sábado, 30 de junho de 2012

30 Graus em Porto Alegre em 30 de Junho (de 2012)


30 Graus em Porto Alegre em 30 de Junho (de 2012)

Certo. Não foi 30, foi em em 29 de junho.
Tempo, clima, calor, chuva. Assunto ubíquo.
No início do blogue anterior, eu costumava falar bastante disso. Embora fosse bom como registro, soava um pouco como encheção de linguiça.
Mas o clima é assunto ubíquo.
Se você encontra um conhecido que não via há tempos, e ele lhe era de alguma consideração, vocês param, se cumprimentam, perguntam pelo pai, pela mãe, pela esposa, pelos filhos, sobre o que cada um anda fazendo, e terminou o assunto. Se houvesse alguma intimidade maior, poderia ser que cada um perguntasse ao outro sobre a carreira, as mais recentes atividades. Bom, aí acabou o assunto mesmo. E o que acontece? Se fala do clima. Se fala do frio, se fala do calor, se fala da chuva, …
Pois é. O clima é um assunto inescapável.
Hoje a temperatura em Porto Alegre esteve próxima de 30 graus Celsius, o que não seria relevante se não estivéssemos em pleno inverno.
Dias quentes fora de estação não chegam a ser raros em Porto Alegre, tanto que tradicionalmente celebramos um certo “veranico de maio”, maio que tecnicamente é outono. Outro blogueiro da cidade costuma registrar os veranicos de julho (que segundo esse mesmo blogueiro ficou em agosto no ano passado). E eu me lembro vagamente que na década de 1990 houve um ano em que eu e minha esposa comemoramos o aniversário jantando no Barranco, usando camisetas de manga curta. Ela faz aniversário em junho. E é raro comemorarmos aniversários dela sem estarmos agasalhados.
Assim, podemos dizer que dias quentes fora de estação acontecem com certa frequência nesta cidade. Mas eu acho que esta sexta-feira, 29 de junho, foi um pouco excessiva. 30 graus em pleno inverno é meio sufocante.
Quando voltei para casa, no final da tarde ainda estava bem quente. Os bares da cidade devem ter tido um incremento do consumo de chopp, para celebrar esta sexta-feira em que supostamente o calor deveria acompanhar o verão no hemisfério norte do planeta.
E os serviços de meteorologia preveem que o calor continuará até a próxima quinta-feira. Se a previsão se concretizar teremos de fato mais um veranico de julho.


30/06/2012.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Leituras atrasadas - Elite da Tropa


Leituras atrasadas - Elite da Tropa



“Elite da Tropa” é um livro escrito pelo sociólogo Luiz Eduardo Soares, em conjunto com os ex-oficiais do BOPE - O Batalhão de Operações Especiais, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, e quer dar uma ideia aos seus leitores da realidade da criminalidade, da polícia militar, e deste famoso batalhão da polícia do Rio de Janeiro.


Em todo caso ele se apresenta como “obra de ficção”, se cita os fatos com outros nomes, tudo aconteceu, mas nada do que é narrado é verdade. Com isso se evitam processos e constrangimentos.


O livro é dividido em três partes: o “Diário da Guerra” onde uma série de textos em forma de crônicas descreve o “modus operandi” do BOPE e sua relação com a população favelada, criminalidade e as autoridades da segurança do Rio de Janeiro. “A Cidade Beija a Lona” narra o dia em que a cidade do Rio de Janeiro viveu um toque de recolher imposto pela bandidagem. “Epílogo’ forma um reflexão sobre um oficial do BOPE indo ao comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro sobre o livro que acabava de ser escrito e estava às vésperas de ser publicado.


Confirmou o que eu havia dito do BOPE mostrado no filme “Tropa de Elite”, que o BOPE mostrado no filme não é uma força policial, mas um comando militar que trata as favelas como território estrangeiro (está na página 280 do livro).


E se há uma demonstração da psicologia de um policial do BOPE ela está na primeira parte. 
Desprezo a qualquer discurso de direitos humanos, violência e desprezo no trato com moradores de favelas, desprezo e humilhação de usuários de drogas, e inclusive a execução de um colega que se corrompeu, num estilo que poderia se aproximar das execuções que ouvimos falar feitas pelas máfias (texto “Justiça a Domicílio”).


Na segunda parte os autores tentam retratar o dia em que a cidade do Rio de Janeiro foi sitiada pelo bandidagem, e mapear os papéis desempenhados pelos traficantes de drogas, pelas autoridades do estado, inclusive o governador, mas principalmente o secretário de segurança, seus auxiliares de inteligência, e o chefe da polícia civil, além do papel do BOPE naquela crise.  Acredito que esta narrativa faça referência a um episódio real de 30 de setembro de 2002.


No epílogo temos as palavras de um dos autores, provavelmente o ex-capitão Rodrigo Pimentel, vai mostrar a sua obra ao comandante da PM, e a ex-colegas de farda.


O livro é bem redigido e fácil de ser lido. Claro isso se o leitor tiver estômago forte para ler as humilhações, as execuções e coisas que tais no livro. Mas essa forma de narrar os episódios em forma de pequenas crônicas faz com que a leitura seja relativamente fácil e rápida.


Depois de ler esse livro eu acabei convencido que o consumo e o comércio de drogas, qualquer droga, maconha, cocaína, heroína, crack, deveria ser liberado. Claro que como é feito com o álcool e a nicotina, esse consumo deve ser desincentivado. É a ilegalidade da produção e venda dessas drogas, chamada de ilícitas, que dá poder ao tráfico. E é necessário um batalhão de elite da polícia militar para contrastar tal poder do tráfico de drogas. É a tal lógica do oficial do BOPE que o policial no Rio de Janeiro precisa “ir à guerra”. Mas essa guerra não faz sentido. Por que um cidadão pode tranquilamente se embebedar com as diversas opções de bebidas alcoolicas disponíveis no mercado, enquanto outro se torna alvo de ira da polícia por estar fumando um cigarro de maconha? 


O desejo de fuga da realidade, ou de relaxar, é o mesmo. Por que um pode e outro não? Por que nesse caso específico, a polícia tem que estar envolvida em proteger o cidadão de si mesmo? Se bem que nos casos relatados, os consumidores são humilhados, afinal, os policiais os responsabilizam pela tal da guerra em que eles estão diariamente envolvidos veja os textos “Traição” e “Dois Andares”).


Legalize-se as drogas, e permita-se à polícia ficar às voltas com roubos e assassinatos.


De qualquer maneira, é um livro bem interessante. Eu estou curioso para ler o livro “Elite da Tropa 2”.




SOARES, Luiz Eduardo; BATISTA, André; PIMENTEL, Rodrigo. Elite da Tropa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006.


03/06/2012.


No dia 13 de fevereiro de 2012 eu fui a Barra do Ribeiro


No dia 13 de fevereiro de 2012 eu fui a Barra do Ribeiro



Barra do Ribeiro é um pequeno município que fica a cerca de 60 km de Porto Alegre. Tem cerca de 12.000 habitantes, e além da atividade agropecuária, também é um balneário, banhada ainda pelo lago estuário Rio Guaíba. Acredito que a balneabilidade de sua praia, com uma estreita faixa de areia seja maior que as praias de Porto Alegre e do município de Guaíba porque ali os esgotos residenciais e industriais destas cidades já foi diluído pelo imenso fluxo de água lago estuário rio.


Há uma certa estima por parte dos porto-alegrenses em relação a Barra do Ribeiro. É um lugar que muitas pessoas já visitaram, onde muitos brincaram na sua estreita faixa de areia, ou se banharam nas águas do Guaíba que batem ali. Eu já havia ouvido muitas conversas sobre dias em Barra do Ribeiro, ou sobre passeios farofeiros a Barra do Ribeiro. Enfim, não são poucas as pessoas que têm boas recordações do lugar. Assim, eu mesmo gostaria de já ter ido a Barra do Ribeiro, mas eu nunca havia ido lá. Contudo, em 13 de fevereiro de 2012 eu fui lá. E escrevo isso para não esquecer.


Nesse dia eu cheguei a Barra do Ribeiro, mas o meu destino era outro. Eu desejava ir a Jaguarão, no sul do estado, na fronteira com o Uruguai, uns 400 quilômetros além de Barra do Ribeiro. Mas este desejo acabou frustrado. Houve dois motivos para isso, que podem acabar sendo tratados na verdade como um só: Um veículo lento, e uma estrada perigosa e com tráfego pesado.


O veículo lento era uma velha Volkswagen Variant 1978. Os automóveis Volkswagen com motor e tração traseiros e motor refrigerado a ar são uma peça de resistência, e o mais conhecido por aqui é o fusca. Na metade da década de 1970 o fusca era um em cada dois automóveis vendidos no Brasil. Então, estes automóveis eram simples, com manutenção barata, embora não muito confortáveis, nem muito rápidos. A VW Variant 1978 que eu dirigia era lenta, mais de 30 anos de serviços prestados, e já um pouco cansada. E a BR116, a estrada que liga Porto Alegre a Jaguarão, passando por Pelotas é uma estrada com tráfego pesado. Por ela passam boa parte dos caminhões que levam (ou trazem) cargas para o porto de Rio Grande, o único porto para navios de grande porte do Rio Grande do Sul. Assim, ser lento por si só não chega a ser um grande problema. Normalmente os acidentes acontecem porque os veículos estão andando muito rápido, não muito devagar. Mas quando caminhões pesados dão a impressão que irão passar por cima de você se você se você não se apressar, ou for para o acostamento para deixar eles passarem, a situação fica muito desconfortável. Talvez seja melhor desistir, desviar, mudar seu destino.


Foi o que fiz. Mudei. E quando desisti de ir a Jaguarão, já estava quase chegando a Barra do Ribeiro.


Peguei a estrada de acesso e fui.


Cheguei à cidade, e andei pela sua avenida principal, a Avenida Visconde do Rio Branco. Por uma transversal, estive junto à orla do Guaíba, que, de fato, ali me pareceu mais azul que parece quando o vejo em Porto Alegre (mas isso pode ser apenas uma ilusão, ou uma lembrança distorcida). Mas nem desliguei o motor do carro, nem caminhei pela cidade, nem tirei fotos do lugar onde nunca tinha estado antes. Não tirei fotos. E eu gosto de tirar fotos. Parece uma contradição em termos ser um turista que não tira fotos. Impensável nos dias de hoje.


Mas eu estive lá, estive em Barra do Ribeiro, a cidade pequena e pacata, pequeno balneário banhado pelas águas do lago Rio Guaíba. Estive lá e vi. 


Escrevo para não esquecer.



22/03/2012.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Diário - leituras - Crime e Castigo


Diário - leituras - Crime e Castigo


Crime e Castigo é um livro escrito mais ou menos na metade do século XIX por Fiódor Dostoievski, e ambientado em São Peterburgo, na Rússia. Ele é considerado um clássico da literatura universal.
Como o próprio título diz, fala em crime e em castigo, ou punição.
Eu havia comprado o livro em 2003, mas só agora me dediquei à sua leitura.
Fala um pouco sobre aquela Rússia que começava a se urbanizar, que ia incorporando o desenvolvimento tecnológico daquele tempo.
E fala sobre jovens em busca de oportunidades de vida, bem como de uma sociedade que ia se aburguesando, e buscava novidades intelectuais.
E curiosamente, para uma história passada na Rússia do século XIX, a história se passa no verão russo. Via de regra os personagens se vêem às voltas com o calor de São Petersburgo no verão. E tal qual sociedades do século XIX (e talvez também do início do século XX), os endinheirados de São Petersburgo se refugiam em balneários próximos da cidade, para se refugiar do calor do verão de São Peterburgo. E eu que estava acostumado a associar a Rússia sempre com o frio.
Ler um romance desses é realmente voltar no tempo. Um tempo de personagens que se comunicam de forma oblíqua, indireta, principalmente quando a comunicação é entre homens e mulheres. Essa comunicação indireta leva à sensorialidade, à expressão de sentimentos sem palavras. Assim é comum alguns personagens "enrubescerem", ou "impalidecerem", ou "desfalecerem". Os sentimentos não podem ser exprimidos diretamente. Devem ser reprimidos, ou, quando expressados, expressados dessa maneira, com pessoas enrubescendo, ou empalidecendo, ou desviando o olhar, ou levantando o sobrolho, o interlocutor é obrigado a adivinhar o que sente quem se expressa. Outros tempos.
Me ocorreu de pensar nos autores brasileiros mais ou menos contemporâneos de Dostoiévski e seu "Crime e Castigo". Li, parece que já faz muito tempo, "Dom Casmurro" e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, e "A Pata da Gazela", de José de Alencar. Como a Rússia, o Brasil do século XIX era um país periférico. E tanto nesse romance russo, como nestes brasileiros que citei, há essas sociedades periféricas que vão se urbanizando e aburguesando. E tanto no caso brasileiro como no russo, as personagens estão às voltas com a Capital do país, sua proximidade da corte, a necessidade de buscar seu sustento e seu lugar na sociedade. E nessas sociedades é melhor estar às voltas com atividades bacharelescas, como advocacia ou literatura, que com atividades técnicas, como as engenharias.
A leitura de "Crime e Castigo" não chegou a ser cansativa, mas fluiu mais lentamente que eu imaginava que fluiria.
Em todo caso, fico pensando que eu ainda gostaria de talvez ler Flaubert ou Balzac. Vamos ver.


DOSTOIÉVSKI, Fiódor.
Crime e Castigo. São Paulo: Nova Cultural, 2002.


15/05/2012, 17/05/2012.


Diário - cinema - Prometheus


Diário - cinema - Prometheus


Sexta-feira passada, 8, pude assistir o filme “Prometheus”, em uma pré-estreia no shopping (que tal, “xóping”, como talvez dissesse o Luís Fernando Veríssimo?) Praia de Belas.
Prometeus foi um deus da mitologia antiga grega que forneceu o fogo dos deuses do Olimpo aos homens, para que eles pudessem buscar o conhecimento. Por tal ato ele acabou punido com um castigo eterno pelos deuses.
Também o nome da espaçonave que levará uma tripulação de exploradores a um planeta remoto do universo, onde, a partir de uma série de escavações arqueológicas, eles buscam respostas para as questões que afligem a humanidade desde sempre, “qual a nossa origem?”, “qual o sentido da vida?”, “existe um criador?”.
É um filme que mistura elementos de ficção científica, suspense e horror. O filme vai explorar as criaturas do velho filme “Alien, o Oitavo Passageiro”, numa cronologia anterior a daquele filme.  Nesse aspecto eu achei o filme tão interessante que fiquei com vontade de rever o velho filme, com a nova Nostromo, e a tenente Ripley, de Sigourney Weaver.
O filme abre todo um novo leque para Hollywood explorar sequências, tanto sequências no intervalo cronológico entre este momento e o de ‘Alien, o Oitavo Passageiro”, como até anteriores, como o tempo da criação dos registros arqueológicos do filme.
O filme me deixou cheio de questões. Por exemplo, quando o filme termina, eu fiquei pensando “Tá! E agora?” Por que David, o android do filme age da maneira que age? Há outras, mas aí arriscaria atrapalhar a diversão de quem pretende ver o filme.
É um filme bom. Talvez até pudesse ser um pouco mais longo e reflexivo, mas, como eu já especulei, provavelmente os produtores irão explorar comercialmente as questões abertas em novos filmes.

14/06/2012.


Amaral de Souza (1929-2012)


Amaral de Souza (1929-2012)

Vez por outra somos surpreeendidos por notícias de falecimento de pessoas que fizeram parte da esfera pública, mas se retiraram para uma vida privada após algum tempo. Nesta quarta-feira, 13 de junho, faleceu o ex-governador Amaral de Souza.
Ele governou o estado do Rio Grande do Sul entre 1979 e 1982. Foi o último administrador do estado nomeado pela ditadura militar (1964-1985).
No período em que ele foi governador aconteceu a anistia imposta pelo presidente-general João Figueiredo, validada por um Congresso com deputados da oposição cassados, e senadores biônicos nomeados pelo general-presidente Geisel.
Eu me lembro da primeira greve de professores que vivi então. Eu devia estar pela sexta série do primeiro grau (acho que é o equivalete à atual  sétima série do ensino fundamental). Foi organizada pelo sindicato dos professores de então, que viria a dar origem ao atual CPERS, o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul. A greve foi um tanto surpreendente, e na volta às aulas algumas professoras agradeceram o apoio dos alunos.
Nos estertores da ditadura, os trabalhadores do país começavam a redescobrir a liberdade de organizar-se e poder reivindicar. Mas convém lembrar que na greve dos bancários daquele ano de 1979, o então presidente do sindicato dos bancários, Olívio Dutra, acabaria preso, em decorrência da greve.
O jornal Zero Hora traça para Amaral de Souza, o perfil de um conciliador. O Correio do Povo foi sucinto no seu noticiário e não chegou a traçar um perfil político, apenas lembrando o ex-governador em um pequeno perfil, com menos de 15 linhas. Talvez esse perfil sucinto no Correio do Povo, seja devido a uma certa relação tensa entre o governador e o proprietário do jornal, Breno Caldas, naquela época. Mas eu posso estar enganado...
Também, se não estou enganado, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul enfrentou momentos de dificuldades por aqueles tempos.
Ainda promoveu a destruição dos arquivos do DOPS, a divisão política da polícia civil do estado. Talvez um gesto para proteger alguns de seus agentes, além de uma perda para os historiadores.
Foi durante o governo de Amaral de Souza que tive meu primeiro emprego formal. Como office-boy num montepio, o que hoje equivaleria a uma empresa de previdência privada, se bem que naqueles tempos, esse tipo de empreendimento fornecia muito menos garantias aos seus clientes.
O sucessor de Amaral de Souza foi Jair Soares. Jair Soares pertencia ao PDS, Partido Democrático Social, o sucessor da ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o partido da sustentação política da ditadura militar. Jair Soares foi eleito com menos de 50% dos votos. Naquele tempo, não havia dois turnos de eleição, e uma reforma eleitoral havia gerado a divisão da oposição, que concorreu com três candidatos diferentes.
O noticiário informou que Amaral de Souza tinha a saúde bastante debilitada desde que sofreu um AVC há seis anos.


14/06/2012.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Diário - leituras - Contos de Julio Cortázar


Diário - leituras - Contos de Julio Cortázar


Acabei entrando em contato com estas obras de Cortázar por conta de um blog sobre Política Internacional que acompanho, o blog "Todos os Fogos o Fogo", de Rodrigo Santoro. Como é possível constatar o blog tem o mesmo nome de um dos livros. Na verdade é o título de um dos oito contos, que acabou por dar nome também ao livro.

O posso dizer dos contos de Cortázar? Para começar são bem mais longos que os contos que eu estava me acostumando a ler.

São contos com mais ou menos 15 ou 20 páginas. Com isso, as histórias tendem a ganhar em complexidade, e obviamente temos que nos deter mais em cada um deles. Mas cada um desses contos vale a pena.

O livro "Todos os Fogos o Fogo" começa com o conto "A autoestrada do sul" é de fato "uma viagem" sobre um congestionamento no retorno a Paris, no final do final de semana, e tudo que pode acontecer numa situação dessas.

"A saúde dos doentes" narra a dificuldade de se dar uma notícia ruim a alguém que já tem a saúde frágil, e, portanto, dificuldades para receber notícias ruins.

"A Reunião" é uma ficção sobre o desembarque de Fidel e seus guerrilheiros em Cuba a bordo do barco Granma e seu rumo para Sierra Maestra.

"A Senhorita Cora" é um conto sobre um rapaz que fica internado em um hospital para uma cirurgia de apêntice e fica aos cuidados de uma jovem enfermeira, a senhorita Cora do título. Tem a ver com adolescência, superproteção, despertar e contradição de sentimentos.

"A ilha do meio-dia" é uma história sobre um comissário de bordo de um avião que sobrevoa o Mediterrâneo, e sempre sobrevoa uma determinada ilha grega, no horário do meio-dia. Um dia esse comissário resolve visitar a tal ilha durante suas férias.

"Instruções a John Howell" é sobre um homem que vai assistir uma peça teatral em Londres, e repentinamente é convidado a participar do elenco da peça.

Em "Todos os Fogos o Fogo" Cortázar mistura duas narrativas sobre conflitos, e ambas envolvem fogo. Apesar de tempos distintos, de alguma maneira elas irão convergir.

Por fim, "O Outro Céu" narra a história de um corretor que encontra-se recorrentemente com uma meretriz nas suas horas vagas por Paris.

Estas são as histórias que compõem "Todos os Fogos o Fogo". Passemos a "As Armas Secretas".

"Cartas de mamãe" é o conto que abre o livro "As Armas Secretas". Trata-se de como uma carta vinda da mãe do narrador, e que mora na Argentina, acaba por trazer a tona uma série de questionamentos para este narrador, um publicitário vivendo em Paris.

"Os bons serviços" narra a história de uma mulher que é contratada para alguns serviços domésticos de uma família burguesa francesa, presumivelmente no início do século XX.

"As babas do diabo" conta a história de um fotógrafo que sai por Paris, a fotografar, e acaba registrando uma certa discussão de um casal. Li recentemente que tal conto teria se inspirado em parte na vida do recentemente falecido fotógrafo chileno radicado em Paris, Sergio Larraín, e que, talvez, tivesse inspirado até o filme "Blow Up", de Antonioni.

"O perseguidor" é sobre Johnny, um jazzista americano radicado em Paris. O homem é um virtuose da música e um louco. Durante a leitura eu fiquei me perguntando se haveria alguma leve inspiração em Charlie Parker, por parte de Cortázar. Com suas mais de 50 páginas, este conto esta no limiar de uma novela.

"As armas secretas", conto que fornece título ao livro é sobre se tornar jovem na França logo após a Segunda Guerra.

Para quem gosta de literatura e de contos, eu diria que este livros de Cortázar são imperdíveis.






CORTÁZAR, Julio. As Armas Secretas. Rio de Janeiro: BestBolso, 2011.

Obra original de 1959.



CORTÁZAR, Julio. Todos os Fogos o Fogo. Rio de Janeiro: BestBolso, 2011.

Obra original de 1966.

Seleção Saraiva vira-vira


12/03/2012.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O dia mais frio do ano de 2012 (até agora)

O dia mais frio do ano de 2012 (até agora)


Este 7 de junho de 2012 foi o dia mais frio do ano de 2012 em Porto Alegre até agora. O sol raiou com termperatura ao redor de 2ºC, e não estou certo que o momento mais quente do dia tenha ultrapassado os 10ºC.
E as previsões meteorológicas dos noticiários informam que a temperatura deve ficar mais amena nos próximos dias.
Tanto frio foi paradoxal pois foi um lindo dia de sol. Mas a massa de ar frio não permitiu que o sol aquecesse os porto-alegrenses.
7 de junho é um feriado religioso católico neste ano, dia de Corpus Christi. Quinta-feira.
De maneira que foi um dia preguiçoso. A maior parte dos trabalhadores pôde ficar em casa. A maior parte do comércio também não abriu. Os ônibus rodaram com horários de domingo. E com tanto frio, muita gente nem quis colocar o pé para fora de casa. Apesar do lindo sol lá fora.
Estão terminando os dias do outono, e se aproxima o início do inverno. Se aproxima o solstício do inverno no hemisfério sul. E as horas de sol vão diminuindo. Até o solstício.
2012 é ano do Dragão entre os signos do zodíaco chinês. O que significa que já temos um ciclo completo dos signos chineses. O ano do Dragão anterior havia sido o ano 2000, o último ano do século XX.
Quando eu era criança, os adultos comentavam comigo que eu teria 33 anos no ano 2000. O ano 2000 veio e passou. As grandes expectativas (seria o fim do mundo?) para a chegada do ano 2000 se frustraram. Nem tivemos automóveis voadores, nem as viagens interplanetárias se tornaram banais.
2012 é o primeiro ano do Dragão do século XXI.
E algumas pessoas aventaram a hipótese que a antiga civilização maia tenha predito o final do mundo para este ano. 21 ou 22 de dezembro. A ver.
Certo mesmo é que hoje foi o dia mais frio do ano de 2012 em Porto Alegre até agora. Um dia preguiçoso. Um lindo dia de sol e pouco vento. Um lindo dia de sol e pouco vento, mas de fato bastante frio para nós...


07/06/2012.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Diário - cinema - Homens de Preto 3, Mais do Mesmo e um Pouco Mais

Diário - cinema - Homens de Preto 3, Mais do Mesmo e um Pouco Mais


Neste final de semana fui ao cinema assistir à segunda sequência do filme Homens de Preto, o número 3 ("M.I.B. III").
É um pouco mais do mesmo dos dois primeiros filmes da série, mas com um pouco mais de conteúdo. Ou talvez não, mas eu acho que me afeiçoei mais a este filme que aos dois primeiros.
Além dos costumeiros seres extra-terrestres, este carrega um pouco mais na emoção, quando o agente J precisa retornar no tempo para ajudar o agente K, e de quebra salvar o planeta Terra.
De volta a 1969, o filme faz uma bela reconstituição de época, inclusive com uma trilha sonora condizente. O que pode ser uma grande diferença com os filmes anteriores.
E há atuação de Josh Brolin como o jovem agente K. E ele atua otimamente, como costuma fazer (a flexibilidade de Josh Brolin pode ser constatada pelas suas diferentes atuações: um policial corrupto no início da década de 1970 no filme "O Gângster", um vaqueiro que acha uma fortuna de um traficante nos anos 1990 em "Onde os Fracos Não Têm vez", ou um bandido assassino no faroeste "Bravura Indômita").
E há os coadjuvantes de luxo como Tommy Lee Jones (sim, neste filme Tommy Lee Jones é um coadjuvante de luxo) e Emma Thompson.
Para variar, fui ver novamente o filme em cópia 3D, pensando que seria divertido ver os extra-terrestres saindo pela tela. Não funcionou como um imaginei. O 3D não fez uma diferença importante neste filme. Eu poderia ter economizado alguns reais.
Em todo caso, o filme é bom. Não é necessário ter visto os dois primeiros, mas certamente quem os viu desfrutará mais este filme. Vale a pipoca.


28/05/2012.