domingo, 25 de setembro de 2016

Diário - cinema - Aquarius

Diário - cinema - Aquarius



Para começo e fim de conversa, "Aquarius" ("Aquarius", Brasil/França, 2016) é o melhor filme brasileiro (embora em coprodução francesa) que tenho visto em algum tempo. Em tom de piada, se pode dizer: "parece filme argentino".

Claro que aquela situação que se apresenta no filme, é difícil de se apresentar na realidade, a não ser mesmo que se queira contar uma parábola do Brasil, pois dificilmente alguém fica querendo resistir à especulação imobiliária no Brasil, o que é o caso da personagem Clara (Sônia Braga) no filme.

Ela é uma viúva, que mora em um edifício antigo à beira-mar no Recife. É a última ocupante de um apartamento nesse prédio, cujos demais imóveis foram comprados por uma construtora que pretende pôr o prédio abaixo, para construir um novo empreendimento.

O apartamento de Clara é muito confortável, e, o filme mostra, cheio de lembranças. E esse é o motivo do apego de Clara ao imóvel.

Como eu disse, acho que o conflito estabelecido no filme não se apresenta na vida real, e a história se coloca como metáfora do país, onde o dinheiro compra tudo; e manda quem pode, e obedece quem tem juízo.

No caso de Clara, para poder resistir, ela também é uma mulher de classe média alta, proprietária de imóveis, o que torna o filme menos maniqueísta. Não é a pobre viúva contra os ricos especuladores.

Talvez, como disse outro comentarista, seja o caso de uma narrativa de inconformismo. E entre outras coisas, Clara resista em seu apartamento, porque não é isso que se espere dela.

O filme mostra uma Sônia Braga em pleno esplendor, pois é ela que sustenta quase todo o filme. Se fosse em teatro, seria um monólogo. Já Humberto Carrão se apresenta muito bem, como o rapaz empreendedor, boa pinta, que faz MBA no exterior, que mascara com a face de bom moço, a meta de fazer dinheiro, fazendo o que for necessário para alcançar seus objetivos.

Extras: uma sequência de fotos do Recife nos anos 1970 no inçio do filme, e uma trilha sonora soberba.

Como eu disse no início, o melhor filme brasileiro que tenho visto em algum tempo.


20/09/2016.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Diário - cinema - Jornada nas Estrelas: Sem Fronteiras

Diário - cinema - Jornada nas Estrelas: Sem Fronteiras


Este episódio de "Jornada nas Estrelas" (ou “Star Trek”, a gosto) - "Jornada nas Estrelas: Sem Fronteiras" - é o terceiro desde o reinício em 2009, dessa nova versão da série.

Lembrando que tudo isso começou nos anos 1960, com Gene Rodenderry. Desde então foram inumeráveis filmes de longa metragem e séries de televisão.  

Neste caso, a nave Enterprise em sua missão de conhecer o universo, chega à estação espacial de Yorktown, uma imensa cidade espacial artificial que emula a Terra, inclusive com gravidade artificial. A estação espacial recebe um pedido de socorro de uma comandante de uma nave que foi atacada próxima a um planeta, em uma região do espaço próxima da Yorktown, mas ainda desconhecida. A Enterprise é enviada ao resgate. Lá a Enterprise é atacada por Krall, e o comandante Kirk e seus comandados caem no planeta, onde precisam lutar com Krall. Para isso, ainda vão contar com a ajuda de Jaylah, uma antiga prisioneira de Krall.  

Entre os três filmes da mais recente versão, "Jornada nas Estrelas", "Jornada nas Estrelas: Além da Escuridão" e este, este é o filme que mais gostei. Segundo as minhas vagas lembranças, ele honra a série original e segue seu espírito. Acredito que não há de desgostar os fãs mais fervorosos.  


16/09/2016.

sábado, 17 de setembro de 2016

Diário - filmes antigos - Bonequinha de Luxo

Diário - filmes antigos - Bonequinha de Luxo



Um táxi se aproxima em alta velocidade por uma rua quase deserta de Nova Iorque.

Amanhece na cidade. O táxi para, e dele desce uma mulher com um vestido de noite preto longo, usando luvas também pretas que sobem pelos braços acima dos cotovelos, óculos escuros, modelo wayfarer. Ela carrega um saco com o que deve ser um "croissant" ou um bolo, e um copo de café. Ela para em frente à vitrine da "Tiffany's", e observa, enquanto come e bebe. Ao fundo uma versão instrumental da música "Moon River", de Henry Mancini. Assim é a abertura do filme "Bonequinha de Luxo", ou no original "Breakfast at Tiffany's", produção estadunidense de 1961, que finalmente vim a assistir. E essa cena inicial batiza o filme, afinal, a protagonista, Holly Golightly (Audrey Hepburn) está tomando um café da manhã em frente à loja. E depois se dirige para casa, para dormir.

O filme tem direção de Blake Edwards. Narra a história dessa mulher, Holly, que é uma acompanhante de luxo, e sonha em casar com um homem rico. Ela vem a conhecer Paul Varjak (George Peppard), um escritor que vem a ser seu vizinho, e que, coincidentemente é sustentado por uma mulher rica.

Ambientado em Nova Iorque, a cidade também é um personagem, com a loja da Tiffany's, seus táxis amarelos, suas ruas e o Central Park.

É uma espécie de anticinderela.

Vale muito a pena ser visto. É um filme que envelheceu bem. Eu o vi recentemente, e o veria de novo em pouco tempo em seguida sem arrependimentos, principalmente pela beleza suave e única de Audrey Hepburn, uma certa inocência que ela exala, e o ar de desamparo que ela conseguiu imprimir à Holly.

Por fim, uma informação de almanaque: segundo o costureiro Xico Gonçalves, em seu blogue, aquele vestido preto da abertura do filme, e depois usado em outra cena, é um modelo da Givenchy, e foi arrematado em um leilão em 2006 por 807 mil dólares. Com o filme, e as fotografias do set de filmagem, e aquele vestido, Audrey passou a posteridade como um ícone de beleza e elegância.


28/08/2016.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Diário - leituras na Piauí - Edição 117, junho 2016


Diário - leituras na Piauí - Edição 117, junho 2016


Na edição de junho de 2016, 117, da revista Piauí, duas reportagens se destacaram.

A primeira é "O Delator", onde Malu Gaspar entrevista e acompanha Delcídio Amaral, ex-senador, cassado, que esteve filiado ao PSDB, e depois ao PT. É um bem longo arrazoado (cerca de 10 páginas) mesmo se tratando da revista Piauí. Se há algo a criticar é que em geral a reportagem toma como verdade a palavra de Delcídio, quase não questionando. Mas, em geral, não sobra ninguém. Não que eu tivesse ilusões sobre como é feita a política partidária brasileira, com seus compadrios, picuinhas e troca de favores, mas é diferente você comer o bife e ver o funcionamento do matadouro.

A outra é a reportagem de Ian Leslie, "Conspiração Amarga", onde ele demonstra como a ciência nutricional se equivocou ao eleger como vilã a gordura, e não mirar o açúcar. Um equívoco que perdurou por décadas, e que nos trouxe a hoje, com a obesidade epidêmica. Ele relata que já em 1972, um especialista britânico, John Yudkin, havia mostrado os problemas do açúcar, mas foi bombardeado pela indústria alimentícia, e pelos nutricionistas adeptos do paradigma aceito então. O que me fez lembrar, que diante da mentalidade dos homens em determinadas circunstâncias, contra convicções, não há fatos que as possam contrariar.



28/08/2016.

domingo, 11 de setembro de 2016

Diário - leituras na Piauí - Edição 116 maio de 2016

Diário - leituras na Piauí - Edição 116 maio de 2016


A edição de maio de 2016 da revista Piauí teve três textos que eu destacaria.

O primeiro é a longa reportagem de Rafael Cariello sobre a Operação Mãos Limpas ("Os Intocáveis"), na Itália. Aquela que inspira o juiz Sérgio Moro e uma equipe de policiais e procuradores federais em Curitiba. Como se poderia esperar, há semelhanças e diferenças entre o Brasil e a Itália, e nas formas de se combater a corrupção política. Na Itália, a operação começou pequena e levou os dois principais partidos do país, o Democrata Cristão, e o Socialista, a serem extintos, ou seja, acabou com a centrodireita e a centroesquerda que existiam na Itália até então. A operação levou ao suicídio de alguns tesoureiros e arrecadadores dos partidos. Por fim, mesmo com a centrodireita devastada, o Partido Comunista, que passou quase incólume pela operação não conseguiu aumentar seu eleitorado. Quem votava na centrodireita caiu no colo de Berlusconi. Por aqui, a impressão que eu tenho é que a força tarefa de Curitiba, aliada à grande mídia (Grupo Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Grupo Abril) apenas quer acabar com um partido: o PT, como se o resto do quadro político-partidário fosse impoluto.

O segundo é uma reportagem sobre a língua comum, o nheengatu, ainda muito falado no município de São Gabriel da Cachoeira, no norte do estado do Amazonas. Eu já ouvira falar dessa peculiaridade. Agora vem a reportagem confirmar.

Por fim, há a reportagem depoimento de Elif Batuman sobre o uso do véu pelas mulheres na Turquia ("Sem Lenço, Sem Documento"). A autora de ascendência turca, secularizada, relata uma viagem à Turquia e os sentimentos ambivalentes diante do uso do véu pelas mulheres, incluindo ela mesma.

Os outros textos também são bons, mas esses me tocaram mais.


28/08/2016.