quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Diário - teatro - Bailei na Curva


Diário - teatro - Bailei na Curva
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Domingo passado, dia 20, fui assitir ao espetáculo "Bailei na Curva", no Teatro do Bourbon Country.
"Bailei na Curva" se transformou numa espécie de memória afetiva da cidade de Porto Alegre, sobre o período que vivemos sob a ditadura civil-militar, entre 1964 e 1985. A peça acompanha um grupo de crianças que vai crescendo ao longo dos cerca de vinte anos da ditadura.
Quando a peça inicia este grupo de crianças está em idade de alfabetização, ou nos primeiros anos do que hoje é o ensino fundamental. Quando vem o golpe, as crianças não tem aula, e ficam felizes por isso. Mas logo há as consequências. Uma das famílias, de um professor universitário, se exila. Um pai de família, um sindicalista operário, "desaparece". Mais tarde, aparece um agente do DOPS, a polícia política, digamos assim, infiltrado na universidade, como espião.
Ao longo do tempo, essas crianças vão crescendo: passam pela adolescência, os primeiros relacionamentos amorosos, o desfrute da juventude, a vida universitária, e por fim a vida adulta.
A peça se sucede mais ou menos como uma série de esquetes, humorísticas ou dramáticas dependendo do momento, em que os atores se revezam nos diversos papeis, seja como estas crianças, seja como os pais delas, ou como algum outro papel coadjuvante. Por esse caráter de sequência de esquetes, não me pareceu que a peça exija demais dos atores, embora isso não seja demérito nem para a peça, nem para os atores.
A peça usa do recurso de arquivos audiovisuais projetados no fundo do palco para ajudar a definir cada época. E tem ótima trilha sonora. Da trilha sonora, faz parte a música "Horizontes" ("Há muito tempo que ando, nas ruas de um Porto não muito alegre, ..."), de Flávio Bicca, que também se transformou em uma espécie de hino informal e sentimental da cidade.
Por fim, resta dizer que a peça já é um patrimônio imaterial da Porto Alegre, pelo menos por enquanto, sendo reencenada faz 30 anos. Uma segunda geração de atores, já sucedeu àqueles que estrearam a peça no início dos anos 1980.
Haverá ainda duas apresentações extras no próximo domingo, dia 27, no mesmo Teatro do Bourbon Country. Depois a peça se apresenta no Teatro da Feevale, e segue em turnê para Rio e São Paulo.


24/10/2013.


José Júlio La Porta, o "Xerife da Feira do Livro de Porto Alegre"


José Júlio La Porta, o "Xerife da Feira do Livro de Porto Alegre"


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Foto de Paulo Nunes, no Correio do Povo.
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Os jornais de Porto Alegre dão notícia do falecimento do "xerife da Feira do Livro", o senhor José Júlio La Porta. Segundo o notíciário ele teria falecido ontem à tarde, no Hospital Nossa Senhora das Graças, no vizinho município de Canoas.
Eu nunca fui apresentado ao xerife, mas como trabalhador das imediações da Praça da Alfândega, o via com frequência, e inclusive comprei revistas na banca que a família dele ainda mantém na mesma Praça da Alfândega. Nesse meu tempo de trabalho vi a banca "caminhar". Posso estar enganado mas Júlio La Porta vendia livros e revistas, inclusive importadas num tempo em que isso não era muito comum, no início da década de 1980, numa loja que ficava na esquina da Rua Sete de Setembro com Caldas Júnior. Hoje esta loja não existe mais. Depois teve a banca que ficava na Avenida Sepúlveda, entre os prédios do Museu de Arte Ado Malagoli e do Memorial do Rio Grande do Sul. É dali a minha lembrança de comprar revistas. Depois a banca mudou para a Alameda ao lado do prédio da Caixa Federal. E no momento está na Rua da Praia, em frente à Caixa Federal. Sempre na Praça da Alfândega.
Desde que me dei conta da existência da Feira do Livro, ali pelo final da década de 1970, Júlio La Porta era o "xerife", o homem que tocava uma sineta, oficializando tanto a abertura quanto o encerramento dda Feira do Livro de Porto Alegre. No encerramento, a comitiva que fechava o evento ia distribuindo rosas pelas bancas.
Nos últimos tempos (que tempos seriam esses? contados em meses ou em anos?) era possível ver o senhor La Porta cada vez mais fragilizado, mas ainda caminhando pela Praça da Alfândega, vez por outra, ou sentado dentro da banca da família.
A notícia é que ele faleceu aos 80 anos, em decorrência de Mal de Alzheimer.
Porto Alegre perde uma personagem que de alguma maneira encarnou a sua Feira do Livro, e bem às vésperas da 59ª edição.


24/10/2013.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Leituras na Piauí - Setembro de 2013 - Mande Sua Chave, ou o relato de Peter Maass sobre os contatos de Edward Snowden e a documentarista Laura Poitras


Leituras na Piauí - Setembro de 2013 - Mande Sua Chave, ou o relato de Peter Maass sobre os contatos de Edward Snowden e a documentarista Laura Poitras



“Mande sua Chave” é o relato que o americano Peter Maass faz sobre a maneira como Edward Snowden revelou ao mundo um pouco das entranhas da máquina de espionagem dos Estados Unidos.
É uma reportagem bem completa, que começa mostrando as tentativas fracassadas de Snowden de estabelecer contato com o jornalista Glenn Greenwald, e depois as tentativas bem sucedidas de contato com a documentarista Laura Poitras.
A reportagem traça perfis de Grennwald e Poitras.
Mas o que fica bem estabelecido no relato de Maass é o Estado de Segurança Nacional que se estabeleceu nos Estados Unidos.
Laura Poitras foi constantemente humilhada tanto em suas partidas dos Estados Unidos, quanto em suas chegadas de volta ao pais. Com o detalhe que ela é uma cidadã dos Estados Unidos. O assédio foi constante até que Greenwald denunciou o caso no Guardian, com a concordância dela. Como era isso? Em um embarque, se revisa a sua bagagem mais que a dos outros, em uma chegada se apreende seu computador e seus dispositivos de armazenamento de dados, em uma outra chegada ela foi isolada em uma sala, com agentes federais lhe fazendo interrogatório. Coisas desse tipo.
Contam também de um ex-oficial de agência do governo que denunciou esse estado de coisas, e um dia teve a casa invadida por oficiais do FBI, e computadores apreendidos, além de armas apontadas para ele e seus familiares. E ele nunca foi indiciado por nada.
Esta é a especial denúncia da reportagem. Existem tribunais secretos, que, com base em leis secretas, podem causar todo tipo de constrangimento aos cidadãos dos Estados Unidos. Que dirá aos estrangeiros.
Laura Poitras atualmente está trabalhando em Berlim, justamente para evitar que um dia tenha a casa invadida por agentes do FBI que lhe levem embora todo seu equipamento, e seu trabalho, sem lha dar nenhuma satisfação.



22/09/2013.

Leituras na Piauí - Setembro de 2013 - O verão chileno


Leituras na Piauí - Setembro de 2013 - O verão chileno



“O Verão Chileno” é uma longa reportagem da jornalista argentina Josefina Licitra (como longas contumam ser as reportagens publicadas na revista Piauí), abordando a revolta estudantil de 2011 no Chile, e seus protagonistas, em especial a jovem Camila Vallejos, uma garota de olhos claros que acabou por ser o rosto daquele movimento, e que catapultou o movimento estudantil chileno às manchetes do mundo todo.
Comenta desde como a grande mídia chilena e mundial focou seu interesse na beleza física de Camila, o que a levou a comentar, a Camila comentar, que ela esperava esse tipo de exploração, tanto a fim de banalizar o movimento estudanil, quanto de esterilizá-lo. Camila esperava esse tipo de exploração, mas ainda assim não estava preparada para o grau da exploração de sua beleza a que foi submetida.
A reportagem informa alguns dos paradoxos chilenos. Já naqueles outono e inverno de 2011, o Chile parecia estar se encaminhando para se tornar um país desenvolvido, segundo a reportagem com uma renda per capita de aproximadamente vinte mil dólares, o que é um pouco mais ou um pouco menos do dobro da renda per capital brasileira, dependendo da fonte dos dados. Mas claro que a renda per capital esconde alguns paradoxos como o da famosa piada, que, se eu tenho um renda per capital de dez mil dólares por ano, e meu vizinho desempregado tem renda zero, nós dois juntos temos uma renda per capita de cinco mil dólares por ano, o que não seria mal se toda a renda ficasse comigo e ele ficasse com nada. Pois bem, a reportagem informa que a maioria dos chilenos que trabalham tem renda média de quinhentos dólares por mês, seis mil por ano, bem abaixo dos tais vinte mil dólares per capita dos índices econômicos do país.
E a educação superior chilena é paga, mesmo nas universidades públicas. O que acarreta dívidas para os estudantes, que terão que pagá-la após a sua formatura, mais ou menos como o FIES brasileiro. Mas ao contrário, do Brasil, onde o financiamento é assumido pela Caixa Federal, com algum subsídio, no Chile, o financiamento estudantil é feito por bancos privados, com juros de mercado.
E me parece que os estudantes gostariam de ter uma oportunidade de estudo gratuito, ou de financiamentos subsidiados. Mas o governo chileno não ofereceu isso, em lugar disso, ofereceu aos bancos garantias governamentais, isto é, aval, para os empréstimos feitos aos estudantes, aliviando o risco dos bancos, sem aliviar os juros dos estudantes.
Bom, agora muitos daqueles estudantes que participaram da revolta de 2011, estão se formando, ou já se formaram. E muitos deles estão entrando para a política institucional chilena. Pelo que pude entender, um sistema distrital, que favorece os impasses no Legislativo do país. E muitos deles contra os políticos da Concertação, a coalizão de democratas-cristãos e socialistas que tem governado o país desde o fim da ditadura de Pinochet, com exceção do atual governo Piñera. Como eles dizem, a Concertação se diz a associação da social-democracia com a democracia cristã, mas vem governando com os métodos e a legislação deixada por Pinochet. Mais uma demonstração dos impasses de um Legislativo que não permite avançar direitos sociais.
Camila Vallejos é candidata a deputada pelo Partido Comunista, que, meio ironicamente, faz parte da coalizão que participa da Concertação. É como se ela fizesse parte de uma oposição às atuais regras para os estudantes universitários, mas através do partido do governo.
Camila Vallejos, a propósito, informa a reportagem deve se tornar mãe nesta primavera, se é que já não se tornou. Uma maneira de tentar se afastar do padrão de beleza que foi explorado à exaustão em 2011.




22/09/2013.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Flagrantes de Porto Alegre: A Rua Caldas Júnior transformada em quadra de futebol

Flagrantes de Porto Alegre: A Rua Caldas Júnior transformada em quadra de futebol

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Na manhã desta quinta-feira, dia 10 de outubro, os bancários, em greve, transformaram a segunda quadra da Rua Caldas Júnior, no centro de Porto Alegre, e endereço da sede do Banco do Estado do Rio Grande do Sul - Banrisul, o banco estadual, em uma quadra de futebol de salão improvisada.
Foram disputados dois grenais, um masculino e outro feminino.
Os bancários estão em greve há 22 dias.
A Rua Caldas Júnior transformada em quadra esportiva não é algo que se vê todo dia.




10/10/2013.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Simple Minds em Porto Alegre - Turnê "Greatest Hits +"

Simple Minds em Porto Alegre - Turnê "Greatest Hits +"


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Era uma vez uma fria noite de primavera em Porto Alegre. Um sábado, 5 de outubro de 2013.
Pois nessa noite fria, o grupo britânico (escocês) "Simple Minds" iniciou o ciclo brasileiro de seu "tour", o "Simple Minds Greatest Hits + Tour 2013". Por Porto Alegre. As apresentações acontecem ainda em São Paulo, 8 de outubro, e em Curitiba, em 12 de outubro.
Nessa noite fria de primavera, vários quarentões e cinquentões, e também alguns jovens que descobriram a música do "Simple Minds", alguns destes jovens talvez ouvindo os discos de seus pais, estiveram no Auditório Araújo Vianna para assistir a banda. Entre as músicas cantadas esteve, "Once Upon a Time".
O Araujo não estava lotado, mas estava bem cheio.
Em seu auge, na segunda metade dos anos 1980, o grupo enchia estádios pelo mundo. Muito disso se deveu ao sucesso da música "Don't you (Forget About Me)", que esteve entre as 10 mais tocadas tanto nos Estados Unidos, quanto no reino Unido, em parte devido a ter sido incluída na trilha sonora do filme "O Clube dos Cinco" ("The Breakfast Club"), um dos filmes de temática adolescente de John Hughes, produzido em 1985. Eu ainda não assisti o filme, mas acredito que muita gente da plateia tenha assistido.
Mas tudo isso era história, quando o show iniciou, por volta de 21h05min de sábado. Lá estava James "Jim" Kerr no palco, com sua voz característica, a voz que identifica o "Simple Minds". O show iniciou com "Broken Glass Park". O cinquentão Kerr esbanjou energia cantando os hits da longa carreira da banda (mais de trinta anos). Além de Kerr, fazem parte da banda, Charlie Burchill na guitarra, Mel Gaynor na bateria, Andy Gillespie nos teclados, e Ged Grimes no baixo. O grupo contou ainda com o suporte da poderosa voz de Sarah Brown. Entre as músicas da noite, além das já citadas "Once Upon a Time" e "Don't You (Forget About Me)", "Someone, Somewhere in Summertime", e "Alive and Kicking". "Don't You (Forget About Me)" foi o auge do show, em minha opinião, e como se poderia esperar, uma vez que é a música mais conhecida do grupo. As músicas de protesto do grupo, contra o regime do apartheid na África do Sul, “Biko” e “Mandela Day” (eram músicas de protesto na década de 1980, quando Biko foi executado numa câmara de tortura do regime do apartheid, e Mandela era um preso político) não foram tocadas no show.
Surpreendentemente não houve abertura por parte de qualquer músico brasileiro. Foi uma noite para ouvir apenas "Simple Minds". Com apenas um reparo: em entrevista ao jornal Correio do Povo, Jim Kerr anunciou um show de duas horas, mas o show durou uma hora e meia com o bis.
Para quem viveu aquele tempo, foi realmente uma noite para reviver os anos 1980.



08/10/2013.


Abaixo o vídeo, um tanto tremido, de "Don't You (Forget About Me)". Coloquei outros três no YouTube.

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Este é o setlist do show, graças ao saite "Setlist.fm":


1. Broken Glass Park
2. Waterfront
3. Once Upon a Time
4. Big Sleep
5. Let the Day
6. Hunter and the Hunted
7. All the Things She Said
8. I Travel
9. Glittering Prize
10. This Fear of Gods
11. Don't You (Forget About Me)
12. New Gold Dream


Bis:
13.Theme for Great Cities
14. Neon Lights
15. Someone Somewhere in Summertime
16. Sanctify Yourself
17. Alive and Kicking


Feira do Livro de Porto Alegre edição 2013 sendo montada




Já começou a montagem da estrutura da Feira do Livro de Porto Alegre 2013 na Praça da Alfândega.
Nesse ano parece que ela acontecerá somente no mês de novembro, entre os dias 1º e 17.


08/10/2013.