quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Diário - leituras - A Privataria Tucana


Diário - leituras - A Privataria Tucana

Li “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., recentemente publicado. Resolvi lê-lo antes de diversos outros porque é um livro que tende a ficar datado. Ou se lê na época do seu lançamento, ou a tendência é nunca mais lê-lo. Ele vai para a pilha de livros a serem lidos em algum futuro que não sabemos quando chegará.

O livro é pouco didático, e um pouco dispersivo. Apesar de falar de pessoas ligadas ao PSDB no processo de privatização de empresas públicas brasileiras durante o governo FHC, o autor fala sobre o tiro que levou de traficantes ao investigar o assunto, isto é, o tráfico de drogas, nas cidades satélites do Distrito Federal, fala sobre o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e até de Paulo Maluf. O tiro serve para explicar como ele chegou a produzir este livro. Teixeira e Maluf servem para explicitar um modo de agir, mas são citados superficialmente.

Apesar do título, este livro fala pouco da privatização em si.

O título se deve ao fato do autor ligar privatização e pirataria, utilizando a palavra, que se não foi inventada pelo jornalista Elio Gaspari, foi bastante popularizada por Gaspari. Piratas foram aqueles marinheiros que saqueavam outros navios, ou cidades costeiras. Embora existam piratas até hoje pelo mundo, o auge da fama da atividade se deu entre os séculos XVI e o XVIII, e sua base principal de refúgio eram ilhas do Caribe. Tal qual os piratas de outrora, atualmente muita gente usa empresas de fachada localizadas em paraísos fiscais para receber dinheiro ilegal e “lavá-lo”. No livro são citados paraísos fiscais nas Ilhas Cayman e nas Ilhas Virgens, isto é, ilhas do Caribe, antigo refúgio de piratas, e atual refúgio de novos tipos de salteadores.

O autor demonstra o modo de ação. Uma pessoa abre uma empresa de fachada nesses paraísos fiscais, e abre também uma empresa no Brasil. Como o proprietário da empresa no paraíso fiscal fica oculto, lá, o seu dono pode guardar dinheiro adquirido ilicitamente, e depois trazer esse dinheiro de volta ao Brasil, com a empresa com origem nas Ilhas Virgens adquirindo cotas de capital da empresa no Brasil, num aparente investimento legítiimo. Essa forma de atuação é a que o autor acusa o administrador Ricardo Sérgio, ligado ao PSDB, e diretor do Banco do Brasil durante o governo FHC de usar, bem como Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, respectivamente filha e genro de José Serra, notório político tucano, e também Gregório Marin Preciado, primo de José Serra. O autor procura demonstrar suas conclusões reproduzindo muitos fác-similes de documentos coletados durante a pesquisa para o livro.

Contudo me chamaram a atenção os relativamente pequenos valores citados pelo autor nessa circulação suspeita de valores, são sempre centenas de milhares ou alguns milhões de dólares ou reais. Se os valores são grandes para indivíduos são bem  pequenos comparados aos bilhões usados nas tais privatizações.

Talvez esses valores crescessem se houvesse uma investigação em cima das informações fornecidas pelo livro, mas acho que isso seja difícil de acontecer. Os supostos crimes relatados, se aconteceram, foram entre 1998 e 2003. Se já não estão prescritos, devem prescrever em breve, e conhecemos o ritmo de trabalho do nosso sistema judiciário.

O livro se sai melhor ao descrever a participação do autor no início da campanha de Dilma Rousseff durante 2010, e explicar como ele se viu acusado de violar o sigilo fiscal de pessoas ligadas a José Serra, que também era candidato a presidente naquela eleição. Ribeiro Jr. alega que não quebrou sigilo fiscal de ninguém, e insinua que o caso pode ter sido uma armação dos próprios tucanos, para evitar que as informações que davam base ao livro viessem à luz durante a campanha eleitoral, reduzindo as chances de eleição de José Serra.

Também expõe o envolvimento de grandes veículos ao lado de José Serra durante a campanha, em especial o jornal Folha de São Paulo, que em reportagem do jornalista Leonardo de Souza afirmou que Amaury Ribeiro Jr. teria pago a um despachante para violar o sigilo fiscal de José Serra, sua filha e alguns correligionários de seu partido.

Achei o livro uma leitura truncada, e no final acho que ele entregou menos que prometeu. Em todo caso serviu para expor coisas que nem todos conhecem.

Também me remeteu para a leitura do livro “O Brasil Privatizado”, de Aloísio Biondi, que Ribeiro Jr. cita, e que parece bem mais didático.


24/01/2012, 26/01/2012.


RIBEIRO JR., Amaury. A Privataria Tucana. São Paulo: Geração Editorial, 2011.

Aprendendo a ler


Aprendendo a ler



Eu aprendi a ler com a vizinha. Eu devia ter cinco ou seis anos, e a vizinha era uma moça no final da adolescência, com paciência o suficiente para ensinar o piazinho vizinho a ler e escrever, com o perdão de tantos inhos.

Eu me lembro que em algum momento comecei a escrever algo sobre certo tipo de alimento, talvez grão-de-bico, talvez ervilha, mas mais certamente grão-de-bico. Eu escrevi que o tal alimento era "muinto bom para a saúde", ou algo assim. O "muinto" chamou a atenção do pai da minha "professora", que era advogado, e ele ficou fazendo troça de algo ser "muinto" bom. Enquanto não me explicaram que se devia escrever "muito", e não "muinto", não entendi a galhofa do vizinho, pois para aquele menino de cinco ou seis anos, "muinto" era o correto, pois era isso que ele sempre pensava que ouvia.

Um outro belo dia, ou mais provavelmente uma outra noite, meus pais descobriram minhas habilidades de leitura, antes do início da frequência do Grupo Escolar Chácara das Pedras, onde tive formalmente as primeiras letras. Minha mãe havia ido visitar uma amiga que morava na Av. Bento Gonçalves, ali por volta do número 2000, perto do Partenon Tênis Clube. Depois da visita nós caminhávamos pela Bento Gonçalves para voltar para casa, quando passamos em frente a uma relojoaria. Acho que era uma relojoaria, mas poderia ser uma joalheria. "Re-lo-jo-a-ria ... Pe-ró-la" eu devo ter dito (exceto claro se eu tivesse dito "jo-a-lhe-ria... Pe-ró-la"), dizendo cada sílaba muito pausadamente. Penso que era relojoaria porque havia uma enorme pintura representando um relógio Technos na cortina de ferro que vedava o acesso à loja. Este foi o susto de minha mãe, que ainda não sabia que seu filho já estava alfabetizado, embora eu não tenha certeza se eu sabia o que significava aquilo que eu estava soletrando – não estou certo se eu realmente sabia o que era uma relojoaria, embora houvesse o desenho na cortina de ferro, ou mesmo uma pérola. Em todo caso eu era capaz de reconhecer sílabas, e formar palavras. Lembro que minha mãe ainda me corrigiu, dizendo que era “pérola”, e não “peróla” como parecia que eu havia lido.

Isso deve ter acontecido lá por 1972 ou 1973. Em 1974 eu entraria para o Grupo Escolar Chácara das Pedras, onde começaria as atividades desenhando linhas, para "afinar" as habilidades motoras, antes de aprender as primeiras letras, que na verdade eu já conhecia. A primeira letra ensinada na escola foi obviamente a letra "a". No dia em que esta letra foi ensinada a professora mandou que todos os alunos fossem ao quadro para reproduzi-la. Para minha decepção, constatei que a minha não foi a mais bonita escrita naquele dia. Alguns coleguinhas tinham letra melhor que a minha...

No Grupo Escolar também tive as primeiras noções da neurose das escolas. Ali levei a primeira surra na escola de um aluno mais velho, e maior que eu. E nem me lembro o porquê.


17/10/2011. Atualização 13/01/2012.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Diário - Leituras - As Gárgulas


Diário - Leituras - As Gárgulas


Entre as minhas leituras do final de 2011 esteve o livro As Gárgulas, de Ana Guimaraens. É um livro de contos, alguns mais longos, outros mais curtos, que expõem o talento de sua autora.

Eu comecei a ler o livro porque eu conheço Ana. Convivendo nesta mesma cidade, tive vontade de conferir o que ela tinha a expressar.

E os 21 contos que compõem o livro são bons, alguns muito bons, extremamente divertidos, como, por exemplo, O Pangaré, onde o tango penetra na mente de um vivente, através de um sonho, e de seu cavalo, o tal pangaré do título, e isso acaba por influenciar numa situação difícil que enfrenta a cidade em que ele vive.

Há contos rápidos como Juçara e Palmito, onde de uma forma engraçada ela narra a sapequice de Juçara, que não consegue ficar afastada dos palmitos, metáfora do despertar da puberdade.

Há o conto fantástico das gárgulas que inclusive dá título ao livro. Há também A Ponte, outro conto com uma temática fantástica, que serve de metáfora para refletirmos sobre o como vivemos nossas vidas.

Enfim, como eu disse, são 21 contos nesse livro.

Eu não estou certo se este livro teve cobertura de imprensa na época de seu lançamento. Na verdade, eu não me lembro como cheguei a descobrir a existência do livro. Para adquirí-lo, acabei indo a uma banca da editora que o publica na Feira do Livro de Porto Alegre, de 2011.

Esta pouca divulgação me faz pensar que há muito escritor(a) por aí esperando para ser descoberto(a).



GUIMARAENS, Ana. As Gárgulas. Porto Alegre: Libretos, 2010.


09/01/2012.

Nas Ruínas da Catedral


Nas Ruínas da Catedral


O carro virou à direita e entrou numa avenida larga. Chamo de avenida porque era muito larga mesmo, mas o movimento era quase nenhum. O único automóvel a rodar por esta avenida era o nosso.

Mas logo as ruínas se tornaram visíveis à nossa esquerda enquanto passávamos, nos dirigindo ao portão que nos permitiria o acesso a elas (às ruínas).

As ruínas estão cercadas, como uma espécie de parque temático. Uma módica taxa libera o acesso a elas.

Tão logo entrei na área do sítio, me dirigi rapidamente às ruínas. Tão rapidamente que eu quase corria. Quem estava comigo brincou: “Cuidado! Não vai ter um ataque do coração!”

Continuei andando rápido em direção às ruínas. As ruínas eram da catedral de São Miguel Arcanjo.
Ao chegar próximo da entrada parei e fiquei alguns instantes a contemplar as ruínas da antiga catedral.
Algo me tocou. Uma comoção mexeu comigo e tive vontade de chorar. E o pior é que não sou capaz de explicar as razões dos meus sentimentos.

Só posso especular...

Talvez fosse pelo fato de estar diante de algo que já havia visto dezenas de vezes em fotografias, vídeos e desenhos. Mas acho que não.

Talvez fosse pela questão de estar diante de uma edificação erguida há mais de trezentos anos, por uma espécie de sociedade muito diferente da que vivo hoje. Talvez.

Talvez fosse pelo fato de eu ser um crente, e saber que a antiga catedral diante de mim foi erguida por outros crentes, e que foi erguida como sinal visível da fé deles. Pensar que como crentes, eu, de alguma forma, sou tão igual e, ao mesmo tempo, tão diferentes deles. Talvez.

Essa hipótese me leva a pensar que sou um crente e me comova ver uma catedral em ruínas. Será que meu sentimento é como o dos judeus que voltavam da exílio na Babilônia, e encontraram o templo de Jerusalém em ruínas no século VI a.C.?

Talvez o que me emocionou foi a história triste deste lugar. Apesar das batalhas épicas, e do massacre do resistente Sepé Tiaraju à troca de soberanias europeias sobre este lugar, não foi a guerra que tornou este sítio em ruínas. Foi o simples abandono dos índios que aqui estiveram aldeados, e se foram. Como no poema de Eliot, muito citado pelo Scliar, também este mundo se acabou, não com uma explosão, mas com um suspiro...

Deliro que as ruínas possam ser restaurada. E esta antiga catedral possa acolher um culto a Deus de novo...

Não pode. O atual status está sedimentado e deve permanecer perene. Estas ruínas são agora “Patrimônio da Humanidade”.

Quem estava comigo senta na antiga nava do templo, e assopra um pífaro indígena. Penso que também ela pensa em um templo em ruínas como um lugar de fato arruinado. Um templo deveria ser sempre um lugar de culto a Deus.

Bem que eu queria ficar dias por aqui. Mas não é possível. Este museu a céu aberto fecha todos os dias. É preciso sair e seguir adiante.

Olho para a entrada da antiga catedral e as lágrimas correm pelo meu rosto. Que sentimento é este?





20/12/2011.

Bobo


Bobo

Sou bobo
Bobo no bom sentido
Se bom sentido há em ser bobo

Apenas sei
Que quando te aproximas de mim
A tristeza vai embora
A alegria aparece
E até mesmo a morte
Parece que desaparece

Ao teu lado me sinto feliz
Me sinto contente
Nem sei porquê

Deve ser isso mesmo
sou bobo


09/01/2012.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"Tu é louco!"


"Tu é louco!"



Ela me encontrou no elevador do Centro Administrativo quando saíamos para almoçar. Houve um tempo em que trabalhávamos muito próximos, mas depois ele pediu para trocar de secretaria, assim ficamos menos próximos, mas sempre nos demos bem, e fruíamos respeito e simpatia mútuos. Pelo menos até nos encontrarmos hoje no elevador.

- Tu é louco de usar este chapéu preto para sair na rua com este sol! - Ela falou assim que me viu.

Esqueci de dizer que o dia era de dezembro, início do verão em Porto Alegre. O verão de Porto Alegre costuma ser quente e úmido, razão pela qual, alguns porto-alegrenses gostam de se referir carinhosamente à cidade como "Forno Alegre".

- Eu tento me proteger do sol batendo diretamente na cabeça. - Tentei me defender. Desde que o cabelo começou a rarear faz alguns verões, parece que os raios de sol fritavam a pele nos ralos pelos que permaneceram onde antes havia uma cabeleira.

- Pois sim. Parece idiota! Eu mesma costumava usar um chapéu preto, até me dar conta que o chapéu preto acabava por formar uma ilha de calor sobre a cabeça. Eu que costumo estudar o fenômeno das ilhas de calor em minhas aulas de geografia, não me dava conta que estava literalmente esquentando a cabeça com essa pequena ilha de calor.

Eu nem tentei mais responder diante de tão fortes argumentos. Mas ela ainda continuou:

- Usar um chapéu preto com este sol e este calor é como fazer um chapéu de piche, como usar asfalto para proteger a cabeça do calor.

E mais:

- Pior, o chapéu preto “puxa” os raios do sol para a tua cabeça!

O elevador chegou ao solo, e, felizmente para mim, cada um seguiu para um lado, para almoçar e resolver alguma necessidade qualquer. Faltavam poucos dias para o Natal.

Talvez ela não tenha usado a palavra "louco". Tenha sido imaginação ou sentimento meu, mas confesso que me senti um tremendo idiota diante de argumentação tão veemente. Saí do elevador em direção ao Centro de Porto Alegre, pensando que eu devia ser burro, e ela inteligente.




22/12/2011.


Sem vergonhas


Sem vergonhas


I

Um dia você partiu
E nesse dia você me partiu
Me deixou em desconsolo
Por causa de um alegado sonho
Um devaneio tolo

II

E agora você volta
E eu aceito, idiota
De fato, como na canção de Lindomar
Nós somos dois sem-vergonhas
Em matéria de amar


21/12/2011.

Rua Estácio de Sá, 66 – Chácara das Pedras, Porto Alegre, RS


Rua Estácio de Sá, 66 – Chácara das Pedras, Porto Alegre, RS



Meus pais me disseram, e a certidão de nascimento dá fé, que eu nasci no Hospital Beneficência Portuguesa, na segunda metade da década de 1960. E desde esse tempo até mais ou menos a metade de 1974, eu vivi na Rua Estácio de Sá, número 66, bairro Chácara das Pedras, em Porto Alegre.

Foi ali que, como se diz, “me dei por gente”, ou seja, foi ali que me dei conta de minha própria existência. Claro que a criança que saiu dali com sete anos de idade não tinha sólidas reflexões a respeito da vida. Apenas são dali as primeiras impressões de estar no mundo. É ali o lugar das primeiras lembranças.

Morávamos numa casa de madeira, cor de laranja, alugada. Eram quatro peças: dois quartos, uma sala e uma cozinha. Não havia banheiro. Havia uma latrina no fundo do pátio que chamávamos de patente.

Morávamos ali meu pai, pedreiro, minha mãe, “dona de casa”, minha irmã, que trabalhava como secretária, meu avô materno, que eu imagino que era aposentado, e minha avó materna, que também se ocupava de tarefas da casa. Quando nasci, minha irmã estava saindo da adolescência.

Nas minhas lembranças dessa primeira infância. Havia muitas outras crianças naquela vizinhança, e eu me lembro principalmente dos meninos. Havia o Paulinho, que era irmão da Salete. Havia o Maurício, que era irmão da Cristina, que tinha o apelido de Toco. Havia também os gêmeos, cujos nomes não me lembro, e que também viviam um pouco mais acima na rua. E havia dois irmãos negros, cujos nomes também não me lembro.

E obviamente a brincadeira que movia as crianças dali, como a maior parte das crianças do Brasil, quiçá do mundo, era o jogo de bola. Então o jogo de bola fez parte dessa infância. E pelo que posso me lembrar eram bolas de plástico ou de borracha. Bolas de couro eram um luxo caro no início da década de 1970.

A Rua Estácio de Sá é uma sucessão de aclives e declives. A primeira quadra, onde morávamos, era uma ladeira, a partir da esquina da Rua José Gertum. Assim, no jogo de bola havia um time que atacava ladeira acima, e outro que atacava ladeira abaixo. Para os primeiros era sempre árduo alcançar o gol. Para os segundos a dificuldade era controlar a bola, e evitar que ela fugisse ladeira abaixo. As goleiras eram marcadas com pedras ou pedaços de tijolos, o que fosse encontrado primeiro. Para ambos os times valia “fazer tabela” com os muros das casas. Mas se a bola corresse para o meio da rua, parava-se o jogo. Era lateral.

Nem só de bola eram as brincadeiras. Carrinhos de plástico para os meninos, e bonecas para as poucas meninas também fazia parte.

Acho que o pai do Paulinho era aeroviário da Varig. Naquele tempo isso era uma grande coisa. Um dia, deve ter sido num Natal, ou num Dia da Criança, o Paulinho ganhou de presente um “Autorama Fittipaldi”. Uau! Que brinquedo! Controlar aquelas “baratinhas de corrida” era máximo! Pena que eu só podia brincar quando o Paulinho montava a pista e me convidava para ir à casa dele. Parecia muito pouco!

No ano em que eu ia completar 8 anos de idade, minha família se mudou. Meu mundo caiu. Na prática perdi todos os meus amigos.

Era o primeiro ano que eu estava matriculado na escola, o Grupo Escolar Chácara das Pedras, que ficava a algumas quadras da Rua Estácio de Sá. A mudança foi na metade do ano escolar.
No segundo semestre, eu tinha que caminhar mais que o dobro do caminho, até a Vila Bom Jesus, para onde havíamos nos mudado.

Um dia, depois da escola, no final da tarde. Resolvi ficar na minha vizinhança e brincar até o anoitecer. Isso me valeu muitas preocupações por parte da minha mãe, e uma surra com rabicho de ferro. Provavelmente a pior surra da minha infância. Quem mandou deixar a mãe preocupada?

Na Rua Estácio de Sá, no bairro Chácara das Pedras, em Porto Alegre, me descobri gente. Ali vivi os dias mais felizes de minha infância.





I: 07/06/2011, D: 24/10/2011, R: 13/01/2011.