficar exposto ao sol de quase 35ºC, resolvi caminhar em direção ao lado oposto, em direção à antiga usina do Gasômetro.

Quando cheguei próximo do prédio da usina, pude ouvir uma roda de samba que se desenrolava ali.
Para minha surpresa, quando me aproximei da tenda sob a qual rolava a batucada, pude reconhecer o cantor e compositor Monarco, membro da Velha Guarda da Portela, sambista conhecido.

Monarco e Guaracy, outro membro da Velha Guarda da Portela, estavam ali a convite do Instituto Brasilidades, para celebrar o “Dia Nacional do Samba”. E samba era o que estava sendo celebrado de fato ali. Não contei, mas penso que umas 200 ou 300 pessoas estavam reunidas ali para dançar e cantar junto com Monarco e Guaracy.

O repertório passou por Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Cartola, algumas composições próprias de Monarco, e outras. Para quem gosta de samba, um show de primeira.

Emoção e alegria estavam estampadas nas faces daqueles que estiveram reunidos nesse domingo ali na Ponta do Gasômetro.

Eu fiquei pessoalmente surpreso e satisfeito. Nunca pensei que assistiria um show de Monarco sem precisar ir ao Rio de Janeiro.



28/11/2011.


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Tietagem em volta de Monarco.

Aqui, um vídeo de Monarco.




sábado, 26 de novembro de 2011

Pausas




Blog parado não é sinal de falta de inspiração, nem de transpiração.
Talvez necessidade de reflexão.
Talvez apenas falta de um pouco mais de organização.



26/11/2011.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Insensatez


Insensatez




Eu estava mostrando para alguns colegas alguns dos livros que eu havia comprado na 57ª edição da Feira do Livro. Nada muito especial. Algumas pechinchas garimpadas nos balaios da Feira. Trabalhar vizinho à Feira tanto podia ser uma bênção, quanto uma maldição, e já volto a falar sobre isso.
Uma colega, vendo os livros recém adquiridos, me interpelou:
- Mas tu já não tens livros que ainda não leste em casa?
- Tenho. - Respondi.
- Eles já não são em grande número?
- São.
- Então? Por que comprar mais livros?
- Estupidez! - Respondi prontamente.
O grupo de colegas, que estava olhando os livros, riu.
- Insensatez. - Continuei. - Idiotice. Ou talvez vontade de viver para sempre, o que me daria a certeza de conseguir ter tempo para ler todos os livros que eu havia acumulado.
Verdade. Tenho uma biblioteca que está tomando conta do imóvel que habito. De fato, os livros estão a querer expulsar os habitantes do imóvel. Também costumo dizer, como chiste, que estou conduzindo um experimento científico. O experimento científico consiste em saber quantos livros é possível acumular antes que o prédio em que moro venha a ruir. Tempos atrás eu ouvi falar que o novo prédio do Tribunal de Justiça aqui de Porto Alegre tinha sido ou mal calculado, ou calculado segundo algum tipo de economia, de tal forma que foi aconselhado aos magistrados que não trouxessem suas bibliotecas para o novo prédio, pois ele correria o risco de ruir.
Somos acostumados a pensar em livros como uma bênção. Os associamos à educação, formação moral, formação sentimental, etc. Eventualmente, se não tivermos espaço suficiente, podem se tornar em uma espécie de maldição. Se não isso, pelo menos um fardo bastante difícil de guardar ou de carregar.






07/11/2011.









Morto


Morto



Morto!

Girando no vazio,

Morto!

Dormindo a cada noite,

Morto!

Levantando a cada manhã,

Morto!

Comendo e bebendo a cada dia,

Mas ainda assim...

Morto!



07/11/2011.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Diário - cinema - Rock Brasília, a Era de Ouro


Diário - cinema - Rock Brasília, a Era de Ouro





Feriado de Finados e fui assistir o documentário “Rock Brasília, a Era de Ouro”, que pelo jeito faz curta temporada nos cinemas de Porto Alegre.


O documentário aborda as bandas de rock que surgiram na Capital Federal no início da década de 1980, com ênfase na Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial, embora fale também nos Paralamas do Sucesso. E fala também do Aborto Elétrico, um grupo embrionário, de onde surgiram o Capital e a Legião.


O filme é muito baseado em entrevistas. Assim, para um documentário que tem rock no nome, o filme tem mais falação que música. Há entrevistas com os músicos que compuseram estas bandas todas, entrevistas com produtores musicais, e mesmo alguns dos pais e mães dos músicos.


É interessante ver como os filhos de altos quadros da burocracia de Brasília, descobriram o punk rock londrino no final dos anos 1970, e começaram a tentar fazer uma coisa parecida, ali na Capital Federal. E a coisa vai crescendo justamente durante a década de 1980, na transição entre o final da ditadura e a transição para a redemocratização do Brasil. O filme tenta resgatar um pouco desta Brasília.


Um filme para quem gosta ou gostou destas bandas. Eu gostei.






02/11/2011.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Agora já sabemos quem matou Salomão Hayalla


Agora já sabemos quem matou Salomão Hayalla

 


E pelo desenrolar da trama sabemos também que o assassinato foi uma obra coletiva.
 

A mini-novela, ou macrossérie, "O Astro", "remake" de antiga novela de Janete Clair, nos anos 1970, terminou sexta-feira passada. Na verdade este "remake" foi uma nova história.

O fato de ser mais curta imprimiu um ritmo bem mais ágil à trama do que estamos acostumados a ver nas novelas tradicionais. Por outro lado, houve momentos em que o ritmo pareceu um pouco apressado demais.

E houve os momentos, alguns deles bastante constrangedores, do "merchandising", onde alguns personagens fugiam temporariamente da trama para anunciar as maravilhas dos produtos de uma rede de supermercados, ou dos automóveis de uma montadora.

E eu não sei se eu estava desacostumado a ver novelas, mas o tal ritmo fez com que alguns personagens soassem demasiadamente caricatos.Samir, por exemplo, o vilão-mor da história parecia um pouco uma mistura de Dick Vigarista e Coyote, sempre às voltas com planos para se dar bem, planos esses que na maioria dos casos não davam certo, ou eram adiados na hora "h".

Tivemos também a indecisa Amanda, que ora se juntava com Herculano Quintanilha, ora achava algum motivo forte para se separar, embora sempre achasse que ele era o homem da vida dela.

Esta macrossérie foi mais feliz que a versão original de mais de 30 anos atrás. Na versão original Jose morria junto com o bebê numa gravidez tubária. Nesta nova versão o filho dela com Márcio nasceu saudável.

Na versão da década de 1970, Amanda e Herculano acabavam separados. Agora acabaram juntos. Com o detalhe que ele consegue ressucitar após ser metralhado em um atentado político no país latino onde ele havia se tornado assessor do presidente após fugir do Brasil, por conta das falcatruas que havia feito por aqui.

A propósito, a jornada de Herculano para alguma ditadura latino-americana é outra homenagem à versão da década de 1970, quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. E também havia ditaduras militares na Argentina, no Uruguai, no Chile, Stroessner ainda reinava no Paraguai, a Bolívia ainda vivia sob a sombra de golpes e contragolpes, e os países do istmo centro-americano viviam em sua maioria sob ditaduras, ou em guerras civis. Eu diria que o país no qual Herculano se tornou assessor presidencial em 2011 é a Bolívia de 1978.
 

E houve esta peculiaridade dele, Herculano, ser assassinado num atentado nessa ditadura latino-americana, mas aparecer vivo, junto com Amanda e o filho deles na cena final da série.
 

E houve o esclarecimento do assassinato de Salomão Hayalla. Se não estou enganado, na novela original, o assassino foi Felipe Cerqueira. Agora foi uma obra coletiva. O mordomo colocou veneno no lugar dos remédios que Salomão normalmente tomava, ele estava cansado de ver o sofrimento que Salomão impingia a todos na casa; Yusef, o irmão de Salomão lhe deu uma coronhada na cabeça, porque Salomão havia chamada a mulher de Yusef de "árvore seca", incapaz de gerar filhos; e, por fim, Clô empurrou Salomão da sacada da mansão, pois ele havia internado compulsoriamente o filho de ambos, Márcio, numa instituição psiquiátrica. Pois é, com um bom advogado, Yusef pode pegar pena "apenas" por lesão corporal, mas quem finalizou o trabalho por assim dizer, foi mesmo Clô. Que confessou o assassinato num tom maléfico, que acabou ficando meio caricatural.

E, em geral, foi boa diversão.




01/11/2011.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de Outubro, Dia da Reforma



Como este blogue não cansa de repetir, dia 31 de outubro é o Dia da Reforma.
É o dia em que o então monge Martinho Lutero pregou na porta do castelo de Wurmtemberg suas 95 teses questionando alguns ensinamentos da Igreja Católica, proclamando que só as Escrituras, isto é, a Bíblia era autoridade em matéria de fé, e contestando a venda de indulgências. Isto aconteceu em 1517.

Imagem de Lutero vinda do blog Curiosidades.

Texto publicado originalmente no blog Voltas em Torno do Umbigo, de 31 de outubro de 2008

31 de Outubro de 2007, 490 Anos da Reforma


Que dia das bruxas, que nada! Hoje faz 490 anos que Martinho Lutero pregou suas 95 teses nas portas de um castelo na Alemanha, rompendo a unidade da cristandade ocidental.
Este blogueiro não é luterano, mas certamente se sente um cristão protestante.
Feliz Dia da Reforma!


Este "post" foi publicado no blog Voltas em Torno do Umbigo, de 31 de outubro de 2007.

Relembrando: Dia 31 de Outubro é Dia da Reforma


Em 31 de outubro de 1517, o então monge agostiniano Martinho Lutero pregou na porta da igreja (ou foi do castelo? não importa. O local pode ser consultado depois...) em Würtemberg, as suas 95 teses contestando as coisas que achava erradas na igreja do tempo dele.
Este ano é o aniversário de número 489.


Este "post" foi publicado no "velho" Voltas em Torno do Umbigo, em 1º de novembro de 2006.

Mais Efemérides de Outubro

Para cristãos de extração protestante, um dos dias mais importantes do ano, senão o mais importante, é o dia 31 de outubro, Dia da Reforma. Acho que para os protestantes deveria ser ponto facultativo (para compensar, os feriados dedicados a santos poderiam ser pontos facultativos para católicos, e os protestantes poderiam trabalhar).


Publicado no "velho" Voltas em Torno do Umbigo, em 30 de outubro de 2006.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

As Efemérides de 2011 e “Achtung Baby”

As Efemérides de 2011 e “Achtung Baby”

Todo ano é possível comemorar alguma efeméride. Em 2010, por exemplo, fez 40 anos que o Brasil foi tricampeão de futebol. Em 2009 se completaram 20 anos da queda do Muro de Berlim.
Neste 2011, aqui em Porto Alegre há a comemoração dos 50 anos da Campanha da Legalidade, quando o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, liderou uma campanha pela posso do vice-presidente João Goulart, em lugar de Jânio Quadros que havia renunciado.
Agora em setembro se completará o primeiro decênio dos ataques contra os Estados Unidos – dez anos do “11 de setembro” como ficou lembrado aquele dia de 2001. Fazia mais de um século que os Estados Unidos não eram atacados em seu território continental. 11 de setembro também foi o dia, em 1973, em que um sangrento golpe de militar derrubou o governo constitucional de Salvador Allende, pondo fim a 50 anos de uma democracia de relativo sucesso, e a tentativa de um socialismo democrático do governo da Unidade Popular, no Chile. Serão 40 anos em 2013.
Dito tudo isso eu gostaria mesmo de lembrar é que em 2011 também se completam 20 anos do lançamento do álbum “Achtung Baby”, da banda irlandesa U2.
Para quem acompanhou a carreira do U2, o disco pareceu muito estranho.
“The Joshua Tree”, o disco anterior, de 1987, havia sido um grande sucesso, e, de alguma maneira, parecia coroar a carreira do grupo. Milhões de discos vendidos, uma longa turnê, e em seguida um filme, obviamente com uma trilha sonora, “Rattle and Hum”. Como coroação da carreira do U2, “The Joshua Tree” é um pouco mais do mesmo do grupo. Rocks melódicos, baladas e letras socialmente engajadas.
“Achtung Baby” parecia bem diferente do U2 até então.
A começar pela capa. Ao mesmo tempo uma colagem e um caleidoscópio. E que tal aquela foto do Bono com maquiagem carregada? Nada contra maquiagens carregadas em sim, mas eu não estava muito acostumado, ou nunca tinha prestado muita atenção a esse tipo de manifestação por parte de Bono.
E a sonoridade? Tanto em “Zoo Station”, a música que abre o disco, quanto em “Even Better than the Real Thing” tinham uma batida que minha esposa então chamava de “batida de lata”.
Pop demais para ser do U2, debochado demais para ser do U2.
É certo que naquele tempo vivíamos dias que pareciam muito estranhos.
Em meados de 1989 o governo da então comunista Hungria declarou que abriria suas fronteiras com a Áustria, e qualquer pessoa que quisesse ir ao país alpino não seria impedida. Até então os países do lesta da Europa viviam sob regimes chamados comunistas. Polônia, Tchecoslováquia. Hungria, Romênia, Iugoslávia, Bulgária, Albânia, e, claro, União Soviética eram todos países comunistas, e quem vivia naquela época, eu inclusive, achava que os regimes comunistas iriam durar para sempre, ou, ao menos, muito tempo. A Alemanha estava dividida. Cerca de dois terços do território atual a oeste era capitalista, o terço restante a leste era comunista. A cidade de Berlim ficava em plena Alemanha Oriental comunista, mas também estava dividida; um muro dividia a cidade, e os cidadãos da Alemanha Oriental eram impedidos de ir para sua contraparte do oeste.
Mas alemães são alemães, e um cidadão da Alemanha Oriental que conseguisse chegar à Ocidental receberia cidadania. O problema era que até 1989 poucos conseguiam fazer isso.
Cidadãos dos países comunistas eram impedidos de viajar para os países capitalistas da Europa Ocidental, mas tinham relativa liberdade para viajar entre os países comunistas.
Mas a abertura da fronteira entre a Hungria comunista e a Áustria capitalista foi como a explosão de uma represa para a Alemanha Oriental. Os alemães afluíam às centenas para a Hungria, passando pela Tchecoslováquia, atravessando a fronteira com a Áustria, e então se dirigindo ao norte para a Alemanha Ocidental.
Com tanta gente saindo da Alemanha Oriental, o próprio governo comunista capitulou e tomou a iniciativa de derrubar o muro que separava Berlim, e abrir as fronteiras com a parte ocidental da Alemanha.
A partir de 1989 os governos comunistas da Europa Oriental foram caindo como peças de uma fileira de dominós, e um fracassado golpe de estado na União Soviética em 1991 foi a pá de cal naquele tipo de governo.
Quando o disco “Achtung Baby” saiu quase no final de 1991, o Muro de Berlim era história, e o comunismo tinha virado pó. Mas não a perplexidade por tudo ter mudado tão rápido.
E talvez por isso o disco se assemelhe um pouco a uma narrativa de viagem. O livreto que acompanha o disco é pleno de fotos, como uma exploração. Com várias fotos da Alemanha. Uma destas fotos é muito icônica. Mostra um sedã Mercedes, automóvel símbolo da pujança da Alemanha, ao lado de um Trabant, um carrinho apertado, com um poluente motor de dois tempos, que era o modelo disponível para as pessoas da Alemanha Oriental adquirirem.
O disco foi parcialmente gravado em Berlim e a primeira faixa, como já foi dito, se chama “Zoo Station”, referência à própria, a Zoo Station de Berlim, a estação do metrô de Berlim que, como o nome indica, é ligada ao zoológico.
Músicas que eu destacaria no disco? As já citadas “Zoo Station” e “Even Better than the Real Thing”. Destacaria também “Until the End of the World”, que também é parte da trilha sonora de um belo e longo filme de Wim Wenders que tem este mesmo nome. E tem também a balada romântica, talvez um pouco já gasta, “One”.
Certa influência alemã ainda seria sentida no disco seguinte do grupo irlandês, “Zooropa”, que sairia em 1993.
É isso. Em 2011 “Achtung Baby” completa 20 anos. Acho que é um feliz aniversário.






24/08/2011, 30/09/2011.









sábado, 15 de outubro de 2011

Diário - televisão - Rede Globo e os Jogos Panamericanos de Guadalajara 2011

Por conta da nossa necessidade de brinquedos tecnológicos, passei boa parte da noite às voltas com tentativas de reparos em computador. Por conta disso, não estava acessando a Internet.
E por conta disso, a televisão esteve ligada, por acomodação, na TV Globo. Pude assistir com relativa atenção ao Jornal da Globo. Meu filho assistiu ao Jornal Nacional, também da Globo.
Resolvida a pendenga com o computador, finalmente tive de novo o acesso à Internet. E surpresa: eu havia me esquecido completamente da abertura dos Jogos Panamericanos de Guadalajara. Pois é, estes Jogos Panamericanos tem cobertura da TV Record. Mas me parece que seria de interesse do público brasileiro ter notícias dos Jogos Panamericanos.
Mas nenhuma nota nos telejornais da TV Globo.
Seria isso um sinal que a Rede Globo está mais focada nos seus interesses comerciais, não divulgar um evento coberto pela concorrente, que em trazer notícias de evento esportivo importante no qual o Brasil participa?
Isso não seria uma falta de respeito com aquele que deveria ser o respeitável público?

sábado, 8 de outubro de 2011

A 57a. Feira do Livro começa a ser montada na Praça da Alfândega


A 57a. Feira do Livro começa a ser montada na Praça da Alfândega




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As estruturas que irão abrigar a próxima Feira do Livro de Porto Alegre estão começando a ser montadas na Praça da Alfândega. 

Este ano o estado da Praça da Alfândega está bem melhor que quando a Feira do Livro do ano passado começou a ser montada. No ano passado as obras do “Projeto Monumenta” mostravam uma praça como em ruínas.

Este ano parece que as obras do Projeto Monumenta, afinal, estão próximas de terminar. A Avenida Sepúlveda de fato foi estendida, e recolocados seus paralelepípedos, quase até a altura do que seria a Av. Sete de Setembro, no centro da praça. 

As estátuas do Barão do Rio Branco e do General Osório não estão mais cobertas. 

É bem possível que a Feira do Livro de 2012 já encontre as obras do Projeto Monumenta concluídas.






08/10/2011.



Textos anteriores, sobre a Feira do Livro, no Voltas em Torno do Umbigo:

- A 56a. Feira do Livro de Porto Alegre entre os escombros da Praça da Alfândega;
- Começa a montagem da Feira do Livro de Porto Alegre .

Diário - cinema - Um Conto Chinês


Diário - cinema - Um Conto Chinês

Acho que li em algum lugar que para os argentinos "um conto chinês" tem o mesmo sentido de "conto do vigário" para nós brasileiros. Um engodo, uma enrolação, uma trapaça.

Pois já se passaram alguns dias desde que vi o filme argentino "Um Conto Chinês" ("Un Cuento Chino"). Na verdade mais um belo filme argentino. Um filme que se apresenta sem grandes pretensões, mas que rende bons momentos de humor e dramáticos.

O filme começa com um chinês, Jun, vivido por Ignacio Huang, que num incidente trágico e absurdo perde sua noiva. Como não tinha família, resolve migrar para a Argentina à procura de um tio que teria naquele país.

Muda a cena e é mostrada ao espectador uma loja de ferragens, em alguma periferia de Buenos Aires. Roberto, vivido pelo ator Ricardo Darín, é o proprietário da loja, e junto da loja é sua residência. Roberto é um homem solitário às voltas com sua loja e suas idiossincrasias pessoais.

Em um momento de lazer, testemunha um chinês, aquele chinês que perdeu a noiva no início do filme, ser expulso de um táxi da capital portenha. Apesar da incapacidade de se entenderem por conta das diferenças de idiomas, Roberto resolve tentar ajudar o chinês. Claro que o envolvimento com o visitante recém chegado vai mexer com os hábitos do homem solitário de meia-idade que é Roberto.

E o filme é sobre isso. Sobre os valores sobre os quais geramos nossos hábitos e definimos nossos caráteres. Sobre as oportunidades que temos (e, às vezes, desperdiçamos), e as decisões que tomamos. E, de quebra, fala sobre solidão, amizade e amor.

Como eu disse no início, um belo filme argentino. Vale ficar na sala até o término de exibição dos créditos.






06/10/2011.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fernando de Barros e Silva se despede


Fica a dúvida, ele sai (ou, talvez, “é saído”) da equipe de opinionistas da Folha de São Paulo, ou sai do Grupo Folha?
De maneira geral eu gostava das colunas de opinião de Fernando de Barros e Silva, e não poucas vezes copiei seus textos para algum blog. Acho uma pena que esteja deixando o espaço de opiniões do jornal.

03/10/2011.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Minhas lembranças sobre os ataques de 11 de setembro de 2001




Na manhã em que os Estados Unidos foram atacados em Nova York e em Washington eu estava trabalhando.


A equipe de trabalho estava tendo uma reunião, quando a chefe recebeu um telefonema da irmã dela, informando que um avião havia batido no World Trade Center. Essa notícia foi recebida com um tanto de estranheza, afinal, com os modernos sistemas de radar, não seria normal que um avião se chocasse contra um prédio.


Logo em seguida houve outra ligação, informando que outro avião havia se chocado com a outra torre. Chegamos à conclusão que dois aviões contra duas torres não podia mais ser acidente. A tal reunião rapidamente acabou, nem  lembro do que tratávamos. O resto da manhã passamos como espectadores da cobertura dos ataques oferecida pela Internet. Eu especificamente acompanhei pelo UOL.


Naquela manhã a Internet ficou tão congestionada que o UOL teve que colocar no ar uma versão mais simplificada de sua página inicial, uma vez que o excesso de requisições estava impedindo alguns internautas de acessar a página corretamente.


Depois surgiu a notícia do ataque ao Pentágono. Mas o que ficava na página inicial do portal mesmo eram as torres do World Trade Center.


Depois tivemos o choque de constatar a queda de uma das torres. Depois houve a queda da outra. E eu fiquei chocado que as estruturas das torres não fossem fortes o suficiente para suportar aqueles choques.


Quando a manhã chegou ao fim, saímos para o almoço. Momento de preocupação, mal estar e perplexidade. Seria isso o início da próxima guerra? Haveria mais ataques?


Quando chegou o final do dia, novos ataques não haviam se concretizado, o espaço aéreo dos Estados Unidos estava fechado, e algumas interrogações permaneciam: Como o Pentágono, o centro de comando militar dos Estados Unidos, não tinha um espaço aéreo restrito? Dado que os terroristas-pilotos foram identificados como fundamentalistas muçulmanos, a questão palestina seria finalmente resolvida?


Passados dez anos, não houve mais ataques como aqueles em solo norte-americano. Os Estados Unidos invadiram Afeganistão e Iraque, e permanecem nestes países até hoje. E a questão palestina não foi resolvida, e talvez olhando em perspectiva esta situação, a da questão palestina, esteja até pior que 10 anos atrás. O presidente George W. Bush conseguiu fazer aprovar no Congresso dos Estados Unidos uma legislação que gerou a regressão de direitos civis, e tornou a ignomínia de Guantánamo (um enclave americano cravado território de Cuba) ainda maior. E os Estados Unidos se tornou mais dividido socialmente. Muitas coisas.



13/09/2011.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Diário - leituras - Terras Baixas


Diário - leituras - Terras Baixas

Li recentemente o livro "Terras Baixas" ("Netherland"), de Joseph O'Neill.

O livro, publicado em 2008, e traduzido pela editora Alfaguara em 2009, conta a história de Hans van den Broek, um homem originário dos Países Baixos, isto é, para nós brasileiros, da Holanda, que trabalha como analista de investimentos em um banco de Nova York, logo após os ataques às torres gêmeas naquela cidade, no início da década de 2000.

Hans é portanto um imigrante, e o livro trata basicamente de imigrantes, vivendo em Nova York naqueles dias. Ele é originário da Holanda, sua esposa é inglesa. E depois dos ataques, ela decide voltar para a Inglaterra, com o filho pequeno deles, enquanto ele permanece na grande cidade do nordeste dos Estados Unidos.

E para tentar se achar no mundo, após o afastamento da mulher e do filho pequeno, ele se aproxima de um grupo de praticantes de críquete, formado por outros migrantes que vivem na cidade e arredores. Assim, o livro é uma narrativa de migrantes vivendo em Nova York após os ataques de 11 de setembro de 2001, como migrante é o próprio autor, Joseph O'Neill. Só isso para explicar as longas descrições do tal jogo. Entre os praticantes de críquete em Nova York, há pessoas originárias de colônias britânicas no Caribe, e do sul da Ásia, como indianos, paquistaneses e bengalis (originários de Bangladesh).

Um destes migrantes, do qual Hans se torna mais próximo, é Chuck Ramkissoon, originário de Trinidad, aquela ilha na costa da Venezuela que faz parte de Trinidad e Tobago. Um dos motes do romance é justamente a descoberta do corpo de Ramkissoon em um canal ao redor de Nova York. Chuck Ramkissoon é um praticante de críquete, e tem grandes planos para o crescimento do interesse do críquete entre o público dos Estados Unidos.

Esta visão e vivência de Nova York após os atentados de 11 de setembro de 2001 dão um ar diferente à obra, pois quando Hans anda para lá e para cá em Nova York é um migrante, um expatriado que demonstra como ele vivia na cidade então. Seria curioso comparar com a expressão da experiência de um natural do lugar em algum outro romance.

Para nós brasileiros, o livro contém uma passagem interessante. Desde o ano passado, quando um bueiro explodiu e feriu gravemente um casal de turistas norte-americanos em Copacabana, houve mais alguns destes incidentes até meados deste ano. Pois bem, no livro o autor relata incidentes parecidos em Nova York. Não sei se é pura ficção, ou se ele inseriu incidentes ocorridos por lá no livro. Estes incidentes narrados no livro atribuem ao sal usado para evitar acumulação de gelo e neve nas ruas, a corrosão do isolamento dos fios subterrâneos, causando curto-circuitos e explosões dos bueiros de Nova York num inverno dos anos 2000.

É um bom romance. Achei que valeu a pena tê-lo lido.





O'Neill, Joseph. Terras Baixas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Você conhece a Pamzinha?




Eu não.

Eu suponho que a Pamzinha se chame "Pâmela", e estou escrevendo porque sei que ela perdeu um pendrive com um milhar de fotos, e eu conheço quem encontrou.

Este "post" é uma experiência, para ver se isto é capaz de fazer a Pamzinha entrar em contato para recuperar o tal pendrive. Se é que ela está interessada.

Supostamente a foto que ilustra este "post" é dela, e foi encontrada no pendrive.

25/09/2011.


sábado, 24 de setembro de 2011

Um dia de chuva


Um dia de chuva

Naquela manhã, Rudolph acordou atrasado. Tinha ido dormir tarde na noite anterior, e, portanto, dormiu demais pela manhã. Era 14 de julho e chovia naquela manhã quase quente do inverno de Porto Alegre.

14 de julho é Data Nacional da França. Dia da Queda da Bastilha e origem épica da Revolução Francesa. Mas para Rudolph aquilo não parecia tão importante agora. Ele apenas se incomodava um pouco com a chuva que caía. Na semana anterior a temperatura caíra a próxima de zero. Mas naquela manhã, a temperatura era amena, talvez uns 18 graus. O inverno de Porto Alegre era assim.

Temperaturas para todos os gostos, momentos de muito frio, momentos de calor de vestir apenas uma camiseta e bermudas. A única coisa permanente no inverno de Porto Alegre era a umidade. Umidade literalmente condensada na chuva que caía.

Tendo acordado atrasado, chegou atrasado na repartição. E achou o pessoal agitado. Talvez fosse a chuva. Ele tinha a impressão que o pessoal da repartição ficava mais agitado, e conversava mais em dias de chuva. Tinha momentos em que achava o "zum-zum-zum" dos dias de chuva infernal.

Quando foi pegar um cafezinho, viu no mural o que talvez pudesse ser um outro motivo para a agitação de parte da turma. A mãe do Henrique havia falecido. Um recado no mural informava sobre o falecimento, e indicava que o enterro seria no início da tarde no Cemitério São João.

Rudolph se sentiu desapontado. Sabia da doença da mãe de Henrique, mas estava certo que ela superaria a doença. Claro, algum sofrimento, como costuma acontecer com quimioterapias, mas ela devia ser uma mulher forte, relativamente jovem frente à expectativa de vida que o país havia alcançado. Tinha forças e uma grande torcida a favor. Ele pensava com os seus botões que muitas pessoas tem longa vida, ou em luta com o câncer, ou mesmo vencendo-o. Que o dissesse a presidenta Dilma. Mas não foi o caso.

Quando se aproximou de sua mesa, Rudolph falou com Carla.

"Coisa chata, não?"

"Pois é. Dia chato. Faleceu a mãe do Henrique, e a Luana foi internada." - Comentou ela.

"A Luana foi internada?" - ele ainda não sabia disso. Mais uma novidade ruim.

Tempos atrás, Luana tivera uma crise nervosa, que a fizera ficar internada em uma clinica de saúde mental. A nova internação talvez dissesse que não fosse apenas uma crise nervosa, mas algum problema mais sério. Será que Luana estaria sujeita a algum problema mental que a fizesse necessitar de internações periódicas? Rudolph já ouvira falar de pessoas diagnosticadas com síndromes que as levavam a ser internadas de tempos em tempos.

A internação de Luana era mais uma notícia naquele dia.

Contudo, naquele momento o horário do enterro da mãe de Henrique estava marcado. Rudolph pegou a lotação e se dirigiu ao Cemitério. Desceu na Assis Brasil, e subiu a Marechal José Inácio. Deviam ser uns 600 metros de caminhada até a entrada do Cemitério.

Chegando ao cemitério, ele dirigiu-se ao setor das capelas. Era ali que a mãe de Henrique devia estar sendo velada. E de fato ali ela estava. Naquele momento mais de uma capela estava sendo utilizada, e aquele corredor que dava acesso às capelas estava cheio de gente. Rudolph se aproximou da capela em que a mãe de Henrique estava sendo velada. A pequena capela estava lotada. Henrique permanecia ao lado do esquife enquanto um padre dirigia às pessoas algumas palavras de consolação. Como a capela estava lotada, algumas pessoas permaneciam no corredor. Familiares, amigos, e amigos dos familiares. só de colegas da repartição, Rudolph pensou ter visto mais de uma dúzia, sem contar os que passaram pelo velório, mas já não estavam mais lá no horário do enterro. A umidade de Porto Alegre, e o ajuntamento de gente tornavam o corredor das capelas do cemitério São João um lugar abafado, talvez um pouco claustrofóbico.

Tão logo o padre terminou sua prédica, era o momento estabelecido para o enterro. O armador fechou o caixão, os familiares as alças, e seguiram em direção ao túmulo.

O féretro não deve ter demorado mais que cinco minutos pela alameda principal até o local em que o caixão devia ser colocado.

Colocado o caixão, o coveiro ainda demorou mais alguns minutos para fechar a lápide. Fechada a lápide, foram colocadas sobre ela as coroas de flores. As providências quanto ao descanso final da mãe de Henrique estavam tomadas.

As pessoas que ainda não tinham manifestado seus pêsames, puderam se aproximar dos familiares. Rudolph abraçou Henrique e manifestou sua solidariedade, e disse que sentia muito pela perda.

Mas, no seu íntimo, Rudolph estava frustrado. Imaginava que a mãe de Henrique superaria a doença...

No caminho de volta à repartição, a chuva continuava a cair. Choveu bastante naquele dia. Porto Alegre é uma cidade úmida.






15/07/2011, 18/07/2011, 22/07/2011.

sábado, 17 de setembro de 2011

Diário - cinema - Cowboys e Aliens


                                                                   
Diário - cinema - Cowboys e Aliens                                           

No final de semana, houve tempo para assistir o filme "Cowboys e Aliens", produção norte-americana de 2011, dirigida por Jon Favreau, o mesmo de Homem de Ferro, e estrelada por Daniel Craig, o atual agente 007.


A suposta mistura de faroeste e ficção científica se tornou irresistível para mim. Mas, de fato, isso é um engano. O filme é um faroeste no qual foram inseridos estes elementos de ficção científica. Desde o início, com o cowboy Jake Lonergan, acordando no meio do deserto, sem lembrar como chegou ali, estamos às voltas com um faroeste. Velhos filmes de faroeste poderiam indicar ressaca após uma bebedeira com uísque ruim. Mas talvez não seja o caso. Além de perdido no deserto, Lonergan porta uma estranha, e grande, pulseira.



Depois temos a cidadezinha, com ruas de terra e prédios de madeira, e um pistoleiro metido a valentão.


É nesse contexto clássico de faroeste, são inseridos os extra-terrestres. Que estão à procura de recursos.


Mas, como eu disse, é um filme de faroeste, como o foi, por exemplo, "As Loucas Aventuras de James West", o filme de 1999, com Will Smith. Naquele caso, o faroeste estava investido da temática "steampunk" .


Achei um pouco inconsistente a personagem Ella, vivida por Olivia Wilde. Por quê? Bom a ideia é que quem tenha interesse em assistir o filme, assista, e concorde, ou discorde sobre o caráter da personagem.


O filme foi uma boa diversão. Melhor que Thor, por exemplo.
Afirmei acima que a mistura de faroeste e ficção científica se tornou irresistível para mim. Mas não foi o caso para muita gente. A sessão das 19:00 de sábado no cinema tinha poucos espectadores.


13/09/2011.