sábado, 27 de agosto de 2011

Diário - cinema - O Planeta dos Macacos, A Origem


Diário - cinema - O Planeta dos Macacos, A Origem



Neste sábado, dia 27, fui assistir o filme “O Planeta dos Macacos, A Origem”, produção americana deste ano.
O filme remete às produções das décadas de 1960 e 1970, ao contrário do filme de Tim Burton de 2001.
É difícil dizer qualquer coisa do filme, sem estragar o prazer de quem irá vê-lo.
Assim, vou dizer que estes macacos parecem demasiado humanos para mim. Além disso, o filme demonstra como um monte de boas intenções podem causar um monte de problemas.
O filme é bom, na verdade achei o filme melhor do que eu imaginava que seria, afinal tem se dito que os efeitos especiais andam tão bons, que o pessoal esquece que é necessário que uma história seja contada para que os efeitos especiais sejam inseridos, e não o contrário. Este filme conta uma história. E a violência é surpreendentemente moderada para o trailer mostrado.
Valeu a pena ter ido assistir.






27/08/2011.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Recepção de Formatura


Recepção de Formatura

Friedrich fora convidado para uma formatura. Excepcionalmente ele decidiu que ele iria. Friedrich se declarava um "anti-social", e, de fato, podia-se dizer que ele o era. Dificilmente ele era convidado para qualquer celebração. E nas raras vezes em que era convidado para alguma coisa, dificilmente comparecia.

Contudo, dessa vez, Friedrich decidiu que iria. Era a formatura de uma sobrinha, a qual Friedrich gostava muito. Friedrich tinha muita simpatia pela moça, embora nem pudesse dizer que ela era uma sobrinha "de sangue". Era só por afinidade, mas Friedrich gostava dela mesmo assim. Quase como a uma filha. Ela a vira crescer,e por conta disso achava que tinha alguma afinidade eletiva com a moça.

Como a formatura propriamente dita, no venerando Salão de Atos da UFRGS, era no final da tarde, Friedrich decidiu que só iria à recepção que aconteceria depois da cerimônia de colação de grau, num centro de eventos lá no Parque da Harmonia. Para ir à cerimônia no salão de atos, Friedrich teria que sair mais cedo do serviço, e, possivelmente ir direto do trabalho à formatura, o que não lhe pareceu muito confortável. Acabou sendo uma boa decisão. Soube depois que a empresa de circulação do trânsito de Porto Alegre fez uma blitz na área ao redor da reitoria da UFRGS, guinchando uma série de carros estacionados em área proibida por ali. Um parente de um dos formandos descobriu a ação dos agentes de trânsito, e foi tentar evitar que seu carro fosse, guinchado. Houve bate-boca, até a Brigada Militar foi chamada para acalmar os ânimos, e o tal parente teve que se explicar no plantão policial por desacato à autoridade, além de pagar multa e guincho. Friedrich não descobriu se a tal pessoa conseguiu se desvencilhar de tudo e chegar a tempo na recepção que aconteceu no Parque da Harmonia.

Naquela sexta-feira chuvosa, mas não muito fria do inverno gaúcho, a recepção se daria nesse centro de convenções já citado. Se constituiria de um jantar, seguido de baile, onde os formandos, seus amigos e familiares poderiam confraternizar.

Muito tempo antes, Friedrich estava conversando com colegas de trabalho, e por algum motivo a conversa caiu nos antigos bailes da reitoria da UFRGS. Uma destas colegas comentou que ela nunca pôde ir a um desses bailes da reitoria, mas que eles pareciam muito glamorosos. De fato, eles pareciam muito glamorosos naquelas imagens de arquivo que vez por outra alguma emissora de televisão leva ao ar. As mulheres com seus vestidos longos e os homens de "black-tie", enquanto uma "big band" tocava. A elite da sociedade se encontrava para dançar, numa cidade que devia ter, talvez, um terço de sua população analfabeta.

Esta recepção na qual estava Friedrich não era assim. Gente vestida de todo jeito, exceto de "black-tie". Nem mesmo os garçons vestiam "black-tie" nesta formatura. Parecia mais uma recepção de pobres ou de "classe média baixa". Pense numa festa de casamento assim. Muitas mulheres com vestidos longos, alguns homens de terno, com gravata ou não. Outros homens nem se dignaram a tirar o paletó do guarda-roupas, se vestindo com todo tipo de roupa informal. E de maneira geral, pareceu a Friedrich que em geral as mulheres se vestiam melhor que os homens, com seus variados vestidos. Alguns mais longos, outros mais curtos, alguns mais ousados, outros mais recatados, alguns esvoaçantes e chamativos, outros mais discretos.

Entre os homens da festa, um chamou a atenção de Friedrich. Vestia o chamado traje completo, com colete, camisa clara, gravata, e sapatos de cromo. Este homem, um jovem de seus vinte e poucos anos, além da roupa, claramente tinha feito as sobrancelhas. Provavelmente seria o que hoje é chamado de "metrossexual". Está certo que hoje em dia, parece que há mais lugar para a vaidade entre os homens, mas Friedrich achou as sobrancelhas feitas do rapaz um pouco excessivas...

Quando chegou o momento dos formandos serem anunciados, eles foram aplaudidos com palmas entusiasmadas de amigos e familiares. Vitória, a sobrinha que era o motivo pelo qual Friedrich estava ali vinha entre os eles. Ela vestia um vestido longo vermelho, com sapatos de salto. A cabeleira abundante tinha recebido muitas luzes. Ela lhe parecia deslumbrante.

Friedrich se sentia como se estivesse em estado de graça pela formatura da sobrinha. "Que sentimento é esse?" - Ele pensava consigo mesmo. "Parece um tipo de felicidade, uma comoção. Eu estou feliz pela formatura da Vitória, ou será algum tipo de nostalgia, de quando ela foi menina, ela que agora alcançava um estágio importante na vida?" Certo é que Vitória podia ser considerada adulta em qualquer sentido que se pensasse. Será que Friedrich estava triste porque, talvez pensasse no seu íntimo que a geração de seu filho, estava pronta para assumir seus papéis de direito na sociedade? Talvez fosse um sentimento de nostalgia, pois a formatura da sobrinha indicava, como tantas outras coisas que ele estava ficando mais velho? A maturidade era um sentimento recorrente para ele. Mas havia um porém. Não era apenas tristeza que o rondava. De fato, ele se sentia profundamente feliz e comovido de estar na formatura de sua sobrinha. Ele estava feliz por compartilhar aquele momento.

"Que sentimento é esse?" - Ele pensava consigo mesmo. "Parece um tipo de felicidade!"

Após o anúncio, os convidados foram chamados a se servirem do jantar.

Após o jantar teve início o baile, que se estendeu pela madrugada.






18/08/2011, 22/08/2011.



A Solidão de Khadafi e a Hipocrisia do Ocidente


A Solidão de Khadafi e a Hipocrisia do Ocidente

Hoje é 24 de agosto de 2011, e enquanto escrevo os chamados “rebeldes” da Líbia aparentemente já triunfaram em sua “rebelião” para desalojar do poder líbio o coronel Muammar Khadafi.

Certamente Khadafi não é uma pessoa das mais simpáticas, e a imprensa internacional sempre o retratou como um tirano, quando não como um lunático desvairado.

O que mais pesa sobre ele é um atentado contra um jumbo da Pan Am na década de 1980. Mas ele também já foi acusado de financiar grupos terroristas, de buscar tecnologia para produzir armas nucleares, e de produzir armas químicas.


Chegou ao poder por meio de um golpe de estado em 1969, por meio de um golpe de estado, e lá vinha se mantendo até o final de semana passado. No momento em que escrevo parece que os rebeldes estão tentando eliminar últimos focos de resistência a favor de Khadafi na cidade de Trípoli.

É curioso o que tem acontecido desde o início da chamada “Primavera Árabe” (que na verdade começou quando seria inverno no hemisfério norte), com as primeiras manifestações na Tunísia. Desde então Ben Ali e Mubarak perderam o poder na Tunísia e no Egito respectivamente. Surgiram grandes manifestações na Líbia, na Síria, no Iêmen, e no Bahrein. Nos três primeiros as manifestações derivaram para rebeliões armadas.

No momento a situação no Iêmen não está bem definida, mas o presidente se encontra afastado do poder, sob tratamento médico na vizinha Arábia Saudita após escapar com ferimentos sérios de um ataque rebelde.


Na Síria as forças armadas estão tentando esmagar a oposição a ferro e fogo, com ataques usando veículos blindados e tiros contra manifestações aparentemente desarmadas.

No Bahrein, as manifestações da oposição foram abafadas com a ajuda de tropas de estados vizinhos, como a Arábia Saudita. Pelas notícias, as forças de segurança do Bahrein dispararam contra manifestantes desarmados, e impediram médicos de atenderem feridos. Ritos sumários geraram condenações à prisão de lideres da oposição.

Na Líbia, em fevereiro, o governo de Khadafi também estava a ponto de esmagar militarmente a rebelião que iniciar na porção oriental do país, quando o Conselho de Segurança da ONU, por iniciativa de França, Reino Unido e Estados Unidos, aprovou uma resolução de “exclusão aérea”, a propósito de “proteger a população civil”. Sob esta resolução os aviões da OTAN, da França e do Reino Unido principalmente, se atribuíram o papel de ataque às forças de Khadafi.

Além disso, não duvido que tenham fornecido armas e treinamento, através de tropas de forças especiais, aos chamados rebeldes, que, após seis meses, depuseram Khadafi.

Chama a atenção a solidão de Khadafi. Existem algumas entidades as quais a Líbia pertence, tias como a Liga Árabe, ou a Organização da Unidade Africana. Não lembro de algum dirigente destas entidades falando qualquer coisa contra a extrapolação do imperialista e colonialista do mandato da ONU nos bombardeios feitos pelos aviões da OTAN. Me parece que o único a vocalizar solidariedade a Khadafi foi o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Como eu disse no início do texto, Khadafi não é figura das mais simpáticas, mas é notável quão isolado ele ficou.

Também chama a atenção a hipocrisia das potências ocidentais. É muito possível que mais gente já tenha morrido na repressão síria do que em toda a guerra civil líbia. No entanto, a OTAN não está bombardeando as tropas do governo de lá. No Bahrein, a oposição foi abafada com a ajuda da Arábia Saudita e o silencia de Estados Unidos, Reino Unido, e França. Apesar disso tudo, devemos acreditar que os bombardeios na Líbia foram motivados por preocupações humanitárias, e não porque que a Líbia é um país exportador de petróleo?

Acho que não. Provavelmente nem as areias do Saara acreditam nisso.






24/08/2011.

sábado, 20 de agosto de 2011

Um Homem Sério


                                                                  
"Um Homem Sério" ("A Serious Man") é um filme dos irmãos Coen realizado em 2009, e exibido nos cinemas brasileiros no início do ano seguinte. Possivelmente foi dos filmes menos vistos destes autores de "Onde os Fracos não têm vez" e "Matadores de Velhinhas". 


O filme começa com prólogo curioso. Em uma comunidade judia da Europa oriental no século XIX, um homem chega em casa, numa noite de nevasca, depois de ter ido à feira vender produtos da família. Ele ficou satisfeito de ter tido ajuda de alguém após a quebra da roda do carrinho da família no trajeto de retorno. Acontece que a esposa diz a ele que tal pessoa não poderia tê-lo ajudado, pois tal pessoa havia morrido algum tempo atrás. Devia ser um "dybbuk", um demônio capaz de se apossar do corpo dos mortos. Acontece que o auxiliador havia sido convidado a tomar uma sopa, por conta de sua ajuda. A esposa então enfia um picador de gelo no peito do convidado, que vai embora indignado, e sangrando.


Então o filme corta para 1967, em Minnesotta, Estados Unidos, e foca em Laurence "Larry" Gopnik. Ele é um professor de física numa universidade local. Ele é o homem sério do título. Responsável, pai de família, frequentador da sinagoga local. E é nisso que o drama com ares de humor negro se coloca. Por que um homem respeitável e trabalhador enfrenta uma série de problemas, tais como a dificuldade de receber o direito de cátedra da universidade; o envolvimento de sua esposa com um outro membro da comunidade, a ponto de querer abandonar Larry e expulsá-lo de casa; a questão do filho, que está no processo no "bar-mitzvá" (que eu imagino ser parecido com o sacramento da crisma na tradição católica), e parece se importar mais em fumar maconha, que com o bar mitzva propriamente dito; seu irmão estar continuamente envolvido com encrencas.


Talvez autores vindos de uma tradição judaica, como é o caso dos irmãos Coen, possam entrar nesses questionamentos de uma maneira melhor que artistas de outras tradições. Por que coisas desagradáveis, para dizer o mínimo, acontecem com alguém que nunca fez mal a ninguém? Na tradição cristã, com seus conceitos de pecado e de graça, é mais difícil fazer uma colocação assim, pois afinal, se começando por Paulo, passando por Agostinho, e chegando a Lutero e Pascal, todos os homens são pecadores, e necessitam da graça de Deus para viverem. Ou seja, todos os homens, são, em algum grau, maus. No caso de Larry Gopnik, em um diálogo que ele tem com um rabino de sua comunidade, lá pelas tantas, surge a pergunta "onde está Hashem nisso?" ("Hashem" é uma das maneiras dos judeus se referirem a Deus). Pois é, onde?


O filme me remeteu de alguma maneira para outro filme, "Crimes e Pecados", de Woody Allen, produzido em 1989. Neste filme a questão que se apresenta é "por que Deus permite que um crime fique sem punição?" São questões que nos atormentam...


Além das questões teológico-filosóficas o filme tem uma bela recriação de época, e vale a pena ser visto. Embora quem estivesse vendo o filme junto comigo não tenha gostado.


18/08/2011.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Diário - cinema - A Árvore da Vida


Diário - cinema - A Árvore da Vida

No domingo, 14/08, fui ver o filme "A "Árvore da Vida", o filme mais recente do diretor Terrence Malick.

A referência que eu tinha de Malick era "Além da Linha Vermelha" ("The Thin Red Line"), produção de 1998, que abordava a o front do Pacífico, na Segunda Guerra Mundial. E li algumas resenhas sobre o novo filme.

E, diante da dolorosa situação da perda de um filho, como reagir, se alguma reação é possível?

Para responder esta questão, Malick literalmente expõe a situação dos seres humanos diante do Universo, numa narrativa lenta, e bota lenta em cima disso, com uma forte carga religiosa, embora eu não tenha conseguido distinguir se a visão do diretor era religiosa ou agnóstica. De alguma maneira faz pensar. Contudo o filme tenta ser tao grandioso, que arrisca-se a ser visto como pretensioso, ou, talvez pior, não conseguir se comunicar com o espectador (como de fato me parece que aconteceu na sessão a que assisti, em que alguns dos espectadores saíram do cinema antes do final da sessão, ou rindo de um final para eles ridículo).

O paralelo que eu faria é com "2001, Uma Odisseia no Espaço". Cada uma a sua maneira são obras grandiosas e complicadas.

Eu esperava um filme que me causasse menos estranhamento.




15/08/2011

Diário - cinema - Super 8

Diário - cinema - Super 8

No sábado, 13/08, fui ver o filme "Super 8", produção americana dirigida por J.J. Abrams, e produzida por Steven Spielberg.

Alguém que me acompanhava me disse que era como o filme E.T., do mesmo produtor Spielberg, um pouco mais violento. E, de qualquer maneira, J.J. Abrams não é Spielberg, assim, pode-se esperar uma obra um pouco menos sofisticada que E.T.

É um filme sobre adolescentes em suas primeiras descobertas de amor, e, de leve, é um filme sobre perda de entes queridos. E também sobre adolescentes querendo fazer cinema com suas câmeras super 8.

E há um alienígena, e algum suspense.

Mas o que mais me impressionou mesmo foi a Força Aérea americana ser mostrada como uma força de ocupação da cidadezinha do filme, enquanto que os heróis são a força policial local. É um contraste marcante, por exemplo, com o filme "Mississipi em Chamas", onde a polícia era uma apoiadora local dos mal-feitores da Ku-Klux-Klan. Seriam Abrams e Spielberg apoiadores inconscientes do Tea Party?

De qualquer maneira, um bom filme. Vale o ingresso.




15/08/2011.

Por que você me deixou?


Por que você me deixou?



Por que você me deixou?
Por que você foi embora?
E, talvez pior, você me deixou por ninguém.
E você está sozinha...


Hoje te vi entre teus colegas.
A imagem não poderia ser mais convincente
Te vi entre teus colegas,
Mas estavas sozinha!


Tive vontade de te abraçar
Mas não pude, tive de me conter
Porque faz um tempo que você me deixou


Tive vontade de te abraçar
Mas tive de me afastar
Tive de me conter
Porque, afinal, você me deixou




09/08/2011.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ainda sobre fotografia e "O Astro"


Ainda sobre fotografia e "O Astro"

Faz pouco tempo que escrevi sobre certo saudosismo na tecnologia fotográfica apresentada na macrossérie televisiva "O Astro", em exibição no horário das 23h na TV Globo.

Pois no capítulo de ontem, 11/08, houve uma cena no laboratório fotográfico de Jose, e lá estavam, presos por prendedores em varais, as tiras de filme negativo fotográfico. Pela lógica fotográfica, imagino que seriam Fuji Neopan 1600, ou Kodak T-Max 3200, ou Ilford Delta 3200. Talvez a câmera de Jose seja uma Leica M6, mas eu ainda palpito em uma Leica M3. Qualquer uma delas pode ser chamada de "clássica".

Um pensamento que me ocorreu é que talvez a fotografia com película não morra. Para diletantes de fato entusiasmados, a montagem de um laboratório caseiro para revelação, como o de Jose, não é algo de custo absurdo. O filme "Minority Report", produção cinematográfica de 2002, com atuação de Tom Cruise, mostra um futuro, que de alguma maneira se torna cada vez mais verossímil, cheio de tecnologia, com destaque para o intenso uso de informação biométrica, tanto por parte da publicidade, quanto da polícia. Pois bem, nesse futuro tecnológico, há uma cena em que uma das personagens pratica fotografia com filme, e tem um laboratório caseiro de revelação.

Claro que o futuro é o futuro, e só quem viver verá se a fotografia com película subsistirá. Por enquanto, ainda estamos na transição. Penso que para o jornalismo, a moda e a publicidade, a fotografia digital já é insubstituível. Como hobby, ou como arte, a película talvez tenha um futuro pela frente, mas isso só ficará demonstrado quando as pessoas que começaram a fotografar com câmeras digitais, também usarem película por opção, e todos que começaram a fotografar com película já tiverem morrido. Até lá, o uso de película pode ser tanto saudosismo, quanto certa forma de conservadorismo.

Espero que a personagem Jose tenha mais cenas usando sua câmera Leica.


12/08/2011.

Diário - Leituras - A correspondência de Julio Cortázar na revista Piauí de julho




A revista Piauí é uma revista bem interessante com suas reportagens longas. Algumas delas podem ser consideradas atemporais, e poderiam, na verdade podem, ser lidas bastante tempo após a data da publicação sem perder o viço, sem parecerem muito datadas.

Nesta edição de julho, a propaganda da revista comentava sobre o perfil traçado, do atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e um outro perfil sobre o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira. Não lembro se a propaganda falava da correspondência do escritor argentino Julio Cortázar.

Acabei de lei o que me interessava na revista hoje. O perfil de Gilberto Kassab me pareceu aquém do anunciado, como "o político que não parece político". A revista traça um perfil, mas me pareceu menos do que poderia ser dito.

Em compensação, o perfil de Ricardo Teixeira foi muito bom. Neste caso, a reportagem de Daniela Pinheiro mostra um pouco do dia a dia do presidente da CBF, comenta as acusações das quais ele é alvo, dá voz ao perfilado para que ele se defenda, enfim, mostra bastante do homem, e deixa ao leitor fazer seus juízos ao final. Bastante descrição, poucos adjetivos, ou, pelo menos, foi a minha impressão.

Agora, o que mais me agradou na revista foi a apresentação de parte da correspondência do escritor Julio Cortázar com seu amigo, o artista argentino Eduardo Jonquiéres. Segundo a apresentação de Davi Arrigucci Jr., os dois se corresponderam de 1950 a 1983, um bocado de tempo. Nos excertos apresentados por Arrigucci, Cortázar escreve de diversos lugares, de Paris, da Itália, de uma embarcação a caminho de Dacar, no Senegal, e há ainda o texto de um postal enviado por Cortázar, do Brasil. Na última correspondência apresentada, em 1983, o escritor argentino escreve de Manágua, capital da Nicarágua, que então ainda vivia a juventude de sua revolução (acontecida em 1979).

As correspondências apresentadas traçam o perfil humano do que parece ser um grande escritor. Ele havia decidido se radicar em Paris no início da década de 1950, e de lá escreve suas impressões, não como turista, mas como habitante da cidade-luz. Comenta de dias que passou na Itália, especialmente em Roma. Na Itália um aperto financeiro obrigou a ele e à esposa a tentarem "racionar" as poucas liras que possuíam, enquanto aguardavam remessa de dinheiro da Argentina. Eram tempos mais difíceis aqueles. As cartas (e as remessas postais) demoravam para chegar, e ligações telefônicas internacionais tinham preços proibitivos. Em uma das correspondências, Cortázar comenta de estar ficando velho, e fala das limitações que dizia enfrentar com seu corpo; ele estava fazendo 41 anos de idade. Em outra determinada correspondência ele tenta aplacar, ou aliviar, a crise da meia-idade que o amigo havia descrito em carta enviada.

Enfim, a correspondência de um ser humano muito interessante. Tomara que eu tenha tempo de ler seu livro mais conhecido, "O Jogo da Amarelinha".




12/08/2011.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Certo saudosismo nas câmeras fotográficas de “O Astro”


Certo saudosismo nas câmeras fotográficas de “O Astro”

Quem, como eu, está acompanhando a macrossérie "O Astro", na Rede Globo, talvez se surpreenda com o uso da tecnologia de fotografia mostrada ali.

Tudo que vi, foi mostrado nas cenas próximas ao assassinato de Salomão Hayalla. Durante esse capítulo da série, vemos a personagem Jose fotografando a festa. Num primeiro momento, pensei que ela estaria usando uma moderníssima e recém lançada Fuji X100, com sua tecnologia de ponta, e desenho retrô. Afinal seria uma menina descolada e moderna, e mesmo com a empresa da família indo de mal a pior (não é incomum que a empresa vá mal e os donos da empresa estejam muito bem, mas isso é outra questão). Contudo, depois, vemos que ela está fazendo ampliações das fotos em preto e branco, em um laboratório artesanal, provavelmente em casa. Na minha cabeça, isso significou que Jose, na verdade, estava usando uma antiga, embora muita boa, câmera Leica M3, possivelmente com filme preto e branco, de velocidade alta, isto é, ASA 1600 ou 3200. Isso tudo seria um charme, mas pouco verossímil. Pouca gente usa filme hoje. Menos gente ainda é capaz de usar uma Leica M3. Pois é, mas seria um charme.

Como se não bastasse isso, logo após o assassinato de Salomão, a equipe de perícia fluminense chega à cena do crime munida de uma câmera digital Sony Mavica. A Sony Mavica é uma pioneira nas câmeras digitais. Foi uma popularizadora desta tecnologia, e vendeu vários exemplares na América do Norte, a partir da segunda metade da década de 1990. E aí é que está a questão: será que a perícia criminal do Rio de Janeiro usa câmeras com quase 15 anos de idade, possivelmente usando disquetes como meio de armazenamento?

Por que esses objetos retrôs, cada um a seu tempo? O que a produção de O Astro quer dizer com isso? Ela quer dizer alguma coisa? É uma brincadeira da produção, ou ela quer dar uma charme a mais ao telespectador que possa se ligar nesses detalhes?

09/08/2011.

sábado, 6 de agosto de 2011

Salt: Anti-comunismo e paranoia

                                                                  
Neste final de semana tive oportunidade de assistir pela segunda vez ao filme Salt, produção norte-americana de 2010, onde Angelina Jolie vive uma agente de CIA, que descobre que é, na verdade, uma agente sabotadora soviética infiltrada nos Estados Unidos desde os tempos da Guerra Fria.


É uma aventura com muitas perseguições, muitos tiros, muitas lutas, e algumas explosões. E se eu cheguei a ver o filme pela segunda vez, deve ter sido para ver a Angelina Jolie de novo. E também para me certificar de como a indústria cinematográfica de Hollywood ainda tem pessoas que guardam rancor do comunismo, e gostam de alimentar sentimentos de paranoia.


A temática não é propriamente original. O filme Telefon (o nome aqui no Brasi foi "Conspiração Telefone", se não me engano), de 1977, e portanto, produzido no período da Guerra Fria, tinha a mesma inspiração. Contudo, há de se dizer que naqueles tempos se vivia com o medo efetivo de uma possível guerra entre Estados Unidos e União Soviética, que se explodisse, tinha grandes chances de se tornar numa catástrofe nuclear.


Mas é curioso que se possa produzir um filme cerca de 20 anos após a queda do Muro de Berlim, e do fim da União Soviética, em que os malfeitores sejam antigos ex-funcionários soviéticos, que têm por propósito destruir os Estados Unidos, e alçar a Rússia à glória entre as nações.


Não faz muito sentido para mim. Não existe mais União Soviética. O comunismo existente hoje é um regime paranóico na Coreia do Norte, lutando para sobreviver, e acossado pelas forças militares tecnologicamente superiores da Coreia do Sul, e pelas tropas dos Estados Unidos estacionadas na península, e Cuba, um regime onde o comunismo se funde com o sentido de independência nacional, para fugir à opressão dos Estados Unidos, que fica a 200 km de distância, e que já ocupou efetivamente a ilha. China e Vietnã, com suas aberturas à produção capitalista não contam mais como comunismo.


E claro, há certos exageros. Angelina Jolie é uma mulher grande, com 1 metro e 75 centímetros de altura. Mas ela luta com diversos homens de igual tamanho, ou maiores que ela, espanca todos eles, e sobra fôlego. Tenho dúvidas sobre se é possível extrair uns 2 ou 3 ml de veneno direto da glândula de uma aranha. E tenho dúvidas se é possível cair no rio Potomac no inverno boreal, e sair correndo sem sofrer uma crise de hipotermia.


Mas, enfim, é ficção e diversão. Em todo caso, repito, é curioso que se use disso para alimentar rancor anti-comunista e paranoia.


12/07/2011.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

“Quem matou Salomão Hayalla?” - Diário - Novelas

“Quem matou Salomão Hayalla?” - Diário - Novelas


Desde ontem os telespectadores já podem se perguntar “quem matou Salomão Hayalla?” No capítulo de ontem, 04/08/2011, na macrossérie da TV Globo Salomão Hayalla foi assassinado. A princípio, pelas cenas que foram mostradas, fico com a impressão que o assassino é do sexo masculino.

É impressionante como a TV Globo já teve poder de moldar imaginários neste país. No final da década de 1970, todo mundo ficou se perguntando quem matou Salomão Hayalla. Boa parte da população assistia à novela. Os resistentes que não assistiam eram obrigados a ouvir os comentários de quem assistia. No final da década de 1980, todo mundo ficou se perguntando quem matou Odete Roitmann. A novela é algo que se assiste, não com total atenção, logo que se chega em casa, enquanto não se vai dormir.

Hoje a coisa não é exagerada assim. A TV Globo ainda tem uma imensa audiência, mas nada que se compare com 20 ou 30 anos atrás. Nos tempos da novela “Vale Tudo” (da personagem Odete Roitmann), não havia Internet para as massas. E no tempo da  novela “O Astro” original não havia nem vídeo-cassette. Hoje a programação da TV aberta concorre com a TV por assinatura, com o DVD ou o Blu-Ray, com os videogames, e com a Internet.

Pessoalmente eu não me lembro da última novela que acompanhei. Seja qual for, já faz bastante tempo. Mas estou assistindo esta nova versão de “O Astro” por saudosismo.

Desde ontem, nós os telespectadores já podemos nos perguntar quem matou Salomão Hayalla. Se não estou enganado, em 1978, foi o Filipe, amante da Clô. Agora, um amplo leque de suspeitos está aberto. Sendo que os autores se preocuparam em incrementar a quantidade de suspeitos nos capítulos que precederam o assassinato do milionário da novela.

Até outubro deveremos saber quem foi o assassino de Salomão Hayalla. Só falta os autores da nova versão de “O Astro” terem eleito Filipe para o crime.


05/08/2011.