segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Diário - cinema - Real Beleza


Diário - cinema - Real Beleza


"Real Beleza" é o mais recente filme do cineasta Jorge Furtado. Trata de um fotógrafo, João, em meio a uma crise criativa, que parte em busca de um novo rosto que possa se destacar como modelo fotográfico.


Esse fotógrafo é vivido por Vladimir Brichta. Entre tantas meninas, ele acaba achando que encontrou uma modelo de destaque em Maria (a estreante Vitória Strada). Como Maria é menor de idade, ela precisa da autorização dos pais para viajar com João e começar sua carreira artística. Anita (Adriana Esteves) é a mãe de Maria, que até incentiva a carreira da filha, mas Pedro (Francisco Cuoco), seu pai é contra. Pedro acha que a menina precisa concluir o ensino médio, e completar a maioridade para então começar a trabalhar.


Além disso, João se envolve afetivamente com Anita.


Pedro tem a peculiaridade de ser um literato, alguém muito apegado aos livros, o que é demonstrado pelo sobrado em que ele vive. Com livros espalhados por todos os cômodos. Ele está velho e praticamente cego.


Estas são as tensões do filme. Maria querendo deixar a cidadezinha do interior, em busca de conquistar o mundo. Anita e seu amor por João ou Pedro. Tudo isso em meio as belezas das paisagens da serra gaúcha (o filme foi rodado na cidade de Garibaldi).


Mais as questões filosóficas de fundo: só há beleza na juventude? O que é mais importante a imagem, como a fotografia ou a pintura, ou as letras? Nossas decisões podem resultar em algo belo?


É um filme belo. Meu único senão é para a cena do prólogo, onde fica manifesta a crise criativa de João. Pareceu um tanto quanto forçada, ou, por outro lado, clichê. Mas não tira os méritos do filme.


17/08/2015.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Hanami em Canela e Gramado



Hanami em Canela e Gramado

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Início de agosto, final do inverno. Bom momento para subir a serra e desfrutar dias de descanso.


A região de Gramado e Canela, a mais ou menos 120 quilômetros de Porto Alegre é um polo turístico importante do Rio Grande do Sul. Além de relativamente próxima da capital, é um chamariz de turistas no inverno pela eventual ocorrência de queda de neve, além de ser uma região de belas paisagens.


Além do fator climático e das belezas naturais, a cidade de Gramado abriga um tradicional Festival de Cinema.


Tudo isso gerou uma importante infraestrutura para o turismo. Há diversos hotéis e pousadas, e mesmo os moradores menos afortunados fazem "puxadinhos" em seus imóveis na esperança de conseguir uma grana extra hospedando turistas.


A gastronomia conta com diversos restaurantes.


E como um negócio chama outro, outras atrações foram se instalando na região. Há parques, museus dos mais variados - de cera, do vapor, o mundo gelado, cartódromo, zoológico.


Contudo, ainda inverno, faltando mais de um mês para o início da primavera já há árvores florescendo na serra. Quem me chamou a atenção para o fenômeno foi a minha mulher, quando caminhávamos pelo centro de Canela.


Ali estavam as plantas que depois nos informaram que eram ameixeiras, que dão ameixas miúdas. Cheias de florzinhas cor de rosa.


No dia seguinte, vimos mais destas nas ruas de Gramado. Ameixeiras. E também, na praça em frente à catedral católica de Gramado, no centro da cidade, encontramos uma cerejeira japonesa, também florida.


Foi um privilégio ter visto essas flores por lá.


08/08/2014.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Diário - leituras - Enquanto Tempo (crônicas)


Diário - leituras - Enquanto Tempo (crônicas)


PENZ, Rubem. Enquanto Tempo (crônicas). Porto Alegre: BesouroBox, 2013.


"Enquanto Tempo" é um livro de crônicas, de Rubem Penz.


Eu fui aluno de Rubem Penz em uma das diversas oficinas literárias de criação de crônicas que ele ministra aqui em Porto Alegre.


Assim, não se espere um comentário muito crítico aqui.


Não que este blogue seja muito crítico com quem quer que seja...


Mas enfim, o livro foi adquirido do próprio autor, e serve como exemplo, quase como lição de casa para os alunos.


São 34 crônicas em pouco mais de 100 páginas. Escritas ao longo do tempo (há, por exemplo, umas três ou quatro crônicas dedicadas a mães, provavelmente escritas tendo em vista a efeméride do Dia das Mães).


Claro que numa obra assim, alguns textos são melhores que os outros.


Eu gostei bastante de uma chamada "TOC de Bola", onde um jogador de futebol vai incorporando ritos de sorte à medida que vai crescendo profissionalmente.


Também "Dia da Mãe" (olha uma das crônicas inspirada no Dia das Mães aí), uma crônica muito tocante, onde ele fala da mãe e do tempo da mãe.


Crônica como o nome diz, está mesmo ligada a "cronos", isto é, ao tempo. E servem para gravar, um tempo que, sem remédio, vai passando.


No final, há uma crônica chamada "Inventário", onde, em forma de crônica, o autor informa os diversos tipos de crônica que existem, uma informação que não se preocupou em ser exaustiva, mas que foi estudada. E relaciona estes tipos de crônica com as crônicas anteriores do livro. Eis aí o final que torna o livro um tipo de livro-texto, uma lição de casa para os alunos das oficinas literárias de crônicas do autor.


Eis o registro da leitura.

08/06/2015.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Diário - Leituras na Piauí - Junho/2015 - Doce Remédio


Diário - Leituras na Piauí - Junho/2015 - Doce Remédio



Doce Remédio é uma das longas reportagens da revista Piauí, na edição 105, de junho de 2015, onde o jornalista Michael Polan aborda a experiência com drogas psicodélicas como terapias para lidar com a angústia humana.


Michael Polan é professor na Universidade da Califórnia, Berkeley, e o artigo foi originalmente escrito para a revista New Yorker.


Ele começa seu relato falando de Patrick Mettes, um jornalista de 54 anos, com câncer nas vias biliares, e com a expectativa cada vez mais presente e angustiante da morte. Mettes leu um artigo no The New York Times, sobre experiências em diversas universidades com alucinógenos. A New York University, NYU, era uma delas, e ele se candidatou a participar do programa. A droga utilizada era a psilocibina, o princípio ativo dos chamados "cogumelos mágicos".


A partir daí, Polan faz toda um inventário do uso das drogas psicodélicas, começando pelos anos 1950, passando pela mais famosa destas drogas, o LSD. O governo dos Estados Unidos financiou mais de quatro milhões de dólares em pesquisas nessa área, até que a abordagem mudasse, e se passasse ao proibicionismo que passou a vigorar a partir do início dos anos 1970. A pesquisa foi descontinuada, e esse conhecimento praticamente perdido.


O que parece que os cientistas estão redescobrindo é que estas drogas tem potencial para serem usadas como antídoto para o estresse pós-traumático, e podem ser usadas contra a angústia existencial que afeta todos os seres humanos. Essa angústia afeta de forma mais acentuada uns do que outros. Logo no segundo parágrafo, há uma frase definidora do potencial destas drogas: sob a influência delas, "o indivíduo transcende sua identificação primária com o próprio corpo, liberando-se de seu ego e voltando [da viagem alucinatória] com uma nova perspectiva, e uma profunda aceitação", das limitações existenciais, presumo eu.


Então ele passa a inventariar todos os estudos que ele conseguiu mapear a respeito de tais pesquisas, como na própria NYU, ou em Londres.


Narra a "viagem" de Mettes com a psilocibina, viagem esta guiada por uma pessoa querida e já falecida, e mostra como aquilo de fato, mudou a forma dele ver o mundo, e aliviou sua angústia diante da morte iminente.


Como se poderia esperar, na reportagem ele informa pesquisas para tentar descobrir o motivo da possibilidade terapêutica com as drogas psicodélicas, com pesquisas sobre a fisiologia cerebral. Supostamente essas drogas agiriam sobre a "rede neural em modo padrão", ou "Default Mode Network" - DMN, em inglês, diminuindo sua atividade.


Enfim, uma reportagem muito interessante sobre psicologia, psiquiatria, e neurologia.


Patrick Mettes, por fim, morreu em uma clínica de cuidados paliativos. Mas a experiência com a psilocibina aparentemente lhe gerou um alívio existencial, e lhe trouxe nova alegria de viver, pelos dias que lhe restaram após a experiência, isto é, a “viagem”.



05/08/2015.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Inverno estranho


Inverno estranho



Dias atrás eu havia decretado que o inverno de 2015 tinha acabado.


Continuo achando que acabou mesmo. As altas temperaturas e os passarinhos cantando de madrugada, não me deixam mudar de ideia.


O que eu não esperava eram as temperaturas absurdas que estamos tendo neste agosto de 2015.


Porto Alegre costuma ser agraciada com temperaturas amenas, até quentes, no inverno. A expressão "veranico de maio" é consagrada por aqui, embora maio ainda seja outono.

Também já constatamos temperaturas amenas em junho, já inverno, e mesmo em julho.


Mas temperaturas acima de 30oC em agosto parecem meio exageradas. Foi o que tivemos nestes três últimos dias, sexta, sábado e domingo, isto é, 7, 8 e 9 de agosto.


Um colega meu comentou em tom jocoso, que isso seria sinal que o Brasil se tornou um país desenvolvido, afinal, é só conferir, qual é a temperatura atual em Nova York, Paris ou Tóquio. Diz esse meu colega, que país desenvolvido tem calor em agosto.


Claro que Porto Alegre não é o Brasil, e não teria graça lembrar a ele que Fortaleza, por exemplo, é quente o ano todo.


Segundo o noticiário, os meteorologistas atribuem o calor extemporâneo a uma nova manifestação do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o "El Niño", com suas manifestações por todo o planeta. É possível.


É possível também que o planeta esteja mesmo aquecendo, e este calor de varão em pleno inverno já seja uma manifestação disso. Quem sabe?


Em todo caso, estou registrando. Quando teremos 35, 37oC em Porto Alegre, em agosto novamente?


09/08/2015.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Um dia anormal


Um dia anormal





Foi nesta segunda-feira, 3 de agosto.

Na sexta-feira anterior, o governador decretou o parcelamento de salários a serem recebidos acima de dois mil reais líquidos (isso dá algo como quinhentos e setenta dólares no momento em que escrevo).

Como consequência, quase metade do funcionalismo público estadual não recebeu seu salário integralmente, o que gerou indignação.

Uma das materializações de parte dessa indignação foi a ameaça de associações de policiais da Brigada Militar (a polícia militar do Rio Grande do Sul) de não realizar o policiamento ostensivo nas cidades, como é praxe.

Assim, essa segunda-feira foi um daqueles dias de colocar as barbas de molho.

Prestar mais atenção no rádio sobre o que acontecia na cidade, conferir se o transporte público estava realmente funcionando. O transporte público funcionava, mas a companhia municipal de ônibus, a Carris, não operou pela manhã.

Em “dias normais” o risco de assaltos e arrastões no transporte público já é elevado. Infelizmente se tornaram comuns os relatos nesse sentido, tanto em ônibus, quanto em lotações.

Num dia como essa segunda-feira, era o momento de prestar mais atenção nos passageiros, para tentar prever a presença de um potencial assaltante, e de tentar antecipar uma pedra atirada contra o vidro do veículo. Dia de ficar com as barbas de molho.

No fim, o policiamento esteve presente, apesar das manifestações de familiares de policiais.

Durante todo o dia houve rumores de arrastões pela cidade. Mas parece que foram apenas rumores, felizmente. Manifestações de uma cidade mais amedrontada que o normal.

No final do dia, o comércio fechou mais cedo. Várias lojas que ficam abertas até as oito da noite, estavam fechadas antes das sete. Mesmo o Shopping Rua da Praia, que normalmente fica aberto até as nove, estava fechado antes das sete.

Às sete já havia pouco movimento no Centro da cidade.

O medo continuava no ar. Rescaldo de um dia anormal.





04/08/2015.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Diário – cinema – Dromedário no Asfalto


Diário – cinema – Dromedário no Asfalto




“Dromedário no Asfalto” é um filme, coprodução brasileiro uruguaia, sobre um homem que perdeu sua mãe, e parte em viagem para reencontrar seu pai.

Seu trajeto vai de Porto Alegre a alguma periferia de Montevidéu no Uruguai. Pelo trajeto menos trivial, isto é, de Porto Alegre a Balneário Pinhal, e então, em direção ao sul, pela RST101, com direito a travessia de balsa entre São José do Norte e Rio Grande.

Pedro é seu nome. Pedro faz sua viagem entre recordações e expectativas, e perscrutando o seu próprio ser. Lembranças da mãe, recordações mais fugidias do pai.

E há o mar, este símbolo da vida e da morte, com seu ir e vir, seu fluxo contínuo.

O tipo físico algo desajeitado do ator principal, Marcos Contreras, pode lembrar mesmo algo tão desajeitado quanto um dromedário trotando pelo asfalto. E são muitas as tomadas de Pedro caminhando (trotando?).

Já vimos coisas semelhantes. Há vários filmes em que os protagonistas partem em busca de algo, enquanto vão descobrindo a respeito de si mesmos durante a viagem. Desde os dinossaurinhos da animação “Em Busca do Vale Encantado” até o recente “Mad Max: Estrada da Fúria”, passando por "Thelma e Louise", e “Na Natureza Selvagem”. Poderia citar “Na Estrada” ("On The Road"), mas nesse caso, o importante não era o destino, mas estar na estrada.

De maneira especial, este filme me lembrou “Na Natureza Selvagem”, com a diferença que em “Na Natureza Selvagem”, temos um jovem que deixa a família para trás para se descobrir, enquanto, neste “Dromedário no Asfalto”, temos um jovem que perdeu seu vínculo familiar (sua mãe), e parte em busca do que possivelmente lhe restou, isto é, um pai que foi ausente a maior parte do tempo.

É bom ver lugares conhecidos, como Balneário Pinhal, ou Rio Grande, ou Montevidéu na tela, mas tenho dificuldades em afirmar que este filme conte uma história consistente.

No paralelo com “Na Natureza Selvagem”, “Dromedário no Asfalto” se mostra bastante inferior, com personagens e situações menos bem definidos.

Não que eu tenha achado “Dromedário no Asfalto” um filme ruim. Não é. É até bom. Mas precisava de um pouco mais de consistência.

Foi bom assistir.






04/08/2015.



domingo, 2 de agosto de 2015

O inverno de 2015 acabou.


O inverno de 2015 acabou.


Os passarinhos cantando na janela dos nossos apartamentos às duas da madrugada não nos deixam enganar: o inverno acabou. Já estamos na primavera de 2012, curtindo as delícias da meia-estação, mesmo que oficialmente a primavera só venha a iniciar no equinócio, que deve ficar lá pelo dia 20 de setembro, ou depois.


Eu escrevi o parágrafo acima em 2012 . Era início de setembro, e eu informava que os passarinhos cantando de madrugada indicavam que o inverno acabara.


Como em 2015, os passarinhos já estão cantando no início da madrugada. E estamos tendo altas temperaturas durante o dia. Me parece que o inverno de 2015 está acabando mesmo.


O mais curioso é que estamos apenas no início de agosto. Só metade do inverno “oficial” passou.


Desse inverno, o que se pode dizer é que teve poucos dias de frio (temperatura abaixo de 10oC), e nenhum dia de muito frio (temperatura abaixo de 5oC). Ou não?


Houve muita chuva. Chuva que causou alagamentos nos municípios vizinhos de Alvorada e Cachoeirinha, e fez o Guaíba subir as calçadas em Ipanema, na zona sul da cidade. Além disso, o alagamento interditou o acesso de Porto Alegre a Cachoeirinha pela Avenida Assis Brasil, coisa que eu nunca havia testemunhado.


Em relação aos recorrentes problemas de saúde entre a população no inverno, neste ano com a ampliação da vacinação sazonal, os vírus de gripe tem preocupado menos. Não que não tenham ocorrido óbitos por conta de gripes. Ocorreram, mas não em número suficiente para a alarmar a população.


Houve um surto de meningite na cidade vizinha de Cachoeirinha, que resultou em três falecimentos, e ampla vacinação da população até dezenove anos. A meningite é sempre recorrente no sul, entre o inverno e a primavera.


Então!... Hoje, domingo, dois de agosto, a temperatura chegou a 30oC em Porto Alegre. Realmente é primavera, quase verão!


Esta semana deve trazer uma frente fria, com mais chuvas, mas nada que coloque a temperatura abaixo de 10oC.


Acho que o inverno realmente terminou.


02/08/2015.

"Food Trucks" no Parque Germânia


"Food Trucks" no Parque Germânia


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Hoje à tarde, havia uma fileira de caminhões de "food truck" na entrada do Parque Germânia, pela Avenida Túlio de Rose (não vi se havia outros caminhões ou caminhonetes nas outras entradas do Parque).


"Food Truck" é um pouco das velhas carrocinhas que vendiam lanches diversos, como cachorro-quente ou os nossos xis ("xises"? - xis, ou "x-burguer", ou "cheese burger", enfim, a língua é rica em formas para determinadas definições), só que com um pouco mais de sofisticação e preço mais elevado.


Havia um caminhão para "burritos", isto é, comida mexicana, outro para café, outro para crepes, um para hamburguers, um para frango frito, e um para temakis.


A princípio, no momento em que passei por ali, os mais movimentados eram o de burritos, talvez pelo ainda exotismo da comida oferecida, e o de café, acho que pelos produtos de preços mais acessíveis, embora nem tanto. Os outros trẽs não estavam atraindo tanto as pessoas.


Pelo que pude ver, o caminhão de café oferecia o café expresso a R$ 4,00 . As refeições oferecidas pelo de burritos variavam com preços entre R$ 15,00 e 18,00. O de hamburger, oferecia um hamburger a R$ 18,00 . Esses valores são acessíveis? Podem ser considerados honestos? Não sei. Estamos no país do salário mínimo de pouco mais de R$ 700,00, Do salário mínimo regional, no Rio Grande do Sul, de pouco mais de R$ 1.000,00 , e do salário médio de cerca de R$ 2.000,00

Veremos se a iniciativa tem sucesso e vai se repetir.



02/08/2015.

Hoje perdi uma câmera fotográfica

Hoje perdi uma câmera fotográfica




Hoje perdi uma câmera fotográfica. Uma câmera da marca Vivitar, modelo Vivicam X029, provavelmente fabricada na China.


Não sei exatamente como a perdi, mas deve ter ficado na lotação em que fui trabalhar. Eu imaginei que a havia colocado no bolso, para poder usá-la em seguida.


Sei que desci da lotação, caminhei uns passos, e, quando fui buscar a tal câmera no bolso, não a encontrei. Nem a encontrei refazendo meus passos.


O pior é que ela ia ficar em casa, mas como era um dia de inverno, com nevoeiro, eu a peguei. Muitas câmeras melhores acabam tendo dificuldade para fazer foco sob nevoeiro. Nesse ponto, a Vivitar X029 era simples e eficiente.


Uma pena.


Não que fosse uma câmera sofisticada, que tirasse fotos perfeitas. Longe disso. Ela se enquadrava mais no conceito de "toy cam", isto é, câmera de brinquedo. Para uma câmera digital, as imagens eram bastante toscas. E, de quebra, eu coloquei nos parâmetros da câmera que as fotos gravadas por ela ficassem com cores saturadas, mais fortes que o natural.


Para os dias em que escrevo, esta câmera, que gera imagens com tamanho máximo de 10 megapixels, tinha desempenho inferior às câmeras de telefones celulares de padrão médio atual. Por exemplo, a câmera do Motorola Moto G, um celular bastante vendido gera imagens melhores.


A grande vantagem dela era o uso de uma bateria de celular. Essa bateria fazia com que fosse possível muitas fotos com ela. Câmeras simples, "point and shoot" ("aponte e dispare") como ela, sem zoom ótico, costumavam vir com pilhas comuns, pequenas ("AA"), ou palitos ("AAA"), que logo ficavam sem fôlego. Nesse aspecto, a Vivicam X029 era um achado.


Baixo custo, pequena, silenciosa, portanto discreta, e com imagens saturadas, a diversão era garantida, fugindo do apuro estético das câmeras digitais mais sofisticadas. E, de quebra, numa cidade com criminalidade alta, como Porto Alegre, com risco desprezível. A câmera era discreta. E barata. Mesmo em caso de roubo, o prejuízo seria pequeno.


Era divertida. Eu me diverti bastante com ela. E justamente por ser divertida, o maior prejuízo foi o sentimental.


Duvido que ela volte para mim.

Em todo caso, espero que quem a encontre possa se divertir com ela, como eu me diverti.


Ficaram apenas a capinha que eu usava com ela, e as fotos que ela tirou.


28/07/2015.