quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Diário - teatro - O Linguiceiro da Rua do Arvoredo


Diário - teatro - O Linguiceiro da Rua do Arvoredo

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Sábado, dia 11, véspera do dia dos pais, fui ao Teatro São Pedro para assistir ao espetáculo “O Linguiceiro da Rua do Arvoredo”, junto com minha mulher e filho.

A peça trata de um fato ocorrido na segunda metade do século XIX, na cidade de Porto Alegre, que acabou elevado ao patamar de lenda urbana. Segundo o imaginário, José Ramos, habitante da cidade teria usado da sedução de sua mulher, uma migrante alemã, para seduzir e assassinar homens em Porto Alegre. E parte dos corpos das vítimas teria sido transformada em linguiça, por uma associação de Ramos, com um açougueiro da Rua Riachuelo.

A antiga Rua do Arvoredo é a atual Fernando Machado.

Há várias coisas interessantes a respeito desse espetáculo.

Antes de mais nada, eu fui surpreendido pelo fato dessa montagem ser um musical. Pois é. Numa peça relacionada com assassinato, ocultação de cadáveres, e eventual canibalismo, em vários momentos os atores cantam e dançam no palco.

Outra coisa interessante foi que o grupo responsável pela montagem do espetáculo, registrou praticamente todo o desenvolvimento em um web-log. O tal blogue se chama “O Moedor”, e registra desde o desenvolvimento da ideia da peça, os ensaios, a preparação vocal e corporal dos atores, “os eventos preparatórios” para  a estreia da peça, etc.

Foi por meio deste blogue que pude saber que o diretor do espetáculo se chama Daniel Colin. O ator que interpreta José Ramos é Leandro Lefa. A atriz que interpreta Catarina (ou Catharina) Palse é Úrsula Collischonn. Dênis Gosh é Carlos Claussner, o açougueiro. Além deles, participam da peça Dani Dutra, Diana Manenti, Douglas Dias, Francis Padilha, Ike Zimmer, Kaya Rodrigues e Maíra Prates. Enfim, a ficha técnica completa da peça está disponível na Grande Rede.

A peça também tem momentos de metalinguagem. Um desses momentos é quando uma das atrizes informa a plateia que muito do imaginário desses eventos da Rua do Arvoredo, de mil oitocentos e sessenta e pouco não podem ser encontrados em registro nenhum. Isto é, ela informa que o grupo teatral pesquisou fontes históricas e literárias em profundidade para a compsição do espetáculo.

Outro momento desses foi quando um dos atores informa algo sobre a maneira que ele iria montar seu personagem.

Os dez atores em cena formaram um grupo equilibrado. Nesse sentido, não me pareceu que nenhum tivesse atuação destacada, e nenhum teve atuação por demais discreta. Os trabalhos de desenvolvimento de expressão corporal e vocal valeram.

A personagem Catharina se expressa bastante em alemão, fazendo valer suas alegadas origens. Assim, espectadores fluentes nesse idioma terão um bônus ao assistir a peça. Não foi o meu caso...

E como eu disse, a peça é um espetáculo musical. E assim como há momentos de riso, há algumas cenas bastante chocantes. Que os futuros espectadores vejam e julguem.

De qualquer maneira, fica parecendo que a peça acaba por difundir uma mensagem pró-vegetarianismo, quando em diversos momentos é evocado o chacal interior que habita todo ser humano. Será?

Foi um bom espetáculo. Eu gostei. E o público ao meu redor aparentemente gostou mais que eu, pois a maioria se levantou para aplaudir os atores ao final da apresentação.

Eu espero que a peça faça boa carreira. Este final de semana em Porto Alegre foi apenas para começar. E certamente há diversos teatros aguardando apresentações pelo interior do Rio Grande do Sul, e pelo Brasil.


15/08/2012.

Indo assistir à peça O Linguiceiro da Rua do Arvoredo


Indo assistir à peça O Linguiceiro da Rua do Arvoredo


Sábado, dia 11, véspera do dia dos pais, fui ao Teatro São Pedro para assistir ao espetáculo “O Linguiceiro da Rua do Arvoredo”, junto com minha mulher e filho.

A peça trata de um fato ocorrido na segunda metade do século XIX, aqui na cidade de Porto Alegre, que acabou elevado ao patamar de lenda urbana. Segundo o imaginário, José Ramos, habitante da cidade teria usado da sedução de sua mulher, uma migrante alemã, para seduzir e assassinar homens. Ainda segundo a lenda parte dos corpos das vítimas teria sido transformada em linguiça, por uma associação de Ramos, com um açougueiro da Rua Riachuelo.

Quando eu comentei que iria ao teatro para assistir uma peça relacionada ao assunto com alguns colegas, mencionei em tom de galhofa que a peça teria o patrocínio da Sadia, ou algum outro fabricante de linguiças e salsichões.

Pois não é que enquanto os espectadores esperavam na para entrar no teatro havia um rapaz e uma moça distribuindo pedaços de salsichão assados numa talha, junto com farinha de mandioca, tal qual aperitivo de churrasco? E não havia nenhum fiscal de saúde pública por perto para atestar a origem dos tais salsichões! Em todo caso, não me arrisquei a pegar nenhum pedacinho, apesar de parecerem bastante apetitosos. Nesse mundo louco, sabe lá, né?

Infelizmente houve alguns contratempos para assistir à peça.

Nós chegamos ao teatro por volta de oito da noite. O espetáculo deveria começar às nove. Havia uma fila imensa para entrar no espetáculo e ela ainda não estava andando. Como nossos ingressos eram para a plateia, que tem lugares marcados, não nos importamos com a fila e fomos à cafeteria do teatro. Que também estava com as mesas todas ocupadas a princípio. Quando liberou uma mesa, pedimos cafés e Coca-Cola. Quando terminamos as bebidas, faltavam uns 20 minutos para o início do espetáculo. Certamente a fila já deveria ter sumido, e poderíamos ir para nossos lugares.

Ledo engano. A fila imensa já começava a se mexer, mas não no ritmo necessário. Como eu já disse, uma fila daquele tamanho não fazia sentido. Mas como nós, porto-alegrenses, gostamos de nos achar mais educados que os demais brasileiros, aquela fila dava exemplo. Algumas pessoas se posicionavam na fila com resignação. Outras até com certa galhardia. Fazia sentido. A noite seria para se divertir mesmo.

Ah, a fila! Como os lugares da plateia são numerados, uma fila assim só faria sentido para acessar os camarotes e a galeria. Bem, mesmo na plateia o Teatro São Pedro tem improvisado as cadeiras extras, não numeradas. De qualquer maneira, para que não houvesse contratempos, havia duas coisas que poderiam ser feitas. Ou o acesso às acomodações do teatro poderiam ser liberadas mais cedo (como eu disse, oito horas, a hora que cheguei, o acesso ainda não havia sido liberado). Ou se poderia ter uma fila para os lugares não numerados e um acesso separado para os lugares numerados da plateia. Mas só havia um funcionário controlando o acesso.

Final dessa história: por conta dessa pequena desorganização só consegui entrar na sala alguns minutos após o seu início.

Mas tudo bem. A noite era para se divertir mesmo.


14/08/2012.


A perda de referências na cidade em movimento - A Renner do Passo d'Areia


A perda de referências na cidade em movimento - A Renner do Passo d'Areia

As Lojas Renner são uma potência, principalmente em confecções. Hoje sua rede de lojas está em todos os centros comerciais de Porto Alegre, e já chegou inclusive à cidade de São Paulo.



Isso desde sempre, isto é, desde que eu me conheço por gente, e até algum tempo antes. Eu me lembro de um professor que tive quando estava no ensino médio, lá por 1984. Ela já era um veterano então, um homem caminhando para os seus 60 anos. Ele disse numa aula que quando veio do interior para cursar o ensino médio em Porto Alegre, comprou duas camisas nas Lojas Renner, e com elas passou os três anos do ensino médio.

Por coincidência, ela também foi o local do incêndio mais mortal da história de Porto Alegre. Aconteceu em sua então principal loja, no Centro da cidade, na esquina da Rua Otávio Rocha com a Doutor Flores, e deixou mais de 40 mortos e cerca 60 feridos, em 1976. Naquele dia a minha mãe havia ido ao Centro para resolver não sei o quê, mas a cidade ficou em tal situação caótica que o ônibus (da Vila Cefer) não pôde ir ao seu final de linha central, foi sendo desviado pelas autoridades, e acabou funcionando como circular. Minha mãe voltou à vila sem poder desembarcar no Centro.


Com o incêndio da loja central, a loja do Renner do Passo d'Areia, localizada na esquina da Avenida Assis Brasil com a Rua Santa Catarina, se tornou a principal loja da rede e a sede de sua administração por algum tempo. E ela era uma referência. Sempre se podia dizer que queria ir na Assis Brasil, perto das Lojas Renner. Eu era criança, mas me lembro que minha família fazia compras ali de vez em quando.


Não demorou muito tempo para que o Grupo Renner reerguesse o prédio e reinaugurasse a loja da esquina da Otávio Rocha com a Doutor Flores.


Quando eu comecei a trabalhar, no início da década de 1980, eu aproveitava as liquidações de inverno da Renner, para comprar boas peças de roupas a preços razoáveis. Curiosamente também comprei fitas cassete em oferta durante aquelas liquidações. A primeira fita de Milton Nascimento que comprei, Clube da Esquina 2 (na verdade duas fitas), comprei lá.


E quando se encerrava a liquidação das Lojas Renner do Centro, os saldos eram enviados para a loja do Passo d'Areia. As propagandas anunciavam o "Pega-pega" das Lojas Renner, "a liquidação da liquidação", para terminar de "queimar" os estoques. E por alguns anos, assim eram as vendas das Lojas Renner.


Depois a loja do Passo d'Areia fechou. Por não sei quanto tempo, o prédio parecia um depósito fechado.


Depois vieram os tapumes. 

E logo o antigo prédio que por tantos anos foi a loja da Renner do Passo d'Areia já foi posto abaixo.


Em breve ali deverá haver mais um empreendimento imobiliário residencial, com torres de mais de dez andares como tem se tornado comum na zona norte de Porto Alegre.


Renner do Passo d'Areia não mais...



06/08/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diário - leituras - Vício Inerente


Diário - leituras - Vício Inerente


Os universos criados por Thomas Pynchon são estranhos para alguém careta como eu. Eu já havia entrado em contato com esse universo ao ler outra obra dele, “Vineland”, faz alguns anos. E aqui estou eu de novo por insistência de um amigo que é fã dele.
O personagem principal é Lawrence “Larry Doc” Sportello, um detetive particular hippie, que trabalha na Grande Los Angeles. O tempo não é claramente definido, mas eu especulo que fique entre 1969 e 1970. Ele fala no “governador Ronald Reagan” e no “presidente Nixon”.
A história começa quando uma ex-namorada dele, Shasta, pede que ele investigue uma certa conspiração: ela se tornou amante de um empresário especulador imobiliário da cidade, mas a esposa desse especulador e o amante dela, da esposa, a convidaram, Shasta, para participar do sequestro do tal empresário.
A partir daí, Larry vai investigar o que sua ex-namorada afirmou, em meio ao sumiço do empresário, e da própria ex-namorada.
Nesse universo, Larry está constantemente fechando e fumando um baseado de maconha, o que faz com que ele tenha que anotar muitos detalhes de suas investigações, pois o consumo do tóxico lhe dá constantes lapsos de memória.
Larry meio é perseguido, meio colabora com “Pé-Grande” Bjornsen, um policial truculento e corrupto, de Los Angeles.
Nessa Califórnia do final dos anos 1960, início dos 1970, há coisas que não estamos acostumados a pensar. Casas de massagens suspeitas; surfistas maconheiros; bandas “indies” traficantes; pequenos traficantes de qualquer droga que se procure, tais como heroína ou LSD; tropas de assalto paramilitares protegidas pela polícia; gangues de motoqueiros que prestam serviço como segurança privada. Enfim, uns grupos humanos dos quais eu não costumo ouvir falar muito...
E se os anos 1960 foram os anos da revolução sexual, vez por outra, os personagens do livro seguem seus instintos, cedendo ao desejo, eventualmente com muito pouco romantismo, mas faz parte desse universo.
E a história é criativa. Há algumas reviravoltas na trama. E o final pode ser bem surpreendente. Ou seja, além de um detetive hippie, um policial truculento e drogas ilícitas, há criatividade na história.
Fãs de Pynchon hão de apreciar. Quem não conhece, vai ter que ler para conferir se vai gostar.


PYNCHON, Thomas. Vício inerente. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.


17/06/2012.


Hoje eu vi o Ivo


Hoje eu vi o Ivo

Hoje eu vi o Ivo.
Estava sentado num café, na Rua da praia, não muito longe da esquina da Caldas Júnior.
Hoje eu vi o Ivo, mas Ivo já não há.
Hoje eu vi o Ivo. E essa frase me lembrou frases de antigas cartilhas de alfabetização. "Ivo viu a uva". "A vaca do vovô está viva".
Hoje eu vi o Ivo.
Caminhava em sentido oposto ao meu pela General Câmara. Porte altivo, do homem alto que é Ivo. Caminhava no ritmo certo. Nem apressado, nem muito lento.
Na verdade, eu não vi o Ivo. Ivo morreu no final de 2011. Por conta daquela doença que não costuma ser nomeada. Ou não costumava. Hoje talvez nem tanto. Já atacou presidente, ex-presidente, vice-presidente e candidato a presidente. O que talvez tenha diminuído o estigma.
Mas não necessariamente a letalidade. No caso de Ivo, atacou-lhe o fígado. E dois meses após o diagnóstico levou-lhe a vida.
E talvez por isso Ivo me assombre.
Nas ruas de Porto Alegre não é difícil encontrar homens com o perfil de Ivo. Alto, alvo, olhos claros, barba grisalha, ascendência alemã. Idoso, mais de 70 anos, mas ainda jovial. Com projetos.
Foi um homem mais ou menos assim que vi sentado à mesa de um café na Rua da Praia. Foi um homem mais ou menos assim que vi na General Câmara.
Mas agora Ivo já não há.
Quando Ivo se aposentou, usou parte da indenização para comprar uma caminhonete movida a diesel. Juntou a mulher, a filha e o filho e foi fazer um giro pelo Cone Sul, Argentina e Chile. Como ele mesmo disse da viagem na volta: "uma bênção".
Mas agora Ivo já não há.
Não mais o trabalho voluntário.
Não mais os veraneios em São Lourenço do Sul.
Não mais o carinho de Giseh, sua mulher.
Como estará Giseh?
Que pensarão agora Cristina, sua filha, e Maurício, seu filho?
Hoje eu imaginei ter visto o Ivo. Mas Ivo já não há. Juntou-se a Deus na Glória. E tornou-se um reflexo de si mesmo nas nossas lembranças.


01/06/2012, 06/08/2012.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Diário - cinema - O Espetacular Homem-Aranha


Diário - cinema - O Espetacular Homem-Aranha


No sábado fui assitir ao filme “O Espetacular Homem-Aranha”, nova versão para o personagem dos quadrinhos da Marvel.


A crítica que eu havia lido informava que este espetacular homem-aranha era menos espetacular que os filmes da trilogia anterior de Sam Raimi, com Tobey Maguire e Kirsten Dursten.


Mas este filme me lembrou mais o desenho animado que eu assistia há mais de 30 anos que os filmes de Raimi. E há algumas sequências de ação que ficaram realmente espetaculares. Tanto mais que vi numa versão em 3D. E nessas sequências, o 3D funciona muito bem.


Ele também passa a imagem do surigmento do Homem-Aranha na vida de Peter Parker como um rito de passagem da adolescência à vida adulta melhor que os filmes de Sam Raimi o fizeram.


Assim, não me sinto apto a dizer que este filme é melhor ou pior que o filme que Tobey Maguire estrelou faz dez anos. Eles são diferentes. E nem Tobey Maguire, nem Andrew Garfield são atores tão fundamentais.


Dito tudo isso, eu gostei. Principalmente por aquelas sequências de ação espetaculares de que falei logo acima.


05/08/2012.

Diário - teatro - Simplesmente Eu, Clarice Lispector


Diário - teatro - Simplesmente Eu, Clarice Lispector


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Quando eu informei um colega que iria ao teatro assistir um monólogo com textos de Clarice Lispector, ele logo disse que se fosse ao teatro para assistir a um monólogo, o resultado certamente seria que ele acabaria por dormir. Talvez ele tenha confundido monólogo com monocordia, isto é, uma pessoa narrando qualquer coisa no mesmo tom monótono. Talvez ele nunca tivesse assitido algum a algum monólogo teatral.


Pois na sexta-feira passada, dia 3, fui ao Teatro São Pedro para assistir a atriz Beth Goulart encenar a peça “Simplesmente Eu, Clarice Lispector”, em que ela, Beth Goulart, interpreta tanto a escritora Clarice Lispector, quanto algumas das personagens criadas por Clarice Lispector.
Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista brasileira, que viveu entre 1920 e 1977. Havia nascido na Ucrânia, mas chegou ao Brasil em 1922 junto com seus pais, fugindo da guerra civil que se seguiu à Revolução Russa. Escreveu romances e contos, entre eles “A Paixão Segundo G.H.” e “A Hora da Estrela”. Escritora introspectiva, li em algum lugar no Internet, que ela é muito citada no “Twitter”.


Pois Beth Goulart dá nova vida a Clarice com esta peça. Sim, pois quando Beth encarna Clarice durante a peça, é como se estivéssemos novamente diante da autora (há alguns vídeos com entrevistas de Clarice no YouTube). Beth Goulart realmente se dá ares de Clarice Lispector. Nas roupas, na linguagem corporal, no jeito de falar. Jeito de falar singular, pois a autora tinha problema de língua presa, motivo pelo qual algumas pessoas a interpelavam se isso não seria algum sotaque russo ou ucraniano.


Beth Goulart retoma textos autobiográficos de Clarice e os interpreta. Também reproduz entrevistas de Clarice dadas à televisão. Estas mesmas disponíveis no YouTube.


E alterna a vivência de Clarice com as de suas personagens. Para isso se vale da iluminação do palco, e das trocas de figurino que vão acontecendo diante da plateia. com uma série de vesitidos muitos práticos. Três abotoaduras, feitas ou desfeitas, e um vestido é trocado por outro.


Há colocações muito comoventes. Por que ela escrevia? Ora porque alguém respira? Isso era natural para ela. E por que, depois de tantos anos, ela ainda escrevia? Esta era uma pergunta ofensiva. Quem fez a pergunta achava que a obra dela já estava acabada? Poderia ser dada por concluída?


Há as personagens, como a Joana, de seu primeiro romance, “Perto do Coração Selvagem”. Ou uma dona de casa que um dia sai e perde o ponto do bonde.


E há ainda uma oração, reflexo da educação judaica que Clarice teve na juventude, na forma do cântico de um salmo. Talvez a reprodução de algo ouvido em uma sinagoga.


Não, eu não dormi durante a apresentação de Beth Goulart. E acredito que ninguém na plateia dormiu. A concentração era total. Mal e mal se ouvia um cadeira rangendo, ou alguém tossindo. E no final do espetáculo, a atriz foi aplaudida de pé.


Uma peça comovente, como os escritos de Clarice Lispector.


Ainda houve tempo para Beth Goulart agradecer o carinho dos espectadores, e a inspiração de Clarice. Além disso, a produção da peça ainda sorteou dois livros de Clarice.



05/08/2012.