quarta-feira, 30 de julho de 2014

Diário - cinema - O Planeta dos Macacos, o Confronto


Diário - cinema - O Planeta dos Macacos, o Confronto


Em "O Planeta dos Macacos, o Confronto" ("Dawn of Planet of the Apes", Estados Unidos, 2014) temos a continuação da história de "O Planeta dos Macacos, a Origem", de 2011.


Nesse caso, a comunidade dos macacos que se instalou na floresta nos arredores de San Francisco no final do filme anterior, cresceu e prosperou, enquanto a humanidade foi mais que dizimada por conta da "gripe símia", que praticamente acabou com o auge de civilização que os seres humanos haviam construído no início do século XXI.


Apesar disso, alguns humanos resistiram à epidemia, e procuram recursos para tentar reconstruir seu estilo de vida. Com isso, um grupo de sobreviventes tenta reativar uma pequena hidrelétrica para fornecer energia para o que sobrou da cidade de San Francisco. Esta hidrelétrica está dentro do território ocupado pelos macacos, o que vai gerar o confronto declarado na tradução do título em português.


Este filme tem duas coisas que o tornam um bom filme. Uma é o ar de tragédia que se coloca.


Tanto os macacos quanto os humanos estão em busca de sua sobrevivência e prosperidade, mas quando os dois grupos se encontram, as coisas se encaminham como se um confronto fosse mesmo inevitável. Há fanáticos e moderados dos dois lados.


A outra coisa é a fantasia suscitada. E se os seres humanos tivessem que enfrentar um outro animal social tão inteligente quanto eles, os seres humanos, mas mais fortes fisicamente, em sua luta pelo domínio do restante da natureza? Esta pergunta já se fazia na série original de filmes do planeta dos macacos no final dos anos 1960, mas ali, os macacos eram basicamente seres humanos vestidos como macacos. Na atualização da série, os macacos parecem mais macacos mesmo, com a observação do comportamento dos primatas e a tentativa de reprodução desses comportamentos, basicamente chimpanzés. A situação parece bastante assustadora.


É um bom filme. Um filme de aventura, portanto não se espere grandes atuações dramáticas, mas diverte e, talvez, possa fazer pensar.



24/07/2014.

Diário - cinema - Transformers, A Era da Extinção


Diário - cinema - Transformers, A Era da Extinção



"Transformers, A Era da Extinção" é o quarto episódio da série de filmes iniciadas em 2007, com os robôs que se transformam em automóveis, caminhões, aviões,equipamentos eletrônicos e qualquer coisa que a imaginação humana possa conceber.


Neste episódio, alguns anos após a destruição de Chicago mostrada no filme anterior (“Transformers, O Lado Oculto da Lua”), os transformers, tanto os autobots quanto os decepticons, estão sendo caçados, mortos, digamos assim, e reciclados, por uma agência de segurança americana, com a ajuda de um transformer que pode se transformar em um canhão. Os autobots estão foragidos e escondidos.


É nesse ambiente que Cade Yeager, personagem encarnado por Mark Wahlberg, um inventor fracassado do Texas acaba por encontrar e reativar o líder dos autobots, Optimus Prime.

E aí temos a desculpa para batalhas, explosões,  e perseguições que tornam esse tipo de filme diversão garantida.


Este filme tem algumas particularidades, por exemplo, a troca do protagonista, de Shia Labeouf para Mark Wahlberg, já torna o filme uns 50% melhor.


A presença da CIA, com a equipe de extermínio de transformers torna o filme mais sombrio e adulto. Assim como Labeouf, neste filme não temos a atuação cômica de John Turturro, como um atrapalhado agente do governo americano.


E temos Stanley Tucci como o empresário Joshua Joyce, cuja indústria recicla os transformers. Tucci é sempre um ótimo ator coadjuvante.


Apesar do diretor Michael Bay ainda usar trilhas sonoras grandiloquentes e abusar de câmeras lentas, ele está usando os recursos com um pouco mais de moderação.


Por fim, e não menos importante, temos a presença do dinobots, isto é, robôs imensos que se transformam em dinossauros.


Além disso, o filme tem coprodução chinesa, o que faz com que parte das filmagens seja em Hong Kong (ou, pelo menos, pareça ser em Hong Kong) e que os chineses não façam má figura quando em cena.


Ainda: logo no início do filme ficamos sabendo que os dinossauros não foram extintos pela queda de algum meteoro na Terra há milhões de anos, como é comumente divulgado, mas porque alienígenas bombardearam o planeta para a produção do mineral raro ou liga "transformium".


Filme divertido, apesar das mais de duas horas e meia de projeção.


E pensar que tudo isso começou com uma fábrica de brinquedos - a Hasbro - que criou os robozinhos que se transformavam em veículos, e depois produziram umas animações para crianças, e aqui estamos...


24/07/2014.


terça-feira, 29 de julho de 2014

Minha relação com uma locadora de automóveis


Minha relação com uma locadora de automóveis




Eu sou cliente de uma locadora de automóveis. Os preços são razoáveis. Os automóveis são passáveis, embora um pouco mais velhos que nas locadoras mais, digamos, tradicionais.


A locadora está localizada na zona norte de Porto Alegre. O que é bem adequado. O aeroporto fica na zona norte da cidade. A rodoviária da cidade é central, mas está mais voltada para a zona norte da cidade que para a zona sul.


Eu moro na zona norte de Porto Alegre, portanto faz sentido ser cliente de uma locadora que fica na zona norte da cidade.


Eu tenho um carro velho, e não me animo a querer viajar com ele. Por outro lado, diante dos preços dos automóveis nacionais, também não me animo a entrar em financiamento ou consórcio para adquirir um carro novo. Assim, quando quero viajar de carro, alugo um.


O atendimento, quando chego à loja da autolocadora costuma ser gentil, mas é altamente contraditório.


Explico: meu primeiro contato com a tal locadora foi através da Internet. Obviamente por meio de pesquisa sobre autolocadoras em Porto Alegre. A locadora tinha um saite direitinho, no qual se poderia inclusive fazer a reserva do automóvel. Fiz, e aguardei o contato de confirmação, como normalmente se faz em compras pela Internet. E aguardei. E aguardei. Após dois dias de espera, liguei para a locadora para saber como andava o processo da reserva. Responderam que não andava, isto é, a pessoa que me atendeu disse que não havia um pedido meu na locadora. Então, ou os pedidos pela rede não funcionavam, ou ninguém havia percebido que havia um pedido através da rede. A reserva acabou sendo feita pelo telefone mesmo.


Um tempo depois, eu fui fazer uma nova locação. Telefonei para fazer uma reserva, mas me disseram que eu deveria ir até a loja. Fui à loja. Era verão, estava quente, eu estava de férias, e vestido com bermuda, camiseta, e óculos escuros. Acho que quem me olhou à porta não gostou do que viu. Pelo interfone, me perguntou o que eu desejava, e eu informei que desejava alugar um carro. A pessoa disse que eu deveria telefonar. Eu respondi a ela que havia telefonado, e me disseram para comparecer à loja. Afinal, a pessoa abriu a porta, e pude alugar o carro. Foi então que os funcionários se deram conta que eu já era cliente.


Com base nessa experiência, mais recente, resolvi telefonar novamente manifestando meu interesse em locar outra vez um automóvel deles. Liguei, e a moça que me atendeu me informou um determinado valor, mais ou menos uns 20% acima dos valores mostrados no saite da empresa. Assim, eu questionei os valores que a moça informou, citando o saite. Ela disse, então, que eu deveria fazer a reserva pelo saite. Bem, levando em consideração a experiência pregressa com o saite da empresa, eu acabei dizendo que iria à loja da locadora na manhã do dia seguinte. Ela disse, que então, tudo bem. Abriria às oito da manhã.

Espero que ao chegar lá, ninguém me peça para tratar o assunto pelo telefone.




29/07/2014.


Atualização: fui à loja. A funcionária informou que os modelos mais simples e baratos não estavam disponíveis para o período que eu queria alugar. Por isso os preços mais caros informados ao telefone. Menos mal.

31/07/2014.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Diário - cinema - Como Treinar Seu Dragão 2


Diário - cinema - Como Treinar Seu Dragão 2



"Como Treinar Seu Dragão 2" é, como se poderia imaginar, a segunda aventura de Soluço ("Hiccup"), um jovem viking, e seu dragão, chamado "Banguela".


Se no primeiro filme, Soluço estava tentando acabar com a inimizade entre humanos e dragões na sua aldeia de Berk, agora ele está tendo que enfrentar o desejo de seu pai de assumir mais responsabilidades na liderança da aldeia. Além disso, está expandindo seu mundo em vôos exploratórios para além do que eram os limites conhecidos pelo seu povo. E de quebra tem que enfrentar um outro "treinador" de dragões.


É uma aventura legalzinha. Fala dos desafios de entrar na idade adulta, da maneira como resolver diferenças e enfrentar dificuldades, toda essa série de coisas. Diversão e emoção.

Contudo, não foi algo que me levasse a dizer "ah! este é um bom filme!". É razoável. Mas, embora bem produzido, eu saí do cinema com aquela sensação de "eu esperava mais desse filme".


17/07/2014.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Fim de Copa do Mundo de Futebol no Brasil


Fim de Copa do Mundo de Futebol no Brasil


E neste domingo, dia 13 de julho, acabou a Copa do Mundo de Futebol de 2014, realizada no Brasil.

Eu achei ótimo que o Brasil tenha recebido a Copa, apesar do coro derrotista puxado pela nossa imprensa oposicionista, liderada pela revista Veja, que previu estádios prontos para 2038.

É isso. Houve um monte de gente que achou que essa era a "Copa do Mundo do PT", e portanto estava fadada ao fracasso, e a presidente da república, do PT, precisava ser hostilizada sempre que possível, por conta disso. Por isso as vaias na abertura, os xingamentos, e agora as vaias no encerramento da Copa. Tais seres primitivos provavelmente devem achar que a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, estava vestida de vermelho na partida final para agradar, e dar uma força aos petistas.

Sobre esses eu gostaria de evocar a sabedoria do humorista José Simão, a Copa é do Brasil, não é do PT. A seleção brasileira não é o governo, nem o governo é a seleção brasileira, e o jogo de futebol não é culpado das mazelas do Brasil. Aliás, ainda falando de José Simão, ele resume a política do Brasil com a seguinte frase "não tem virgem na zona", ou seja, nem governo nem oposição estão acima de corrupção no Brasil.

É necessário deixar os babões ansiosos por vaias e xingamentos para trás.

A Copa se finalizou com um jogo eletrizante, truncado, jogado no peito e na raça, entre Alemanha e Argentina. A Alemanha venceu por um a zero, com um golzinho no segundo tempo da prorrogação. Venceu como poderia ter perdido. Foi um belo jogo.
Para mim a Copa já havia terminado há alguns dias, depois que terminaram os jogos na sede de Porto Alegre. Assim, assistir ao jogo no Rio de Janeiro não foi muito diferente de ver uma final em Joahnnesburgo, como em 2010, ou uma final em Berlim, como em 2006.

A Alemanha venceu e eu aplaudi diante da tela de minha televisão.

Que legal!

Que pena que terminou!




13/07/2014.

O desempenho do Brasil na Copa no Brasil


O desempenho do Brasil na Copa no Brasil



O Brasil terminou em quarto lugar na Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil.

E isso é um pouco uma ironia. O Brasil perdeu por sete a um para a Alemanha. E acabou por levar três gols da Holanda na disputa do terceiro lugar. Esta equipe de Brasil é inferior à equipe de 2010, e muito inferior à equipe de 2006.

Quando a Copa iniciou eu achei que tínhamos uma equipe fraca, e que, se chegasse a ser campeã, o seria aos trancos e barrancos. Acho que poderia acontecer. A equipe da Argentina de 1990 era fraca, mas tinha Maradona, e chegou à final, desclassificando o Brasil num jogo que o Brasil jogou muito melhor. A equipe brasileira era menos organizada que a chilena ou a colombiana, e acabou por desclassificar a ambas. A Holanda meteu cinco gols na Espanha, e sofreu para a vencer a Austrália. A Alemanha enfiou quatro gols em Portugal e empatou com Gana. Isso demonstra como eu achava que o Brasil tinha possibilidade de vencer, ainda que remota.

Depois da estrondosa derrota contra a Alemanha, a imprensa e os opinionistas em geral começaram excomungar o Felipão como técnico ultrapassado, e os dirigentes do futebol profissional do Brasil como atrasados e corruptos. Mas eu não sei. Para mim parecia evidente que o time do Brasil era fraco. Não passou por eliminatórias que, bem ou mal, servem como treinamento para a equipe no caminho para uma Copa do Mundo. Com Mano Menezes como técnico, a seleção brasileira não conseguiu vencer a Copa América, e conseguiu o prodígio de perder para o Paraguai nas quartas de final nos pênaltis, errando todas as cobranças de pênalti. E nos amistosos houve jogos seleções inexpressivas, como Honduras, China, Zâmbia.

E o Brasil começou a jogar mais ou menos nesta Copa. Não enchia os olhos, mas não era ruim. Era emocionante, para não dizer outra coisa. O Brasil jogou assim contra Croácia, contra México, contra Camarões, jogou melhor contra o Chile, embora pudesse ter perdido ali, jogou melhor contra a Colômbia. E ali perdeu Neymar e Tiago Silva.

Depois daquele jogo, a semifinal contra a Alemanha. Eu imaginei algo como colocar Wiliam no lugar de Oscar, e Oscar no lugar de Neymar. Além da substituição óbvia de Dante no lugar de Tiago. Esta aconteceu. Mas Felipão escalou Bernard no lugar de Neymar. Eu achei estranho quando entraram no gramado, mas era o que estava lá. E dez minutos após o início do jogo, gol da Alemanha. E aí, foi o que vimos, sete a um para a Alemanha. Muito se falou a respeito disso, mas me pareceu que a melhor explicação mesmo ficou com Tom Gibbs, que escreveu para o britânico Daily Telegraph, que teve uma tradução passável no blog do Luís Nassif. A Alemanha era superior ao Brasil, mas não era tão superior assim, assim como a Espanha pode até ser inferior à Holanda, mas não para digamos, merecer, perder por cinco a um. São placares estranhos e incomuns, que ocorrem excepcionalmente.

A derrota do Brasil para a Holanda, a seguir, foi um pouco rescaldo da semifinal. E demonstração que a equipe holandesa era melhor organizada que a brasileira. E de quebra teve uma pequena ajuda da arbitragem.

Acredito que o futebol no Brasil não vai mudar. Continuarão esses dirigentes, e esses técnicos, e a seleção será como tem sido, com a principal emissora de TV do país fazendo um oba-oba enquanto o país vai vencendo, mesmo sem convencer, e lamentando e se queixando nas derrotas. Eventualmente o país consegue vencer uma competição.



13/07/2014. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Brasil sofre derrota catastrófica para a Alemanha

O Brasil sofreu uma derrota catastrófica e histórica para a Alemanha. Alemanha 7, Brasil 1, sendo que eu acredito que o gol que o Brasil fez, no final do jogo, foi um gol no qual os defensores alemães fizeram corpo mole. 
Desde o início eu achava que, se o Brasil pudesse ser campeão, isso seria aos trancos e barrancos. E achava que a Alemanha era favorita hoje, ainda mais depois das perdas de Neymar e Tiago Silva, e esperava que o Brasil não sofresse uma goleada. 
Sofreu. Humilhante e histórica. A maior goleada já sofrida pelo Brasil. A maior goleada já sofrida por uma seleção em semifinais.
Infelizmente aconteceu.
Talvez, até como consequência desse jogo de hoje, o Brasil não consiga se recuperar até sábado e fique com o quarto lugar na Copa do Mundo mesmo. Como em 1974.
Essa seleção é a mais fraca que eu me lembre desde eu comecei a prestar atenção em Copas do Mundo, isto é, desde a Copa de 1974. Conseguiu ir mais longe que as equipes de 2006 e 2010 que eram times melhores. 


Sobre outono e inverno de 2014


Pensando no outono e no inverno deste ano de 2014, em Porto Alegre, no hemisfério sul: até agora foram muito poucos dias de frio mesmo. Talvez uns quatro ou cinco, incluindo estas segunda e terça-feira (7 e 8 de julho).

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Para não esquecer: a semana passada poderia ser chamada de veranico


Para não esquecer: a semana passada poderia ser chamada de veranico



É isso aí, para não esquecer. A semana passada foi de uma espécie de veranico aqui em Porto Alegre, quando deveríamos estar em pleno inverno.
Foi uma semana extremamente úmida, mas sem temperaturas baixas, isto é, sem termperaturas de inverno, por assim dizer.
De quebra, no sábado, 05/07/2014, a temperatura foi a 29ºC, com sol forte. Um autêntico veranico, em julho de 2014.
Como diz o Emílio Pacheco, o veranico de julho quase sempre vem...



07/07/2014.

Copa do Mundo vai entrando na fase final


Copa do Mundo vai entrando na fase final



E a Copa do Mundo entra na reta final.


Amanhã começam as semifinais, e a Copa do Mundo de Futebol de 2014 termina no próximo domingo. Foi bom enquanto durou. Pena que durou tão pouco.


Especialmente bom, por exemplo, foi ver França e Alemanha se defrontarem num campo de futebol, em lugar de por meio de tropas, nos arredores de Paris, na Alsácia, ou violando a soberania da Bélgica, como há 144, ou há 100 anos, ou há 75 anos. Ou seja, que evolução civilizacional sair da guerra de fato, para uma guerra simbólica, uma luta lúdica, que foi o que aconteceu no Brasil, quando esses países se enfrentaram na fase das quartas de final. Apesar da valentia, a França foi derrotada e voltou para casa.


Depois de vencer a Colômbia com algum sofrimento, o Brasil enfrenta amanhã esta Alemanha que venceu a França. Parece vantagem pois a França despachou o Brasil em 1986 e 2006, além de ter derrotado o Brasil na final de 1998.


Mas como o Brasil perdeu Neymar, lesionado com fratura na coluna no jogo contra a Colômbia, e o seu capitão, Tiago Silva, suspenso pelo segundo cartão amarelo, e como a Alemanha tem regularidade e sangue frio para o futebol, me parece que, apesar do Brasil estar jogando em casa, a Alemanha é franca favorita para amanhã.


Na outra semifinal, Argentina e Holanda se enfrentam.


Ou seja, nesta fase final da Copa, ficaram seleções que já foram campeãs mais de uma vez, mais uma que foi vice-campeã três vezes. Destas, acredito que qualquer uma pode ser campeã. Espero que o Brasil vença. Mesmo que eu ache que a melhor equipe é a da Alemanha.



07/07/2014.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Teve Copa do Mundo em Porto Alegre


Teve Copa do Mundo em Porto Alegre



E ontem, 30 de junho de 2014, foi o último jogo de futebol acontecido em Porto Alegre, pela Copa do Mundo que ora se realiza no Brasil.
Pois é. Teve Copa em Porto Alegre.
E, à medida que mais da metade do evento esportivo já se foi, pode-se ver que o caos iminente que era anunciado não se concretizou. Pelo menos até agora.
Os aeroportos e rodoviárias funcionaram. Os serviços de hospedagem deram conta do recado.
Em Porto Alegre foram anunciadas uma série de “obras de mobilidade” para dar mais fluidez ao trânsito. Estas obras incluíam viadutos e passagens subterrâneas (que são mais ou menos como viadutos), reformas nos corredores de ônibus para instalação de “linhas rápidas” (o que parece significar ônibus maiores em menor número para que a linha possa se tornar rápida de fato), e duplicação de avenidas.
Os viadutos e passagens subterrâneas estavam em grande parte relacionados à chamada “Terceira Perimetral”, um conjunto de avenidas que ligam as zonas sul e norte da cidade. Passagem subterrânea na Avenida Ceará, passagem subterrânea na Avenida Cristóvão Colombo, passagem subterrânea na Rua Anita Garibaldi, viaduto na Avenida Bento Gonçalves. Muito se comentou sobre um viaduto ou uma passagem subterrânea na Avenida Plínio Brasil Milano, mas esta obra, se realmente estava incluída entre as tais obras de mobilidade, nem foi iniciada.
Destas obras da Terceira Perimetral, nenhuma foi concluída. O viaduto da Bento Gonçalves está sendo erguido, e dá a impressão que possa ser concluído até, talvez, o final deste ano, ou no início do próximo. As demais, isto é, todas as passagens subterrâneas, estão interditadas, e as obras parecem evoluir a passos de cágado.
Ainda na zona norte estava previsto que a Avenida Severo Dullius fosse estendida até a Rua Dona Alzira, criando um atalho para ligar os bairros Anchieta e Sarandi.
Não parece que esta obra esteja em execução.
Além destas, havia o viaduto do entorno da rodoviária, o viaduto Pinheiro Borda, a duplicação da Avenida Beira-Rio, a duplicação da Avenida Moab Caldas, mais conhecida como Avenida Tronco, e as reformas dos corredores de ônibus.
O viaduto do entorno da rodoviária ficou pronto. Na verdade, a impressão é que foi aberto ao trânsito inacabado. Apesar disso, com sua abertura, o usual congestionamento da Avenida Júlio de Castilhos foi aliviado. Mas continua um funil no encontro do trânsito vindo da Avenida Farrapos, através da Rua Conceição, ou Largo da Rodoviária, e o trânsito de quem chega ao centro da cidade vindo da Avenida Castelo Branco. Este novo viaduto também cortou a Avenida Coronel Vicente, dificultando um pouco a ligação entre a parte baixa e a parte alta do centro de Porto Alegre. O antigo cruzamento da saída da Júlio com o Largo da Rodoviária ainda precisa ser reformado, e o canteiro de obras da construtora desmontado.
O viaduto Pinheiro Borda ficou pronto, melhorando o trânsito de quem vem da zona sul da cidade para o centro. Bem como o corredor de ônibus da Avenida Padre Cacique. Dá vontade de dizer: “Aleluia!” Contudo ainda não há a prometida linha rápida de ônibus ali.
A Avenida Beira-Rio também foi duplicada, não sem alguma polêmica, como o corte de uma série de árvores. A prefeitura informou que novas mudas seriam plantadas como compensação.
A Avenida Tronco teve obras iniciadas e foi duplicada em parte, mas a obra parou, ou diminuiu seu ritmo, por conta de desapropriações e das indenizações a serem pagas aos moradores que devem ser deslocados.
Os corredores de ônibus que deveriam ser reformados estão com obras paradas ou quase, parecendo ruínas de um desmanche. Isso acontece tanto no corredor da Avenida Protásio Alves, quanto no da Bento Gonçalves-João Pessoa, penalizando o trânsito ao seu redor, uma vez que os ônibus precisam se misturar ao tráfego comum, em lugar de usar suas pistas exclusivas.
Como foi dito, o aeroporto e a rodoviária deram conta do recado para a chegada de turistas.
O aeroporto de Porto Alegre é sujeito a neblinas no inverno, como é o caso durante a ocorrência da Copa. Por conta disso, em muitas manhãs é mais ou menos comum que o tráfego aéreo fique interrompido. Isso poderia ter sido sanado para a Copa do Mundo, com sistemas de navegação por instrumentos habilitando os pousos e decolagens mesmo em condições climáticas adversas. Isso não aconteceu. Aqui se juntaram a incapacidade governamental com o desinteresse das empresas aéreas em instalar equipamentos nos aviões e treinar suas tripulações para isso, situação que ocorre em alguns dias, durante três ou quatro meses no ano.
Nossa rodoviária não teve reformas, mas atendeu turistas e nativos como tem feito desde que foi inaugurada há mais de 40 anos.
Os serviços de hospedagem deram conta do recado. Mas foi possível constatar que o público estrangeiro foi rápido nas estadias. Assim, a pessoa chega à cidade na véspera do jogo da seleção de seu país, e vai embora ao final do jogo, ou, eventualmente no dia seguinte. Pode até gastar na cidade nos dias em que fica, mas fica pouco.
O taxista e cronista Mauro Castro insinuou em seu texto publicado ontem no jornal Diário Gaúcho que a Copa havia trazido mais prejuízo que lucro aos taxistas de Porto Alegre. Bloqueios de ruas, congestionamentos, e poucos turistas transportados. Com o infame trocadilho, foram turistas passageiros. Como diz Castro, os taxistas de Porto Alegre, quase nem tiveram oportunidade de praticar o inglês oferecido em cursos pela prefeitura.
Por outro lado, parece que os estabelecimentos comerciais da Cidade Baixa, na Rua Lima e Silva e arredores, viveu dias de sucesso. Tanto para no horário de almoço, quanto para as baladas noturnas. De fato, por ali passaram franceses, holandeses, australianos, argentinos, e, em menor número, coreanos, argelinos, hondurenhos, nigerianos e outros.
A segurança durante o evento foi reforçada. Dois mil policiais foram deslocados do interior do estado, para o policiamento ostensivo em Porto Alegre. Eu descobri nesta Copa que a polícia militar do Rio Grande do Sul, a Brigada Militar, tem um esquadrilha de helicópteros, pronta para reforçar a vigilância sobre a cidade. A Polícia Federal escoltava as seleções nacionais em seus deslocamentos. E a Marinha, junto com a Polícia Federal, patrulhava o Lago Rio Guaíba, que banha a cidade. A Polícia Civil deslocou um ônibus que serviu como delegacia móvel para próximo do estádio. E a Brigada manteve ônibus como centros de informações em pontos estratégicos da cidade. Em espanhol e inglês, além do português. Nunca fomos tão cosmopolitas. E nunca estivemos tão seguros. Nem consigo imaginar que estaremos tão seguros novamente em futuro próximo.
Não que não tenham ocorrido contratempos. Alguns roubos, pequenas brigas, mas nada que se possa dizer que foi uma catástrofe em termos de segurança pública.
É. Os torcedores, os fãs de futebol e festa que estiveram por aqui coloriram e alegraram a cidade. Foi especialmente notável a presença dos holandeses, que formou uma massa laranja, tanto na concentração no Largo Glênio Peres, ao lado do Mercado Público, que eles transformaram numa “Orange Square” (“Praça Laranja”), quanto em sua movimentação até o Estádio Beira-Rio, através da Avenida Borges de Medeiros. Junto com eles os australianos, em grande número, e vestidos de verde e amarelo, coincidentemente, também as cores nacionais do Brasil.
Depois os argentinos transformaram Porto Alegre em mais uma cidade platina. Vieram em grande número, o jornal Correio do Povo chegou a estimá-los em 100 mil em Porto Alegre, e se espalharam pela cidade, ficando em hotéis, pousadas, imóveis alugados, em casas de conhecidos, acampados em parques, e mesmo dormindo nos automóveis.
Por fim, vieram os alemães. A Alemanha disputou oitavas de final contra a Argélia, na última partida da Copa disputada no Beira-Rio. Vieram os torcedores alemães. Que por aqui se encontraram com os alemãos e alemoas aqui do Rio Grande do Sul. Afinal, o Rio Grande do Sul é berço de ampla imigração de origem alemã, desde os primeiros vindos lá por 1824, para onde hoje é a cidade de São Leopoldo. Há inúmeras cidades de colonização alemã por aqui que tem tentado manter as tradições ancestrais, algumas cujo nome indica a origem, como Novo Hamburgo ou Teutônia, ou Westfália, cidadezinha que um diário daqui mostrou ontem. Alemães também invadiram Porto Alegre.
A propósito, foi uma bela sacada apelidar a Avenida Borges de Medeiros de “Caminho do Gol”. Uma avenida que liga o centro da cidade ao estádio, só poderia mesmo receber este apelido. Sinalizada com placas e bandeiras, nos dias de jogos recebia espécies de portais coloridos indicando o caminho. Caminho do gol.
E tivemos partidas espetaculares: França 3, Honduras zero; Holanda 3, Austrália 2; Argélia 4, Coreia do Sul 2; Argentina 3, Nigéria 2. Média de quase cinco gols por partida na fase de grupos. Mais Alemanha 2, Argélia 1, nas oitavas, em uma partida de 120 minutos. Não houve falta de gols, nem de emoção nos jogos realizados em Porto Alegre.
Passou uma Copa do Mundo de Futebol por aqui. Pena que, para nós, acabou.




01/07/2014.