quarta-feira, 15 de abril de 2015

Para não esquecer Eduardo Fösch dos Santos


Para não esquecer Eduardo Fösch dos Santos





Hoje estive em uma manifestação em frente à Assembleia Legislativa, aqui do Rio Grande do Sul.


Era mais uma manifestação para manter viva a memória de Eduardo Vinicius Fösch dos Santos, um jovem, filho de pai negro e mãe branca, mulato portanto, de tez negra, negro portanto, falecido muito prematuramente após uma festa em um condomínio chique na zona sul de Porto Alegre. Voltaremos a isso.





A manifestação reuniu amigos de Dudu, como ele era carinhosamente lembrado, mais parentes e amigos dos pais. Cerca de 100 pessoas.


A manifestação foi marcada para aquele local, pois a família iria entregar à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos um pedido para acompanhar o inquérito que apura responsabilidades pela morte do rapaz.


A manifestação estrangulou o trânsito na Rua Duque de Caxias. Uma faixa denunciava o caso de um menor de idade ter sido assassinado num condomínio de alto padrão na zona sul da cidade.


E os manifestante pediam em coro, "Justiça prá Dudu" e "Queremos a verdade, não à impunidade".


De fato, o pedido foi entregue ao Deputado Catarina Paladini, Presidente da Comissão, um pouco antes das nove da manhã, com o que, nós, os manifestantes, nos dispersamos. Eu soube depois que cópias dos pedidos foram entregues aos deputados Pedro Ruas e Manuela D'Avila.


Na noite de 27 de abril de 2013, Eduardo Vinicius Fösch dos Santos foi com amigos a uma festa no condomínio Jardim do Sol, na zona sul de Porto Alegre. Rapaz inteligente, comunicativo e carismático, calhou de ser o único adolescente com pele negra, entre cerca de 150 outros jovens de classe média e média alta naquela festa.


No dia seguinte, na manhã de domingo, a vizinha da casa onde a festa foi realizada encontrou o jovem desacordado em seu pátio. Chamou o Serviço Assistência Médica de Urgência, o Samu, e teve a perspicácia de registrar o incidente com fotos, e o atendimento médico em vídeo.


Após nove dias internado na UTI do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, ele veio a falecer em 06 de maio de 2013.

Três delegados de polícia investigaram o caso, e chegaram à conclusão que Eduardo foi vítima de um acidente, e não apontaram responsabilidades.


Já um perito aposentado, contratado pela família, Celso Menezes Danckwardt, emitiu um laudo em que constatou lesões nas mãos, possivelmente decorrentes de envolvimento em luta corporal, sinais de chute no tórax, e marcas de uma pancada na cabeça produzida por objeto contundente. A partir deste laudo, o caso passou para o Ministério Público Estadual em junho de 2014. O Ministério Público pediu novas averiguações à polícia, e vem conduzindo sua própria investigação através de promotoras.


Mas a apuração parece lenta, motivo pelo qual, a família foi relatar o caso à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.


Veremos o que acontecerá nos próximos dias. Aguardemos que as autoridades possam esclarecer o que cerca a morte de um rapaz que se foi cedo demais.


Repetindo um chavão, Eduardo tinha toda uma vida pela frente...


Para saber mais:


- No Sul21: Família e amigos buscam esclarecimento sobre morte de jovem negro após festa em condomínio de luxo em Porto Alegre - http://www.sul21.com.br/jornal/familia-e-amigos-buscam-esclarecimento-sobre-morte-de-jovem-negro-apos-festa-em-condominio-de-luxo-em-porto-alegre/


- Em Zero Hora: Família quer reabrir investigação sobre morte de adolescente durante festa na Capital - http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/05/familia-quer-reabrir-investigacao-sobre-morte-de-adolescente-durante-festa-na-capital-4509780.html




- No Otramérica (em espanhol): ¿Por qué murió Eduardo Fösch? - http://otramerica.com/temas/por-murio-eduardo-foesch/3303


A foto de Eduardo Fösch é do acervo familiar, reprodução de foto para o ensino médio.
A foto da manifestação foi tirada pelo blogueiro.

Correção: Havia sido escrito aqui que o condomínio onde ocorreu o inicidente se chamava Chapéu do Sol. É condomínio Jardim do Sol. A correção foi feita.

15/04/2015.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Fim do Folhetim de Oscar Bessi - "Leão nas Dunas"


Fim do Folhetim de Oscar Bessi - "Leão nas Dunas"


Pois chegou ao fim o folhetim, a novela em capítulos publicada em um blogue na Internet, "Leão nas Dunas".


Como eu disse, não é uma obra prima, mas é divertida, e prende a atenção. O autor teve a inteligência de criar capítulos curtos, divulgando a obra ao ritmo de um capítulo por dia.


Qualquer porto-alegrense vai logo se identificar a história, com aquele início meio bizarro, de um detetive particular investigando um caso de adultério, e quase sendo assassinado logo no início da história, e isso num final de ano, provavelmente no final de 2014, e início de 2015.


E logo este detetive tem um novo contrato de investigação, de roubo de um notebook no litoral, na cidade de Tramandaí.


E quem for um pouco mais velho, vai ficar impressionado que Edgar Leão, o personagem principal, em pleno século XXI viaje para o litoral num Ford Maverick, um automóvel presumivelmente com mais de quarenta anos.


Leão é um cara rebelde, ex-policial civil, apaixonado por uma brigadiana (isto é, uma policial militar do Rio Grande do Sul), que abandonou a polícia por conta de sua rebeldia e insubmissão. Tem como sócio, Simão, um brigadiano aposentado (ou reformado). E tem um irmão de criação que continua como delegado da polícia civil.


Como eu disse, a história em si começa com a investigação do roubo de um notebook, e por conta disso, Edgar Leão se vê envolvido com tráfico de drogas, exploração de prostituição e outras coisas do submundo, entre Porto Alegre e Tramandaí. Com algumas reviravoltas.


Pode ser que o final não seja surpreendente, ou magistral, mas se chega a ele com facilidade. O escritor cumpriu a função de contar sua história.


Era isso.


Veremos o que mais vem por aí.





13/04/2015.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

E morreu Eduardo Galeano...


E morreu Eduardo Galeano...


E morreu Eduardo Galeano.


O escritor uruguaio tinha 74 anos e sofria de um câncer que, afinal, o levou.


Sua obra "As Veias Abertas da América Latina" se tornou um clássico do pensamento esquerdista na América do título, e mesmo para além dela. Por exemplo, a obra ficou entre as dez mais vendidas na Amazon, depois que o então líder venezuelano, Hugo Chavez, deu um exemplar a Barack Obama, em 2009.




Contudo, nos necrológios publicados hoje, é informado que o autor estava enfadado da sua obra mais famosa. Diz que se a tivesse que ler novamente, desmaiaria morto, possivelmente de tédio.


Pois é, mudou o homem, mudamos todos. Mas, infelizmente esta obra, “As Veias Abertas da América Latina”, continua atual, apesar de seus mais de 40 anos desde a primeira publicação.


Mas Galeano foi escritor de várias obras, um contador de histórias, que publicou mais coisas sobre a América Latina, e também sobre futebol, e ainda um livro dedicado à memória de mulheres, que ele ajudou a tornar ilustres.


Ou seja, foi-se o homem, mas ainda há uma obra que continuará viva.


13/04/2015.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Diário - teatro - Stomp


Diário - teatro - Stomp


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O grupo britânico Stomp está em Porto Alegre para apresentar seu show.


Eu coloquei "teatro" no título deste texto, mas o show é basicamente de música e dança.


Uma música bastante básica, primitiva, somente percussão e ritmo, mas bastante envolvente, empolgante mesmo para parte da audiência.


E a peculiaridade deste grupo é que eles extraem a sua música de objetos comuns do nosso cotidiano, além do próprio corpo. Isto é, os ritmos são compostos de palmas, sapateado, estalar de dedos; e da batida de vassouras, panelas, caixas de fósforo, latas de todo tamanho, toneis de metal ou de plástico. Mesmo de sacos plásticos e de carrinhos de supermercado os componentes do grupo extraíram ritmo. E talvez o mais surpreendente tenha sido o aparecimento no palco de pias de cozinha, sempre gerando esta música primitiva.


Tudo com muita dança (os artistas devem ter um grande dispêndio de energia durante o show), e temperado com algumas esquetes humorísticas.


Mas melhor do que escrever ou falar é ir assistir.


Até esta sexta, 10, no Teatro do Bourbon Country.

09/04/2015.