segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ponte do Guaíba e Construção da Arena do Grêmio

100_0399-1 by Ze Alfredo
100_0399-1, a photo by Ze Alfredo on Flickr.
Vista de prédio no Centro de Porto Alegre, com um potente "zoom".

Diário - cinema - Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Diário - cinema - Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Este final de semana fui ver o último filme da mais recente trilogia sobre Batman, “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”.

Como os outros filmes da série, este também é bastante divertido e vale ser visto.

O Bane, de Tom Hardy, é um bandido com palavras espirituosas, o que o fez parecer mais simpático para mim do que talvez devesse um bandido assassino brutamontes.

É difícil entender as intenções de diretor e roteirista ao darem certo ar de Revolução Francesa ao caos que Bane instala em Gotham City, isto é, Nova York. O espectador pode oscilar entre a denúncia dos banqueiros e especuladores, ou a associação de ideias revolucionárias com banditismo puro e simples.

Curiosamente “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” remete mais ao primeiro filme da série, “Batman Begins”. E eu basicamente já havia me esquecido do que aconteceu no primeiro filme da série.

E também me lembrou um pouco os velhos filmes de kung-fu. Por que? Melhor conferir no filme.


Por fim, vale ressaltar a interpretação da atriz francesa Marion Cotillard (que me lembrou muita a brasileira Suzana Pires, mas não estou certo que esta associação faça sentido para quem lê este texto).

O filme anterior da trilogia “O Cavaleiro das Trevas”, e o Curinga, interpretado por Heath Ledger, foram bastante superiores para mim. Mas isto não é motivo para deixar de ver o final desta trilogia.

Repito o que disse antes: este filme é divertido e vale ser visto.



30/07/2012.


As Flores da Avenida Fernando Ferrari


As Flores da Avenida Fernando Ferrari
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A Avenida Fernando Ferrari fica no bairro Anchieta em Porto Alegre. O bairro Anchieta fica na periferia de Porto Alegre, bem próximo da cidade vizinha de Canoas. Apesar de estar na periferia de Porto Alegre, o bairro Anchieta não fica longe do Centro da cidade. De automóvel, com sorte, é possível fazer o trajeto em uns 20 minutos. Além disso é possível alcançar o bairro de ônibus e de trem. O aeroporto de Porto Alegre também fica no bairro Anchieta, ou nos seus limites. Apesar de todas essas facilidades, pouca gente mora no bairro Anchieta. A área do bairro é relativamente pequena, e na sua maior parte, ele é ocupado por indústrias e empresas de logística, que se aproveitam na proximidade do entroncamento das rodovias BR116 e BR290.


A Avenida Fernando Ferrari é uma das principais, senão a principal avenida do bairro Anchieta. Nela fica localizada a CEASA, a Central de Abastecimento de frutas e hortaliças, de Porto Alegre. Na maior parte de sua extensão ela possui um canteiro central. Nesse canteiro central, a partir da terceira quadra, indo da Avenida dos Estados em direção à CEASA, é possível encontrar três árvores de cerejeiras japonesas, que no Japão são chamadas de "sakuras". Estas cerejeiras, e suas flores, são muito parecidas com nossos pessegueiros.

Apesar de serem chamadas por aqui de cerejeiras, elas não dão cerejas, mas produzem uma floração extremamente bela. Tanto é assim que em Tóquio, durante esta floração, os japoneses se reúnem sob estas árvores para observá-las, e eventualmente fazerem piqueniques. Estes piqueniques, com observação das flores são chamadas de "Hanami" , que em japonês significa "ver as flores". Muito popular no Japão, a prática também acontece com menor intensidade em outros países do Extremo Oriente, como Coreia do Sul, China e Filipinas. Também há centenas delas em Washington, capital dos Estados Unidos, presente japonês na segunda década do século XX, sinal dos laços de amizade entre as nações, que uns 30 anos depois entrariam em acirrada guerra. A floração das cerejeiras em Washington também é bela.

Tudo isso me tocou bastante desde que vi um filme alemão, que fala dessas flores e da prática de observá-las. Depois disso, minha mulher me informou que havia estas árvores na Avenida Fernando Ferrari. Acredito que essas árvores estarem localizadas próximas de uma associação cultural japonesa, na rua Jaime Vignoli, uma transversal da Avenida Fernando Ferrari não seja coincidência.
 

Desde então, na época da floração, que aqui em Porto Alegre acontece em julho, tenho ido até lá para observá-las. Este ano estive por lá nos dias 14 e 21. No dia 14 as flores estavam começando a florescer. No dia 21 já estavam em seu pleno esplendor. Acredito que agora talvez já estejam em plena decadência. Ou seja, a floração da cerejeira japonesa, linda e breve, também nos serve de advertência da transitoriedade da vida.

Esse espetáculo extremamente belo merece ser visto.

Eu gostaria que mais árvores dessas fossem plantadas por Porto Alegre. Nas praças e nos parques. No Parque Farroupilha e no Marinha do Brasil em primeiro lugar.


 

30/07/2012.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

Diário - teatro - Tholl: Exotique


Diário - teatro - Tholl: Exotique

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Um palhaço, munido de uma grande mala, sobe ao palco, literalmente, a partir da plateia, e “bate à porta”, diante das cortinas do palco. As cortinas se abrem, e este palhaço será o fio condutor do espetáculo “Exotique”, que esteve em exibição no Teatro São Pedro até domingo passado, dia 22.
E então foi possível assistir ao grupo Tholl, de Pelotas, exibir seu espetáculo de teatro e circo novamente. Muitas danças, malabarismos, equilibrismo, contorcionismo, números com fogos, números com luzes, e humor. Afinal um palhaço conduz o espetáculo.
É um espetáculo emocionante e maravilhoso. Altamente recomendado. E o clima entre o público e os artistas era de grande congraçamento.
E não adianta muito eu escrever a respeito. É melhor que o leitor, quando puder vá assistir a um show do Tholl. É muito bom.
E eu havia visto o espetáculo “Imagem e Sonho”, do grupo, no final do ano passado. E também havia achado muito bom. Inclusive achei o espetáculo “Imagem e Sonho” superior ao “Exotique”. Mas isso não é nada demais. Ambos são imperdíveis.
O Grupo deve exibir o espetáculo “Imagem e sonho” esta semana no Teatro São Pedro. Se puder, não perca!


23/07/2012.

Diário - cinema - Na Estrada


Diário - cinema - Na Estrada


Neste final de semana, fui assistir ao filme “Na Estrada”, adaptação para o cinema do livro “On The Road”, de Jack Kerouac, dirigido por Walter Salles.
É um filme com bastante sexo, drogas e ...jazz. E, sim, com a estrada. Nas idas e vindas dos personagens da costa leste (Nova York) para a costa oeste(Denver, São Francisco, Los Angeles) dos Estados Unidos, e vice-versa.
Mas é um filme sobre o qual é difícil falar a respeito. Se pode fazer muitos comentários, que podem estragar o prazer de quem vá vê-lo. Ou talvez se possa fazer toda uma ensaística a respeito. Teorizações e coisa e tal.
Não quero que seja o caso aqui.
Eu nem mesmo li o livro em que o filme se baseia.
É um filme bom. Com boas atuações de Sam Riley (Sal Paradise), Garrett Hedlund (Dean Moriarty) e Kristen Stewart (Marylou). O elenco de apoio também é muito bom. Podemos pensar em Kirsten Durst, Viggo Mortensen e Alice Braga.
Bem no início do filme, um homem pergunta a Sal (Sam Riley) durante uma carona, se ele estava indo a algum lugar, ou se estava apenas indo. Sal responde que estava apenas indo. E como em tantos outros “road movies”, a estrada é tanto um lugar de liberdade e aventura, quanto pode significar uma fuga.
E a certa altura do filme, eu fiquei me perguntando se o filme não chegaria a lugar nenhum.
Ele chega. Como eu disse é um bom filme.
E apesar de estar “na estrada”, é um filme bem reflexivo.
E, de quebra, eu acho que ele estimula a leitura de alguma maneira. Foi baseado num livro, que fiquei com vontade de ler. Os personagens estão constantemente lendo “O Caminho de Swann”, de Marcel Proust. E, claro, é também sobre um jovem que quer ser escritor e está em busca de inspiração.
Vale a pena ver.



23/07/2012.

domingo, 22 de julho de 2012

Porto Alegre, 13 de julho de 2012, sexta-feira, um dia de inverno

Porto Alegre, 13 de julho de 2012, sexta-feira, um dia de inverno


Era um dia de inverno em Porto Alegre. Havia sol e fazia frio. Um frio seco.
Ele atravessava a Praça da Alfândega, em direção à Caldas Júnior. Quanto mais se aproximava da esquina da Caldas Júnior, mais o mata-bancário o assolava. Mata-bancário é o vento que bate naquela esquina, da Sete de Setembro com a Caldas Júnior, assim chamado porque assola os funcionários do Banco do Estado e da Caixa Federal que têm grandes agências por ali.
Então, quando ele dobrou à direita na Caldas Júnior ele sentiu. Sentiu o mata-bancário lhe bater com tudo. Seus olhos começaram a lacrimejar, e ele teve que apertá-los, faltando pouco para fechá-los. Encolheu a cabeça entre os ombros. Fechou o casaco, apertou o cachecol em torno do pescoço. Sentiu que tinha valido colocar as ceroulas por baixo da calça.
Acelerou o passo para buscar abrigo no restaurante na próxima esquina onde devia almoçar, e, de quebra, se abrigar do mata-bancário.



17/07/2012.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

As Crônicas Marcianas


As Crônicas Marcianas


No início de junho foi divulgada a notícia da morte do escritor
Ray Bradbury. Já faz um mês isso. Esse evento me motivou a tirar da prateleira o livro "As Crônicas Marcianas", que eu havia comprado há cerca de um ano, e lê-lo.
O livro é montado como uma coleção de crônicas, ou contos, narrando os avanços da humanidade na colonização de Marte, o que condiz com o título. Supostamente esse desenvolvimento das viagens interplanetárias entre a Terra e Marte se dá entre os anos 1995 e 2026. Sem ter um protagonista, essas crônicas tem em comum a interação da humanidade com o planeta Marte.
Segundo o que informa
a Wikipédia sobre Bradbury, ele foi influenciado por diversos autores de literatura fantástica em seus anos de formação, e certamente essa literatura influenciou a caracterização que ele faz de Marte, e dos nativos daquele planeta que a imaginação de Bradbury coloca lá. Ajuda o fato que na década de 1950, quando o livro foi escrito, a humanidade sabia muito menos sobre o planeta vizinho da Terra do que sabe hoje, e de fato, o imaginário sobre aquele planeta era formado mais pela literatura fantástica que pela ciência.
Em todo caso, "As Crônicas Marcianas" são sobre a humanidade, não pode restar dúvida. E mesmo os habitantes de Marte são uma outra versão da humanidade. Talvez a primeira crônica, sobre uma família marciana e a primeira expedição terráquea à Marte, seja mais uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade burguesa que sobre as vaigens espaciais entre a Terra e Marte.
Há uma crônica sobre a migração de negros dos Estados Unidos para Marte. Esta crônica não é sobre colonização de um planeta vizinho, é sobre o estado dos negros nos Estados Unidos na década de 1950.
Das preocupações de Ray Bradbury não escapam mesmo a então nascente ameaça do apocalipse nuclear, e aqui Bradbury não se contamina com alguma paranoia antissoviética. O perigo é sempre o que podemos fazer ao nosso próximo.
A edição que li é uma que foi publicada pelo antigo Círculo do Livro, em meados dos anos 1980. Eu cheguei a ser sócio do Círculo do Livro, mas durante meu tempo de sócio não adquiri este livro, que, como já disse, adquiri num sebo, no ano passado.
A curiosidade é que a publicação nos anos 1980 precede a imaginária data da primeira crônica, da primeira viagem à Marte, de 1995. Hoje, no ano 2012, sabemos que a imaginação de Bradbury acabou se tornando maior que a tecnologia e o senso de aventura do ser humano, e estamos próximos de se completarem 40 anos desde que os Estados Unidos colocaram o último homem no solo da Lua (
ocorrido em 11 de dezembro de 1972, segundo a Wikipédia). Desde então a exploração espacial, de fato, regrediu, com os seres humanos que são lançados ao espaço não indo muito além das camadas mais altas da atmosfera terrestre, mesmo que satélites artificiais não tripulados já tenham saído do Sistema Solar. Os seres humanos continuam presos à Terra.


02/07/2012.

domingo, 15 de julho de 2012

Diário - cinema - Chernobyl


Diário - cinema - Chernobyl


Neste final de semana, por influência de familiares fui ver o filme “Chernobyl” (“Chernobyl Diaries”, Estados Unidos, 2012).
Bom, a menos que você seja fã desse tipo de filme, e eu diria que mesmo que você seja fã desse tipo de filme, talvez seja o caso de guardar seus trocados para quando o filme sair em “home video”, ou mesmo em algum canal por assinatura (agora que televisão por assinatura está se tornando finalmente algo popular).
Seis jovens resolvem fazer “turismo extremo” na Ucrânia, visitando as cidades abandonadas de Pripyat e Chernobyl. Como foi amplamente noticiado na segunda metade dos anos 1980, houve um acidente nuclear na usina que era o centro econômico de Chernobyl. A radiação vazou para a atmosfera e a cidade teve que ser evacuada às pressas, não sem que a radiação causasse doenças em milhares de pessoas.
Então. Segundo esse filme, visitar a região é fazer turismo extremo, talvez mais emocionante que visitar Paris ou Londres. E segredos mortais podem se esconder nesse local supostamente abandonado.
O filmezinho (88 minutos de duração) segura uns 2 ou 3 sustos. E a história é fraca, sem pé nem cabeça. Não que eu queira achar lógica em filmes de terror, que são feitos para causar tensão e dar sustos nos espectadores, mas eu esperava uma história minimamente bem contada.
Eu havia visto o trailer deste filme quando assisti o filme Prometheus. O trailer é melhor que o filme.


15/07/2012.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ernest Bornigne (1917-2012)


Ernest Bornigne (1917-2012)


Faz pouco tempo eu comentei como algumas vezes nós somos surpreendidos pela notícia de alguém que faleceu e o que nos surpreende mesmo é que ela estivesse viva até às vésperas. Pensamos que ela tivesse morrido antes, ou simplesmente nos esquecemos dela.

Foi mais ou menos o que me ocorreu ontem. Ontem foi divulgada a notícia do falecimento do ator norte-americano Ernest Bornigne. Ele estava com 95 anos. E na verdade eu é que não estava prestando atenção à carreira deste que foi um dos grandes durões do cinema, pois os necrológios informam que ele mantinha a carreira ativa aos 95 anos, tendo atuado em um filme, "The Man Who Shook the Hand of Vicente Fernandez", neste ano! Além disso ele foi dublador do homem-sereia no desenho animado "Bob Esponja" de 1999 até o ano passado. Um homem bastante ativo.

Seus necrológios informam ainda que ele recebeu um Oscar de melhor ator em 1955, por um filme chamado "Marty". E colocam como memorável sua atuação como "Fatso" Judson no filme "A Um Passo da Eternidade", de 1953.

Minha mais perene lembrança de Ernest Bornigne foi numa das versões cinematográficas do livro "Nada de Novo no Front Ocidental", Erich Maria Remarque, em que ele faz um cabo alemão veterano nas trincheiras da frente ocidental alemã, na Primeira Guerra Mundial. Mas isso é pouco. Ele teve uma carreira prolífica. Entre cinema e televisão foram dezenas de atuações.

Qual durão ainda vive? Já se foram Lee Van Cleef, Lee Marvin, Jack Palance, e, agora, Ernest Bornigne. Talvez Clint Eastwood, mas hoje em dia ele mais dirige que atua.






09/07/2012.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Leituras Atrasadas - Estação Carandiru


Leituras Atrasadas - Estação Carandiru

Estação Carandiru é um livro no qual o Dr. Drauzio Varella narra parte de sua experiência como médico voluntário na Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo. Este livro já inspirou um filme cinematográfico e uma série televisiva.
É  mais uma daquelas leituras que eu chamo de atrasadas, pois são livros de ocasião, do tipo que parece por um momento que está todo mundo lendo. No caso deste livro isso foi lá por 2001, ou 2002. Eu me lembro que ganhei em alguma confraternização de amigo secreto, por ocasião de algum Natal lá por 2002 ou 2003. Mas só agora priorizei esta leitura.
E é uma leitura saborosa, no sentido de ser um livro que se lê, como se diz, em uma sentada (no meu caso, a leitura demorou uns três dias). Tão saborosas quanto podem ser histórias sobre detentos numa penitenciária de São Paulo. São pequenas crônicas sobre o cotidiano naquela penitenciária, onde o Dr. Drauzio Varella conta alguma situação médica sobre algum dos detentos, e muitas vezes aproveita para explicar o motivo pelo qual o camarada chegou àquela situação. Antes disso ele ainda explica como chegou a praticar trabalho voluntário de prevenção à AIDS e outras doenças venéreas ali, e explica em linhas gerais como funcionava o presídio, sua entrada, seus carcereiros, a população carcerária dividida entre os diversos pavilhões do presídio.
E o que se vê no retrato mostrado pelo Dr. Varella? Condenados pobres em geral, moradores de periferias e favelas, dos estratos mais baixos da população. Pequenos traficantes, pequenos ladrões, alguns assassinos. Mas em geral, todos são tratados como gente por Varella, isto é, não como monstros, o que faz com que boas histórias sejam contadas.
Uma curiosidade que o livro narra é a similariedade de ambientes frequentados por uma parte dos condenados, e pela base das forças policiais. Há pelo menos uma narrativa em que uma mulher de um condenado se envolve com um policial. E uma outra de um condenado que matou um policial militar também por causa de mulher.
Por fim, o Dr. Drauzio Varella narra o que teria acontecido na rebelião do pavilhão 9, no qual oficialmente 111 presos foram executados (o doutor informa que os sobreviventes estimam que até 250 presos tenham sido executados). A confusão havia começado por conta de um desentendimento de um jogo de futebol entre os times dos detentos, que descambou para uma briga. O batalhão de choque da polícia militar foi chamado para por ordem no presídio, e para tanto fuzilaram presos à vontade, sem que estes presos tivessem de fato oferecido resistência. De fato, a narrativa do livro é que os presos foram fuzilados enquanto tentavam se esconder nas celas. Os sobreviventes foram espancados. Após a matança inicial, alguns dos que tinham carregado os cadáveres para serem levados para o necrotério, ao final de sua tarefa também foram metralhados. E isto não aconteceu durante a ditadura militar. Foi um evento acontecido no quadro de um estado de direito constitucional, no Brasil da Constituição Cidadã de 1988.
Um livro muito bom, desde que você esteja com vontade de ler a respeito do que acontece num presídio brasileiro.


VARELLA, Drauzio.
Estação Carandiru. São Paulo: Companhia das letras, 2004.


05/06/2012.

Sombras da Noite (“Dark Shadows”)


Sombras da Noite (“Dark Shadows”)


Neste final de semana saímos para ver Sombras da Noite, a mais recente produção cinematográfica de Tim Burton, estrelada por Johnny Depp.
Apesar de mais ou menos vendido como terror, afinal há vampiro, bruxas, fantasmas, feitiços e maldições no filme, na verdade o filme se trata de uma comédia, com alguns lances de humor negro, com algumas cenas desagradáveis, mas basicamente uma comédia.
Barnabas Collins é um jovem emigrado da Inglaterra para a Nova Inglaterra (nordeste dos atuais Estados Unidos) no final do século XVIII. Na Nova Inglaterra a família prospera,mas por conta de uma maldição ele é transformado em um vampiro, e fica preso por 200 anos.
Quando ele é libertado, em 1972, encontra os remanescentes de sua família formando um núcleo altamente disfuncional, e os negócios da família próximos da bancarrota. Ele também não se encaixa muito bem nas transformações que o mundo passou nesses 200 anos em que ele ficou preso.
As atuações são muito boas. De maneira geral, ninguém compromete. Eu destacaria a boa atuação de Michelle Pfeiffer, como a matriarca da remanescente família Collins, e Eva Green, como Angie, a vilã da história.
Cinema é ilusão e eu fiquei encantado com o Maine de 1972, recriado no interior da Inglaterra, onde foram feitas as filmagens, conforme os créditos. Ajuda bastante uma boa trilha sonora com Iggy Pop, Barry White, Carpenters, Alice Cooper, e The Moody Blues. Eu fiquei particularmente tocado com a canção “Nights in White Satin”, dos Moody Blues, quando a personagem Victoria Winters aparece, em um trem a caminho da mansão Collins, para ser tutora do caçula da família, David.
Eu fiquei bastante encantado com a atriz Bella Heathcote caracterizada  como Victoria. E, como eu disse acima, com sua aparição no filme, ao som dos Moody Blues.
Aliás, uma maneira de perceber que se está ficando velho é quando a atriz que mais lhe encantou no filme tem a idade de seu filho. Mas tudo bem, como já foi dito, cinema é ilusão, e no filme ela fica com um homem que é mais velho que eu (embora caracterizado como mais jovem).
Por fim, volto a destacar, a obra é mais uma comédia que um filme de terror. A plateia mais ri, algumas vezes às gargalhadas, outras vezes um riso contido, a plateia mais ri que toma sustos. Eu tive a impressão que o diretor o tempo todo tenta ser irônico, ou debochado, ou ambas as coisas. Ou não, vai saber...

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Bella Heathcote, em imagem de divulgação do filme, da Warner Bros
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01/07/2012.