quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Minhas lembranças sobre os ataques de 11 de setembro de 2001




Na manhã em que os Estados Unidos foram atacados em Nova York e em Washington eu estava trabalhando.


A equipe de trabalho estava tendo uma reunião, quando a chefe recebeu um telefonema da irmã dela, informando que um avião havia batido no World Trade Center. Essa notícia foi recebida com um tanto de estranheza, afinal, com os modernos sistemas de radar, não seria normal que um avião se chocasse contra um prédio.


Logo em seguida houve outra ligação, informando que outro avião havia se chocado com a outra torre. Chegamos à conclusão que dois aviões contra duas torres não podia mais ser acidente. A tal reunião rapidamente acabou, nem  lembro do que tratávamos. O resto da manhã passamos como espectadores da cobertura dos ataques oferecida pela Internet. Eu especificamente acompanhei pelo UOL.


Naquela manhã a Internet ficou tão congestionada que o UOL teve que colocar no ar uma versão mais simplificada de sua página inicial, uma vez que o excesso de requisições estava impedindo alguns internautas de acessar a página corretamente.


Depois surgiu a notícia do ataque ao Pentágono. Mas o que ficava na página inicial do portal mesmo eram as torres do World Trade Center.


Depois tivemos o choque de constatar a queda de uma das torres. Depois houve a queda da outra. E eu fiquei chocado que as estruturas das torres não fossem fortes o suficiente para suportar aqueles choques.


Quando a manhã chegou ao fim, saímos para o almoço. Momento de preocupação, mal estar e perplexidade. Seria isso o início da próxima guerra? Haveria mais ataques?


Quando chegou o final do dia, novos ataques não haviam se concretizado, o espaço aéreo dos Estados Unidos estava fechado, e algumas interrogações permaneciam: Como o Pentágono, o centro de comando militar dos Estados Unidos, não tinha um espaço aéreo restrito? Dado que os terroristas-pilotos foram identificados como fundamentalistas muçulmanos, a questão palestina seria finalmente resolvida?


Passados dez anos, não houve mais ataques como aqueles em solo norte-americano. Os Estados Unidos invadiram Afeganistão e Iraque, e permanecem nestes países até hoje. E a questão palestina não foi resolvida, e talvez olhando em perspectiva esta situação, a da questão palestina, esteja até pior que 10 anos atrás. O presidente George W. Bush conseguiu fazer aprovar no Congresso dos Estados Unidos uma legislação que gerou a regressão de direitos civis, e tornou a ignomínia de Guantánamo (um enclave americano cravado território de Cuba) ainda maior. E os Estados Unidos se tornou mais dividido socialmente. Muitas coisas.



13/09/2011.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Diário - leituras - Terras Baixas


Diário - leituras - Terras Baixas

Li recentemente o livro "Terras Baixas" ("Netherland"), de Joseph O'Neill.

O livro, publicado em 2008, e traduzido pela editora Alfaguara em 2009, conta a história de Hans van den Broek, um homem originário dos Países Baixos, isto é, para nós brasileiros, da Holanda, que trabalha como analista de investimentos em um banco de Nova York, logo após os ataques às torres gêmeas naquela cidade, no início da década de 2000.

Hans é portanto um imigrante, e o livro trata basicamente de imigrantes, vivendo em Nova York naqueles dias. Ele é originário da Holanda, sua esposa é inglesa. E depois dos ataques, ela decide voltar para a Inglaterra, com o filho pequeno deles, enquanto ele permanece na grande cidade do nordeste dos Estados Unidos.

E para tentar se achar no mundo, após o afastamento da mulher e do filho pequeno, ele se aproxima de um grupo de praticantes de críquete, formado por outros migrantes que vivem na cidade e arredores. Assim, o livro é uma narrativa de migrantes vivendo em Nova York após os ataques de 11 de setembro de 2001, como migrante é o próprio autor, Joseph O'Neill. Só isso para explicar as longas descrições do tal jogo. Entre os praticantes de críquete em Nova York, há pessoas originárias de colônias britânicas no Caribe, e do sul da Ásia, como indianos, paquistaneses e bengalis (originários de Bangladesh).

Um destes migrantes, do qual Hans se torna mais próximo, é Chuck Ramkissoon, originário de Trinidad, aquela ilha na costa da Venezuela que faz parte de Trinidad e Tobago. Um dos motes do romance é justamente a descoberta do corpo de Ramkissoon em um canal ao redor de Nova York. Chuck Ramkissoon é um praticante de críquete, e tem grandes planos para o crescimento do interesse do críquete entre o público dos Estados Unidos.

Esta visão e vivência de Nova York após os atentados de 11 de setembro de 2001 dão um ar diferente à obra, pois quando Hans anda para lá e para cá em Nova York é um migrante, um expatriado que demonstra como ele vivia na cidade então. Seria curioso comparar com a expressão da experiência de um natural do lugar em algum outro romance.

Para nós brasileiros, o livro contém uma passagem interessante. Desde o ano passado, quando um bueiro explodiu e feriu gravemente um casal de turistas norte-americanos em Copacabana, houve mais alguns destes incidentes até meados deste ano. Pois bem, no livro o autor relata incidentes parecidos em Nova York. Não sei se é pura ficção, ou se ele inseriu incidentes ocorridos por lá no livro. Estes incidentes narrados no livro atribuem ao sal usado para evitar acumulação de gelo e neve nas ruas, a corrosão do isolamento dos fios subterrâneos, causando curto-circuitos e explosões dos bueiros de Nova York num inverno dos anos 2000.

É um bom romance. Achei que valeu a pena tê-lo lido.





O'Neill, Joseph. Terras Baixas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Você conhece a Pamzinha?




Eu não.

Eu suponho que a Pamzinha se chame "Pâmela", e estou escrevendo porque sei que ela perdeu um pendrive com um milhar de fotos, e eu conheço quem encontrou.

Este "post" é uma experiência, para ver se isto é capaz de fazer a Pamzinha entrar em contato para recuperar o tal pendrive. Se é que ela está interessada.

Supostamente a foto que ilustra este "post" é dela, e foi encontrada no pendrive.

25/09/2011.


sábado, 24 de setembro de 2011

Um dia de chuva


Um dia de chuva

Naquela manhã, Rudolph acordou atrasado. Tinha ido dormir tarde na noite anterior, e, portanto, dormiu demais pela manhã. Era 14 de julho e chovia naquela manhã quase quente do inverno de Porto Alegre.

14 de julho é Data Nacional da França. Dia da Queda da Bastilha e origem épica da Revolução Francesa. Mas para Rudolph aquilo não parecia tão importante agora. Ele apenas se incomodava um pouco com a chuva que caía. Na semana anterior a temperatura caíra a próxima de zero. Mas naquela manhã, a temperatura era amena, talvez uns 18 graus. O inverno de Porto Alegre era assim.

Temperaturas para todos os gostos, momentos de muito frio, momentos de calor de vestir apenas uma camiseta e bermudas. A única coisa permanente no inverno de Porto Alegre era a umidade. Umidade literalmente condensada na chuva que caía.

Tendo acordado atrasado, chegou atrasado na repartição. E achou o pessoal agitado. Talvez fosse a chuva. Ele tinha a impressão que o pessoal da repartição ficava mais agitado, e conversava mais em dias de chuva. Tinha momentos em que achava o "zum-zum-zum" dos dias de chuva infernal.

Quando foi pegar um cafezinho, viu no mural o que talvez pudesse ser um outro motivo para a agitação de parte da turma. A mãe do Henrique havia falecido. Um recado no mural informava sobre o falecimento, e indicava que o enterro seria no início da tarde no Cemitério São João.

Rudolph se sentiu desapontado. Sabia da doença da mãe de Henrique, mas estava certo que ela superaria a doença. Claro, algum sofrimento, como costuma acontecer com quimioterapias, mas ela devia ser uma mulher forte, relativamente jovem frente à expectativa de vida que o país havia alcançado. Tinha forças e uma grande torcida a favor. Ele pensava com os seus botões que muitas pessoas tem longa vida, ou em luta com o câncer, ou mesmo vencendo-o. Que o dissesse a presidenta Dilma. Mas não foi o caso.

Quando se aproximou de sua mesa, Rudolph falou com Carla.

"Coisa chata, não?"

"Pois é. Dia chato. Faleceu a mãe do Henrique, e a Luana foi internada." - Comentou ela.

"A Luana foi internada?" - ele ainda não sabia disso. Mais uma novidade ruim.

Tempos atrás, Luana tivera uma crise nervosa, que a fizera ficar internada em uma clinica de saúde mental. A nova internação talvez dissesse que não fosse apenas uma crise nervosa, mas algum problema mais sério. Será que Luana estaria sujeita a algum problema mental que a fizesse necessitar de internações periódicas? Rudolph já ouvira falar de pessoas diagnosticadas com síndromes que as levavam a ser internadas de tempos em tempos.

A internação de Luana era mais uma notícia naquele dia.

Contudo, naquele momento o horário do enterro da mãe de Henrique estava marcado. Rudolph pegou a lotação e se dirigiu ao Cemitério. Desceu na Assis Brasil, e subiu a Marechal José Inácio. Deviam ser uns 600 metros de caminhada até a entrada do Cemitério.

Chegando ao cemitério, ele dirigiu-se ao setor das capelas. Era ali que a mãe de Henrique devia estar sendo velada. E de fato ali ela estava. Naquele momento mais de uma capela estava sendo utilizada, e aquele corredor que dava acesso às capelas estava cheio de gente. Rudolph se aproximou da capela em que a mãe de Henrique estava sendo velada. A pequena capela estava lotada. Henrique permanecia ao lado do esquife enquanto um padre dirigia às pessoas algumas palavras de consolação. Como a capela estava lotada, algumas pessoas permaneciam no corredor. Familiares, amigos, e amigos dos familiares. só de colegas da repartição, Rudolph pensou ter visto mais de uma dúzia, sem contar os que passaram pelo velório, mas já não estavam mais lá no horário do enterro. A umidade de Porto Alegre, e o ajuntamento de gente tornavam o corredor das capelas do cemitério São João um lugar abafado, talvez um pouco claustrofóbico.

Tão logo o padre terminou sua prédica, era o momento estabelecido para o enterro. O armador fechou o caixão, os familiares as alças, e seguiram em direção ao túmulo.

O féretro não deve ter demorado mais que cinco minutos pela alameda principal até o local em que o caixão devia ser colocado.

Colocado o caixão, o coveiro ainda demorou mais alguns minutos para fechar a lápide. Fechada a lápide, foram colocadas sobre ela as coroas de flores. As providências quanto ao descanso final da mãe de Henrique estavam tomadas.

As pessoas que ainda não tinham manifestado seus pêsames, puderam se aproximar dos familiares. Rudolph abraçou Henrique e manifestou sua solidariedade, e disse que sentia muito pela perda.

Mas, no seu íntimo, Rudolph estava frustrado. Imaginava que a mãe de Henrique superaria a doença...

No caminho de volta à repartição, a chuva continuava a cair. Choveu bastante naquele dia. Porto Alegre é uma cidade úmida.






15/07/2011, 18/07/2011, 22/07/2011.

sábado, 17 de setembro de 2011

Diário - cinema - Cowboys e Aliens


                                                                   
Diário - cinema - Cowboys e Aliens                                           

No final de semana, houve tempo para assistir o filme "Cowboys e Aliens", produção norte-americana de 2011, dirigida por Jon Favreau, o mesmo de Homem de Ferro, e estrelada por Daniel Craig, o atual agente 007.


A suposta mistura de faroeste e ficção científica se tornou irresistível para mim. Mas, de fato, isso é um engano. O filme é um faroeste no qual foram inseridos estes elementos de ficção científica. Desde o início, com o cowboy Jake Lonergan, acordando no meio do deserto, sem lembrar como chegou ali, estamos às voltas com um faroeste. Velhos filmes de faroeste poderiam indicar ressaca após uma bebedeira com uísque ruim. Mas talvez não seja o caso. Além de perdido no deserto, Lonergan porta uma estranha, e grande, pulseira.



Depois temos a cidadezinha, com ruas de terra e prédios de madeira, e um pistoleiro metido a valentão.


É nesse contexto clássico de faroeste, são inseridos os extra-terrestres. Que estão à procura de recursos.


Mas, como eu disse, é um filme de faroeste, como o foi, por exemplo, "As Loucas Aventuras de James West", o filme de 1999, com Will Smith. Naquele caso, o faroeste estava investido da temática "steampunk" .


Achei um pouco inconsistente a personagem Ella, vivida por Olivia Wilde. Por quê? Bom a ideia é que quem tenha interesse em assistir o filme, assista, e concorde, ou discorde sobre o caráter da personagem.


O filme foi uma boa diversão. Melhor que Thor, por exemplo.
Afirmei acima que a mistura de faroeste e ficção científica se tornou irresistível para mim. Mas não foi o caso para muita gente. A sessão das 19:00 de sábado no cinema tinha poucos espectadores.


13/09/2011.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Hanami em Porto Alegre - 2011




                                                                     
                                                                     
                                                                     
                                             


Neste final de semana (24/07/2011), voltei ao bairro Anchieta, no limite de Porto Alegre, com o município vizinho de Canoas, para observar a floração da cerejeira japonesa. 
No canteiro central da Avenida Fernando Ferrari há três cerejeiras, que florescem no mês de julho.
O encanto dessas plantas está na delicadeza das pequenas flores, que desaparecem em pouco tempo, e também em seu exotismo. Afinal são plantas originárias do Japão. E no Japão, elas dão origem até a um festival, o Hanami, quando famílias se reunem no Parque Ueno, em Tóquio, para fazer piqueniques e observar as florações. 
Essas flores poderiam ser confundidas com flores de pessegueiro, e não é incomum que alguém se engane com elas. 
Pena que o canteiro central da Avenida Fernando Ferrari não propicie um lugar adequado para se fazer piqueniques sob as cerejeiras em Porto Alegre.



25/07/2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Diário - Leituras - Final - A História

Diário - Leituras - Final - A História
 

Finalmente acabei de ler "A História", que vem a ser uma seleção de trechos da Bíblia, publicado inicialmente pela editora Zondervan, nos Estados Unidos, e republicado aqui no Brasil pela editora Sextante.

Anotei na página final do livro que
o início da leitura foi em 29/06/2011, o que significa que foram quase 70 dias de leituras. Bem mais do que eu imaginava que demoraria, mas sem dúvida nenhuma, muito menos que o tempo necessário para ler toda a Bíblia.

Como eu disse quando iniciei a leitura e publiquei neste blog, uma leitura rápida, que permite conhecer algo da essência da Bíblia, sem precisar lê-la completamente. Pode ser usada tanto como literatura, quanto como meio devocional.


Enquanto eu lia, achava ruim que esta obra não referisse os capítulos da Bíblia a que fazia referência. Contudo, no final, há um sumário ligando os capítulos da obra, com os capítulos referidos na Bíblia.

A História - a Bíblia contada como uma só historia do começo ao fim. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.



06/09/2011.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Diário – leituras - “Para toda obra”, o perfil de Nelson Jobim na revista Piauí de agosto/2011


Diário – leituras - “Para toda obra”, o perfil de Nelson Jobim na revista Piauí de agosto/2011

Recentemente li o perfil traçado por Consuelo Dieguez na Piauí de agosto.

Segundo o noticiário, o então ministro da defesa acabou caindo porque neste perfil teria feito observações não muito lisonjeiras a respeito de duas colegas de ministério. De fato em seu perfil está declarado que em certo momento Jobim teria dito que Ideli Salvatti, ministra das relações institucionais era “fraquinha”, e Gleisi Hoffmann, ministra da casa civil, “não conhecia Brasília”, que eu imagino que signifique que ela não conheça as pessoas de Brasília, e não tenha os contatos que talvez Nelson Jobim imaginasse que uma ministra da casa civil deveria ter.

Com isso se tornou um caso notório de um ministro que caiu porque falou demais.

Antes do perfil publicado na Piauí, Nelson Jobim já tinha causado estranhamento ao declarar publicamente que havia votado em José Serra em 2010. Ele que era ministro de Lula, e continuou ministro sob Dilma, que vencera José Serra na eleição. As razões que Jobim expôs para ter votado em Serra são compreensíveis, foram companheiros de apartamento durante a Assembleia Constituinte (1987-1988) e se tornaram bons amigos. Estranho foi ter revelado o voto, servindo a um governo que havia derrotado Serra.

Além disso, durante comemoração do aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem ele também havia servido como ministro, no caso da justiça, e por quem foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, fez declarações dúbias sobre “idiotas que perderam a modéstia”. Outro estranhamento causado, do qual Jobim tentou se livrar acusando a imprensa.

Pessoalmente eu achava que Nelson Jobim não deveria ter sido mantido ministro sob o governo Dilma. Me parecia um tucano aninhado no governo errado. Se sua nomeação para a defesa parecia esperteza de Lula, em determinado momento de seu governo, não parecia que havia necessidade de sua manutenção com a presidente Dilma.

Dito tudo isso, o perfil que sai da reportagem de Consuelo Dieguez é de um ministro aparentemente eficiente. Deu um jeito no problema do chamado “caos aéreo”, com o qual a grande imprensa brasileira se levantava contra o governo Lula, e depois disso tentava fazer o que se poderia esperar de um ministro da defesa: criar um sentido de missão para as forças armadas brasileiras no atual quadro político mundial; discutir um certo “planejamento estratégico”, em torno do qual elas deveriam se estruturar; fornecer equipamento moderno às forças; e, princípio tão prezado pelos militares, manter a disciplina.

Como foi dito, parecia um ministro eficiente. Pena que foi boca grande.




30/08/2011.