terça-feira, 31 de maio de 2016

E-meio à Piauí


E-meio à Piauí


À redação da Revista Piauí,


Caros Senhores e Senhoras,

Estive reclamando dos conteúdos da revista nas edições de outubro e novembro de 2015, me perguntando, e perguntando a vocês, se a revista estaria dando uma guinada à direita, inclusive me questionando se valeria a pena continuar lendo a revista, que eu tinha por razoavelmente equilibrada, quiçá de centro-esquerda.


Pois bem, as edições de dezembro de 2015 e janeiro de 2016 me deixaram mais tranquilo.


Em especial gostei do artigo de André Singer, sobre o que ele mesmo chama de "lulismo" e seu aparente esgotamento, no final do primeiro Governo Dilma. Foi interessante inclusive a repercussão do artigo, com alguns leitores indignados. Em especial um chamado Wagner Tavares, de São Paulo, Capital: "texto ideológico, eivado de afirmações equivocadas e de informações falsas". Como me parece que André Singer apresentou uma série de dados para embasar seu texto, cheguei à conclusão que contra opiniões não há fatos que as possam contestar. André Singer levou 4 a 1 nas cartas dos leitores, mas os outros leitores que enviaram mensagens à redação para rechaçar Singer foram mais genéricos, parecendo mais torcida mesmo.


E gostei bastante do longo perfil de Rupert Murdoch, e do quadro do jornalismo britânico, traçado por Nick Davies. Interessante quando ele fala dos jornalistas que trabalham para Murdoch (sendo que a reportagem parte do casamento de Rebekah Brooks, editora ou ex-editora-chefe do The Sun): "Ninguém duvida da capacidade dos "droogs" (a maneira como Nick Davies se refere a esses jornalistas) de causar prejuízos políticos graves. Um jornal cínico que ataca um partido político - esteja ele no governo ou na oposição pode infundir o caos. Todos os debates se transformam em cisões, os problemas viram crises, as mudanças viram recuos, os reveses são humilhantes, os sucessos, ignorados. A agenda de notícias é tão adulterada que a qualquer momento o partido ou o governo se veem obrigados a voltar suas atenções para uma crise criada pelo jornal. Pode arruinar reputações, seja com notícias falsas, seja com verdadeiras." Li tudo isso e pensei: ainda bem que no Brasil a grande imprensa corporativa é equilibrada, objetiva e limpinha.


Então, senhores e senhoras, por enquanto pretendo continuar lendo a revista. Obrigado pelo seu conteúdo. De maneira geral é bom.

José Rodrigues
Porto Alegre - RS

02/02/2016.


P.S. Este e-meio não foi publicado na seção de cartas da revista.

Rede antissocial


Rede antissocial


Finalmente aderi à rede do Zuckerberg.


Três dias depois já me meti na primeira discussão por conta de política.


Então foi assim: a pessoa, com quem eu conversava pouco, cruzou entre os meus conhecidos na rede social. Sugestão de amizade. Aceitei.


Como os amigos vêm para a sua "time line" dentro da rede, lá veio uma palavra da pessoa. Disse que "sempre fora imparcial, mas depois de hoje fica difícil aceitar um judiciário que julga mais importante o foro privilegiado do réu do que o crime a ser julgado. E uma presitente que chama o povo brasileiro de golpistas e que estão rasgando a constituição por se manifestarem a favor a renúncia dela."


Não me fiz de rogado, e comentei: "Não creio que a PresidentA (já que ela quer ser chamada assim, e a língua permite a flexibilização) tenha chamado o povo de golpista. Golpista seria quem maquina um impeachment sem base legal."


Ele fez a tréplica: "O povo brasileiro está pedindo o impeachmemt. Sei que a fala não é dela pois ela leu o discurso, se não tivesse lido talvez falaria coisas sem nexo e sem sentido como de costume."


Eu respondi de novo (seria "quadríclica"? O que vem depois de tréplica?): "Sou parte do povo brasileiro e não pedi impeachment nenhum. Impeachment nesta presidenta sob as atuais circunstâncias é um golpe de estado disfarçado, que colocará o Brasil na companhia ilustre das repúblicas de Honduras e do Paraguai, que fizeram coisas parecidas."


E ele resolveu encerrar: "Nada que dissermos convencerá um ao outro, respeito tua posição e acho válido a discussão isso é democracia para mim. Abraço!"


Na verdade não achei nada democrático encerrar uma discussão dessa maneira, mas achei melhor deixar assim.


Ficou um sentimento amargo na cabeça, e a sensação que talvez não venhamos mais a conversar, já que já conversávamos pouco.


E assim foi minha primeira discussão politica na rede antissocial.

22/03/2016.



P.S. Pensando hoje, isso parece tão longínquo. E faz pouco mais de dois meses. (31/05/2016)


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sobre o blog estar devagar...

Não é que eu não esteja escrevendo.
Só não estou conseguindo parar para, minimamente, revisar e publicar.


Leituras na Piauí - março de 2016 - Ecos de Chernobil


Leituras na Piauí - março de 2016 - Ecos de Chernobil


O marqueting da Companhia das Letras é eficiente. Sempre libera trechos de algum livro que ache importante na revista Piauí, um ou dois meses antes do lançamento do livro propriamente dito. Eu já comentei aqui o livro que achei que era  autojornalismo, ou o livro de Ta-Nehisi Coates de denúncia do racismo nos Estados Unidos.


No caso da edição de março de 2016, o trecho que precede o lançamento do livro é "Ecos de Chernobil", da escritora bielorussa Svetlana Aleksiêvitch. Nessa amostra, além de descrever o que teria acontecido naquele terrível evento de 1986, ela basicamente descreve o depoimento Liudmila Ignátienko, esposa do bombeiro Vassíli Ignatienko.


Liudmila e Vassíli eram um casal jovem, que vivia em Pripiati, cidade vizinha a Chernobil. Foi dos primeiros homens a ser mobilizado quando ocorreu a explosão e o incêndio na central nuclear. Obviamente a radiação teve efeitos devastadores sobre ele. Assim, Svetlana conta o drama de Liudmila. O adoecimento de Vassíli, o tratamento dele num hospital local, a "invasão" de soldados à região, a evacuação das cidades, a transferência dos doentes, Vassíli incluído, para Moscou para tratamento, a ida de Liudmila atrás de seu marido na então capital da União Soviética, seus dias em Moscou. Sendo que durante esse tempo todo, Liudmila estava em estado avançado de gravidez. Vassíli na narrativa acaba por morrer, mas cuidados especiais eram necessários para o enterro, pois ele havia se transformado numa massa radioativa. Depois, quando filha deles nasce, vem com más formações devido à exposição à radiação, e morre logo após o nascimento.


Ler sobre tudo isso me levou às lágrimas. E esse é apenas o caso de uma pessoa, ou uma família afetada por aquela tragédia. E ainda há mais a ser contado sobre a vida de Liudmila nesse excerto publicado.


Sendo que o livro é composto da recriação de diversos depoimentos como o de Liudmila, podemos esperar uma obra muito humana, e tremendamente devastadora para quem a ler.


24/04/2016.