terça-feira, 30 de junho de 2015

A Agonia da Grécia


A Agonia da Grécia



Neste momento a Grécia passa por mais uma provação como membro da União Europeia, e como participante dos países que têm o euro como moeda corrente.


Desde 2008 já são sete anos com a economia estagnada, ou em recessão.


Neste momento, os países credores querem mais sacrifícios em acordos do governo grego, para que o país não entre definitivamente em "default", isto é, para que o país não dê calote.


Diante do impasse entre o que querem os credores, representados pela "Tróica", isto é, FMI, Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia, e do que propõe o Governo Grego, este último convocou um referendo para que a população grega diga se aceita o pacote dos credores ou não.


Se a população grega aceitar o pacote europeu, o primeiro-ministro grego, Tsipras, afirma que renuncia.


Se a população negar o pacote, é provável que a Grécia deixe de ter o euro como sua moeda corrente, e volte à dracma, ou qualquer outra moeda nacional.


Possivelmente isso leve a uma brutal desvalorização da nova moeda, e a uma tremenda sensação de pobreza no país, maior que a sensação atual, com 25% de desemprego, aumento da miséria, etc, etc, …


E piore mais um pouco antes de começar a melhorar, mas talvez com isso o país reencontre seu caminho para o desenvolvimento e soberania sobre suas finanças.


O que não pode passar despercebido é que isso faz acabar talvez a última utopia da humanidade.


Desde os anos 1950, dos escombros das duas guerras civis europeias, quando Alemanha, França e Itália, mais Bélgica, Holanda e Luxemburgo, começaram a integrar suas economias, parecia que a Europa levaria a civilização ao mais alto grau.


Funcionou para evitar guerras entre esses países nos últimos sessenta anos.


E depois, com a inclusão de países periféricos, como Espanha, Portugal e a própria Grécia, e com fundos de desenvolvimento para esses países, parecia que teríamos os píncaros da humanidade. Qualidade de vida, fim da miséria, fraternidade entre as pessoas. A utopia era que, começando pelos países mais pobres da Europa, como a Grécia, todo o mundo teria bem estar social. Ou seja, Bangladesh poderia se tornar a Suécia.


Agora parece que esse projeto está naufragando.


A Grécia ruma para fora do euro, e o capitalismo excludente triunfa. Parece que a ideia é que a Grécia venha a se tornar Bangladesh.




29/06/2015.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Diário - cinema - Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros


Diário - cinema - Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros



"Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros" ("Jurassic World", Estados Unidos, 2015) é mais um pouco mais do mesmo, a partir das histórias criadas por Michael Crichton em 1990.


Em 1993 surgiu o primeiro filme, "Jurassic Park", dirigido por Steven Spielberg, com roteiro do próprio Crichton. Nesse filme um cientista e empreendedor traz vários espécimes de dinossauros de volta à vida, "desextinção" pode ser uma palavra aqui, a partir do DNA dos bichos recuperado em sangue deles, aprisionado no ventre de mosquitos, mosquitos estes que ficaram presos no âmbar. Com os bichos trazidos de volta à vida, é criado um parque de diversões temático. E para avaliar o parque, traz um grupo de cientistas, e dois sobrinhos. Só que, por conta de uma sabotagem de um funcionário insatisfeito com o salário, as coisas acabam saindo muito errado.


A saga continuou, com o filme "O Mundo Perdido: Jurassic Park" ("Lost World: Jurassic Park", 1997), e "Jurassic Park III", de 2001.


Em todos estes filmes, o protagonismo é mesmo dos bichos, embora os humanos estejam lá, para criar um clima de aventura. É como se fosse um documentário da National Geographic, com um certo enredo, enredo este que não costuma ser muito complexo, afinal o mais importante é mostrar os dinossauros.


Neste novo filme, e apesar de tudo o que ocorreu antes, o parque está aberto. O Jurassic World do título é uma mistura de zoológico com parque temático. É um sucesso de público, mas tem que prover meios de manter o interesse das pessoas. Assim, mais e mais espécies de dinossauros vão sendo desextintas. Tudo por meio de engenharia genética.


Se nos dois primeiros filmes, o "herói" era do Tiranosaurus rex, pelo seu tamanho e imponência, e no terceiro era o Spinosaurus aegyptiacus, nesse quarto filme, os gênios da engenharia genética "inventaram" um dinossauro híbrido, um pouco maior que o Tiranosaurus, com braços funcionais, e tão ou mais inteligente que os Velociraptors no primeiro filme. É esse animal que vai fugir e tocar o terror na ilha parque de diversões do filme. Há um papel mais ou menos coadjuvante para o Mosassauro, um novo e imenso dinossauro aquático. Curiosamente o Spinosaurus foi completamente esquecido.


Temos neste filme uma dupla de irmãos, um adolescente e um menino, sobrinhos, ora que surpresa, da administradora do parque Claire Deaning (Bryce Dallas Howard). É como no primeiro filme, que havia um menino e uma menina, sobrinhos do cientista John Hammond (Richard Attenborough).


E temos um encantador de velociraptors, Owen Grady (Chris Pratt).


E é isso. O protagonismo é dos bichos, de acordo com o final deste filme (e dos outros, por sinal). Os humanos estão ali para gerar algum enredo. Enredo não muito forte, para falar a verdade. Então, dê-lhe o novo dinossauro híbrido a tocar o terror na ilha.


E há diversas homenagens ao primeiro filme. Preste atenção para tentar perceber.


E era isso. Quem gostou dos três primeiros filmes, há de gostar deste. É mais do mesmo, e com os efeitos especiais cada vez melhores.



22/06/2015.

domingo, 28 de junho de 2015

Diário - cinema - Terremoto: A Falha de San Andreas


Diário - cinema - Terremoto: A Falha de San Andreas


Tempos atrás eu vi um filme em que o protagonista era um pai de família recém separado, que gostaria que a separação não tivesse ocorrido. Sua mulher se envolve com outro cara, melhor de vida financeiramente. Diante de uma catástrofe natural, ele faz tudo o que lhe é possível para salvar sua família, e tentar reconquistar sua mulher. Era Jackson Curtis, interpretado por John Cusack no filme "2012" (“2012”, Estados Unidos, 2012). É Raymond Gaynes, vivido por Dwayne Johnson neste "Terremoto: A Falha de San Andreas" ("San Andreas”, Estados Unidos, 2015).


E assim, lá vamos nós por mais um filme catástrofe. Pelo menos nesse caso não é o mundo todo que está acabando, apenas um pedaço da Califórnia, no sudoeste dos Estados Unidos. Não obstante o terremoto alcançar virtualmente todo o estado da Califórnia, o epicentro do terremoto é a cidade de San Francisco.

A trama parece verossímil. Faz tempo que os habitantes da costa oeste vivem assombrados pelo aparecimento do "grande tremor", que poderia inclusive transformar o que sobrasse da Califórnia em uma ilha.


A falha de San Andreas está lá. É onde se encontram duas placas tectônicas, que estão continuamente se atritando.


Tem os clichês do gênero, como cientistas em busca de meios de prever a catástrofe, que se sacrificam pela humanidade.


E o protagonista.


A grande ironia deste filme é que Raymond é um veterano de guerra, e um super bombeiro da cidade de Los Angeles, em uma equipe de resgate, que abandona qualquer responsabilidade inerente à sua função para ir atrás de sua filha, que está em San Francisco durante o cataclisma.


Apesar dos clichês, foi um filme razoável. As cenas de destruição são impressionantes, mas parecem factíveis. E de quebra há o fator humano. Achei muito tocante a cena em que um casal de idosos, na eminência do fim, se abraça.


Chato: as patriotadas. Bandeiras americanas a tremular ao vento logo após o aparente fim do terremoto. Uma das personagens pergunta algo como, "e agora? Que vamos fazer?" E a outra responde, "Vamos reconstruir!". Ok, então. Vamos!


Fora a patriotada, e apesar dos clichês, foi um filme razoável, dentro do que se pode esperar de um filme catástrofe.


16/06/2015.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Diário - cinema - Mad Max: Estrada da Fúria


Diário - cinema - Mad Max: Estrada da Fúria


A história de "Mad Max: Estrada da Fúria" ("Mad Max: Fury Road", Austrália/Estados Unidos, 2015) parece simples: Imperator Furiosa (Charlize Theron), uma das mulheres do vilão, Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), resolve fugir dele, e voltar para a terra de sua infância, de onde foi raptada junto com a mãe, um certo Vale Verde. De quebra, ela leva junto outras esposas do Immortan Joe, uma delas em avançado estado de gravidez. Essas esposas, como bem definiu alguém, parecem modelos que saíram de um desfile de lingerie da Victoria Secret's. Por conta disso, Immortan Joe sai em perseguição de Furiosa.


Mad Max, ou Max Rockatanky, agora interpretado por Tom Hardy no lugar de Mel Gibson, entra na história ao ser capturado no início do filme pela milícia do Immortan Joe, e ser mantido vivo como bolsa de sangue, uma vez que ele é um doador universal. Mas de fato, ele é um coadjuvante aqui. A protagonista é mesmo Furiosa.


Além de tudo que foi dito, é um "road movie" em um mundo pós-apocalíptico. Basicamente o filme todo são sequências de perseguição. E um show de imagens.


Nessas imagens podemos incluir uma imensa tempestade de areia, tocadores de tambores japoneses e um guitarrista acorrentado nos veículos de perseguição do Immortan Joe.

E mais uma trilha sonora muito adequada. Tudo junto, torna o filme tenso, e algo de tirar o fôlego.


Vale muito a pipoca!



23/06/2015.

Diário - leituras - A Invenção da Terra de Israel


Diário - leituras - A Invenção da Terra de Israel


Eu havia ouvido falar sobre Shlomo Sand quando foi publicado seu livro anterior no Brasil, o livro se chama "A Invenção do Povo Judeu". Na época eu li algumas resenhas e comentários sobre o livro.


Pelo que pude ler, "A Invenção do Povo Judeu" apontava para outras origens para os judeus do leste europeu, que em grande parte migraram para a Palestina, e vieram a constituir o moderno Estado de Israel.


A narrativa consagrada dizia que o povo judeu viveu na Palestina desde Moisés até ser expulso de lá pelos romanos no início da era cristã, após uma série de revoltas emancipacionistas dos judeus contra os romanos.


Segundo o que li nos comentários, Sand dizia naquele livro que na verdade os romanos não expulsaram toda a população judia da Palestina no início da era cristã, e muitos dos judeus que por ali foram ficando acabaram por se converter ao islamismo quando do domínio árabe, e posteriormente turco sobre a região. Depois, ele conclui que os judeus da Europa Oriental não seriam descendentes dos exilados no início da era cristã, mas seriam conversos de proselitismo do judaísmo medieval. Inclusive do extinto reino Cazar, que existiu entre os séculos VII e X.


Se aquele livro falava do "povo", este fala do "território". Como diz, a Terra de Israel.


Eu fui fisgado pelo livro por conta do prólogo. No caso, Shlomo Sand relembra sua participação no exército israelense durante a Guerra dos Seis Dias. Shlomo Sand nasceu na Áustria em 1946, mas quando ele tinha dois anos seus pais migraram para Israel, de forma que ele tinha vivido sua infância e adolescência na cidade de Jaffa, no litoral do Mediterrâneo. O pelotão em que ele servia lutava na frente de batalha da cidade velha de Jerusalém, então dominada pela Jordânia. Para o jovem Shlomo Sand, criado em Jaffa, a cidade velha era território da Jordânia, e portanto, ele ficava pensando consigo mesmo, e comentando com seus camaradas de armas, que era a primeira vez na vida dele que ele iria para o estrangeiro. Seus colegas questionaram sobre o que ele estava falando. Para os camaradas de armas de Shlomo, a cidade velha sempre fora parte da “Terra de Israel”. Eles apenas estavam retomando o que sempre fora parte de sua terra ancentral.


Aquilo marcou o pensamento de Shlomo Sand, de modo que ele resolveu fazer uma longa pesquisa sobre esta história da Terra de Israel. Para ele também uma tradição inventada, na linha das tradições inventadas de Eric Hobsbawn, e das comunidades inventadas de Benedict Anderson.


Bom, se fui fisgado pelo prólogo, logo cai na real.


O livro é uma monografia que traz um inventário da “Terra Santa”, desde seus primórdios.
Não faltam mesmo as páginas de discussão teórica e metodológica sobre os conceitos de território, estado, nação, na tradição dos historiadores acadêmicos.


E então começa a história do judaísmo com a Palestina, ou Canaã como dito no Velho Testamento. Shlomo começa por desacreditar na narrativa de Deuteronômio e principalmente Josué, que narram uma autêntica limpeza étnica da região, sob as ordens de Deus, onde as populações encontradas pelos hebreus primitivos teriam sido em grande parte massacradas.
A explicação alternativa de Sand é que os livros da Torá e de Josué seriam muito mais recentes do que o quer a tradição rabínica e cristã propõem, sendo sedimentados após o retorno da Babilônia, oferecendo uma base para hebreus que voltavam da Mesopotâmia - Babilônia, para a Palestina, conforme as narrativas de Esdras e Neemias.


Sand explora a passagem de “Canaã” para a Judeia e Israel. Depois fala da “diáspora” judaica, após a expulsão dos romanos. Para Sand, diáspora fica entre aspas porque, segundo ele, ela nunca existiu. Se Jerusalém deixou de ser uma cidade judaica após a revolta de Bar Kochba no século II, muitos judeus permaneceram na região, que começou a ser nomeada de Palestina pelos romanos. E segundo ele, o que aconteceu é que boa parte da população da região acabou se islamizando, quando da expansão muçulmana a partir do século VII.


Shlomo Sand também acompanha o pensamento judeu na Europa, e demonstra como durante a medievalidade cristã, os pensadores judeus viam a Terra Santa e Jerusalém mais como uma aspiração espiritual, uma fonte de inspiração para a religião que como um lugar para onde os judeus deveriam se mudar.


Este tipo de pensamento permaneceu como o mais comum entre os judeus da Europa por toda a Idade Média, e chegou ao Renascimento e ao Iluminismo. Todos esse momentos culturais influenciaram o judaísmo europeu e trouxeram mudanças e reformas, mas ainda assim, os judeus continuavam vivendo entre os cristãos na Europa.


O quadro só vai mudar com o advento da Revolução Francesa, e posteriormente com os nacionalismos que surgiriam entre os povos europeus. Este novo movimento trouxe como contraponto a xenofobia, e os judeus passaram a ser considerados os diferentes, portanto o “inimigo” para justificar a necessidade das diversas “nações”, como russos, polacos, alemães, etc. Ainda assim, no quadro de xenofobia que foi se demonstrando, mais ao leste da Europa (apesar do “affair” Dreyfuss na França), muitos dos judeus que fugiam do leste da Europa, migraram para a Inglaterra e os Estados Unidos, e mesmo a Argentina. Até hoje os Estados Unidos têm a maior população judaica do mundo.


É só quando Inglaterra e Estados Unidos começam a impor restrições à imigração, que a migração judaica para a Palestina recebe um incremento. Segundo Sand, dentro de um quadro de colonialismo. Ou seja, o que Inglaterra e França faziam na Ásia e na África, os judeus que começaram a imigrar para a Palestina fizeram com os árabes nativos da Palestina, embora sem um estado nacional colonialista por trás, mas com a base da sociedade sionista. Os judeus pioneiros não se misturavam com a população local, e imaginava aquela região como uma terra “sem povo”. Com a ajuda da sociedade sionista muita terra foi comprada das autoridades otomanas, que então eram os regentes da região. Mas à medida que foi florescendo o sentimento de identidade nacional mesmo entre os árabes da região, os conflitos começaram a aflorar.


A Primeira Guerra e o  posterior domínio britânico sobre a região foram fundamentais para que a colonização da terra pelos judeus pudesse continuar.


Quando o Estado de Israel foi declarado, a população judaica da Palestina era de menos da metade da população árabe. Não obstante, após vencer a sua guerra de independência, Israel ficou com um território maior que aquele a princípio designado pela partilha da região estabelecida pela nascente ONU. Durante e logo após a guerra de independência, Israel promoveu uma verdadeira limpeza étnica da população árabe dentro de seu território. Ele fala em mais de 400 aldeias arrasadas. A maioria destas populações foi expulsa para as regiões que hoje são a Cisjordânia e Faixa de Gaza. Muitos campos de refugiados surgiram então nos países árabes vizinhos. Esta expulsão se deu pelo terror psicológico na maior parte.


Infelizmente, em algumas aldeias, parte da população civil foi massacrada por grupos milicianos que posteriormente iriam compor as forças armadas de Israel.


As populações árabes que puderam ficar dentro do novo território de Israel viveram sob governo militar até 1966, ou seja, por cerca de 18 anos.


Shlomo Sand comenta que as autoridades do novo estado nunca se preocuparam muito em definir quais seriam as fronteiras reais do Estado de Israel. Os pioneiros sonhavam inclusive que a margem oriental do Jordão e todo o seu vale, do Lago Genezaré até o Mar Morto. Mas em 1948, Israel possuía um território muito menor que isso, e conseguiu manter uma população majoritariamente homogênea, no sentido que a maioria da população desse território se definia como judia.


E aqui podemos voltar para o prólogo e para a Guerra dos Seis Dias. Sand diz que a ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza se tornou uma armadilha para Israel. De repente Israel domina sobre um território que imagina que faz parte de sua terra ancestral, mas que possui uma população que não é judia. E esta população não poderia ser expulsa novamente como acontecera em 1948.


E chegamos aos dias de hoje. Israel sabe que não pode manter sob seu domínio com espoliação de direitos civis a população árabe palestina. Mas sua liderança não consegue se desapegar da terra que pensa que é a terra de seus ancestrais.
O livro termina com um estudo de caso, exemplificando como a criação do Estado de Israel foi de fato uma tragédia para os árabes que habitavam a região. Ele conta a tragédia da aldeia de Al-Sheikh Muwannis. Uma aldeia que ficava exatamente onde hoje está o campus da Universidade de Tel Aviv, a instituição em que Shlomo Sand e professor. Segundo ele, a aldeia foi citada nos relatórios da expedição de Napoleão ao Oriente Médio, no finalzinho do século XVIII.


A população árabe sempre procurou viver em paz com os judeus de Tel Aviv e Jaffa no início do século XX. Essa população não lutou contra as milícias judias durante a guerra de 1948.
Não adiantou. A população sofreu terror psicológico, e se viu constrangida a abandonar a terra.


Toda a memória do lugar que foi Al-Sheikh Muwannis foi apagada. Além do campus da Universidade de Tel Aviv, há alguns museus próximos, cultivadores da memória judaica.


É um bom livro, apesar de seus momentos maçantes.


Sobre Shlomo Sand, ele demonstra ser agnóstico. Talvez ele fosse definido como um judeu israelense antissemita, por parte de alguma autoridade do Estado de Israel.


SAND, Shlomo. A Invenção da Terra de Israel. São Paulo: Benvirá, 2014.


11/11/2014, 22/06/2015.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Samsung WB350F, uma câmera parceira, para além do celular


Samsung WB350F, uma câmera parceira, para além do celular


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Eu tenho algumas câmeras fotográficas. Algumas digitais, e ainda algumas de filme. Isso é uma espécie de desrecalque. Na minha infância, adolescência, e até início da vida adulta, era muito difícil adquirir uma câmera. Assim, como desrecalque, me tornei um colecionador. Adquiro alguma, vendo outra, e assim vou.


E procuro sempre carregar uma comigo. Isso tem algum ônus. Se eu quero carregar uma câmera, eu preciso carregar uma câmera, um peso a mais para o dia a dia. De forma que gosto de testar para ver o melhor custo benefício.


Para a melhor qualidade de foto, o melhor seria levar uma câmera SLR - “single lens reflex”, as câmeras em que é possível trocar a lente, e que tem sensores de imagem maiores, além da possibilidade de ajustes manuais. Há as semiprofissionais, com sensor “APS”, e as profissionais com sensor “full frame”. Estas tem a melhor qualidade de imagem, mas tem dois grandes inconvenientes, ou três. Uma é que elas costumam ser volumosas, grandes para carregar no dia a dia, se a pessoa não é um fotógrafo profissional. Além disso, elas são mais caras, as profissionais (“full frame”) são extremamente caras. E obviamente, pelo seu tamanho chamam bastante atenção, inclusive dos ladrões de ocasião que ficam à espreita. Uma câmera SLR sempre precisa de uma bolsa para ser carregada. Exemplos destas câmeras: Nikon D3200, Canon T5, Canon 7D.


Existe uma categoria abaixo, a das câmeras “mirrorless”, isto é, sem espelho. Este texto não vai explicar a mecânica das câmeras fotográficas. Neste caso, elas são parecidas com as SLR, mas não usam um espelho para mostrar a imagem a ser focada pelo fotógrafo. Elas também tem a possibilidade de trocar as lentes, e normalmente usam sensor APS. Em relação às SLR, elas costumam ser um pouco menores. Mas ainda me parecem exageradamente vistosas. Exemplo: Sony NEX C3.


Abaixo destas existem as câmeras chamadas de “micro four thirds” (ou micro quatro terços, referência ao tamanho do sensor). Seriam como as “mirrorless”, mas um pouco menores, por conta do sensor, também menor. Também podem ter as lentes trocadas. Estas já são mais discretas. Mas ainda as acho meio desengonçadas. Exemplo: Olympus PEN EP1.


E temos as compactas, que tem lente fixa, embora, com “zoom”. Estas costumam ser pequenas, bastante portáteis, mas com seu sensor minúsculo, tendem a comprometer a qualidade da imagem. Exemplo: Sony DSC-W800.


Ultimamente as câmeras digitais compactas estão sofrendo a concorrência dos telefones celulares de média e alta qualidade, cujas câmeras tem produzidos imagens compatíveis com as produzidas por câmeras compactas. Vale inclusive para o Motorola Moto G, um telefone que não é top de linha, e tem sido bastante vendido.


Dito tudo isso, tenho usado muito uma câmera da Samsung, o modelo WB350F. Ela é uma câmera compacta, com um “zoom” bem longo, “21x”, que seriam equivalentes a um alcance de 23 a 483mm numa câmera de filme. Para fotografia, digamos, ao nível do chão, é raro que eu use um zoom maior que 5x com câmeras digitais.


A qualidade da imagem dela é provavelmente pior que a da Samsung NX3000, um modelo “mirrorless” do mesmo fabricante, mas, nas condições de iluminação diurna a qualidade é suficiente, quando fazemos o teste de olhar a imagem “pixel a pixel”, isto é, quando da visualização de imagem, pedimos ao software que mostre a imagem com 100% do tamanho.


Tem ajustes manuais para quem quiser ir além do modo totalmente automático. Contudo, no modo de “prioridade de abertura” (o fotógrafo estabelece a abertura do obturador, e o fotômetro da máquina estabelece a velocidade), o modo que mais gosto de usar, o foco não se ajusta se o zoom é esticado para mais de 10x.


Nas fotos noturnas ela tende a sofrer nos ajustes automáticos, pois aumenta o ISO automaticamente, gerando “ruído” na imagem. A imagem fica borrada com pontos, e com menos detalhes.


Enfim, ela tem um zoom ótico que celulares não tem, e o principal, é pequena para caber num bolso de camisa, quando desligadas.


Se tornou a minha companheira da maioria das ocasiões, inclusive tendo sido levada para minha mais recente viagem de férias. Lá demonstrou também boa capacidade de carga. Usada de maneira geral ao longo do dia, só consumiu a carga completa da bateria num dia em que resolvi filmar algumas coisas.


Enfim, se tornou a parceira ideal para a maioria dos momentos.


Se falta alguma coisa nela? Mais de uma: eu gostaria que ela tivesse um visor ótico, pois sob a luz do sol, nem sempre é fácil fazer foco a partir da tela de LCD da câmera. Seria legal que esse visor de LCD fosse articulado, como em alguns modelos de câmera. Eu gostaria também de um sensor um pouquinho maior, como, por exemplo, o das Canon Powershot série “G”. E se não fosse pedir muito, seria bom a possibilidade de ajuste de foco manual.  Quem sabe os engenheiros da Samsung pensam nisso no futuro? Até porque as câmeras digitais Samsung evoluíram muito nos últimos dez anos.



17,23/03/2015, 17/06/2015.



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Duolingo


Duolingo


Faz alguns meses fui apresentado ao "Duolingo", que é um saite, e um aplicativo, para Android (acredito que exista para iOS e WindowsPhone) para aprendizagem de idiomas.


Para falantes de Português, estão disponíveis os idiomas Inglês, Espanhol e Francês. O Duolingo prevê que no final de julho estará disponível também o Alemão.


Para falantes de Inglês, há diversos cursos, como, por exemplo, Sueco, Russo e Vietnamita. E uma grande variedade mais.


Ele é muito bom para aprender os rudimentos dos idiomas. É uma boa base, embora longe de ser suficiente.


O curso se baseia em memorização de palavras e frases, a boa e velha "decoreba". Faltam a ele aquelas duas coisas básicas de ensino de línguas: simulação de diálogos e dicas de gramática. A simulação de diálogos é básica para o aluno tentar entender situações cotidianas. Gramática costuma ser um assunto árido, mas é importante para o aluno compreender um pouco como funciona o idioma que está sendo aprendido.


O curso também tem um formato de jogo (ou "game", como o pessoal gosta de dizer hoje em dia). À medida que o aluno avança no aprendizado, vai ganhando experiência ("XP"), e subindo de nível. E ganha "lingots", isto é, algo como lingotes de ouro virtuais, para comprar testes, "roupas", etc. Talvez pudesse ser por aí que deveriam estar as dicas de gramática. Ou os diálogos.


Eles ainda oferecem testes de nivelamento pagos.


O aluno pode ir aprendendo um novo idioma com dedicação de dez minutos por dia. Depois de um tempo, terá uma base do novo idioma.


Estará apto para ir além, e dominar de fato a nova língua.


15/06/2015.

domingo, 14 de junho de 2015

Faleceu Fernando Brant


Faleceu Fernando Brant
Pelo que pude entender, em decorrência de complicações de um transplante de fígado. Ele teve câncer no fígado, que levou à necessidade do transplante. Tinha 68 anos. 
Eu sei quase nada a respeito do compositor mineiro, exceto que era parceiro Milton Nascimento, inclusive em "Travessia", o primeiro grande sucesso do cantor.
Por isso ele era importante para mim, e sinto a sua morte.


13-14/06/2015

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Colonoscopia


Colonoscopia



Então é assim.
A partir de certa idade, você começa a fazer exames periódicos para medir sua glicose, colesterol, triglicérides, etc. É o chamado "check up".
Não obstante, se todos, ou a maioria desses índices estiverem saudáveis, sempre se pode inventar um novo exame, sempre, é claro, em nome da preservação da saúde.
Eu não me lembro porquê um médico me pediu uma colonoscopia faz uns dez anos. Talvez porque eu estivesse com uns cinquenta, e talvez fosse bom fazer mais esse exame para garantir que nada errado houvesse com meus intestinos.
Sei que a colonoscopia é duplamente desagradável. Em primeiro lugar pela preparação para o exame, em segundo pelo exame em si.
Mas tudo pela preservação da saúde!
Eu deveria ter refeito o exame, cinco anos após o primeiro, mas, sabe como é, a gente adia o quanto pode um exame desses.
Começa pela preparação.
Três dias antes do exame é preciso tomar um laxante. Sim, para liberar os intestinos da maior parte de sua carga. Três dias antes!
E a partir de então, se deve ficar comendo, gelatina, um ovo, um porção de macarrão instantâneo por refeição. Macarrão instantâneo sem tempero.
Na véspera do exame, se deve tomar um remédio, que, não estou certo, se é laxante, ou algum tipo de contraste. E ficar tomando a tal gororoba de hora em hora.
Depois, no dia do exame, fica-se em jejum desde a madrugada.
O exame é marcado para às 12:30. E às 12:30 eu me apresento no Centro de Cirurgias Ambulatoriais para o "procedimento". Me identifico e sou mandado aguardar a chamada.
Ah sim, é preciso que um familiar ou conhecido me acompanhe para o caso de qualquer eventualidade.
13:45 é feita a tal chamada. Sou chamado para o procedimento. O meu acompanhante, neste caso, um familiar, fica com meus pertences, e o telefone celular dele é anotado para alguma eventualidade.
Depois que ele sai, me é dado um daqueles aventais de hospital, que deixam o traseiro exposto. Tenho que tirar a roupa, os calçados, os óculos, e a ponte dental.
Só que em lugar de começar o procedimento, sou colocado para receber soro. Afinal são inúmeras horas em jejum. Ninguém quer que eu tenha um problema de desidratação durante o procedimento.
Aguardo numa sala com outros pacientes. Há um rapaz que vai ter cálculos renais extraídos, possivelmente por laparoscopia. Um senhor que vai ser tratado de catarata.
Um velhinho que vai ter extraídos cálculos na vesícula está bem espirituoso. Enfrenta com galhardia,o procedimento. Terá ele mais ou menos que oitenta?
Enfim, estamos todos aguardando nossos destinos naquela sala de espera.
16:30: A minha maca começa a ser rolada para a sala onde será executado o procedimento. Dizem eles que injetaram um sedativo no soro. Em breve devo apagar.
Se você não sabe do que se trata, a colonoscopia se trata de enfiar uma sonda pelo ânus do paciente, para uma exploração dos intestinos, à procura de tumores. O melhor é não encontrar nada. Mas, se algo for encontrado, e for pequeno, a própria sonda já corta, e o material é enviado para biópsia. Nesse caso, a torcida é para que não seja encontrado material maligno, o temido câncer.
Eu deveria estar sedado, mas a sedação não fez efeito suficiente. Consigo acompanhar, mais ou menos, o que acontece dentro de mim. Ainda bem que não sou de me impressionar com essas coisas. Dizem que tem gente que desmaia diante de injeção, ou de coleta de exame de sangue, e gente que pode entrar em pânico, se colocada diante de um procedimento como este. Eu nunca me impressionei. Felizmente.
Sei que em algum momento, comecei a questionar o médico, e ele mandou aumentar a sedação. Acho que tonteei, mas ainda não sei se apaguei completamente, ou fiquei tentando resistir.
Sei é que, acho que depois de uma hora e meia, o procedimento terminou, e fui levado para uma sala de recuperação. E logo já estava recuperado.
Felizmente o procedimento transcorreu sem problemas. Pude logo me levantar e colocar a roupa, os calçados, os óculos e a ponte. Saí caminhando como se nada demais tivesse acontecido.
Meu familiar foi chamado e fomos embora.
Agora é esperar que o resultado também seja feliz.
E torcer que eu não precise mais fazer exames como esse.



01/06/2015, referente 22/05/2015.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Peru, América Latina, subdesenvolvidos...


Peru, América Latina, subdesenvolvidos...


E dia 23 passado (23/05/2015), a Folha de São Paulo publicou uma crônica de Leonardo Padura, o escritor cubano que tem se tornado mais conhecido pela recente publicação do livro "O Homem que Amava os Cachorros".


Nesta crônica, ele narra um encontro com o peruano Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura em 2010, no aeroporto de Barajas, na Espanha. Segundo Padura, então talvez um semi-obscuro escritor cubano, ele acabou por ganhar a simpatia do peruano informando que cada vez que ele ia iniciar a escrever um romance, ele voltava a ler "Conversa na Catedral", antigo romance de Llosa, publicado primeiramente em 1969.


Em sua crônica, Padura reproduz parte do parágrafo inicial de "Conversa na Catedral": "Da porta da 'La Crónica', Santiago olha a avenida Tacna sem amor: automóveis, edifícios irregulares e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos flutuando na neblina, o meio-dia cinzento. Em que momento o Peru tinha se fodido?".


Também fiquei fisgado por esse parágrafo inicial.


Dias depois fui a um sebo, e adquiri uma velha edição do antigo Círculo do Livro, do início dos anos 1980.


O irônico é que por mais de vinte anos, havia um exemplar deste livro na casa que eu morava, adquirido pela minha irmã. E eu nunca li o tal livro, embora pensasse comigo mesmo que um dia eu iria lê-lo. Quando perguntei para ela o que havia acontecido com o tal livro, ela respondeu que tinha vendido ele, e outros, para um sebo. Será que é o mesmo exemplar que comprei?


Se tornou a minha prioridade zero, em objetivos de leitura.



03/06/2015.