segunda-feira, 30 de maio de 2011

"On-line"

"On-line"

Acordou com o alarme do celular. Aliás, não era um celular, era um telefone esperto.

Conferiu a hora no aparelho, e levantou.

E dirigiu-se ao banheiro para fazer as mesmas coisas que a maioria dos seres humanos faz após acordar, inclusive lavar o rosto.

Pegou o leite e a manteiga na geladeira. Ligou a cafeteira, e colocou uma xícara de leite no micro-ondas.

Em segundos o café com leite estava pronto. E ele estava consultando o correio eletrônico no notebook. Ele se achava meio arcaico por ainda usar correio eletrônico, mas, enfim...

Enquanto bebia da xícara e mastigava um pedaço de pão, passou da lista de mensagens eletrônicas, para o “Piador”. Além de ver as piadas de quem ele seguia no “Piador”, averiguou o que era tendência no “Piador”, naquele momento. Para confirmar uma morte de uma personalidade, dada pelas tendências do “Piador”, alternou para a página de um portal de notícias. Pois é. A personalidade havia falecido mesmo. Que pena, ele pensou.

Terminou o café, e se vestiu.

Informou aos seus seguidores no “Piador”, "Eis mais um belo dia para trabalhar". Chovia naquela manhã...

Botou o telefone esperto no bolso e foi para o ponto onde costumava tomar sua lotação. Dificilmente ia de automóvel trabalhar. Com a explosão do consumo dos últimos anos, o trânsito havia piorado bastante. Além disso, ao dirigir era mais complicado interagir com o telefone esperto.

Sentou na lotação, e acionou a aplicação que recentemente havia adquirido na loja de aplicativos, que, via GPS, mapeava o trajeto que fazia de casa para o trabalho.

Desceu da lotação e parou na banca de revistas, onde procurava as mais recentes novidades, embora raramente comprasse alguma revista ou jornal em papel. Coisa mais antiga! Aproveitou e marcou sua presença naquela banca, na aplicação “Quarteirão Quadrado”.

Da banca dirigiu-se ao seu trabalho, numa média companhia de seguros.
Sentou em sua mesa de trabalho, e, enquanto aguardava a carga do sistema operacional do computador do trabalho, deu mais uma conferida no “Piador”.
A manhã passou rápido. Entre uma atividade e outra, ele aproveitava para conferir no telefone esperto o que o pessoal dizia no “Piador”, e também os tópicos de tendência.

Quando chegou o horário do almoço, saiu com alguns colegas para irem num dos restaurantes com que estavam acostumados. Ele se serviu do bufê, sentou-se na mesa, e informou onde estava no “Quarteirão Quadrado”. Enquanto almoçava com os colegas, dividia a atenção entre o assunto na mesa, e os tópicos de tendência.

Quando voltou para o turno da tarde, foi conferir as mensagens mais recentes do correio eletrônico, uma vez que o telefone esperto também lhe dava acesso a isso. Mais uma espiada no “Piador”, e recomeçou suas atividades.

A tarde passou rápido. Entre uma atividade e outra, ele aproveitava para conferir no telefone esperto o que o pessoal dizia no “Piador”, e também os tópicos de tendência. Inclusive teve dois momentos em que repiou no “Piador”, frases que achava interessantes, de pessoas que ele estava seguindo.
Após o expediente, ele passou na igreja que frequentava. A igreja pedia que o pessoal desligasse os celulares durante os horários de reunião. Mas ele não faria isso. Tinha um telefone esperto. Colocou no modo vibrafone. Sabe lá se uma mensagem importante não chegaria no correio eletrônico, ou se alguém não diria algo muito importante no “Piador”, durante a reunião?...Além disso, marcou presença na igreja no “Quarteirão Quadrado”.

Depois da reunião, foi ao supermercado. Fez algumas compras, e marcou presença no “Quarteirão Quadrado”.

Chegou em casa, e preparou alguma coisa para comer. Enquanto comia, olhava novamente o correio eletrônico no notebook. Deixou alguns recados na rede social. Tempos atrás ele tinha um blog, mas deixou de atualizá-lo. Agora, quando tinha algo a dizer ao mundo, procurava dizer através do “Piador”.

Tomou banho, escovou os dentes.

Piou: "Vou dormir. Boa noite, galera!"

Conferiu a hora, e se certificou que o alarme de telefone esperto estava acionado.

Deitou para dormir.









26/04/2011.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Expo Shanghai GP3 Pan Film no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa

Expo Shanghai GP3 Pan Film no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa

Está acontecendo até o próximo dia 28, no Museu de Comunicação Social Hipolito Jose da Costa, na Rua dos Andradas, vulga Rua da Praia, no número 959, a exposição fotográfica, do título acima, promovida pelo coletivo de fotógrafos Baita Profissional, aqui em Porto Alegre.

A historinha contada é a seguinte: os fotógrafos encontraram no sítio de leilões Ebay um filme chinês, preto e branco, de médio formato, que lhes era totalmente desconhecido, o Shanghai GP3 Pan Film, pelo equivalente a cerca de quatro reais o rolo. Encomendaram um lote, e cada fotógrafo o usou para compor as imagens que melhor lhe aprouvesse.

Parte do resultado esta exposta na Museu. Mas há também uma versão da exposição na Internet.
A influência da China, origem do tal filme, está presente de maneiras variadas e sutis na exposição. Mas, como eles mesmos dizem, apesar da origem chinesa, e do nome da marca do filme, não há fotos de Xangai na Expo Shanghai.

A exposição é variada. Composições interessantes como as montagens panorâmicas de Fabrício Barreto, ou fotos divertidas como as "manequins" de Tamires Kopp, além da evocação de movimento no parque de diversões retratado por Ricardo Chaves. E, claro, há outros "baitas profissionais" em exposição.

Valem as visitas, tanto à exposição na Internet, quanto ao Museu, que tem entrada franca.

Ralph Gibson e fotografia

A revista CartaCapital desta semana (18/05/2011) traz um comentário sobre a vinda do fotógrafo Ralph Gibson no Brasil, por conta do Image Festival, promovido pela Associação Alumni. O texto da revista informa que Gibson, fotógrafo em atividade, aos 71 anos, costuma usar câmeras Leica, com filme preto e branco (embora no Brasil, ele acredite que os fotógrafos devam usar filme colorido). A revista informa que Gibson trabalhou com fotógrafos conhecidos como Dorothea Lange e Robert Frank, além de ter sido amigo do ícone Cartier-Bresson.

Além do fato de ainda trabalhar com película, me chamou a atenção do motivo pelo qual ele afirma que não usa câmeras digitais. E o motivo é maior que apenas um homem de alguma idade, que sempre trabalhou de uma determinada forma, e se impôs um método. Segundo a revista, Gibson vê as câmeras digitais como realistas, e da fotografia ele espera mais.

Um motivo interessante.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bin Laden foi Morto

Bin Laden foi Morto

Na noite de domingo, dia 1º de maio, eu estava prestes a dormir, quando os usuários do Twitter começaram a lançar mensagens comunicando a morte de Osama Bin Laden. Devia ser um pouco antes, ou um pouco depois da meia-noite. Primeiro de maio aqui, mas já devia estar amanhecendo nos arredores de Islamabad, Paquistão, que foi onde a execução ocorreu.

Como o sono não vinha, foi possível acompanhar algumas notícias pelo rádio. Um comando especial da Marinha dos Estados Unidos teria praticado a ação, autorizada pelo presidente dos Estados Unidos.

Foi no noticiário do rádio que ouvi que o presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, teria dirigido um discurso aos seus cidadãos, informando da morte do líder da Al Qaeda, e afirmando que "justiça tinha sido feita". Também do rádio veio a notícia de comemorações populares em frente à Casa Branca, em Washington, D.C., e em Times Square, na cidade de Nova Iorque.

Depois mais notícias, acho que aí já na Internet mesmo, informavam que o cadáver de Osama Bin Laden foi sequestrado, e lançado ao mar, "seguindo ritos islâmicos". O corpo teria sido sequestrado para coleta de material para exame de DNA, e para evitar que um túmulo para Bin Laden pudesse se tornar em um local de peregrinação para voluntários à jihadistas, isto é, guerreiros do Islã.

Dito tudo isso, talvez algumas coisas possam ser comentadas.

Osama Bin Laden estava longe de ser inocente. Era amplamente reconhecido como líder da Al Qaeda, e mencionou os ataques aos Estados Unidos, de 11 de setembro de 2001, em seus discursos. Contudo, as informações sobre suas condições de moradia lembravam mais as de alguém em ostracismo, que um líder ativo de uma rede de terror, ou de uma guerrilha.

Ao contrário do que disse o presidente Barack Obama, não me parece que "foi feita justiça". Vingança certamente. Mas para haver um mínimo de justiça, eu imagino que ele deveria ser preso, e enfrentar um processo legal, nem que fosse para ser executado em alguma prisão do Texas, após um julgamento.

Sobre o seu "sepultamento", possivelmente em algum lugar entre o Mar da Arábia e o Golfo Pérsico, informa a Folha de São Paulo que tal sepultamento não seguiu o rito islâmico. Segundo a Folha, o sepultamento no mar só é lícito se o crente morre em um navio, para que sejam mantidas as condições de higiene na embarcação. Não foi o caso, de um homem que foi morto em terra firme, e levado para ser lançado ao mar. A Folha também informa que o sepultamento de um muçulmano precisa da presença de um clérigo muçulmano para as devidas orações, o que parece não ter acontecido.

Quanto a não dar-lhe um túmulo para evitar peregrinações, por que o próprio local da morte não poderia se tornar um local de peregrinação, se algumas pessoas realmente tomarem a si a tarefa de tratar a Bin Laden como um mártir?

E, a medida que os dias vão correndo, novas informações vão aparecendo. Como, por exemplo, a que Bin Laden teria sido capturado vivo, e executado posteriormente, conforme notícia publicada no UOL.

Sem falar na violação do território soberano do Paquistão, por um comando militar dos Estados Unidos.

No final de março, logo após o início do bombardeio da Líbia pelos aviões da OTAN, o jornalista Elio Gaspari comentou se a Europa não estaria correndo o risco de criar o "Che Gaddafi". Neste caso, o assassínio do líder líbio por aviões da OTAN, poderia transformá-lo numa lenda, capaz de comover pessoas do mundo inteiro, como no mundo inteiro hoje existem pessoas usando camisetas com a imagem de Che Guevara estampada na foto histórica de Alberto Korda. É de se pensar se algo parecido não pode acontecer com Bin Laden. Em vez de um líder terrorista, disposto a estabelecer um califado islâmico do Marrocos à Índia, ele seja transformado em um líder da resistência dos povos muçulmanos contra o imperialismo, executado de forma covarde por um comando de uma superpotência de olho nos recursos naturais do Oriente Médio, mais especialmente do gás e petróleo.



04/05/2011.