sábado, 30 de maio de 2015

Sábado de outono, mas ainda parecia verão


Sábado de outono, mas ainda parecia verão


Então é assim: precisamos ir ao centro acertar aquele vale-compras de material de construção que vai vencer. Vamos. A loja fecha azuma da tarde. Convém não dormir demais. Ok. E lá fomos nós. Entramos na loja em horário ainda adequado. Trocamos o vale-compras por uns ventiladores de teto para colocar no apartamento novo. Foi o vale-compras e mais uns trocados, pedalados no cartão de crédito, afinal o que seria de nossa vida sem o crédito, não é mesmo? Tudo acertado com o vendedor Jerônimo. Vamos voltar para casa. Mas ela diz: vamos pegar o catamarã e ir a Guaíba, do outro lado do Rio Guaíba (que a turma agora inventou que é lago...)? Vamos. Por que não? E lá fomos, caminhando pela Júlio de Castilhos até o cais central, para pegar o catamarã para Guaíba. No caminho eu quis tirar fotos. Fotos da cidade. Os registros banais que fico repetindo e repetindo. Ih, mas o cartão de memória está quase cheio, preciso apagar algumas. Droga. Apago justamente as que acabei de tirar. Burro! Não importa. Importa pegar o barco. Embarcar no barco. Sete pila para cada um, e lá vamos nós. O barco é estável e confortável. Rápido. Com ar condicionado e internet sem fio. Uns dez minutos após sair do cais central, chega ao atracadouro do xóping Barra. Breve parada para uns poucos passageiros descerem, e outros poucos embarcarem. E lá continua o catamarã em direção a Guaíba. Mais uns dez minutos e chegamos lá. Hidroviária de Guaíba. Saímos do brete que é o corredor de embarque e desembarque e chegamos ao calçadão de Guaíba. Um ar de cidade litorânea, misturado com cidade de interior, e isso a uns trinta quilômetros de Porto Alegre. Acho que bem menos, via transporte aquático. Caminhamos pelo calçadão. Há uma pequena praia junto ao calçadão. Vendedores ambulantes. Uma parada de ônibus. Cães vira-latas dormem no calçadão. E caminhamos. Encontramos um  pier de madeira. O vento sopra forte. Caminhamos pelo pier. Fotografamos um ao outro. E bate a fome. Eu quero comer. Ela também quer. Encontramos um restaurante. Pouco movimento, mas parece honesto, e pronto para suprir nossas necessidades alimentares. De fato, valeu. Eu comi uma chuleta suína, com arroz, salada mista e polenta frita. Ela um bife, possivelmente de coxão de dentro, mais arroz e batatas fritas. Acompanha feijão. Bebidas Coca-Cola e cerveja. Serramalte. Há quanto tempo eu não via Serramalte! Não que seja uma cerveja espetacular, mas enfim, é algo para recordar. Cerveja que a gente via na infância. E ainda foi possível pagar com o vale-refeição. Depois do almoço (tarde, já próximo das quinze horas), mais uma caminhada, e avistamos um mirante. Avistamos um mirante. Vamos lá ver o mirante. São um pouco mais de uma centena de degraus. E o mirante, de fato, oferece uma vista bela. Ótimo para fotos, o mirante. Otíma para fotos, a vista. Pena que o dia estava nublado. O sol estava tímido. Caminhando um pouco mais, descobrimos a casa de Gomes Jardim. Gomes Jardim foi um dos líderes da rebelião Farroupilha, do século XIX. Foi tombada pelo patrimônio histórico a pedido dos proprietários, fato raro por essas terras, onde o comum é botar abaixo qualquer imóvel para lucrar com localização privilegiada. A casa de Gomes Jardim é hoje um pequeno museu privado, aberto à visitação. E assim vimos. Ainda foi possível ver a matriz de Guaíba, que fica próxima, na colina que escora o mirante. Aquele mirante que falamos ali atrás. Voltamos. Do lado do mirante, há uma cafeteria. Entramos. Sentamos. Pedimos capuccino e cortado. E uma fatia de torta de cheesecake de morango. Gostoso. Terminamos. Pagamos. Saímos. De volta ao mirante. E descendo as escadarias, voltar ao calçadão. E pelo calçadão, de volta à hidroviária. Comprar as passagens para a volta. Quase dezessete e trinta. Aguardamos um pouco a chegada do barco. O vento continuava. Mais uns minutos e o barco chega. Ainda compramos uma água mineral e um picolé. Um picolé azul, de algodão doce. De volta ao brete. E de volta ao barco. Na volta o barco estava cheio. Praticamente lotado. Dez minutos e o atracadouro do Barra xóping. Uns desembarcam, outros embarcam. O barco segue para o cais central de Porto Alegre. Descemos. O dia vai sumindo. A noite vem caindo. Há atividade no Largo Glènio Peres. Aniversário de Porto Alegre. Ela quer ir conferir. Eu não quero. Estou cansado. Quero ir para casa. Caminhamos de novo pela Júlio de Castilhos. Tiro fotos, mas a luz é cada vez mais escassa. No camelódromo, um ônibus nos aguarda. Que bom. Embarcamos no ônibus. Logo estamos a caminho de casa.

30/03/2015.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Diário - Leituras - Papoulas Vermelhas, de Al Ai


Diário - Leituras - Papoulas Vermelhas, de Al Ai


“Papoulas Vermelhas” é um romance ambientado na região fronteiriça entre o Tibete e a China, no leste daquele país. É narrado pelo filho mais jovem de um caudilho da região, que foi gerado pelo envolvimento de sua mãe com o chefe do clã Maichi, em um momento em que o chefe estava bêbado. Este filho mais jovem nunca é nomeado, como seu pai e seu irmão mais velho a propósito, e é tratado como um perfeito idiota.


As orelhas do livro falam em romance épico, narrativa complexa, mas, sabe como é, a função das orelhas de livro, quando elas existem, normalmente é vender o livro e exaltar o autor. Neste caso, o autor Al Ai, é um tibetano de origem, radicado na China.


As referências bibliográficas não informam o título original, afinal ainda não são muitas as pessoas que sabem ler ideogramas fora da China e do Japão. Há apenas a referência a publicação original em 1998.


É um livro divertido, mas bastante esquemático. Principalmente se pensarmos que Al Ai vive na China, e precisa escrever de forma que sua história seja palatável aos censores do regime chinês.


Esquemático: o livro se passa entre o início do século XX, e vai até o momento em que o exército popular chinês invade o Tibete, no final da década de 1950. Sendo um tibetano que vive sob o regime do partido comunista chinês, o livro denuncia os caudilhos, e denuncia os chineses do partido nacionalista (que afinal foram vencidos pelos comunistas, e expulsos para a ilha de Taiwan em 1949) que introduzem o cultivo de papoulas, isto é, de produção de ópio, naquela região. As papoulas trazem com elas um rastro de corrupção.


Caudilho é uma palavra que merece uma pequena explicação. A imprensa gostava de chamar Brizola de caudilho, mas o líder gaúcho nunca foi isso. Caudilhos, aqueles homens do sul do Brasil, e da bacia do prata, do final do século XIX e início do XX eram chefes, em geral grandes produtores rurais, capazes de mobilizar exércitos particulares para obter poder político.


É mais ou menos o que é o chefe Maichi, pai do protagonista da história. Ele é um grande produtor rural com vastas extensões de terra no leste do Tibete, na fronteira com a China. Logo no início da história, um oficial do governo nacionalista oferece ao chefe Maichi prata e armas, se ele plantar em suas terras sementes de papoulas. As papoulas trazem riqueza, armas e a inveja dos caudilhos vizinhos.


É dentro desse quadro que o personagem principal vai contando sua história, e cabe ao leitor, decidir se ele é de fato um idiota, ou alguem bastante esperto.


Como eu disse, o livro é divertido, apesar de esquemático. Além disso revela um pouco da realidade daquele arrabalde do mundo, na primeira metade do século XX. Uma terra que,  além dos monges e lamas que fazem parte do imaginário de todos, tinha esses caudilhos, senhores da vida e da morte de seus súditos, e onde a escravidão estava amplamente disseminada até a metade do século XX.


04/09/2014.


AL AI. Papoulas Vermelhas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Último dia do horário de verão 2014-2015 em Porto Alegre


Último dia do horário de verão 2014-2015 em Porto Alegre



O último dia do horário de verão 2014-2015 em Porto Alegre foi nublado! Verdadeiro anticlimax.

Eu gostaria de ir ao parque e curtir o último pôr do sol. O último dia longo, com o sol sumindo no horizonte quando já passava de oito da noite (da noite?).

Mas não. Nuvens no céu. Nuvens no horizonte. Sol encolhido. Sol tímido.
Não faz mal.

Bebi. Próximo da embriaguez. Estive no parque. Estive no xóping. Tomei café frio (e o café frio estava bom), comi sanduíches e torta em boa companhia, isto é, de minha mulher.

Na cafeteria do xóping pude observar um senhor que deu várias voltas por ali. Pelo menos umas três. Rodeava a escada rolante. Subia a escada rolante. Não sei porque me chamou a atenção aquele velho senhor. Talvez pelas roupas mais formais, camisa de manga longa no verão, calça social, óculos, cabelos com gel, por volta de setenta anos aparentemente. Nunca saberei quem é. Mas pude reparar na presença dele naquela noite.
Uma coisa que tomo consciência à medida que envelheço é que me torno cada vez mais invisível. E pelo que andei lendo esse sentimento vai se tornando mais forte ao longo do tempo. Mas consegui reparar naquele senhor. Talvez solidariedade dos invisiveis…

Mas não importava.

O sol já tinha se posto.

Eu ainda fui de táxi para casa.

Nada demais.

Quando chegasse a meia noite de sábado, os relógios deveriam retornar para onze horas.
Os computadores e espertofones fariam isso sozinhos. Os relógios comuns teriam que ser ajustados manualmente.

Mas o último dia do horário de verão 2014-2015 em Porto Alegre foi nublado. Não posso me queixar do dia em si. Mas a falta de sol me foi frustrante!


22/02/2015.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Diário - cinema - Velozes e Furiosos 7


Diário - cinema - Velozes e Furiosos 7



Eu devo ter visto alguns filmes da série "Velozes e Furiosos". Vi o primeiro, devo ter visto o segundo e o terceiro. E acho que parei por aí.


Automóveis possantes e corridas ilegais nas ruas, eis o assunto, com alguma outra coisa colateral.


Assim, perdi as sequências número 4, 5 e 6.


E na falta de coisa melhor no cinema próximo de casa, acabei por ir assistir esta sequência, a número 7.


Uau! A coisa ficou meio excessiva.


Antes, o pessoal era o desajustado, o rebelde. Agora se tornaram, por assim dizer, "agentes da lei".


E tem o bandido, quer dizer, o bandidão! Pois é. O bandido, Deckard Shaw (vivido por Jason Statham), é tipo um superbandido. A cena inicial do filme é ridícula. O estrago deixado para trás por Deckard só poderia ser feito em outra circunstância por um grupo de mutantes do mal dos X-Men... Fui obrigado a rir no final da cena. Será que era essa a intenção do diretor e do roteirista?


Enfim, o motivo do filme é justamente esse bandidão querendo se vingar das pessoas que deixaram seu irmão em uma cama de hospital em Londres. Justamente o grupo de Dom Toretto (Vin Diesel) e seus amigos. No caso, a trama do capítulo anterior da franquia.


Nesse meio tempo, uma corrida, um resgate de deu um super hacker no Cáucaso, com uma eletrizante perseguição, mais o resgate de um super equipamento de rastrear nos Emirados Árabes. E dê-lhe brigas!


Enfim, diversão garantida, pois no cinema suspendemos nossa descrença, e, às vezes, o próprio senso do ridículo.


21/05/2015.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Diário - filmes - Stalingrado, A Batalha Final


Diário - filmes - Stalingrado, A Batalha Final



Neste final de semana, dia 16/05, vi um interessante filme sobre a Segunda Guerra Mundial. Trata-se de uma produção alemã, de 1993, e foi exibido pela TV Brasil.


Como o nome indica, o filme trata da Batalha de Stalingrado, travada entre tropas alemãs e seus aliados, na invasão da União Soviética. Esta batalha aconteceu no final de 1942 e início de 1943. Foi a maior batalha entre alemães e soviéticos no front oriental da Europa, e marcou o avanço máximo do exército alemão naquela região, e inclusive se tornou a primeira grande derrota do exército alemão na Segunda Guerra. Entre mortos e feridos, a União Soviética perdeu mais de um milhão de pessoas naquela batalha, no caso da Alemanha e seus aliados (havia tropas italianas, romenas, húngaras e croatas junto ao exército alemão), foram mais de 850 mil mortos e feridos.


O filme acompanha um grupo de soldados, de um batalhão que lutou lá.


É um filme diferente, pois os protagonistas são soldados alemães, e não se espera que o exército alemão possa ser o "exército bonzinho". Por meio daquele grupo de soldados, o filme mostra as agruras por que passou o exército alemão naquele final de verão de 1942 até o inverno de 1943 (no hemisfério norte).


É um filme sem maniqueísmos, e sem heroismos.


Mas bem bom. Vale a pena assistir.


18/05/2015.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Veranico de Maio - versão 2015


Veranico de Maio - versão 2015



O "veranico de maio" está aí.

Talvez pudéssemos chamar de "primaverica de maio"...

Faz dias que estamos com termperaturas amenas, amanhecendo entre 18 e 20oC, com máximas de 25 ou 26oC no início da tarde.

Comentei isso com uma colega esta semana, e perguntei se chegamos a ter dias frios desde que começou o outono, dia 20 de março. Ela respondeu que acendeu a lareira em pelo menos dois dias, desde então. Deve ser.

De qualquer maneira, até agora é um outono que não assusta. Ameno, talvez com um pouco mais de chuva. Quem é mais prevenido até carrega um casaquinho, mas raramente o veste.

E assim, vamos. Em Porto Alegre.

Falta um mês para o início do inverno austral.


21/05/2015.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Olho por Dente


Olho por Dente


Michel Laub volta ao assunto do linchamento moral virtual, assunto que comentei aqui (“A Vida por um Tuíte - http://novasvoltasemtornodoumbigo.blogspot.com.br/2015/05/leituras-na-piaui-destaques-na-edicao.html), entre os assuntos interessantes da edição de março de 2015, da revista Piauí.


O título deste texto é copiado do artigo de Laub na Folha de São Paulo.


Ele começa por contextualizar a lei de talião do Código de Hamurabi - e repetida pelo Pentateuco -,  "um olho por um olho, um dente por um dente". Segundo Laub, em tempos pré cristãos não era incomum, que a vingança por um assassinato, resultasse no massacre de todo um clã, ou que o roubo de um boi, fosse pago com um assassinato. Talvez ele não tenha usado estas palavras, mas acho que a ideia é por aí.


Então, naquele tempo a lei de talião era uma lei de moderação. Um roubo é pago com o reembolso de algo equivalente ao produto roubado, e um assassinato pode ser vingado com outro assassinato, não com o assassinato de outras dez pessoas.


Voltando ao linchamento moral, Laub comenta o livro de Jon Ronson, "So You've Been Publicly Shamed" ("então você foi humilhado publicamente", Riverhead Books, 304 págs.), justamente o que parece que está na origem do artigo publicado na Piauí, inclusive com a frase mal colocada de Justine Sacco.


Boa ênfase a de Laub, que informa que o linchamento moral não resulta de uma histeria coletiva da massa, mas do sentimento que, quando repreende alguém que cometeu uma bobagem online, esta massa internética pensa que está fazendo o bem e tornando o mundo mais justo. Pois é...


Disso, por uma frase mal colocada, como no caso do Justine Sacco, ou uma foto aparentemente desrespeitosa em frente ao memorial dos veteranos de guerra dos Estados Unidos de uma outra garota, ou uma piada sexista dita por um nerd em um congresso de informática, resultam demissões sumárias, xingamentos reais, ações intimidatórias, que geram estresse pós-truamático e depressão.


Dentro desse sentimento de fazer o bem, Laub comenta:


"Os depoimentos colhidos por Ronson são claros nesse sentido. Os envolvidos sempre apelam a um senso heroico de dever. O linchado não representa uma individualidade no lugar da qual poderíamos nos botar, sujeitos que estamos a descuidos ou inexatidão na expressão escrita ou oral, e sim o sintoma de ideologias ou injustiças históricas que devem ser combatidas sem trégua.


No limite, nem há a sensação de responsabilidade depois que o êxtase acusatório tem início, porque o ato instantâneo e solitário de compartilhar um post é um grão de areia na marcha das grandes reparações cidadãs."


A conclusão de Laub é que, além do dano à vítima do linchamento, há um dano à expressão na esfera pública, representada nesse caso pela Internet, haja visto que qualquer um pode se tornar alvo de um deslize, mesmo que o que tenha sido dito seja um equívoco, ou uma pequena bobagem.


08/05/2015.

Justiça julga improcedente ação do Ministro Gilmar Mendes contra o jornalista Rubem Valente


Justiça julga improcedente ação do Ministro Gilmar Mendes contra o jornalista Rubem Valente


A notícia é da Folha de São Paulo.


O juiz Valter André de Lima Bueno Araújo, da 15ª Vara Cível do Distrito Federal, julgou improcedente a ação do Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no sentido de requerer indenização, pelo relato do jornalista Rubem Valente, no livro "Operação Banqueiro".


Segundo o jornal, o Ministro Mendes alega que o livro “ataca sua imparcialidade, distorce sua biografia e deturpa o julgamento do habeas corpus a favor do banqueiro Daniel Dantas, investigado na operação”.


Na sentença é declarado que "não foi demonstrada a divulgação de informação falsa ou o intuito difamatório nos trechos relacionados na inicial, não sendo o caso, portanto, de acolher a pretensão do autor".


A reportagem da Folha de São Paulo informa que o advogado do Ministro Mendes deverá recorrer.


O livro foi comentado aqui no blog, inclusive com a informação do processo do Ministro contra Rubem Valente.


08/05/2015.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Leituras na Piauí – abril / 2015 – O Impostor


Leituras na Piauí – abril / 2015 – O Impostor



A revista Piauí de abril de 2015 tem um texto que achei muito singular. É o texto "O Impostor" (a chamada de capa menciona "O Falso Rockfeller"), escrito pelo jornalista Walter Kirn, onde ele relata como manteve uma relação de cerca de dez anos com um homem que disse se chamar Clark Rockfeller, alegando ser parte da família Rockfeller, aquela de bilionários do petróleo, das finanças, e do Governo dos Estados Unidos.


Na verdade, ao longo da reportagem, Walter Kirn relata como veio a descobrir que o homem era um estelionatário, e possivelmente mesmo um assassino, que teve vários nomes ao longo de sua vida de golpes.


Curioso mesmo é o tom, do que eu chamaria de "autorreportagem", que Kirn relata ao longo do texto.


Do seu primeiro contato com "Clark" através do telefone. Da missão que ele se incumbiu de levar uma cadela aleijada, do interior do estado do Montana, para a cidade de Nova Iorque. Dos tratos que teve de dar ao bicho, que havia sido atropelada e precisava viver acoplada a uma espécie de cadeira de rodas canina. Do cheiro que a urina da cachorra exalava dentro do carro dele em determinado momento. E de como ele se viu compelido a trocar sua caminhonete por um voo no meio do caminho para Nova Iorque.


Ou do dinheiro que ele precisava para quitar um empréstimo que fizera para comprar uma fazenda no interior de Montana.


Ou de como ele consumia ritalina para ter capacidade para escrever as reportagens das quais ele sobrevivia.


Ou sua educação superior na Costa Leste dos Estados Unidos, ou da sua pós-graduação em Oxford, no Reino Unido.


De seu casamento com Maggie, que vem a ser filha da atriz Margot Kidder, que acabei por lembrar que foi a Lois Lane da série de filmes do Super Homem, dos anos 1980. Aquela série com o Christopher Reeve.


Walter Kirn fala de seu relacionamento com Clark, como o de um escritor em busca de uma personagem para seus futuros escritos, mas isso acabou não funcionando. Depois como de um homem ou um artista em busca de um mecenas.


Mas Kirn vai descobrindo que a coisa não funciona. E que na verdade, ele, Kirn, era muito mais a personalidade importante dentro daquele par.


Enfim, uma autêntica autorreportagem, em que o jornalista fala muito mais de si mesmo, que do suposto objeto da reportagem. Ou talvez seja isso mesmo, algo como, “como fui enganado por dez anos por um burguês de araque”.


Mas foi interessante!...




28/04/2015, 04/05/2015.

sábado, 2 de maio de 2015

Leituras na Piauí – destaques na edição de março / 2015


Leituras na Piauí – destaques na edição de março / 2015

Desde agosto eu não comentava nada sobre as edições da revista mensal Piauí.
Pois na edição de março/2015, houve umas três ou quatro matérias que me chamaram a atenção.

A Vida por um Tuíte

Uma, "A vida por um tuíte", de Jon Ronson, comenta os infortúnios de Justine Sacco, uma americana que foi alvo de um linchamento moral, que se tornou um furação na vida dela.

Que tal? O que você diria de uma declaração assim no Twitter: "Partindo para a África. Espero não pegar AIDS. Brincadeirinha. Sou branca."? Eu li e achei uma bobagem, sem sentido, nem consequência. Já meu filho disse que pareceu racista.

Não só meu filho. Muita gente achou racista, e começou um linchamento moral internético sobre a mulher. De tal forma, que a empresa em que ela trabalhava foi confrontada, e ela acabou demitida por SMS. Ela fez uma longa viagem, dos Estados Unidos para o Reino Unido, e de lá, para a África do Sul. Na África do Sul, alguém que viu o rebuliço no Twitter, e participou do linchamento moral, se motivou a ir ao aeroporto para registrar a chegada de Justine lá. Ou seja, já é amplamente sabido, mas não custa lembrar, tudo que você escreve no Twitter, eventualmente pode ser usado contra você, eventualmente será usado contra você. Justine, como foi dito, foi demitida, e passou por um momento de isolamento das redes sociais, e por um período de depressão em decorrência do episódio.

A Alemã Tranquila

A segunda matéria, “A Alemã Tranquila”, é um longo perfil de Angela Merkel, e, por extensão, da política na Alemanha. A matéria, escrita pelo norte-americano George Packer, conta da jovem de origem alemã-ocidental, cujo pai, pastor luterano, vai para a Alemanha Oriental, levando a família.
Lá, a filha do pastor se envolve com a juventude socialista, e se torna cientista. No caso, uma especialista em química quântica. E ela trabalha na área até o fim do comunismo. Com a anexação da Alemanha Oriental pela Ocidental, ela tem a oportunidade de trabalhar no Partido Democrata Cristão, do então chanceler (primeiro-ministro) Helmut Kohl. Pelas peculiaridades da política alemã atual, ela consegue chegar ao cargo de primeira-ministra, pela primeira vez, em 2005, sendo reeleita depois disso. Como ela chegou lá? Surgindo num momento em que a política tradicional se desmancha, e em que uma mulher, e uma pessoa discreta – o autor em determinado momento fala em "opacidade emocional" - consegue decifrar o labirinto dessa política sem política. Senão, vejamos, na Alemanha perfilada por Packer, é mesmo difícil distinguir muito direita de esquerda. Por exemplo, foi o Partido Social-Democrata que teve a iniciativa de criar alguma desregulamentação do trabalho, no início do século XXI, com a invenção de trabalhos de tempo parcial, com menos direitos trabalhistas, que, de fato, gerou mais empregos, mas de qualidade mais baixa. E Merkel não tentou nada mais profundo depois. Em alguns momentos, Merkel governou em coalizão com os sociais-democratas, em outros não. Eventualmente o Partido Verde apoia iniciativas da Senhora Merkel. Ou seja, esta política é sem grandes diferenças programáticas, mais ou menos, como se governar fosse deixar as coisas como elas estão. A única cisão de fato, seria o partido de Esquerda, "Die Linke", mas esse partido tem apenas cerca de 10% dos votos. Uma cifra respeitável, mas insuficiente até para ser uma oposição que bloqueie alguma votação no parlamento alemão.

Memórias de um Buraco

A terceira matéria é, talvez, a que mais me chamou a atenção. "Memórias de um buraco", de Daniel Pasquini, comenta a morte do promotor Alberto Nisman, para daí, comentar o atentado contra a AMIA – Associación Mutual Israelita Argentina –, em 1994, e a política argentina, e a polícia argentina, e o judiciário argentino, e o jornalismo argentino, Daniel Pasquini incluído. É um texto assombroso, onde um país que deveria estar léguas a frente do Brasil em termos disso tudo, polícia, judiciário, política, ... Aparece muito semelhante ao Brasil. Começando lá onde ele diz que o método tradicional de investigação da polícia argentina era a tortura. Depois, vem a inépcia, a incapacidade de investigar a partir de uma cena de crime. E, além disso, a corrupção de parte dos policiais. E a corrupção de parte dos juízes, no Judiciário. E o jogo de cena da grande mídia. Disso tudo fica um retrato muito deprimente do Estado Argentino. E o caso nunca solucionado ao AMIA. Tudo, como foi dito, a partir da morte do promotor Alberto Nisman.

Pornofagia

Há ainda uma outra longa reportagem sobre a indústria da pornografia brasileira, seu apogeu, no início dos anos 2000, e decadência, nestes últimos anos, por conta dos saites de vídeo gratuitos na Internet. Paralelo a isso há o perfil biográfico de Clóvis Basílio dos Santos, vulgo Kid Bengala. "Pornofagia", escrita por Alejandro Chacoff, é essa matéria, mas dessa eu prefiro não falar. Melhor olhar na própria revista.
Por enquanto era isso.

27/04/2015.

Diário - cinema - Vingadores, Era de Ultron


Diário - cinema - Vingadores, Era de Ultron


"Vingadores: Era de Ultron" ("Avengers: Age of Ultron", Estados Unidos, 2015) é o mais recente filme lançado da franquia dos Vingadores. É um pouco mais do mesmo, isto é, correrias, brigas e explosões enquanto comemos pipoca e bebemos refrigerante.


Senão vejamos, anteriormente tivemos um filme dos Vingadores (2012), três filmes do Homem de Ferro (2008, 2010 e 2013), dois do Capitão América (2011 e 2014), e dois do Thor (2011 e 2013). E temos dois filmes do Hulk, um pouco mais fora do contexto dos Vingadores (estrelados por Eric Bana, em 2003, e Edward Norton, em 2008, enquanto que o "Hulk" dos Vingadores é Mark Ruffalo).


Quase todos fantasias para nos distrair de nossa existência banal.


O que fica destes filmes? O mais significativo destes filmes, na minha opinião foi o primeiro Capitão América, onde, o supersoldado, fruto de uma experiência biológica, é colocado como propaganda da máquina de guerra dos Estados Unidos, para que a população compre bônus para o financiamento do esforço de guerra.


E, sim, sempre há o espectro da morte sobre Tony Stark, magnata da indústria armamentista, um mercador da morte, mas sempre bem de leve...


Este filme mais recente começa com uma invasão dos Vingadores a uma sede da Hidra, e à recuperação do Cetro de Loki.


Lá é revelada a existência de dois irmãos gêmeos, com super habilidades, um rapaz que corre a super velocidades, e uma moça que é capaz de invadir as mentes das pessoas.


Recuperado o Cetro de Loki, e através das experiências de Tony Stark, surge Ultron, um sistema de inteligência artificial que quer levar a humanidade a outro patamar, ou talvez extingui-la.


O Vingadores têm de lutar contra Ultron. E também precisam lutar com as desconfianças que eles têm uns dos outros.


E isso sempre em meio a brigas, tiroteios, correrias, e explosões.


Para garantir a pipoca, é claro.


Um filme mais refinado, contaria história parecida com mais dramaticidade, e menos tiros. Mas isso, claro, não atrairia tantos espectadores.


Em favor do filme, eu diria que o achei melhor que o primeiro filme dos Vingadores, aquele de 2012, onde eu disse algo como, "o ajuntamento de vários heróis, não torna o filme melhor que o filme de apenas um deles".




27/04/2015.