sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Diário - leituras - Fotografia de Viagem, Guia de Campo

Diário - leituras - Fotografia de Viagem, Guia de Campo


"Fotografia de Viagem, Guia de Campo", como o nome indica é um livro que dá dicas para quem queira tirar mais e melhores fotos de suas viagens. A capa ainda traz a sugestiva frase "o manual essencial para viajar com sua DSLR".
Como "manual" ele é bem completo. Começa indicando qual o equipamento adequado para o registro de suas viagens, sempre de acordo com o propósito do viajante, que pode ser tanto o turista casual, quanto um fotógrafo iniciante em busca para imagens para um portfólio ou para venda dessas imagens em agências de "stock" de fotos.
Além do equipamento, ele dá dicas sobre como lidar com clima e com a topologia do lugar visitado, isto é, há dicas para fotos sob neve, fotos no deserto mais árido, fotos na praia ou fotos na montanha.
O autor ainda dá dicas sobre assuntos a serem registrados, e sugere enquadramentos diferentes para fugir do clichê no caso de fotos de lugares muito frequentados por turistas.
Por fim, ainda procura dar informações sobre como lidar com alfândegas quando entrando ou saindo de algum país. Também comenta limitações que são impostas ao uso da fotografia. Por exemplo, na Índia não é bom estrangeiros fotografarem nem mesmo as pontes do país, tidas como estratégicas.
O livro tem um formatinho pequeno, mais ou menos, 15 por 11 centímetros, o que permite inclusive que seja carregado junto para eventuais consultas, sem que pese muito na bagagem.
E obviamente é recheado de muitas fotos.
O autor, Michael Freeman, é fotógrafo há mais de 20 anos, e tem vários livros publicados sobre o assunto.
É um livro bem legal para quem gosta de fotografia. E de viagem.



FREEMAN, Michael. Fotografia de Viagem, Guia de Campo. Porto Alegre: Bookman, 2013.



03/04/2013.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diário - cinema - Red 2, Aposentados e ainda mais perigosos

Diário - cinema - Red 2, Aposentados e ainda mais perigosos



Fui assistir a este filme, “Red 2 - Aposentados e ainda mais perigosos” , ou apenas “Red 2”, no título original.
Eu não havia assistido ao primeiro filme, e a situação foi aquela: fui ao cinema “multiplex”, este já vi, aquele também, aquele outro também, e este outro a sessão vai começar daqui a uma hora e meia. Qual sobrou? Pois é...
Então eu não havia assistido ao primeiro filme, mas acho que não houve qualquer problema nisso. A história deste filme me parece bem independente.
E o que posso dizer deste filme? Bom, pegue velhos atores e retome velhos temas, tentando reciclá-los. Pois é, a Guerra Fria terminou faz mais de vinte anos, e Hollywood continua faturando em cima do tema.
Então, alguém se lembrou que Frank Moses (Bruce Willis) e Marvin Boggs (John Malkovich) estiveram em uma missão no final do século XX, durante a Guerra Fria portanto, e quer matá-los. Bom, isso é o início do filme.
E num filme desses, tudo é clichê e exagero. E provavelmente a ideia é essa mesma. Exagera-se ao máximo, e o respeitável público acaba por rir de tudo, ou de quase tudo. Foi o que eu fiz boa parte do tempo.
E mesmo o final é clichê. Quem já viu alguns filmes no passado, saberá o final do filme antes do desfecho.
Se não fosse pelas circunstâncias narradas ali no segundo párágrafo, eu esperaria sair em DVD. Ou talvez nem perdesse tempo assistindo. Em todo o caso, o elenco, um belo elenco por sinal, se diverte com o filme.



15/08/2013.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

O trapiche da Ilha da Pólvora em agosto de 2013

IMG_2738 by Ze Alfredo
IMG_2738, a photo by Ze Alfredo on Flickr.
Atenção para o nível da água em relação ao trapiche.
Captura digital com uma câmera Canon SX130IS.
Choveu muito este final de semana passada...

O trapiche da Ilha da Pólvora em maio de 2009

66330005 by Ze Alfredo
66330005, a photo by Ze Alfredo on Flickr.
Atenção para o nível da água, em relação ao trapiche.
Esta foto foi tirada em 2009, com uma câmera Cosina CSM, e filme Fuji Superia X-tra800.

domingo, 25 de agosto de 2013

Diário - cinema - Círculo de Fogo

Diário - cinema - Círculo de Fogo



“Círculo de Fogo” é um filme em que a humanidade tem que lutar contra monstros, e para isso, cria robôs gigantescos que devem combatê-los. O problema acontece quando os robôs, que a princípio eram uma solução, começam a falhar.
A minha impressão é que eu estava vendo uma refilmagem dos velhos filmes japoneses de monstros. A propósito, não deve ser à toa que os monstros são chamados de “kaiju”. Então, se o caro espectador ficar com uma impressão de “Godzilla”, ou de “Robô Gigante”, ou mesmo de “Power Rangers”, no fundo é um pouco disso mesmo, com superprodução hollywoodiana. E ainda com advertências sobre a poluição e a destruição do meio ambiente, como aquelas que acompanhavam os velhos seriados do “Ultra Man” ou do “Spectre Man”.
As tomadas são normalmente feitas à noite, ou em dias de chuva, ou no fundo do Oceano Pacífico. É difícil ver sol neste filme.
O filme tem uma trilha sonora que sofre com os filmes movidos a testosterona. Aquela coisa de musicalizar a grandiosidade dos heróis que vão à luta para salvar a humanidade. Em alguns momentos eu pensei que estivesse assistindo a um filme de Michael Bay.
E não me parece que eu tenha visto algum ator ou atriz candidato(a) ao Oscar neste filme.
Acho que é isso. Um filme que vai de regular para bom, dependendo da condescendência do espectador.



13/08/2013.

sábado, 24 de agosto de 2013

Barquinhos no Guaíba

66330012 by Ze Alfredo
66330012, a photo by Ze Alfredo on Flickr.
Fotos tirada em 2009, com Filme Fuji Superia X-tra800, com uma câmera Cosina CSM.

Diário - cinema - Hannah Arendt

Diário - cinema - Hannah Arendt



Hannah Arendt é um filme que aborda momentos da vida de uma das mais famosas pensadoras do século XX, principalmente no início dos anos 1960, quando ela vai a Israel cobrir o julgamento de Adolf Eichmann, para a revista The New Yorker. Ela produz uma série de artigos que acabarão por gerar um livro, e que traz uma série de consequências para ela.
Agora vou dizer mais uma vez que é difícil falar de um filme desses sem dizer coisas que acabem por estragar o prazer de ver o filme até o final.
Até porque nesse caso, de dramatização de eventos acontecidos de fato, muito do que vai ser visto já foi lido, ou ouvido, ou comentado. Ou todas essas coisas juntas.
Então, o grande drama aqui é o relato que Arendt faz emergir ao acompanhar o julgamento de Eichmann, e de como as pessoas que leem o relato ficam aturdidos com certas descrições, ou conclusões, que ela faz da questão.
Eichmann foi um oficial nazista que era encarregado da logística ferroviária do regime. Ele era responsável pelos trens que levavam pessoas para os campos de extermínio. Ele foi sequestrado pelo serviço secreto israelense na Argentina e levado para ser julgado em Israel. Este sequestro é recriado no início do filme.
Mas a questão aqui é que durante o julgamento, Hannah se convence que Eichmann não era um monstro, um facínora que tinha prazer em fazer com que homens, mulheres e crianças chegassem a campos de extermínio. Ele era apenas um burocrata, um funcionário do partido, de alguma maneira tentando fazer o melhor a partir daquilo que ele era encarregado.
Arendt comenta sobre isso, e isso de maneira nenhuma era uma justificativa para os crimes de lesa-humanidade que ele cometeu, mas esses comentários explicativos, digamos assim, causaram tremenda celeuma na época da publicação dos artigos.
E é esta a questão central que preocupou Hannah Arendt, e do filme, isto é, como maldades tão extremas, como foi o caso do holocausto na Segunda Guerra, puderam ser feitas por pessoas aparentemente normais, burocratas que renunciaram ao seu senso moral, e se tornaram responsáveis por milhões de mortes.
Um ótimo filme.



13/08/2013.


Carta Aberta: Uma visão dos livros de Élio Gaspari sobre a ditadura militar (1964-1985)

Carta Aberta: Uma visão dos livros de Élio Gaspari sobre a ditadura militar (1964-1985)


Cara professora,

Como a senhora sabe, ou talvez presuma, estou lendo a série de livros do jornalista Élio Gaspari, sobre o nosso recente ciclo militar. Já li A Ditadura Envergonhada(1) e A Ditadura Escancarada(2). No momento estou lendo A Ditadura Derrotada(3). Ainda estou no início.

Élio Gaspari não se utiliza de nenhuma metodologia que academicamente chamássemos de histórica, e, na verdade, ele mesmo se isenta disso. Ainda no início de A Ditadura Envergonhada, ele explica que não pretende nem mesmo escrever uma “história da revolução de 1964”(1-GASPARI, p.20), mas as histórias de Ernesto Geisel, que ele chama de “o sacerdote”, e Golbery do Couto e Silva, que ele chama de “o feiticeiro”. Para isso, ele escreveu dois volumes a título de “preâmbulo”. E estes dois livros, para mim, se tornaram obras de referência obrigatória, pela sua narrativa dos eventos entre 1964 e 1974. Os livros são uma alentada crônica desde o golpe de 1964 (o “Movimento”, ou a “Revolução, ou ainda a “Redentora”) até mais ou menos o final do governo Médici. Com especial destaque para a guerrilha, e a tortura nos quartéis.
Eu ouvi alguém falar que a narração de Gaspari é tão rica que chega a contar as pausas que a tropa enviada para combater o batalhão do general Mourão Filho fez para respirar. Claro que isso é uma brincadeira, e de maneira nenhuma o livro chega a tamanho detalhismo. Assim, volto a afirmar que o conjunto destes livros é fundamental para o estudo do período, podendo se constituir em obras para consulta, qual manuais de história que vez por outra somos obrigados a consultar para saber “o que aconteceu na história”.

Dito isto, posso dizer que a proposta do autor, Gaspari, sobre a tortura é que ela se constituiu numa política oficiosa do regime. Assim, se no texto do Martins Filho (4) , o general Geisel informa que a tortura “pode ter existido”, e esta também parece a posição do coronel Jarbas Passarinho, Gaspari informa sobre a tortura nos primeiros dias da ditadura, ainda no governo Castelo Branco. Ali, talvez a tortura pudesse ser vista como um “espasmo de violência”, num momento de sedimentar o golpe, e extravasar radicalismos, rescaldos da tal “primeira operação limpeza”. Ele cita as reportagens do então jornalista Márcio Moreira Alves sobre a tortura, e a viagem de Geisel pelo Nordeste para verificar as condições dos presos políticos (A Ditadura Envergonhada, pág. 147 e seguintes). Segundo o livro, de fato, as torturas aparentemente pararam, mas o governo não puniu qualquer responsável pelo acontecido. Foi como se sinalizasse algo como “eu sei o que vocês fizeram, agora basta; se isto voltar a acontecer haverá punições”.

A situação muda de figura a partir do governo Costa e Silva, com a radicalização do movimento estudantil, o início da luta armada, e do Ato Institucional nº 5. Um marco é a “aula” sobre tortura ministrada pelo então tenente Aílton Joaquim, para uma platéia de cerca de 100 pessoas, na 1ª Companhia do Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, com direito a projeção de slides sobre as “técnicas”, e exposição e uso de presos políticos como cobaias (2 - GASPARI, pág. 359 e seguintes). O livro A Ditadura Envergonhada termina com uma frase triste: “O exército brasileiro tinha aprendido a torturar” (pág. 362).

O livro A Ditadura Escancarada é iniciado com a seguinte frase: “ Escancarada, a ditadura firmou-se. A tortura foi o seu instrumento extremo de coerção e o extermínio, o último recurso da repressão política que o Ato Institucional nº 5 libertou das amarras da legalidade.” (pág.14).

A seguir, na página 21, cita uma parte de uma apostila chamada “Interrogatório”, editada pelo Centro de Informações do Exército, o CIE. “ Será necessário, freqüentemente, recorrer a métodos de interrogatório, que, legalmente, constituem violência”. “[...] Se o prisioneiro tiver de ser apresentado a um tribunal para julgamento, tem de ser tratado de forma a não apresentar evidências de ter sofrido coação em suas confissões.”

Em seguida, na página seguinte, o autor fala na Medalha do Pacificador, oferecida como recompensa a muitos torturadores. Esta condecoração era oferecida pelo Exército como reconhecimento de atos de bravura, ou serviços relevantes prestados, a militares e civis. O capitão Aílton, citado acima, recebeu a condecoração. O delegado Sérgio Paranhos Fleury, torturador reconhecido, e de triste memória, também.

E mais, na mesma página 22: “Quando ela (a 'tigrada', qualificativo dado pelo ex-ministro Delfim Netto, significando o grupo de policiais e militares que enfrentou a luta armada, e para prevalecer sobre ela usou a tortura e o assassinato. O termo é vastamente utilizado por Élio Gaspari em seus livros) mostra que pode fazer algo que o governo nega e condena, não se pode mais saber por onde passa a linha que separa o que lhe é permitido daquilo que lhe é proibido. O porão ganha o privilégio de uma legitimidade excepcional. A mentira oficial é o reverso da covardia da tortura. Através dela os hierarcas sinalizam um medo de assumir a responsabilidade por atos que apóiam e recompensam.”

A partir da página 162, de maneira ilustrativa, ele passa a contar o caso do jovem Chael Charles Schreier. Jovem, estudante de medicina, abandonou o curso, e entrou para a luta armada, militando na VAR-Palmares. Em 1969, após confronto com policiais do DOPS, Chael foi preso com alguns companheiros, e entregues à Polícia do Exército, no Rio de Janeiro. Moído pela tortura, Chael morreu, e foi encaminhado ao Hospital Central do Exército. Os oficiais-médicos do Hospital não aceitaram receber o cadáver como “vivo”, e o diretor do Hospital mandou que fosse feita a autópsia do morto. A certidão de óbito declarou 53 marcas de pancada, hemorragia na cabeça, e sangue em todos os espaços do abdômen. Intestino rompido. Tórax deprimido, com dez costelas quebradas. Em dezembro a revista Veja publicou que “o presidente não admite torturas”. O ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, declarou que se atos de tortura chegassem ao conhecimento do ministério, os responsáveis seriam punidos. Na semana seguinte, a revista publicou o atestado de óbito de Chael. Segundo Gaspari, o então tenente-coronel Luiz Helvécio da Silveira Leite, enviou carta ao ministro da Justiça. O ministro mudou o seu discurso, adaptando-o à linha dura. E ninguém foi punido por um caso de morte sob tortura registrado por oficiais-médicos do Exército.

Num capítulo intitulado “A Gangrena”, a partir da página 359, o autor conta o caso do Capitão Aílton Guimarães Jorge, o mesmo que atualmente é um dos líderes da contravenção no Rio de Janeiro, e patrono de escola de samba. Em 1971 ele era capitão no 2º batalhão da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro. Na Polícia do Exército, combatera a subversão, e foi ferido em um tiroteio, o que lhe valeu a Medalha do Pacificador. Contudo, resolveu se tornar protetor de contrabandistas. A Polícia Federal e o SNI investigaram e juntaram evidências do envolvimento do capitão com as ilegalidades. Assim, o coronel Aloysio Alves Borges, foi incumbido pelo comandante do I Exército, general Sylvio Frota, de resolver a situação. O coronel prendeu oficiais e sub-oficiais envolvidos com o contrabando, e obteve uma série de confissões, arrancadas sob coação (isto é, sob tortura). A Justiça Militar recusou o processo porque os réus afirmaram em juízo terem assinado suas confissões sob coação. Gaspari resumiu assim, o final do caso:

Para que o coronel Aloysio Alves Borges construísse toda a trama denunciada em seu IPM tirando de sua cabeça cada história e cada detalhe, seria necessário que tivesse raro talento de ficcionista. O que ele informou era verdade, mas reconstituíra os delitos através de um processo que violentara os direitos dos acusados e ofendera o rito da Justiça. A idéia de que a confissão é suficiente como prova e de que obtê-la pela violência anula o esforço da investigação, era estranha a ele, ao réus, ao DOI e ao regime. Agia-se com uma noção exclusiva de poder outorgando-se não só o direito de punir delinqüentes da forma que parecesse adequada, como também a prerrogativa de fechar os olhos quando se julgasse conveniente. [...]. O STM achou justo desconsiderar as confissões obtidas no DOI, mas esqueceu-se de determinar a investigação das torturas. O capuz da Justiça Militar estava torto: cego para a esquerda, enxergava à direita. Milhares de pessoas passaram pelos DOIs, mas a quadrilha de contrabandistas da PE foi o único grupo confesso na instrução policial integralmente absolvido em todas as instâncias.

Por fim, gostaria de terminar com mais uma citação. Esta do início do volume chamado A Ditadura Derrotada. Neste caso, Gaspari cita Georges Pinot, jurista francês, que estivera no Brasil na década de 1970, a pedido do Secretariado Internacional dos Juristas Católicos, investigando denúncias de tortura. As palavras dele: “A tortura, no Brasil, não é nem pode ser o resultado de excessos individuais; nem é, nem pode ser considerada, uma reação exagerada a atos terroristas para derrubar um regime em dificuldade que, por seu lado, provoca o famoso 'ciclo da violência'. Isso não sucede, porque já não existe luta armada no Brasil. A tortura é manifestação e necessidade de modelo político num contexto jurídico e socioeconômico”. Me parece que a citação resume até onde pude ler o próprio pensamento do autor, Gaspari, a respeito do assunto.

NOTAS:

1. GASPARI, Elio. A Ditadura Envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

2. GASPARI, Elio. A Ditadura Escancarada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

3. GASPARI, Elio. A Ditadura Derrotada. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

4. MARTINS FILHO, João. A guerra da memória: a ditadura militar nos depoimentos de militantes e militares.
Varia História, Belo Horizonte, n.28, p. 178-201, 2003.


Reprodução de um texto que publiquei há cinco anos em meu blog Ainda a Mosca Azul. Eu havia enviado o texto para uma professora, cujo nome não citei publicamente.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Leituras na Piauí - Junho de 2013 - Cuba com Passaporte

Leituras  na Piauí - Junho de 2013 - Cuba com Passaporte




O norte-americano Gary Indiana narra sua visão de Cuba após as reformas recentes implementadas por Raúl Castro, principalmente a possibilidade de viajar ao exterior com mais facilidade.
O interessante no texto de Gary Indiana é que ele trata a ilha e seus assuntos afins, como a comunidade de exilados, expatriados e cubanodescendentes da Flórida, com pouco do maniqueísmo que se pode ver em diversos textos, sejam a favor, ou contra o governo cubano.
O que se depreende do texto é que Gary Indiana é um viajante frequente à ilha. Morador de Nova York, também é um conhecedor de comunidade gay da Cuba. E possivelmente por conta de gays serem rejeitados tanto entre os partidários do regime (hoje bem menos que há 30 anos), como entre os anticastristas, ele consegue manter um olhar aguçado sobre a vida em Cuba. De um certo ponto de vista.
Podemos voltar então ao início. Se agora se tornou mais fácil para um cidadão cubano tirar passaporte e viajar ao exterior, sem que o governo lhe imponha dificuldades adicionais, antes, no antigo regime, chamado de “cartão branco”, entre 2000 e 2012, quase 942 mil cubanos saíram do país, e cerca de 12% destes não voltaram. E como ele diz, isso pode ser muito ou pouca gente, dependendo do que você levar em conta.
E ele informa que se a dissidente mais querida da imprensa empresarial do continente, Yoani Sahchez, havia dito em seu blog que filas homéricas se formaram diante das repartições encarregadas de emitir passaportes, Indiana informa que as coisas talvez não tenham sido exatamente assim. De qualquer maneira, não chega a ser uma nação em que as pessoas tenham muitos recursos para viajar ao exterior. Segundo Indiana, os dissidentes políticos tendem a ficar, uma vez que parece que a sociedade está mudando para facilitar a vida deles. Os que quisessem sair por desejo de progresso econômico sentem a restrição de seus próprios meios, e a maneira como os eventuais países de destino tendem a lhes tratar.
Ele também comenta sobre aspectos da vida cotidiana. Por exemplo, o racismo por parte da polícia. Ele denuncia isso ao falar de Luís, um namorado, digamos assim, que ele tem na ilha, e que é negro, pelo jeito negro bem escuro, e como ele, Luís, sofre com o racismo. Outro aspecto são os pequenos, ou talvez grande de acordo com a economia da ilha, atos de corrupção, como aquela propina para que um policial faça de conta que não viu certa transgressão. Ou gangues de pequenos vigaristas, que visam casas que hospedam turistas para os roubarem, ou que procuram flagrar e fotografar algum descuido de alguém para pequenas extorsões.
E o texto vai acabar comentando sobre a comunidade de exilados e expatriados na Flórida, que quando da queda de Batista, no final da década de 1950, recebeu os assassinos e torturadores do regime derrubado, e se tornou ninho e agente financiador de terroristas. Terroristas estes que acabaram acobertados pelo governo dos Estados Unidos. Ele os nomeia: Orlando Bosch e Luis Posada Carriles. E chama de cretina a maneira como o governo dos Estados Unidos lidou e lida com a Revolução Cubana.
“Cuba com Passaporte” é um texto sem que mostra Cuba e a relação desta com os Estados Unidos sem maniqueismos.  



10-08-2013.

domingo, 18 de agosto de 2013

Diário - cinema - Wolverine Imortal

Diário - cinema - Wolverine Imortal



Sábado passado, 03/08/2013, fui assistir “Wolverine Imortal” (“The Wolverine”), o mais recente lançamento de filme com personagens da Marvel.
Neste episódio, Logan, ou Wolverine, visita o Japão, porque um velho amigo deseja se despedir dele antes de morrer. Logo após a morte do amigo, Wolverine acaba tendo que defender a neta deste amigo de ataques da Yakuza. Também precisará lidar com uma outra mutante chamada Víbora (“Viper”).
Legal por ser ambientado no Japão. Mas no final, fiquei com aquela sensação de “hein? o que foi isso mesmo?”. E mais, será que isso não é apenas uma espécie de interlúdio entre um filme de aventura, e outro filme de aventura? Certo é que após os créditos, novo filme sobre os X-Men é anunciado.
O filme tem alguns toques iniciais legais, e outros fantasiosos. Foi interessante recriar os B29 bombardeando Nagasaki. Por outro lado, eu gostaria de ver o registro dos oficiais misericordiosos do exército imperial japonês, permitindo aos prisioneiros de guerra fugirem para tentar salvar suas vidas no bombardeio.
A cena do bombardeio atômico de Nagasaki é bem impactante. Assim como a cena inicial do primeiro filme recente dos X-Men também é impactante, com o Magneto adolescente resistindo à entrada no campo de extermínio nazista. Pena que os filmes não mantenham esse ritmo.
Wolverine, afinal, foi um filme razoável. Mas tenho as minhas dúvidas se não vale mais a pena aguardar o DVD, ou o lançamento na teve paga.



05-08-2013.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Crepúsculo na Avenida Assis Brasil

IMG_0341 by Ze Alfredo
IMG_0341, a photo by Ze Alfredo on Flickr.
Eu havia decretado o final da semana sobre clima aqui no blog.
Contudo esta semana fui surpreendido dias frios e úmidos. Esta imagem é do crepúsculo na Avenida Assis Brasil, na terça-feira passada, dia 13.
Frio e chuva.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Diário - cinema - O Cavaleiro Solitário

Diário - cinema - O Cavaleiro Solitário



Na finaleira para sair de cartaz fui assistir ao filme “O Cavaleiro Solitário” (“Lone Ranger”, Estados Unidos, 2013).
O filme trata da antiga personagem de quadrinhos e de séries de televisão de décadas atrás, e atualiza esta personagem. Esta atualização trata de mostrar a origem do mito, isto é, do cavaleiro solitário que cavalgava pelo velho oeste levando a justiça por onde passava. E na origem do mito, revelado por este filme está uma espécie de promotor de justiça, que volta de seus estudos jurídicos, e quer trazer a justiça “civilizada” para sua agreste cidade no Texas.
Contudo a fuga de um violento criminoso condenado, e uma tentativa de assassinato, levam o jurista John Reid a se tornar o “Cavaleiro Solitário” (ou “Lone Ranger”).
O bom ritmo do filme fez com que as cerca de duas horas e meia do filme passassem sem que eu sentisse, o que me faz pensar que foi um bom filme. O que me faz ficar perguntando porque ele teria sido um fracasso de bilheterias em sua própria terra. Além disso, um crítico da Folha de São Paulo também não gostou muito.
Armie Hammer está razoável no papel do Cavaleiro Solitário (você dificilmente lembrará da atuação dele como ambos os gêmeos Winklevoss em “A Rede Social”), mas quem rouba mesmo a cena é Johnny Depp, como Tonto, o parceiro do “Cavaleiro Solitário”. Com a presença de Helena Bonham Carter, como a cafetina Red Harrington, só faltou mesmo Tim Burton para dirigir o filme, que neste caso foi dirigido por Gore Verbinski.
Um bom filme. Pretendo voltar a escrever sobre ele.



02-08-2013.

Por que sou ativista da amamentação?

Eu acredito que a amamentação seja bom para a mãe e para a criança.
Em todo caso, há um depoimento no blog Luz de Luma sobre isso. Confira.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Diário - filmes - As Sessões

Diário - filmes - As Sessões


"Sexo vende" é uma das frases que uma das personagens do filme "As Sessões" ("The Sessions", mas originalmente "The Surrogate", Direção de Ben Levin, Estados Unidos, 2012). Não só vende, mas é um assunto polêmico porque mexe com a intimidade e a sensibilidade humana. Ou talvez venda exatamente por isso.
"As Sessões" é um filme no qual um jornalista e escritor, Mark O'Brien, vivido pelo ator John Hawkes, seriamente debilitado pelas sequelas de poliomielite adquirida na infância, decide que deveria adquirir experiência sexual. O filme é baseado em fatos reais, realmente houve um jornalista e escritor Mark O'Brien que viveu a experiência e resolveu escrever um artigo sobre ela, que acabou publicado, e que acabou servindo de base para o roteiro do filme.
São as peculiaridades de O'Brien que acabam por criar a possibilidade de uma história interessante. Ele era uma criança normal até os seis anos quando contraiu a poliemielite. Seus pais eram formados em forte tradição católica, e dedicaram boa parte da vida a cuidar do filho, o que de certa forma foi um sucesso. Mark O'Brien conseguiu chegar à faculdade e se formar, tendo que estar deitado quase o tempo todo, e boa parte do dia ligado a um pulmão de aço (uma máquina que lhe permitia respirar, apesar da debilidade muscular causada pela poliomielite). A educação católica se mostra bastante no filme, tanto na repressão sexual da personagem, quanto no seu relacionamento com Deus e com o sacerdote católico com quem ele se confessa e se aconselha.
A propósito, achei que esta foi uma das fraquezas do filme: não me convenci com o ator William H. Macy como um padre liberal.
Mas esse é o motivo do filme. Quando Mark O'Brien é designado para escrever uma reportagem sobre a vida sexual de pessoas com deficiências físicas ele acaba por se questionar sobre a sua própria falta de vida sexual. Como ele já era uma pessoa que se consultava com uma terapeuta, ele acabou por ver o que poderia ser feito. E foi assim que ele chegou a uma "sexual surrogate", que o ajudou a lidar com essa questão. E o filme é sobre isso. Esta "sexual surrogate”, Cheryl Cohen-Greene é vivida pela atriz Helen Hunt no filme; ela acabou sendo indicada ao Oscar de atriz coadjuvante pelo papel.
"Sexual surrogate" é uma palavra que não tem um equivalente em português, pelo menos que eu saiba. E é uma espécie de terapeuta sexual, o verbete equivalente da definição para o francês fala em "assistant sexuel", ou seja, "assistente sexual", que pode inclusive manter relações sexuais com seu cliente/paciente, o que não faz dessa terapeuta uma prostituta, pois, como é dito no filme, enquanto o objetivo de uma prostituta é manter contato com o cliente tanto tempo quanto possível, a "sexual surrogate" vai manter contato com o paciente pelo tempo necessário para que ele alcance alguma maturidade sexual, e não pode passar de seis ou oito sessões, dependendo da terapeuta. A propósito, é dessas "sessões" que foi extraído o título final do filme.
E o filme é sobre isso. Sobre um homem adulto, com uma deficiência grave, descobrindo sua sexualidade, que é, afinal, uma certa descoberta de si próprio.
E justamente, por isso, e porque John Hawkes interpreta bem seu papel, que o filme me pareceu tão comovente, tão emocionante. Mostra como certas experiências tão triviais para algumas pessoas podem ser tão impactantes para quem enfrenta limitações físicas.
Um bom filme, que merece ser visto. Claro que isso sempre dependerá do que você pense a respeito de sexo.


22/07/2013.


Fim da semana meteorológica no blog


Nestes dias recém passados, este blog registrou os dias de neblina que aconteceram em Porto Alegre, fosse um nevoeiro rasteiro com o cume dos prédios sob céu azul e sol brilhante, fosse a neblina que aparentemente a tudo envolvia. E com registro de imagens.
Não mais.
Hoje, uma terça-feira, não houve nada que me impactasse para registrar a atmosfera de Porto Alegre. Esta terça começou com sol, e com sol terminou. O dia foi mais de outono que de inverno.
Quem sabe a primavera já vem mesmo se aproximando.
O solstício do inverno já ficou para trás e os dias já começam a parecer mais longos.


05/08/2013.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Névoa envolve ilhas do Delta do Guaíba

IMG_1063 by Ze Alfredo
IMG_1063, a photo by Ze Alfredo on Flickr.

Ou as ilhas seriam do "Delta do Jacuí"?
Em todo o caso, mais uma foto de uma semana de belos efeitos atmosféricos, em uma semana que tivemos algumas manhãs frias, uma tarde bem quente, e uma sexta-feira, que teve tempo bom, neblina e chuva.
Coisa boa o inverno de Porto Alegre.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Manhã de Sol no Início de Agosto

IMG_1044 by Ze Alfredo
IMG_1044, a photo by Ze Alfredo on Flickr.

Porto Alegre, 1º de agosto de 2013, pela manhã.
Inverno. 15ºC.
Durante a tarde a temperatura passou de 30ºC. Veranico de agosto?

Neblina em Porto Alegre

IMG_0988 by Ze Alfredo
IMG_0988, a photo by Ze Alfredo on Flickr.

Porto Alegre, 31 de julho de 2013, pela manhã.
Inverno. 9ºC.
À tarde a temperatura aumentou e chegou a 26ºC.