domingo, 30 de setembro de 2012

Flagrantes de Porto Alegre: Padre Roque faz campanha para a eleição municipal de 2012 no Parque Germânia


Flagrantes de Porto Alegre: Padre Roque faz campanha para a eleição municipal de 2012 no Parque Germânia



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Neste final de tarde de domingo, o “padre” Roque fez campanha para vereador em seu ônibus no Parque Germânia, zona norte de Porto Alegre, junto com uma das diabinhas que normalmente o acompanham em busca da eleiçãol.


Pelos relatos publicados pela imprensa porto-alegrense, padre Roque é na verdade um ex-padre, ex-sacerdote católico, que abandonou o ministério e se tornou proprietário de um clube de swing na Avenida Assis Brasil, zona norte de Porto Alegre.


É candidato pelo PDT, partido do atual prefeito.


30/09/2012.

sábado, 29 de setembro de 2012

Hebe Camargo (1929-2012)


Hebe Camargo (1929-2012)


Hoje pela manhã, fui acordado com a notícia do falecimento da apresentadora Hebe Camargo no rádio. Ela estava com 83 anos e, pela notícia, “teve uma parada cardíaca”. Há algum tempo ele vinha lutando contra um câncer.


Aos 83 anos nós seres humanos chegamos àquela condição que tanto podemos viver mais dez anos quanto apenas mais dez dias.

Eu me lembro de Hebe Camargo na televisão desde sempre, isto é, desde que me conheço por gente. Quase sempre esbanjando sorrisos e gentilezas aos convidados dos programas que ela apresentava.

Não que eu assistisse com frequência a tais programas, mas estamos sempre sujeitos, não? Uma programação mais enfadonha numa outra emissora, uma teclada no controle remoto e, vez por outra “ficávamos” no sofá da Hebe.

Tanta simpatia e gentileza fazia difícil ter algo contra Hebe, mesmo que eventualmente pudéssemos discordar de posicionamentos morais e políticos por parte dela.


Era uma personalidade luminosa, e vai deixar saudades.




A internet brasileira está sendo pródiga nos necrológios:

- G1;

- UOL;

- Terra;

- IG.

O texto do IG é o mais derramado em homenagem à apresentadora, a começar pelo título, “Morre Hebe, a brasileira que tinha mais que um milhão de amigos”.


29/09/2012.

Diário - Lendo “O Jogo da Amarelinha” de Júlio Cortázar (II)


Diário - Lendo “O Jogo da Amarelinha” de Júlio Cortázar (II)



Terminei de ler todos os capítulos do livro “O Jogo da Amarelinha”, de Júlio Cortázar, de maneira linear, isto é, tendo começado pelo primeiro capítulo 1 e terminado no 155, embora, como eu disse anteriormente, e o autor defina, o livro termine no capítulo 56.


Sim, os 99 capítulos além do 56 mostram muito mais coisas, e tornam o livro mais saboroso. Tanto que agora comecei a reler o livro como o autor propõe. Começando pelo capítulo 73, passando ao 1, depois ao 2, ao 116, ao 3, vários outros, e terminando no 131, sendo que o 131 deve ser lido duas vezes nesta ordem proposta pelo autor, e oito capítulos devem ser lidos após o capítulo 56 que deveria ser o final na leitura linear.


Assim, façamos mais uma leitura antes de partirmos para considerações finais.


16/09/2012.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Viva Tina Charles


Viva Tina Charles


Já cheguei a comentar por aqui sobre as reuniões dançantes do alto da Vila Cefer 2, quando da divulgação de notícias de falecimento de
Andrea True, e de Donna Summer.


Poderia falar também dos Bee Gees, o grupo vocal que também tocava bastante naquelas festinhas, mas o Bee Gees era um grupo, não apenas uma pessoa, e teve diversos ciclos de sucesso ao longo de sua carreira. Quando eu conheci as músicas dos Bee Gees nos tempos da discoteca, no final da década de 1970, eu não fazia ideia que eles haviam feito sucesso mais de dez anos antes. Além disso, eles ainda tiveram um novo ciclo de sucesso nos anos 1990, demonstrando grande capacidade de se reinventarem. Infelizmente, neste início de século XXI, dois dos irmãos Gibb vieram a falecer e o grupo não mais existe. De qualquer maneira, eles fizeram sucesso nas reuniões dançantes da Vila Cefer em um dos ciclos do grupo, e continuaram.

Mas se falamos em Andrea True, e em Donna Summer, tão importante quanto essas naquele final dos anos 1970 foi a cantora Tina Charles.

As músicas de Tina Charles fizeram bastante sucesso naquela época. Eu me lembro especialmente de "I Love to Love" e "Dance Little Lady Dance". Quando estas músicas tocavam, imediatamente as rodinhas, a dos meninos e a das meninas, se formavam.

E eu me lembro que um dia a minha irmã chegou em casa com um LP de Tina Charles, que continha estas duas músicas, e várias outras feitas para dançar. Um luxo!

Tina charles foi uma das cantoras que nos embalou no final de nossa infância, no final dos anos 1970, na Vila Cefer 2.

E Tina Charles está por aí, viva e ativa. Talvez não com o sucesso retumbante de "I Love to Love", mas continua por aí.

Viva Tina Charles!


11/09/2012.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Diário - filmes - Revendo “Alien, O Oitavo Passageiro”


Diário - filmes - Revendo “Alien, O Oitavo Passageiro”


Hà alguns dias, quando eu escrevi sobre o recém-lançado “Prometheus”, eu comentei que eu gostaria de rever o filme “Alien, O Oitavo Passageiro”.


Na madrugada deste sábado, 15, a oportunidade apareceu numa reprise na TV por assinatura.
Foi interessante recordar.


Assim, a espaçonave-cargueiro Nostromo vinha trazendo milhares de toneladas de minério para a Terra, quando a tripulação é tirada de seu estado de hibernação. Eles deveriam sair de seu estado de hibernação quando estivessem próximos da Terra novamente, mas não é o que acontece. A nave desvia de sua rota, por conta de uma transmissão de um planeta desconhecido.


Quando eles pousam no tal planeta desconhecido, encontram uma nave estranha. Esta nave estranha tem o mesmo formato das naves que aparecem em “Prometheus”. Eles encontram um ser alienígena morto, com um buraco no peito, e encontram os ovos numa caverna do tal planeta. Bom, a partir daí a história é conhecida. De um destes ovos, sai uma criatura que “se acopla” a um dos membros da tripulação. Esse memebro da tripulação serve como hospedeiro para uma nova fase de uma outra forma de vida alienígena, que, por fim, irá eliminando um por um dos membros da tripulação do Nostromo.


Mas é interessante rever o filme.


Mostra que os computadores do Nostromo traziam uma agenda oculta, no qual estava incluída a captura de uma forma de vida alienígena, que deveria ser levada à Terra. A tripulação do Nostromo não sabia disso, assim como não sabia que o oficial médico-cientista da tripulação, chamado Ash, era um robô. Robô este que acaba sendo o responsável pela aniquilação da tripulação.


Mais ou menos como eu esperava, rever este filme, após assitir recentemente “Prometheus”, enriqueceu “Alien, o Oitavo Passageiro” de significados.


Por fim, um comentário irrelevante: os computadores de “Alien, O Oitavo Passageiro”, que devem ser do século XXII ou XXIII, lembram muito a informática do final dos anos 1970. A imaginação de roteirista e diretor foram incapazes de prever a evolução da informática em apenas 30 anos...


16.09.2012

Um belo show de Milton Nascimento nos seus 50 anos de carreira em Porto Alegre


Um belo show de Milton Nascimento nos seus 50 anos de carreira em Porto Alegre


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Vitor Ramil, Lô Borges e Milton Nascimento no show
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Milton Nascimento esteve neste sábado, dia 15, no Teatro do SESI, em Porto Alegre, para realizar um show de sua turnê de 50 anos de carreira. O teatro estava quase lotado.


50 anos de carreira indica uma carreira iniciada em 1962, embora o primeiro disco, “Travessia”,  tenha vindo à luz em 1967.


Foram cerca de 2 horas de show, incluindo o “bis”, sendo que a série de músicas do show privilegiou os primeiro 25 desses 50 anos de carreira.


O show começou com a canção “Cais”, do primeiro disco “Clube da Esquina”, de 1972; e a segunda foi “Vera Cruz”, de “Courage”, seu segundo disco, de 1969.


E terminou com “Trravessia”, canção com a qual Milton surgiu nos festivais de música no final dos anos 1960. “Travessia” é do disco de mesmo nome, de 1967.


Foram “convidados especiais” do show o parceiro de Milton, o cantor e compositor Lô Borges, e o cantor e compositor gaúcho Vitor Ramil.


A propósito, a participação de Lô Borges deu realmente um ar de “Clube da Esquina” ao show, já que Lô atuou em umas quatro músicas do show. “Trem Azul”, “Um Girassol da Cor de Seus Cabelos” e a própria canção “Clube da Esquina Nº 2” entre elas.


Pessoalmente o show me foi muito comovente. Foi o primeiro show em que me vi sendo, sem nenhuma dúvida, um fã diante do ídolo. O que me fez ser solidário a tantos outros fãs capazes de chorar em um show diante de seus ídolos.


No “bis”, Milton contou umas histórias sobre gravações em Los Angeles, e de como surgiu a música “Canção da América”. Aí, então, Milton ficou sentado, a banda tocou, mas quem cantou “Canção da América” foi a plateia. A plateia cantou errando a letra, mas cantou. E, afinal, não era um concurso de talentos mesmo. Era um momento, digamos, de comunhão entre um artista e seus admiradores.


A voz de Milton continua poderosa, embora já não alcance os tons em falsete que ele alcançava há uns 20 anos. Ele também se move lentamente pelo palco. Afinal estamos falando de um jovem de quase 70 anos. Não é pouca coisa...


Mas, sendo eu o fã diante do ídolo, este foi o melhor show a que assisti...




16.09.2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

E o avião não caiu!...


E o avião não caiu!...


Há alguns dias escrevi sobre o avião cair em uma viagem.

Em com isso tentei refletir sobre o que poderia acontecer com os diversos negócios inacabados que nós todos temos, se a morte repentina acontece.

Se o avião de fato tivesse caído e alguém encontrasse o texto, como era do meu desejo, teriam dito que eu tive uma premonição. Mas não foi o caso. Realmente não tenho carreira como sensitivo.

O texto era um reflexo da incerteza, e do pavor contido, embutido em uma eventual viagem de avião.

Quem lê um pouco sabe que as viagens de avião estão entre as mais seguras do mundo.

Claro, desde que você não embarque num avião no Irã, que está sob embargo, o que impede o país até de receber peças de reposição para a aviação civil.

No Brasil o mais recente acidente grave com um avião de passageiros de grande porte ocorreu em 2007.

E possivelmente eu correria mais risco se fizesse um trajeto equivalente de ônibus.

Mas é claro que a estatística está a nosso favor até que ela se vire contra nós. Nenhum avião da Gol havia sofrido acidente grave até um piloto incompetente de um learjet derrubar o voo 1907. Nenhum modelo A330 da Airbus havia caído até o voo AF447 da Air France cair no Oceano Atlântico em 2009.

Pois é. Para mim uma viagem de avião guarda a expectativa de prazer e pavor. Prazer pela expectativa de viajar, conhecer um lugar novo, enfim, encurtar distâncias, como só os aviões conseguem fazer atualmente. Pavor pela interrogação que sempre me acompanha: “e se tudo der errado?”.

Mas tudo bem.

O avião não caiu. Por mais um pouco, aqui estou.



31/08/2012.


O Avião Caiu


O Avião Caiu



O avião caiu.

Fui para o outro lado da vida. Claro, na esperança que haja um outro lado da vida. Tenho esperanças em Deus e em Jesus. E ainda há miríades de outras religiões celebrando essa esperança.

Entretanto me preocupo com o aqui e o agora. Ou com este lado da vida.

E o meu legado como fica? Aliás, eu tenho um legado? Tudo o que escrevi até hoje tem algum valor?

Provavelmente não.

O avião caiu e morri. Morreram junto minha mulher e meu filho.

Mas mesmo eles, minha mulher e meu filho não dão a mínima importância para o que escrevo.

O que talvez faça bastante sentido. Se eles não têm tempo para ler Cortázar ou Clarice Lispector, por que perder tempo com as bobagens que escrevo?

Minha irmã também não liga para o que escrevo. Ou, se liga, nunca me fala nada.

Um primo, uma vez, foi apresentado às coisas que escrevi. Comentou “muito talento”. E foi isso. Eu nunca mais soube nada sobre o que disse meu primo, nem exatamente qual parte era essa de muito talento.

Uma vez comentei com um outro colega sobre meus escritos. Falou algo sobre “bastante coisa escrita”. Viu, mas não leu. Mas, como ele mesmo disse, ao menos foi sincero.

O que me faz voltar à anterior questão. Existe um legado? Talvez. Mas se houver ele é como uma gota no oceano, ou um grão de areia na praia do Cassino.

Será que aquela sobrinha por afinidade, a qual um vez dediquei um texto celebrando a formação dela na faculdade se preocuparia com esse legado?

Será que de fato existe um legado?

Há uma canção de Jorge Drexler, cantor e compositor uruguaio, chamada “Milonga del Moro Judio”. Lá pelas tantas na letra desta canção, ele declara que “el mesmo solo que piso / seguirá; yo me habré ido / rumbo também del olvido...” (“o mesmo solo que piso / seguirá / eu me terei ido / também rumo ao esquecimento”). Se o grande Drexler rumará ao esquecimento, por que eu deveria estar preocupado com algum legado?

Melhor esfriar a cabeça. Descansar em paz.

E se o avião não caiu?

Bom, aí, como os samurais do clássico filme de Kurosawa, poderei celebrar por mais um dia, a simples felicidade de mais um dia de vida.


13/08/2012.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Diário – Lendo “O Jogo da Amarelinha” de Júlio Cortázar


Diário – Lendo “O Jogo da Amarelinha” de Júlio Cortázar


Há não muito tempo, andei lendo dois livros de contos de Júlio Cortázar, e gostei bastante, o que me levou a partir para a leitura do romance “O Jogo da Amarelinha” (“Rayuela”, no original), do mesmo autor.

Assim já li linearmente o livro entre os capítulos 1 e 56, onde supostamente termina o livro, ou esta maneira (linear) de ler o livro.

Ele ainda tem outros 99 capítulos. Digamos que sejam os extras. Estou lendo. Vão do capítulo 57 ao 155. E também os estou lendo linearmente, a despeito da recomendação do autor sobre a maneira de ler o livro.

Depois pretendo seguir a maneira sugerida: Começar pelo capítulo 73, o 1, o 2, e seguir por aí, conforme manifesta o autor no início do livro.

Na verdade, o final, no capítulo 56 me foi bastante insatisfatório. Mas a gente segue na leitura. Afinal eu gosto de Cortázar. Possivelmente eu escreva mais a respeito quando terminar totalmente de lê-lo.


10/09/2012.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Inverno de 2012 Acabou


O Inverno de 2012 Acabou


Os passarinhos cantando na janela dos nossos apartamentos às duas da madrugada não nos deixam enganar: o inverno acabou. Já estamos na primavera de 2012, curtindo as delícias da meia-estação, mesmo que oficialmente a primavera só venha a iniciar no equinócio, que deve ficar lá pelo dia 20 de setembro, ou depois.

O inverno de 2012 foi fraquinho aqui por Porto Alegre, ou, talvez, pelo Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre tivemos uma semana de frio ali por maio, se bem que maio ainda era oficialmente outono. Mas houve uns dias frios em maio. Depois pouco mais de uma semana em junho. E foi o que houve para chamarmos de frio em Porto Alegre.

Ao contrário do inverno de 2011, bastante úmido, este inverno foi bastante seco, com poucas chuvas. Me parece que insuficientes para restaurar os mananciais exauridos pela estiagem do verão do Rio Grande do Sul.

Neste inverno tivemos nova recorrência da gripe A, a antiga gripe suína, causada pelo vírus H1N1. Não grande como a de 2009, que chegou a parar a cidade de São Gabriel. Mas talvez superior ao surto do ano passado. Este ano houve até uma certa corrida aos postos de vacinação, e chegou a faltar vacina no município de Santa Rosa.

Este ano, durante o nosso inverno, aconteceram os Jogos Olímpicos de Verão, em Londres. Inverno no hemisfério sul, verão no hemisfério norte. E o Brasil não me parece que tenha feito má figura. Muita coisa foi escrita a respeito de certo desempenho decepcionante de nossos atletas, que trouxeram 17 medalhas. Mas eu sempre me lembro quando eu era criança, e pela primeira vez prestei atenção ao noticiário sobre Olimpíadas. Foi em 1976, no Jogos Olímpicos de Montreal, no Canadá. Naquele ano, a delegação do Brasil trouxe duas medalhas de bronze. Isso é que era decepção, ainda mais para uma criança como era o meu caso. Quem me diz que daqui a 24 anos não teremos um desempenho melhor, ficando, digamos, entre os dez melhores colocados no quadro de medalhas? Eu tenho esperanças, acho isso factível.

É isso aí. O inverno de 2012 acabou. Os passarinhos cantando a plenos pulmões em plena madrugada não mentem.


02/09/2012.


Diário - filmes - Capitão América, O Primeiro Vingador


Diário - filmes - Capitão América, O Primeiro Vingador




Depois de perder a oportunidade de assistí-lo no cinema, finalmente pude assistir ao filme “Capitão América, o Primeiro Vingador”.


Na época de sua exibição no cinema me lembro de  um colega falar que o filme era, assim, mais ou menos, mais ou menos como Thor, que eu havia afirmado aqui que não era nenhuma maravilha.
Mas agora que assisti o filme, eu discordo de meu colega. Capitão América é um filme bem superior a Thor.


A origem é semelhante à dos quadrinhos. Steve Rogers é um rapaz com porte bem mirrado, mas queria fazer parte do esforço que os Estados Unidos desenvolviam  durante a Segunda Guerra Mundial. Por conta de seu porte, ele é sempre rejeitado nos postos de alistamento, até que um cientista decide lhe dar uma chance, que resultará num experimento científico, que por fim o transformará no tal Capitão América.


E aí entra um dos grandes méritos do filme. Além do costumeiro quebra pau do Capitão América, em sua luta contra o Nazismo e a Hidra, mistura de entidade política e religiosa, liderada pelo Caveira Vermalha, o Capitão América é engajado na … máquina de propaganda do esforço de guerra dos Estados Unidos. O que nos traz a lembrança imediatamente o filme “A Conquista da Honra” (“Flags of Our Fathers”), dirigido por Clint Eastwood, em 2006, que mostra como um dos fuzileiros que levantaram a bandeira americana na ilha de Iwo Jima, voltou para a América para pedir aos cidadãos que comprassem bônus de guerra. Exatamente o papel que a princípio coube ao Capitão América nesse filme.


E como eu disse, há as batalhas, há o heroísmo. O Capitão América tem o caráter que os Estados Unidos gostam de pensar que eles mesmos têm: idealista, leal, íntegro, humilde, e, de quebra, forte e heróico.


Um filme bom. Melhor que Thor.



31.08.2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Memórias de uma Guerra Suja


Memórias de uma Guerra Suja


O livro “Memórias de uma Guerra Suja”, como o nome informa, narra o envolvimento de Cláudio Guerra, delegado da polícia civil do DOPS do estado do Espírito Santo, nas equipes de “guerra clandestina” da ditadura militar contra a militância de esquerda que havia se levantado contra o regime, bem como contra os militantes, que não haviam pego em armas contra o regime, do PCB, o Partido Comunista Brasileiro.


Segundo seu depoimento, Cláudio Guerra teria participado de uma equipe de CODI-DOI, e era encarregado de liquidar, isto é, assassinar presos políticos que tivessem ficado muito debilitados em sessões de tortura que essas equipes promoviam, bem como de cuidar da ocultação de cadáveres de presos políticos do regime. Não era um torturador, era um matador.


O livro é interessante pois parece que se trata do primeiro depoimento de um agente do estado que afirma sem meias palavras que matou e tratou de fazer sumir corpos de presos políticos. Segundo ele, o que o levou a assumir essas atividades foi um profundo anti-comunismo, nutrido desde muito jovem. E o que o levou a dar o depoimento foi uma conversão religiosa. O ex-delegado Cláudio Guerra se tornou cristão evangélico, tendo inclusive se tornado pastor, e quer fazer uma espécie de ajuste de contas de seu passado. O livro abre inclusive com uma citação bíblica do Novo Testamento: II Timóteo 4:7-8.


Não é uma leitura fácil, afinal logo no início do livro o Sr. Cláudio Guerra narra uns oito assassinatos que ele mesmo executou, mais uns outros tantos dos quais não participou, mas teve conhecimento que foram executados por colegas de equipe.


Narra sua participação na destruição dos corpos de dez militantes do PCB que haviam sido presos, torturados e assassinados pela equipe de que fazia parte. Segundo ele, os militantes foram torturados e assassinados numa casa em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, e de lá os corpos foram levados para uma usina de cana no município de Campos no mesmo estado, onde foram consumidos num forno.


Além disso, Guerra situa quatro supostos cemitérios clandestinos. Nomeia um agente da CIA com quem tinha contatos e que lhe fornecia armas, chamado Jone Romaguera Trotte. Nomeia seus superiores, o coronel Freddie Perdigão, já falecido, o comandante Antônio Vieira, oficial da Marinha. Cita outro oficial que atuava na casa em Petrópolis, coronel Paulo Manhães, que inclusive já deu entrevista ao jornal O Globo, depois da publicação deste livro. Conta sua participação em um atentado contra o jornal O Estado de São Paulo. Oferece uma versão para o assassinato do jornalista Alexandre Baumgarten e de sua esposa. Também oferece uma versão para o atentado ao show no Riocentro em 1981.


E também mostra, como essa equipe montada para assassinar subversivos acabou se associando à contravenção, isto é, às pessoas ligadas ao jogo do bicho, no Rio de Janeiro, em São Paulo, e no Espírito Santo, e acabaram derivando para a criminalidade comum, digamos assim, principalmente assassinatos sob encomenda, ou “crime de mando” como o chama Guerra.


O livro tem seus pontos fracos. Basicamente tudo é baseado na memória de Cláudio Guerra. Os repórteres fizeram uma certa pesquisa de confrontar as citações de Guerra, com as listas de desaparecidos e mortos pelo regime, e assim dão nomes a algumas vítimas de Cláudio Guerra, que ele sabia que havia matado, mas que não sabia quem eram. Mas muita coisa fica no ar. Tal dificuldade se deveu à pressa para concluir o livro e publicá-lo, pois à medida em que o livro começou a tomar forma, começaram a aparecer também as ameaças a Cláudio Guerra.
No final do livro, Netto e Medeiros reproduzem uma monografia do coronel Freddie Perdigão, supostamente apresentada à Escola de comando do Estado Maior do Exército, cujo título é “O Destacamento de Operações de Informações (DOI) no EB - Histórico papel no combate à subversão: situação atual e perspectivas”. Esse “EB” no título obviamente significa “Exército Brasileiro”. A obra é basicamente uma justificativa teórica e um manual de instruções para os CODI-DOI’s, ou DOI-CODI’s como são mais chamados pela imprensa brasileira. CODI siginifica “Centro de Operações de Defesa Interna”; DOI, como explicitado acima, “Destacamento de Operações Internas”. Ou seja, uma justificativa teórica e um manual de funcionamento dos centros de tortura do regime.


Este é um pequeno resumo do livro. Bastante coisa ficou de fora. Até porque, como já foi dito,  não é uma leitura agradável.


Este livro é importante porque parece que é a primeira vez que um agente sai das sombras para dizer que “eu assassinei pessoas em nome do regime, eu desapareci com cadáveres em nome do regime”, em contraponto aos livros que racionalizam a ditadura desde os seus estertores no início dos anos 1980. Livros como “Brasil Sempre” (em contraponto a “Brasil Nunca Mais”, um livro que denunciava as torturas no regime militar), ou “A Verdade Sufocada”, livro do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que tenta desqualificar as denúncias de tortura no período em que ele dirigiu um CODI-DOI. Estes livros justificam o regime, e nunca admitem as torturas e os assassinatos executados em seus porões. O livro de Guerra acaba com isso. Sim, se assassinou e se torturou em nome do regime. Guerra foi um dos agentes que fez isso e confessa neste livro.


GUERRA, Cláudio; NETTO, Marcelo; MEDEIROS, Rogério. Memórias de uma Guerra Suja, Cláudio Guerra em depoimento a Marcelo Netto e Rogério Medeiros. Rio de Janeiro: Topbooks, 2012.


02/07/2012.