quinta-feira, 29 de maio de 2014

Diário - cinema - Godzilla


Diário - cinema - Godzilla



Godzilla (Estados Unidos, 2014), nesta sua versão 2014, é a enésima história sobre o lagarto gigante que surge para aterrorizar a humanidade. A segunda versão dos Estados Unidos nos últimos 20 anos.

É interessante fazer um contraponto com a versão mais recente vista, a de 1998, com Matthew Broderick como protagonista. Naquela versão, um monstro (ou dois) surge em decorrência de uma mutação causada pelas explosões atômicas no Oceano Pacífico. Ou seja, de quebra, o filme serviu para demonizar a França, que realizou testes com armas nucleares no Pacífico em meados daquela década de 1990.

O bicho de 1998 era um tanto quanto sem personalidade, mal e mal aparecendo. No filme víamos mais seus efeitos, isto é, as destruições causadas, que o bicho propriamente dito.

A versão de 2014 de Godzilla honra a tradição japonesa dos filmes de monstros gigantes. De Godzilla aparecem uma barbatana aqui, uma pata ali, até que o bicho aparece em toda a sua plenitude.

E o filme honra mesmo a tradição de filmes japoneses de monstros. Ver este filme foi um relembrar de filmes de monstros japoneses que passavam na televisão quando eu era criança na década de 1970, inclusive versões prévias do próprio Godzilla. Mas também foi relembrar das versões do Ultraman que passavam por aqui na década de 1970, ou mais recentemente do herói Jaspion.

E este filme tem também uma pegada ecológica. Godzilla não aparece para destruir a humanidade, mas para caçar algum eventual inimigo natural dele. O fato de deixar um rastro de destruição é um efeito colateral, não um objetivo desejado.

E temos a tradição de cidades destruídas. Se nos filmes japoneses é Tóquio que é repetidamente destruída, nesta versão americana, sobra para Honolulu, Las Vegas e San Francisco.

Há vários sustos.

Enfim, um filme divertido, que há de satisfazer quem viu aqueles velhos filmes japoneses e também a quem gosta dos atuais filmes de aventura.



19/05/2014.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Diário - leituras - Operação Banqueiro


Diário - leituras - Operação Banqueiro



“Operação Banqueiro” é um livro-reportagem, escrito por Rubens Valente, que aborda a operação Satiagraha, levada a cabo pela Polícia Federal no ano de 2008, e o principal alvo da operação, o banqueiro Daniel Dantas.


O livro é muito bem escrito, e relembra esta operação da Polícia Federal que causou comoção na época, e pode ser lembrada principalmente pelos dois habeas corpus concedidos pelo então Presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes, no espaço de 48 horas.

Bem escrito, o livro é didático. Recria o desenvolvimento das investigações que levaram à prisão do banqueiro, com uma tentativa de suborno.


Depois, em retrospecto, demonstra o envolvimento do banqueiro com as privatizações durante o Governo Fernando Henrique Cardoso. Seu espírito querelante, sempre em disputa com sócios nas empresas em que se envolve. As suspeitas de gerir um fundo de investimentos no Caribe, que possivelmente possuiria irregularmente cotistas domiciliados no Brasil. As disputas figadais com um ex-funcionário chamado Luís Roberto Demarco. Sua mentalidade paranóica. Suas estratégias de assassinato de reputação de adversários através de esforços de relações públicas, com a ajuda de jornalistas amigos ou bem pagos (ou ambas as coisas) estrategicamente colocados em redações pelos principais veículos de comunicação do país. Estes assassinatos de reputação foram usados inclusive para tentar intimidar juízes que julgavam causas de interesse do banqueiro, tanto no Brasil, quanto nas Ilhas Cayman.


Depois, Rubens Valente demonstra como com seu exército de advogados bem pagos, os esforços de relações públicas citados acima, e com bons contatos, tanto no mundo da política nacional, quanto no judiciário, Daniel Dantas quase consegue reverter totalmente a tal operação Satiagraha, que o havia condenado, em primeira instância da Justiça Federal a dez anos de prisão por corrupção ativa (tentaiva de suborno) e formação de quadrilha.


O livro ganha densidade e agilidade quando narra a execução das prisões e a apreensão de evidências por parte da Polícia Federal quando a Operação Satiagraha “vai para a rua”, e depois quando detalha o estranho funcionamento do Poder Judiciário brasileiro, operando através principalmente do Supremo Tribunal Federal, e neste Tribunal, principalmente através da figura de seu Presidente, o ministro Gilmar Mendes.


A partir da Operação Satiagraha o STF abertamente cancelou uma súmula que impedia que réus pudessem “saltar” instâncias, para solicitar uma medida como um habeas corpus. Ou seja, o réu de um processo, a partir de então, não precisaria passar por todas as instâncias da Justiça brasileira, em caso de se achar alvo de algum abuso por parte de alguma autoridade judiciária de primeira instância. Foi o que permitiu ao ministro Gilmar Mendes emitir os dois habeas corpus em 48 horas.

Depois, o ministro Gilmar Mendes submeteu sua decisão ao colegiado do Supremo, e aparentemente os demais ministros referendaram a decisão, e tomaram a segunda prisão do banqueiro, determinada pelo juiz de primeira instância, Fausto de Santis, como uma afronta ao ministro Gilmar Mendes, e, por extensão, ao Supremo Tribunal Federal. O posicionamento dos ministros daquela corte foi altamente corporativo, com exceção do ministro Marco Aurélio de Mello, a voz dissonante, e que demonstrou com propriedade ter entendido os motivos da segunda ordem de prisão contra o banqueiro.


E não apenas isso, mas foi aberta sindicância contra o juiz da primeira instância, por suposta “insubordinação”.


Depois disso, o banqueiro, com seu exército de advogados e seu esforço de relações públicas, passou a agir para anular a sua condenação em primeira instância, objetando a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Policial, levantando a suspeição do juiz de primeira instância, tentando anular as evidência coletadas contra ele no processo.


Ao final do livro, o processo havia sido anulado por uma turma de juízes do Superior Tribunal de Justiça, o STJ, a penúltima instância do Poder Judiciário brasileiro. Caberá ao STF concluir afinal, se a Operação Satiagraha, e a condenação do banqueiro continuarão sendo válidas.


O livro tem seus problemas.


Há descrições desnecessárias de histórias de famílias, como as do banqueiro Daniel Dantas, e do ministro Gilmar Mendes. Narrativas que remetem até para o Arraial de Canudos, na Bahia, no final do século XIX, onde um antepassado de Daniel Dantas teve atuação, como grande senhor de terras. Ou à cidade de Diamantino, pequeno município de Mato Grosso, e domícilio original do ministro Gilmar Mendes.


Embora seja uma obra de enfoque jornalístico, e não histórico, o autor fez muita pesquisa. Poderia haver uma referência bibliográfica.


Esses pequenos problemas não abalam a obra. É um livro muito bom.


Ao término de sua leitura, o leitor volta a se perguntar que país é este em que um possível criminoso permanece solto, e o delegado e o juiz que o prenderam e condenaram têm suas carreiras abaladas.


VALENTE, Rubens. Operação Banqueiro. São Paulo: Geração Editorial, 2013.


P.S. O ministro Gilmar Mendes não gostou do conteúdo do livro e está processando o jornalista Rubens Valente.


10/04/2014.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Uma noite, uma faixa de segurança, um taxista imprudente, uma mulher santa


Uma noite, uma faixa de segurança, um taxista imprudente, uma mulher santa



Início da noite, no outono de Porto Alegre (hoje de manhã, ouvi no rádio que as temperaturas do outono de Porto Alegre, são equivalentes às da primavera em Paris - 13ºC).


Depois de desembarcar do ônibus, e comprar comida, caminho com minha esposa em direção à nossa casa, na zona norte.


Num bairro residencial, em frente a uma praça, esperamos junto a uma faixa de segurança para atravessar a rua. Por conta do recente incremento da frota automobilística da cidade, este incremento fruto de anos de subsídio fiscal para a produção e venda de automóveis no Brasil, há ainda um grande movimento na rua, rescaldo da hora do rush. Mas a rua ainda é basicamente residencial.


Quando parece que vai haver uma brecha, aparentemente nenhum carro vinha da esquerda, e dois carros que vinham da direita já estavam passando, iniciamos a travessia. Na faixa de segurança.


Quase não conseguimos. Na fração de segundos que olhamos para os carros da direita um taxi veio da esquerda em alta velocidade e por pouco não nos atropelou. Na faixa de segurança.


Fosse isso tudo, tudo estaria bem. Um tremendo susto. A quase morte (ou o quase politraumatismo), um suspiro, o coração batendo mais forte, respira-se fundo e se vai em frente.


Contudo, caminhados 50 passos, eis que o motorista do taxi resolve vir em sentido contrário, e “recomendar” mais cuidado.


Recomendar mais cuidado. Imbecil. Ele acha mesmo que eu ou ela queríamos nos suicidar? Se atirar na frente de um táxi que não respeita faixa de segurança vindo à toda numa rua residencial?


Quase virei bicho.


Gritei com o dito cujo: “O senhor viu que estávamos na faixa de segurança?”


Ele responde desaforadamente “que faixa de segurança, o que. Faixa de segurança vale onde tem sinaleira”.


Contudo minha esposa alivia. Agradece ao motorista por ele ter desviado. Diz que foi a mão de Deus que a salvou. Devo dizer, santa mulher!
De minha parte eu tinha vontade de chutar o tal do taxi, e meter um soco no nariz do energúmeno.


Cretino, boçal, idiota!


Santa mulher.


Com palavras suaves, e aparentemente genuínas, conseguiu contornar uma situação que poderia se tornar bastante hostil.


Santa mulher!


25/04/2014.

Diário - cinema - O Espetacular Homem-Aranha 2, A Ameaça do Electro


Diário - cinema - O Espetacular Homem-Aranha 2, A Ameaça do Electro



"O Espetacular Homem-Aranha 2, A Ameaça do Electro" (Estados Unidos, 2014) é a nova aventura jovem homem-aracnídeo, desta vez enfrentando, como indica o título, o Electro. E alguns outros perigos.

O interessante deste filme é que além da aventura que se espera sempre nesse tipo de filme, ele traz algum conteúdo de drama humano para o jovem Peter Parker. Além disso, a compleição franzina do ator Andrew Garfield torna ele mais crível como um jovem no final da adolescência.


Dentro desse drama humano, Peter Parker tem que lidar com a questão do pai dele tê-lo abandonado sendo Peter ainda criança, e tem de lidar com so problemas de sua relação com Gwen Stacy.

Por outro lado temos a fantasia: o acidente no qual Max (Jamie Foxx) é vítima normalmente mataria um ser humano, não transformaria ele num super-humano. Por sinal, me parece que a fantasia também o transforma em excessivamente poderoso. Avalie quem ver o filme, e veja se o que acontece no combate entre o Electro e o Homem-Aranha é verossímil.

Os efeitos do 3D são especialmente eficazes quando o homem-aranha se balança de lá para cá e daqui para lá entre os prédios de Nova York. E esse efeito fica potencializado pela projeção em imax. É para causar vertigem no espectador.

Uma falha da projeção do Cinespaço Wallig é que não passou o mais recente "teaser" de filme da Marvel após os créditos. Os espectadores são avisados por um cartaz na bilheteria, mas ainda assim me parece uma falha.

O filme em si é interessante. Valeu a pipoca.



14/05/2014.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Diário - Cinema - Getúlio


Diário - Cinema - Getúlio


“Getúlio’’ (Brasil, 2014) é um filme que recria os últimos dias do presidente Getúlio Vargas, em agosto de 1954. Nesse caso, não há nada a esconder, como é conhecido por qualquer pessoa que tenha prestado a mínima atenção às aulas de História do ensino médio, o protagonista morre no final, e roteirista e diretor são, neste sentido, fieis à história.


Por outro lado, Getúlio foi um filme que me surpreendeu positivamente.


Nestes tempos recentes, o cinema brasileiro tem produzido muitas comédias. Assim, é bom tentar assistir uma obra que se declare drama.


Fui surpreendido porque entrei um tanto quanto cético para assistir o filme. Eu tinha sérias dúvidas sobre a capacidade de Tony Ramos interpretar Getúlio Vargas. O normalmente boa praça Tony Ramos, ator de inúmeras novelas. E isso foi surpreendente. De fato parece que baixa algum espírito de Getúlio em Tony Ramos. Pelo menos o Getúlio recriado por roteirista e diretor.


E Alexandre Borges fica bem convincente no papel de Carlos Lacerda. A tal ponto que eu mesmo fiquei com raiva do energúmeno. Isso depõe a favor do ator.


E o diretor impõe um tom dramático o tempo todo do filme. Desde o início. O filme começa com o atentado a Carlos Lacerda na rua Tonelero, que acaba com o assassinato de um major da Aeronáutica, que fazia o papel de guarda-costas do jornalista e político da UDN.


Há uma razoável recriação de época. Não tanto em retratar o Rio de Janeiro da década de 1950, quanto em recriar o acirrado clima político.


O filme recria a nossa república liberal, que viveu de crise em crise, até o seu fim, no golpe civil-militar de 1964. Tempos difíceis aqueles. Esta república começou com um golpe militar que depôs Getúlio em 1946, passou pelo governo de Gaspar Dutra, e após esse houve o acirramento de uma oposição sem votos, a UDN, que tentava chegar ao poder nas asas de tentativas de golpe.


Isso é mostrado no filme. A bancada minoritária da UDN no Congresso, os discursos furibundos do corvo Lacerda, a imprensa contestando o presidente, e a alta oficialidade militar conspirando.


Com tudo isso, o filme tem um clima pesado o tempo todo.


Para completar, o filme apela para o didatismo. Durante algumas cenas, personagens da época são explicitados por legendas. No final, no início dos créditos, o filme mostra fotos das personagens da época, e suas encarnações no filme.


Um belo e surpreendente filme. Mais obras sobre a história do Brasil assim deveriam ser feitas.

03/05/2014.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Diário - cinema - Capitão América 2, O Soldado Invernal


Diário - cinema - Capitão América 2, O Soldado Invernal



“Capitão América 2, O Soldado Invernal” (Estados Unidos, 2014) é mais um filme com os personagens da Marvel. Neste caso, o segundo com o Capítão América.

Agora o Capitão América tem de lidar com problemas com a Organização Shield, liderada por Nick Fury. E para complicar, aparece o tal “soldado invernal”, um supervvilão para enfrentar o Capítão América.

É mais um filme de ação, o qual a gente assiste para se divertir, com lutas, batalhas, perseguições e explosões.

Este filme mostra a capacidade dos estadunidenses de inventar conspirações. Eles são bastante criativos nisso.

É um filme bom. Quem gostou do primeiro filme da atual safra do Capitão América, há de gostar deste, embora sejam histórias muito diferentes. Afinal o primeiro filme era basicamente a história de um herói na Segunda Guerra. A nova aventura é em nossos dias.



03/05/2014.

domingo, 4 de maio de 2014

Diário - Cinema - Noé


Diário - Cinema - Noé


“Noé” é um filme que conta uma história inspirada no patriarca bíblico, que permitiu à humanidade sobreviver ao dilúvio. O filme não busca ser fidedigno à Bíblia, mas mostra o que pode ser a vida de um homem chamado por Deus para alguma tarefa em especial.


É um filme que busca atualizar a história bíblica. Nesse aspecto, me parece que ele valoriza bastante a questão da ecologia. A Terra pela qual Noé vagueia é um planeta devastado, com meio ambiente em crise.


Também é um filme que procura ser adequado à mentalidade do século XXI. Isto é, não há nenhuma manifestação inequívoca de Deus, como há, por exemplo, no filme “Os Dez Mandamentos” (aquele do Cecil B. de Mille, com o Charlton Heston como Moisés). As possíveis teofanias do filme, podem ser interpretadas como teofanias ou não, ao gosto da plateia.


Essa coisa de mentalidade do século XXI leva a personagem a extremos. Noé tem sonhos e visões, é assombrado por elas, mas curiosamente, este profeta não ora. Ou como diriam outros, “não reza”. Vale lembrar que o Abraão da versão do John Huston no filme “A Bíblia” (Estados Unidos, 1966) ora, reclama com Deus, quando Deus exige que Abraão sacrifique seu filho Isaque.


Mas sem dúvida, os autores levaram ao extremo neste filme os versos da Bíblia que dizem que Deus se arrependeu de ter criado o homem (Gênesis 6:5-8).


O que enfraquece o filme é a atuação de Russell Crowe nas sequências finais do filme. Seriam cenas de grande dramaticidade, mas o ator não se mostra à altura delas. Reconheço que é uma situação extrema. O ator precisa ao mesmo tempo encarnar um ser humano com muita fé, mas que não seja simplesmente um fanático religioso louco. Não deve ser fácil.


É um filme regular. Menos que bom. Mas não chega a ser ruim.

03/05/2014.