sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Diário - cinema - Ela


Diário - cinema - Ela


"Ela" ("Her", Estados Unidos, 2013) é um filme sobre uma certa fluidade das relações humanas, e sobre a solidão humana.

E que tipo de relacionamento pode resultar da interação entre um ser humano e uma máquina, ou no caso, um software.

Ajuda muito o filme a fotografia e a trilha sonora. Aumentam o clima da solidão no meio do multidão. Em não poucos momentos este filme me lembrou "Encontros e Desencontros" ("Lost in Translation", 2003), o filme de Sofia Coppola. A propósito, ambos com a participação de Scarlett Johansson.

Enfim, um filme interessante e triste. Interessante, triste e que vale a pena ser visto.


28/02/2014.

Diário - cinema - Robocop


Diário - cinema - Robocop


O filme "Robocop" atualmente em cartaz aqui em Porto Alegre é uma nova versão da história de 1987, de mesmo nome.

Outra versão, não refilmagem.

As diferenças que começam pela própria polícia de Detroit, que em 1987 era uma corporação privada que "prestava serviços" para a cidade. Agora a polícia volta a ser estatal.

E a OmniCorp é uma empresa fornecedora de equipamentos de guerra, que podem ser usados tantos pelas forças armadas dos Estados Unidos, quanto pela polícia.

É nesse contexto que o filme se mostra muito mais um filme filosófico que um filme de ação.
Há cenas de ação, mas muito menos que se poderia esperar de um filme como "Robocop".
As questões filosóficas são várias: quais os limites éticos da medicina? qual o papel de um robô numa guerra, ou no combate à criminalidade? o que nos faz humanos? qual a nossa responsabilidade em nossas ações, ou, talvez, existe livre arbítrio?

E há a direção de José Padilha, que leva certas afirmações ao paroxismo, fazendo com que estas afirmações se tornem, de fato, ironias.

Padilha também acaba por imprimir um certo ar de "Tropa de Elite", neste filme, a respeito da atuação da polícia. Quem viu os filmes brasileiros "Tropa de Elite" e "Tropa de Elite 2" há de sentir este clima.


Enfim, um bom filme. Valeu a pipoca.


28/02/2014.

Regina Stela Contage Winter (09/12/1945 - 08/12/2013)


Regina Stela Contage Winter (09/12/1945 - 08/12/2013)


Ontem recebi uma mensagem pelo correio eletrônico dando conta do passamento de Regina Winter.

Não era uma mensagem inesperada, haja visto que ela padecia de um câncer no pâncreas há meses, e a situação ficava cada dia mais difícil. Não obstante, mesmo sem surpresa, uma situação assim não é sem dor, sem luto.

Regina era uma cristã. Protestante. Evangélica. Batista. De família batista.

Quando a conheci ela já era casada com Niander Winter. Pastor Batista.

Foi um tempo em que eu estudava Teologia e cogitava de me tornar pastor de almas. Niander era reitor do Seminário Batista que existia em Porto Alegre naquela metade dos anos 1980. O Seminário continua existindo.

E Regina fazia parte do corpo docente, ministrando aulas de pedagogia. Fui aluno dela nessa disciplina.

Nessa época, a principal atividade do Pastor Niander era como reitor do Seminário, mas, eventualmente ele colaborava mais intensamente com alguma igreja do estado do Rio Grande do Sul. Posso me lembrar dele comentando, por exemplo, a colaboração que fez com a Igreja Batista de Caxias do Sul. E Regina era uma companheira fiel. Eles tinham que sair cedo de Porto Alegre e viajar mais de uma centena de quilômetros serra acima, levando os dois filhos pequenos, trabalhar o dia todo na Igreja, à noite voltar descendo essa mesma serra. Posso imaginar como isso pode ter sido difícil nos dias mais frios e úmidos do inverno gaúcho.

Depois, no final dessa mesma década de 1980, Niander assumiu o pastorado na Igreja Batista Central de Porto Alegre, e em tudo que podia, Regina ajudava. Acompanhava o marido em visitas aos membros da igreja, ou aos interessados em conhecer o Evangelho, tocava piano nos cultos, regia hinos. Se fosse para pensar na esposa de um pastor, bastaria uma palavra: exemplar. Ou modelo. Ou padrão. Pode escolher. E assim foi pelos 25 anos que durou o período em que Niander foi pastor da Igreja Batista Central.

Desde 2012 sua saúde vinha se deteriorando fortemente. O que sempre nos traz questionamentos.
Por que uma pessoa que se tem como um exemplo teve seu tempo abreviado? A pergunta é a propósito que no Brasil, a expectativa de vida das mulheres está em cerca de 78 anos, portanto Regina partiu uns dez anos antes do tempo. Por que Deus permitiu que ela se fosse assim, antes do tempo?

Para muita gente a explicação mais rápida é alegar que a pessoa tinha pecados. Pecados ocultos talvez. Talvez por dentro ela fosse um poço de rancor ou de inveja, por trás daquela aparência de cristã exemplar. Ou pior, ainda, ela roubava coisas quando ninguém estava vendo. Essa explicação não me convence. Aplicar essa explicação com ela seria reviver a história de Jó. Não, eu não conhecia de fato o íntimo de Regina, mas me é impossível pensar que ela padeceu o que padeceu por conta de algum pecado oculto.

Regina não teria pecados, então? Claro que tinha. Como todos nós, humanos. Mas penso que, ao contrário de muitos de nós, ela genuinamente procurava não pecar.

De fato, eu me questiono, mas pensando numa história não tão antiga quanto a história de Jó, me lembro de algo que penso que li na época do falecimento do Papa João Paulo II, em 2005. Naqueles dias, o conhecido evangelista Billy Graham declarou que a atitude estóica do Papa ao enfrentar o Mal de Parkinson o ajudou a enfrentar a própria sina com a mesma doença. O velho evangelista está doente, e, com cerca de 95 anos, faz tempo que está afastado das atividades ministeriais. Eu cheguei a comentar isso com o Pastor Niander na metade deste ano. Regina não era João Paulo II, nem Billy Graham, mas quem conviveu de alguma forma com ela nestes últimos tempos testemunhou de sua resiliência diante de um corpo que demonstrava cada vez mais dificuldades. Eu em algumas reuniões de oração a vi, magra, com as mãos tremendo, com dificuldades da fala. Mas, enquanto teve forças, ela esteve ao piano para executar os hinos das reuniões. Era uma das suas formas de demonstrar que mesmo diante da dor ela continuava louvando ao Senhor.

Se, como diz a Escritura, "preciosa é aos olhos do Senhor, a morte dos seus santos", e diante da morte de outras pessoas santas e queridas nos últimos tempos, que se foram antes do tempo que lhes era possível, humanamente falando, talvez eu deva pensar nessas pessoas nos termos de Enoque, segundo o qual Enoque, homem piedoso em tempos ímpios segundo o livro de Gênesis, viveu menos do que poderia, pois o Senhor o tomou, e os dias de Enoque suportar as contradições deste mundo lhe foram abreviadas.

De maneira geral, as religiões, e o cristianismo em particular pensam de uma vida pós-morte, mas o cristianismo não diz que as pessoas devam se matar para deixar esta vida e ir para a próxima. 

Mas tem a vida atual como uma dádiva para a glória de Deus.

Regina viveu, e sofreu, e morreu, para glória de Deus. Assim confio eu.



09, 10, 12/12/2013.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi na Rússia terminam hoje


Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi na Rússia terminam hoje.
Eu praticamente não assisti nenhuma competição.
Mas foi legal que houvesse cobertura, principalmente na TV por assinatura.
Assim, quem quis pode acompanhar as competições de curling, bobsleigh e patinação artística entre outras.
O Brasil competiu para fazer figuração.
Os próximos Jogos Olímpicos de Inverno deverão ser em 2018, em PyeongChang, na Coreia do Sul.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Jovem e Bela


Jovem e Bela


Este é um texto com comentários sobre o filme "Jovem e Bela" ("Jeune et Jolie", França, 2013), do diretor François Ozon, estrelado por Marine Vacth. Este comentários abordam aspectos diversos do filme, incluindo diversas cenas, que podem atrapalhar o seu prazer de ver o filme.

"Jovem e Bela" é um filme sobre uma jovem que após deixar de ser virgem, resolve se prostituir. O primeiro relacionamento sexual dela se dá com um flerte com um rapaz alemão, durante as férias de verão, numa praia, onde esta jovem, Isabelle, está com a família. Neste caso, ela de fato instrumentaliza o relacionamento com o rapaz com o fim de deixar de ser virgem, pois ela não demonstra nenhum grande afeto por ele.

Após o fim das férias de verão, de volta a Paris, ela começa a se prostituir.

O filme não oferece respostas diretas.

Insinua, por exemplo, que ela gostasse de sexo.

Mas, a princípio, a maioria dos seres humanos gosta de sexo.

Em determinada cena, ela está em seu quarto se masturbando. Certamente existem milhares de meninas adolescentes que se masturbam, mas quase ninguém fala disso.

Em determinado momento, ela informa que um homem uma vez lhe ofereceu dinheiro para que ela fizesse sexo com ele, e deixou para ela o telefone dele, se ela ficasse interessada. Ela pensou uma semana e ligou de volta. Foi o início.

Depois ela colocou um anúncio numa página da Internet.

Enfim, o diretor não oferece respostas fáceis.

Há o cliente, Georges (vivido pelo ator Johan Leysen, um ótimo coadjuvante). Um homem que poderia ser avô de Isabelle. Casado há vários anos. E lá pelas tantas, ele diz que "tenta ser um bom marido". Por que ele se torna cliente de Isabelle? E por que ele resolve se matar fazendo sexo com ela? Isso não fica claro, mas fica insinuado: a esposa diz que ele era doente, cardíaco. Assim, deve tomar remédios, os famosos nitratos para o coração. O Viagra não deve ser tomado em conjunto com esses nitratos, mas Georges o usa. De quebra, ainda acrescenta um pouco de álcool à mistura...

O filme é dividido em quatro estações, as quatro estações do ano: verão, outono, inverno, primavera. Na primavera, Isabelle tem um caso com um rapaz de sua idade, colega do liceu onde ela tem aulas. Seria o caso de um ajustamento? Fim da atividade “desviante”? Não. O caso é rápido. Não há "redenção" ou ajustamento.

Há o estranhamento "adulto" na figura da mãe, que não consegue entender a decisão da filha. E que mesmo sabendo que a filha tem 17 anos, faz questão de tutela-la. E a polícia que entra no circuito com a ideia da exploração, da violência, e do vício em drogas, associados à prostituição.

E a mãe de Isabelle não a entende, mas ela mesma vive uma relação extra-conjugal, com o marido de uma amiga.

E nunca sabemos o que de fato move Isabelle. Ela permanece, do início ao fim do filme, um enigma.

O filme não oferece respostas.

Por que um sexagenário procura uma garota de programa? Por que uma menina de dezessete anos começa a se prostituir? Por que uma mulher madura e casada trai seu marido?
François Ozon quer dizer que o desejo não tem respostas racionais? Ele simplesmente acontece e as pessoas o seguem?



31/01/2014.

Sarah Brightman em Porto Alegre, um show pode provocar lágrimas


Sarah Brightman em Porto Alegre, um show pode provocar lágrimas



"I am your shadow
I am your rain
I am your lonely, a little of your pain


I am red
I am blue
I am your angel
I am in you


Angel..."



Com esta canção, Sarah Brightman iniciou o seu show em Porto Alegre, no Teatro do SESI, no final do ano passado. E assim, escorreram pelo meu rosto algumas lágrimas.


O Teatro do SESI fica nos arrabaldes de Porto Alegre. Ou não. A região metropolitana de Porto Alegre já conta com verdadeiras conurbações. No eixo da BR116, na prática, Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo já são uma só cidade. Talvez se possa acrescentar Estância Velha e Sapiranga nessa conta. Assim como no eixo da Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, a cidade de Alvorada parece mais um bairro periférico de Porto Alegre. O Teatro do SESI fica assim, na Avenida Assis Brasil, quase na cidade vizinha de Cachoeirinha.


E desde que foi inaugurado no final do século XX tem recebido diversos espetáculos com bastante conforto, e preços não muito populares.


Pois ali estava eu, numa noite de domingo, para assistir a soprano Sarah Brightman.


Conheci a obra de Sarah Brightman através de minha mulher, que por sua vez a descobriu nas suas buscas por músicas "new age". Não que Sarah Brightman possa ser rotulada de "new age". A cantora britãnica é bastante eclética em seu repertório. E este repertório é sob medida para que a cantora possa demonstrar sua técnica e sua versatilidade.


Por conta disso, há diversos discos dela em casa. Os que mais gosto são "Eden", "La Luna" e "Harem". Os que mais ouço.


E, claro, dependendo do momento que a gente vive, eu posso chorar ao ouvir "In Paradisum" ou "Eden", as primeiras canções do disco "Eden". Ou "Hijo de la Luna", do disco "La Luna". Ou "Mysterious Ways", do diso "Harem", onde a voz espectral de Ofra Haza participa. Ofra Haza que partiu precocemente.


"Angel" é a primeira canção do disco "Dreamchaser", base da turnê "Dreamchaser World Tour", que passava por Porto Alegre. E de repente, estar em frente à diva, já seria motivo suficiente para estar emotivo. Foi também a primeira canção do show.


Um outro momento foi quando ela interpretou "Hijo de la Luna".


Lá estavam as minhas lágrimas. Talvez menos furtivas que eu gostaria.


Me lembrei de algum velho filme em que um homem enxugava as lágrimas enquanto assistia a uma ópera. Seria ele um mafioso? Não lembro.


Nunca assisti a um espetáculo de ópera.


Assistir a um show de Sarah Brightman foi o mais perto disso que já cheguei. E em alguns momentos as lágrimas percorreram o meu rosto quando ela cantava...


Quando será que Sarah Brightman volta a Porto Alegre?


Angel!



18/02/2014.


P.S. Este texto foi inspirado pelo texto “As Mil Faces do Amor”, no blog Luz de Luma, que faz parte uma “blogagem coletiva”, “Música que te faz chorar”, iniciada por Dani Moreno, em seu blogue. Eu não sei se seria o caso de ser convidado, mas a inspiração veio assim mesmo. Na verdade, é difícil que eu participe de alguma blogagem coletiva. Enfim…


P.S. (II): Escrevi sobre este show, logo que o vi.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Hell, com Bárbara Paz


Hell, com Bárbara Paz





A peça "Hell" é uma espécie de "tour de force" para a atriz Bárbara Paz exercitar seu ofício (a expressão "tour de force" é bem adequada aqui, uma vez que se trata da adaptação de um livro de uma autora francesa).

Em cerca de uma hora e meia, a vemos falar por algo entre dois terços e três quartos do tempo da peça. O tempo restante fica para seu companheiro de palco, André Bankoff.

Falar e se expressar por seu personagem. Esta expressão vem pelo fumar compulsivo, os trejeitos, como se estivesse diante do espelho em seu quarto, as constantes trocas de roupa em cena.
Tudo isso para mostrar na peça "Hell", adaptação feita por Hector Babenco e Marco Antonio Braz, do livro homônimo escrito pela francesa Lolita Pille, a vida fútil e vazia, talvez algo desesperada, da juventude parisiense muito rica, na virada do século XX para o XXI. Babenco também é o diretor da peça.

Vida fútil e vazia, algo desesperada. Beber, vodka, champanhe, vinho, ... Cheirar cocaína. Fazer sexo. Tudo para ir tocando o dia a dia. E fazer compras de roupas e acessórios de grife para sentir alguma satisfação.

Preencher o vazio da vida com o que poderíamos chamar de vícios é meio clichê. Mas cada geração que puder vai narrar a sua experiência do vazio, do beber, fumar, cheirar, transar, como alívio. Lolita Pille fez isso para a sua, de jovens muito ricos, na França do final de século.

Bárbara Paz tratou de trazer essa vivência para o palco. Para representar a adaptação de um livro, com apenas dois atores, nos seus longos monólogos, ela tem tanto que dialogar, quanto narrar o que acontecia com a personagem principal e seu mundo: suas amigas, seus namorados, a relação com os pais.

A peça é um drama que causa risinhos nervosos na plateia, principalmente nos momentos em que a personagem lança em rosto da "classe média" (que é, na verdade a maioria das pessoas que vão ao teatro, ou que costumam ler livros, e, obviamente, a maioria das pessoas na plateia) o quão pequena ela parece diante dos muito ricos.

A propósito, uma comparação possível é o deste universo, de "Hell", com as garotas da série televisiva norte-americana "Sex and the City". Sim, as garotas de "Sex and the City" são muito melhor comportadas. Mas também estão à procura de festas, e de roupas e acessórios de grife. E se são melhor comportadas, parecem sentir menos o "desesperador vazio da vida". 

O que diferencia um universo de outro? Bem, uma resposta pode ser que as meninas de "Sex and the City" são tipicamente de classe média, e, embora com alguma liberdade e flexibilidade, precisam trabalhar para viver. Enquanto as personagens do universo de "Hell" "vivem" para festear e consumir apenas. O trabalho redime, então? Não vou chegar a tanto. Mas certamente alguma atividade que lhe pareça produtiva parece útil ao bem estar do ser humano.

Dito isso, há algum reparo? Sim. O universo de "Hell" é de jovens desajustados e desestruturados, coisa que costuma acontecer a partir da adolescência até o início da juventude, digamos, arbitrariamente, dos 14 aos 25 anos, e Bárbara Paz já passou dessa fase. Mas é um reparo irrelevante. A atuação da atriz é bastante convincente.

É uma peça que vale a pena, se você puder assistir.


Imagem: divulgação da peça.

16/02/2014.


Diário - cinema - 47 Ronins


Diário - cinema - 47 Ronins



Ronin é a palavra japonesa para o samurai que perdeu o seu senhor, o seu patrão.


O filme "47 Ronins" ("47 Ronin", Estados Unidos, 2013) narra a história de 47 ronins (como se poderia esperar) que desejam vingar a morte de seu senhor, morto após ser enfeitiçado, como parte de um plano de um adversário.


O filme é levemente baseado na história real de ronins que se envolveram num plano de vingança no que poderia ser considerado o período feudal japonês.


Este período feudal aconteceu após o contato com os portugueses, e da implantação do cristianismo no arquipélago no século XVI. No século seguinte, o país se fechou ao contato estrangeiro e proibiu o cristianismo. No período, que vai do século XVII ao XIX, o país foi dividido entre diversos senhores feudais.


Lorde Asano era um desses senhores feudais, e o senhor dos samurais, que se tornaram ronins com a sua morte.


O filme traz uma boa demonstração do código de honra dos samurais, o "bushidô", para nós, ocidentais. Este código de honra é esteticamente belo, e até comovente, mas uma tremenda restrição para a liberdade individual de qualquer pessoa.


O filme também gera alguns enganos para o espectador. Apesar do cartaz trazer em primeiro plano o ator Keanu Reeves, ele é de fato, um coadjuvante no filme. O papel principal é do ator japonês Hiroyuki Sanada, a personagem Oishi no filme. É ele que conduzirá os ronins em sua tentativa de vingança, para restaurar o bom nome de seu antigo senhor, e, como diz a personagem em determinado momento do filme "trazer de volta o equilíbrio entre o céu e a terra", equilíbrio este posto em xeque quando alguma injustiça não é punida.


Para trazer algum tempero ocidental ao filme, digamos assim, são acrescentados seres fantásticos à narrativa, e a filha do senhor feudal, Mika (a atriz Ko Shibasaki) que tem atitudes que talvez fossem difíceis para uma japonesa do século XX, quiçá do século XVII.


É um bom filme. Eu sempre acho este código de honra dos samurais bastante comovente (recentemente isso foi demonstrado nos filmes "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood, e "O Último Samurai", de Edward Zwick). E a recriação de época, com as restrições informadas no parágrafo anterior, parece bem verossímil.



16/02/2014.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Diário - leituras - A trilogia Jogos Vorazes


Diário - leituras - A trilogia Jogos Vorazes


Faz algum tempo, eu assisti o filme "Em Chamas", segundo pedaço da trilogia "Jogos Vorazes", série de filmes baseada na série de livros escritos pela americana Suzanne Collins.

Eu comentei  e o comentário não foi muito elogioso ao filme.

Mais de uma pessoa me disse que talvez o meu juízo negativo a respeito do filme fosse por conta de eu não ter assistido o primeiro filme da série. Uma destas pessoas, um colega, me emprestou a série de livros de Suzanne Collins, para que eu pudesse fazer uma melhor avaliação.

Os livros da série "Jogos Vorazes" narram um futuro apocalíptico, em que no território onde um dia existiam os Estados Unidos da América, existe agora um estado precário, onde uma capital, simplesmente chamada de "Capital", na costa oeste da América do Norte, tira seu conforto da exploração de recursos fornecidos por doze colônias, também espalhadas pelo antigo território dos Estados Unidos. As colônias também são genericamente chamadas "distritos": "Primeiro Distrito", "Segundo Distrito", e assim por diante.

Os Jogos Vorazes do título são uma competição em que jovens dos distritos, chamados de "tributos" são colocados em uma arena montada especialmente para a ocasião, para se matarem uns aos outros. Para aumentar o potencial mortífero dos jogos, a arena possui armadilhas. Aquele ou aquela que conseguir chegar ao final é considerado campeão. E poderá ter uma série de privilégios a partir daí.


Os Jogos Vorazes são realizados para lembrar aos distritos da derrota que eles sofreram quando tentaram se rebelar contra a Capital.

Dentro da lógica de "reality shows", os Jogos Vorazes são transmitidos para todo país por televisão.
Todos os livros da série têm como protagonista a jovem Katniss Everdeen, uma moça, no final da adolescência, que muito cedo tem de assumir responsabilidades, por conta da dureza das condições de vida no 12º distrito onde ela vive, da morte prematura do pai, e da crise depressiva da mãe.

No primeiro livro, ela se voluntaria para participar nos Jogos Vorazes, substituindo sua irmã mais nova que havia sido sorteada para a competição.

No segundo livro, ela volta aos Jogos Vorazes para participar de uma edição especial, que tem um final algo surpreendente.
Por fim, no terceiro livro, Katniss participa de uma nova revolta dos distritos contra a Capital.

A narrativa é fluente. O leitor consegue atravessar com facilidade as cerca de 900 páginas que compõem a trilogia.

Mas para uma série tão épica, fica faltando muita coisa, a começar por origens. Eu gostaria de saber o que aconteceu com os Estados Unidos, para que eles deixassem de existir, e em seu lugar surgissem a Capital e seus Distritos, com tremenda regressão das condições materiais de vida. Lendo a narrativa eu fico imaginando as condições de vida nos Estados Unidos nas primeiras duas décadas do século XX.


Também acharia interessante saber o que aconteceu com o resto do mundo. Canadá e México ainda existiriam nesse futuro distópico?

A autora traz um mundo que evoca a Roma Antiga, principalmente por nomes: No volume um, o organizador dos Jogos Vorazes, se chama Sêneca, no outro, Plutarch (isto é, Plutarco). No filme, a arquitetura em parte emula essa Roma Antiga.

Aliás o filme traz uma arquitetura que lembra tanto Roma, quanto o nazismo. E as forças repressoras da Capital (ironicamente os soldados destas forças são chamados de "pacificadores")  se parecem com as forças do apartheid sul-africano da segunda metade do século XX.

Enfim, o quadro mostrado é bastante desolador, mas a maneira como se chegou até ali é mostrada de forma lacônica.

Dizem que esta narrativa é dirigida aos jovens, isto é, literatura juvenil, e portanto, pode ser mais simples. Mas comparando a série "Harry Potter", por exemplo, a história contada por J. K. Rowling me pareceu bastante superior.

Assim, apesar de longa, e de ser um sucesso de vendas, achei a narrativa bastante fraca.



Collins, Suzanne. Jogos Vorazes. Rio de Janeiro: Rocco, 2012.
Collins, Suzanne. Em Chamas. Rio de Janeiro: Rocco, 2012.
Collins, Suzanne. A Esperança. Rio de Janeiro: Rocco, 2012.



31/01/2014.